quinta-feira, 20 de março de 2014

Taubaté proíbe Diabo nas escolas!

"Ai, lá vem a caçadora de views..."
Incorreto, caro leitor engraçado, isso se chama post polêmico, uma das especialidades do Kimono que tem a cor da treta: vermelho.

Vamos lembrar aquelas informações bacanas para evitar ignorâncias?
-Este é um post opinativo, você pode odiar, não concordar e querer morder meu braço, só que não vai mudar a minha opinião na base da pancada;
-Quer comentar, mostre argumentos sólidos e não blá blá blá sem fundamento;
-Minha intenção ao escrever sobre este assunto é gerar debate do que realmente estamos fazendo ao criar os nossos filhos e se não é hora de acordar DE VERDADE para a vida.

Pronto, acho que estamos todos de acordo. *abre o guarda-chuva de diamante* Que venham as pedras, pois os seguidores de Jesus atualmente esquecem o "quem nunca pecou, que atire a primeira pedra".

Mexendo com onça...
Estava eu derpando linda e maravilhosa na internet, quando me deparo com a seguinte matéria no G1: "Pais dizem que livros didáticos fazem apologia ao diabo em Taubaté, SP".

O texto é de 14/03, e se ninguém soube ainda, estou doente desde 10/03, então imaginem como estou entendida dos assuntos de fora.

Mais uma vez estamos lidando com algo que não deveria ser considerado tão diabólico, se me permitem a brincadeira idiota, já que vivemos em um país que se diz "estado LAICO". O Brasil deveria sair do armário como fez o famigerado Félix da novela Amor à Vida (Globo) ano passado e se assumir Católico/Cristão.

Não, não estou sendo injusta.
Estudei desde o Ensino Fundamental até o Médio em escolas católicas e sei muito bem do que estou falando. Fiz 1ª Eucaristia, fui batizada na Igreja Católica Apostólica Romana, acredito em um ser maior chamado Deus, só que pera lá! Nas minhas aulas de Ensino Religioso nunca se tocou nos nomes de outras religiões. Deveriam ter mudado o nome da aula para Ensino Católico.
Isso em meados dos anos 2000, antes da primeira década.

Além do que, todos os nossos feriados religiosos são católicos.
É claro que existem datas festivas que embarcam junto por conta da influência de imigrantes que vieram há anos para o Brasil, como o Dia de Iemanjá, a lavagem da Escadaria de Nosso Senhor do Bonfim pelas baianas ou o Tanabata Matsuri [Festival das Estrelas] comemorado pela comunidade japonesa.

Ainda assim vivemos em um país extremamente preconceituoso, onde boa parte dos religiosos não se respeita e