segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Kimono Vermelho na Bienal do Livro SP 2016 - Dia 2

As nuvens pesadas não assustaram o público que foi curtir o "Evento das Maravilhas".
Quando eu estava saindo mais gente chegava para aproveitar mais um dia de Bienal do Livro.
O segundo dia da blogueira na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo também rolou sem grandes estresses ou emoções.
(Leia sobre o primeiro dia)

Ah não, espera, teve emoção sim...
Acabei não resistindo e comprei um livro, mas essa é uma história para mais tarde.

Quarta feira, 31 de agosto de 2016, chuva e frio para contrastar com o primeiro dia solar do evento. Eu e a Assistente do Blog Para Eventos, a ABPE, ficamos um bom tempo no trânsito por conta da chuva que caía na capital paulista. Nossa sorte foi o taxista e seu conhecimento sobre "cortes de caminho", além, é claro, de termos saído mais cedo de casa prevendo a situação caótica.

Basta cair UMA GOTA de chuva no chão e São Paulo para, é impressionante. Essa cidade deveria ser estudada.

Contando ainda com uma sorte do diabo, quando chegamos aos portões do Centro de Exposições do Anhembi não havia nem garoa acima de nossas cabeças. E para completar a graça, na saída também São Pedro foi parceiro e evitou que usássemos minha sombrinha quebrada.

Posso até não ser bonita por natureza, mas abençoada por Deus...

Para todos, mas principalmente para escritores
Para os fãs de O Pequeno Príncipe, tinha um espaço dedicado à obra, uma homenagem do Mosteiro São Bento, com direito a monges para explicarem um pouco mais sobre.
Nessas mesas com vidro tinham versões internacionais da obra de Antoine de Saint-Exupéry.
 
Lembrando sempre que, como não tenho mais celular, peguei emprestado o da ABPE e ele não é o mais evoluído em foco inteligente. Pelo menos quebrou o galho.

Depois de descansar boa parte da terça feira, pois o primeiro dia na Bienal foi puxado, resolvi descartar uma palestra que terminava mais tarde e ficar apenas com a primeira que tinha escolhido.

Basicamente me tornei batedora de ponto do Salão de Ideias, tanto que a ABPE acabou fazendo amizade com as organizadoras, que distribuíam senha, liberavam a entrada e levavam os microfones para o público fazer as perguntas durante as palestras.

A palestra que assisti nesse dia foi:
"A paixão pelo livro e a história da leitura" com as participações de Alberto Manguel e Ubiratan Brasil (como mediador). O nome deste não constava no site. Começou às 11h e terminou alguns minutos depois do meio-dia.

Uma das coisas que mais me chamou atenção nesta edição foram as palestras.
Os professores estavam arrumando a turminha pequerrucha no início do evento.
Quatro anos atrás eu assisti apenas duas, colhidas na correria para trazer novidades ao blog. Este ano, ainda que corrido, escolhi com carinho os temas que me interessaram. Olhei a programação da Bienal como uma escritora, e não como blogueira, o que acabou me proporcionando experiências especiais e indescritíveis.

Era provavelmente a única, além da ABPE, entre o público do Salão de Ideias que não fazia ideia de quem eram os palestrantes. Não conheço Alberto Manguel, não tinha ouvido sobre Santiago Nazarian e Ivana Arruda Leite soava como novidade. Nenhum autor ali era do meu conhecimento e por isso apelidei-me carinhosamente de "herege".
Em vez de ingressos, tínhamos algo mais simples, como esses papéis de controle de entrada das organizadoras do Salão de Ideias.
A herege curiosa que buscou por assuntos que chamaram a atenção independente dos palestrantes. E essa foi uma das surpresas das organizadoras do Salão de Ideias.

"Você está aqui por qual autor?", indagou curiosa, visto que, tinha feito essa pergunta para outras pessoas, que citavam seus gostos.
"Por nenhum, eu não conheço os palestrantes. Eu vim pelos temas", respondi, um pouco sem jeito.

Quando inventei essa história de ser escritora e tomei mais do que gosto por isso, fiquei viciada a ponto de não conseguir parar, não tomei o caminho do eruditismo e tampouco segui alguma dica para ser o que sou.

Não acredito que um contador de histórias precise obrigatoriamente ter lido todos os livros de Clarice Lispector, Machado de Assis, Agatha Christie, entre outros.

Eu sou tão herege que nunca li O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry.

Não conto isso para me sair como "a diferentona", e sim para mostrar aos outros escritores novatos e aspirantes que não precisamos necessariamente fingir uma imagem que não nos preenche.

Comecei a realmente tomar gosto pela leitura com Harry Potter (J.K. Rowling) e desde então busquei ler o que realmente me desse vontade, e não o que era considerado isso ou aquilo pelos outros.
Como sempre a Editora Intrínseca com seu estande que intercala entre vidro e marketing de livros.
Muito estandes com descontos e muitos livros baratos. Era só bater perna e escolher.
E esse assunto acaba me lembrando do que Bobby Baq disse durante a palestra que eu assistiria no dia seguinte: falta originalidade atualmente. E acredito que isso também sirva para aquele que escreve, e não somente sua obra.

Por que todos os escritores têm que ler tal coisa para ser considerado de fato um "escritor"? Não vejo onde esse pequeno detalhe nos torna piores ou melhores que os outros.

Mas, claro, você sempre pode achar que estou puxando a minha sardinha. Sem problemas. Só tenho pena de quem precisa se esconder atrás de uma coisa que não é para ser considerado algo que almeja.

Minha pretensão em 2018 fica sendo:
-Arrumar um gravador bom, pois meu pulso sofreu durante esses dias;
-Fazer este blog crescer;
-Arrumar parceria com editora;
-Conseguir credencial para o blog.

As palestras são altamente instrutivas e eu recomendo a você, novo ou aspirante a escritor, que tome algumas aulas com gente que está há mais tempo nesse fantástico mundo dos livros. Você nunca perde quando o assunto é conhecimento.

Espelho, espelho do meu lado... Existe algum horário que o Anhembi não esteja lotado?
Martins Fontes era o local para livros difíceis de encontrar e ultra descontos em outros livros.
Na hora do almoço o pessoal encheu a praça de alimentação!
A Editora Nova Sampa marcou presença com um estande grande ao lado da Liga HQ!.
Essa é uma boa pergunta.

Se em 2014 dava para rolar pelo chão no começo da manhã, não dava para falar a mesma coisa da edição deste ano.

Não sei se as escolas estavam mais motivadas ou se o povo realmente queria encontrar os Youtubers que fizeram presença durante esses dias de evento, porém, alguns corredores estavam realmente apinhados de gente.

A graça dessa pseudo-reclamação é que as fotos que tirei revelavam pequenos aglomerados e ruas razoavelmente tranquilas de trafegar.

Ah, verdade...
Acho o maior barato as pessoas que levam malas de rodinhas para colocar suas compras. Primeiro que é uma ótima ideia, bem melhor do que ficar carregando uma bolsa pesada. E segundo que é prático, né? Recomendo.

O que eu fiz foi levar sacolas retornáveis, já que não sei o que é viajar faz tempo, por isso não tenho mala de rodinhas.

Sempre puxando orelhas por aí
O hilário desse dia foi que deixei o mapa na bolsa e sequer precisei usá-lo para me locomover.
O bom, de quando as atrações mais disputadas rolavam, é que o resto dos corredores ficava vazio.
A maior parte dos estandes religiosos era mesmo de religião cristã, ainda que tivesse Seicho-no-iê, um com religião árabe e outras editoras como a Madras, que traz alguma coisa sobre religiões de matriz africana, espírita, etc.
E foi justamente nesse dia que eu vi o banheiro encher. Tinha fila para usar os sanitários, que pareciam se multiplicar em questão de entupimento. Foi a ABPE dar uma "apertada" na funcionária que cuidava da limpeza dos banheiros, que ela liberou uma área que antes estava fechada.

A desculpa é que estava tudo entupido, que não dava para usar e blá blá blá.
Depois que a ABPE reclamou e disse que eu espalharia a informação nas redes sociais, a mulher resolveu abrir e o contingente na fila foi diminuindo, tornando tudo mais fluído.

Nesse banheiro que eu fui tinha sabonete para lavar a mão.
Em questão de limpeza deixou um pouco a desejar. Em 2014 estava tudo bem mais organizado e limpo, pelo menos foi essa a minha impressão.

Sobre o caso dos sorvetes, para encerrar o assunto já neste post: a vendedora disse que não receberiam alguns sabores até o final do evento, como era o caso do picolé Mousse de Maracujá e Magnum Cappuccino.

Não sei como funciona a distribuição da Kibon, mas fica aí registrado o meu descontentamento. Pelo menos o de Mousse de Maracujá a moça disse que tinham pedido muito. O de Brigadeiro então nem se fala, as crianças se contentavam tristemente com o Chicabon. Chato isso.
O acúmulo de gente era sempre concentrado em algumas áreas, deixando outras bem livres.
Era passar pelas catracas e já conseguir vislumbrar um dos maiores estandes, se não o maior: Saraiva.
Dois estandes da Saraiva, um do lado do outro, separados por uma rua que parecia mais uma praça.
Os picolés da Kibon são feitos em Jaboatão dos Guararapes-PE, enquanto o sorvete de massa, aqueles de pote, normalmente são produzidos em Valinhos-SP. Sim, eu leio os rótulos, me deixem em paz.

Na praça de alimentação eu tenho um elogio e uma crítica.
O elogio é que de vez em quando passavam funcionários com sacos de lixo catando os papéis, bandejas e latas de refrigerantes das nossas mesas (enquanto terminávamos de comer). A crítica é que mesmo assim, algumas mesas vazias ficavam com sujeira por ali.

Só vi uma vez uma funcionária passar álcool em uma delas.

Não sei se era a mesma empresa de 2014, no entanto, a limpeza num geral realmente não estava lá essas coisas.

No evento era rainha, mas em casa está "moidinha"
Os estandes que puderam investir mais, estavam bastante criativos. Chamavam atenção dos curiosos.
Numa passada perto do Espaço Infantil BIC - Maurício de Souza tirei essa foto de publicações da Turma da Mônica em outros países.
As placas de saída e sanitário estavam em bons locais, tanto que nem precisei usar o mapa nesse dia.
Uma coisa muito doida que percebi nessas minhas andanças pelo evento é que quase não tomei água e andei pra caramba com a ABPE.

No calor da emoção a gente nem repara, o problema é quando chegamos em casa. As pernas doem, os joelhos, os pés... Por isso eu reforço tanto sobre roupas confortáveis.

O que batemos os pés em tampões desnivelados do piso elevado perdi até a conta.

Não sei se eu teria muito pique para participar todos os dias... Quem sabe quando rolar uma credencial, né?
Ainda que seja barato para um evento desse porte, R$ 20 em dias de semana e R$ 25 em final de semana acabam pesando no bolso.

Isso porque não contei os gastos com comida e transporte, além das compras. No final acaba saindo bem salgadinho.
Espaço "Menas" com as frases ditas no nosso dia a dia e que com seu jeitinho acabam fazendo parte do nosso português, mesmo que não seja o mais "correto".
Vamos falar sobre a Comix? Acabei não resistindo e passei por lá... Só que essa história fica para o relato do terceiro dia. hehe
Nesses espaços com totens (como esse da foto), o pessoal podia escutar música e carregar os celulares ou tablets. Tinha rolado algo parecido em 2014 e neste ano eram espaços da Spotify, player de músical oficial do evento.
A parte mais bacana é ver muitas escolas de São Paulo e até mesmo de outras cidades trazendo seus alunos e despertando esse interesse pela leitura. Uma das minhas grandes dores no Ensino Fundamental e Médio foi a omissão total das escolas em que estudei. Não sei se tinha a ver com o fato de serem religiosas ou se era apenas preguiça no rabo.

A verdade é que nessas cinco edições, eu que corri atrás. De 2006 para baixo eu ainda estava na escola e nenhuma delas pareceu se preocupar com o incentivo à leitura.

E em uma das palestras que assisti esse foi um dos temas abordados.

Sério, vocês não sabem como as palestras foram instrutivas!!!

Mesmo sem lista, eles te puxam
O Espaço Cordel e Repente foi muito amor. Poderia ter toda santa Bienal. Já sinto saudades.
Sim, vai ter resenha aqui no blog. Decidi que voltarei a fazer resenhas, então fique de olho!
Quem disse que eu escapei de não levar nada nesse segundo dia?

Um dos meus espaços favoritos, depois do Salão de Ideias, era o do Cordel e Repente.

Não posso fugir do sangue que corre em minhas veias, como boa filha de nordestina respeito e fico encantada com a rica cultura do povo guerreiro e sofrido dessa região do país.

Cordel eu nunca tinha visto de perto, só ouvia falar. E repente é uma das minhas paixões. Sempre paro e escuto, pois tenho dificuldade com essa rapidez de pensamento dos repentistas. O que eles fazem eu não me atrevo. É realmente mágico.
Espaço de venda das xilogravuras, desenhos e cordéis.
Pois é, gente, esse palco aí veio num caminhão (!!!) que foi estacionado no meio do pavilhão!
E vocês ainda verão imagens do Cordel e Repente no relato do terceiro dia da Bienal!
Almofadinhas e pufes de chita em bancos de madeira para quem assistisse as apresentações.
Muito lindos os azulejos com esses desenhos, pena que minha casa é uma baderna.
Já sobre A Rebelde do Deserto...

Estávamos passando por um corredor, meio apressadas para ir embora, quando vejo nas persianas giratórias da Companhia de Letras a capa e o nome desse livro.

Levada pela minha curiosidade, sempre adorável e quase terrível, entrei e dei uma olhada na sinopse.

Mesmo libriana, eu tenho esses ataques de loucura, de decidir se quero arriscar ou não, e quando vi por cima que falava sobre uma mulher pobre e órfã, ou seja, tinha uma protagonista mulher que vivia sob um sistema patriarcal, achei que seria interessante dar um voto de confiança.
A grande estrela do dia 1º de setembro, Kéfera Buchmann, e a propaganda de seu livro.
A biblioteca itinerante do Sesc. Na 23ª edição da Bienal ela também estava por lá!
Por isso vivo relutando contra indicações do que ler ou assistir. Se não me cativar pela capa e pela sinopse, eu raramente me interesso.
Pode ser um enorme defeito que eu tenho, no entanto, convivo bem com ele e me sinto mais feliz.

Sei lá, acabo me sentindo mal quando alguém indica algo que amou e quando vou ver não faz o meu tipo. Aliás, as pessoas são ótimas em me indicar coisas que eu não gosto.

Sou difícil de agradar por causa dessa minha imprevisibilidade.

Num dos estandes acabei encontrando algumas revistas de Miraculous Ladybug. Tinha revista com adesivos, outra contando o episódio do Cupido Negro e por aí vai. Foi engraçado, porque de repente bati o olho e precisei arrastar a ABPE para que eu pudesse tirar umas fotos.

Não, não comprei nada.
Esse tipo de material não me interessa muito. Já tenho altas tranqueiras acumuladas nas caixas que ainda não desfiz da minha mudança.

Calado, ninguém precisa me lembrar que Abril já passou faz tempo.

Logo, logo, tem posts sobre as palestras, viu?
Evento: 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
Dia: 31/08/2016 - Quarta feira
Horário de entrada (aproximado): 09h40
Horário de saída (aproximado): 15h10
Refeição: Lanche (pastel e refrigerante) + sorvete = R$ 37
Palestras vistas: Uma
Compras: Um livro e alguns cordéis
O dia foi nota: 7

Sobre as fotos: os rostos foram borrados para preservar a imagem das pessoas, afinal, elas não deram licença escrita para que eu pudesse expô-las aqui. Caso alguém prefira que a foto em que aparece seja retirada, por favor, enviar um e-mail para akai.kimono@gmail.com com foto que comprove que aquele era você. Vamos evitar falsos-positivos e retiradas desnecessárias do conteúdo do blog.


Por Kimono Vermelho (05/09/2016)

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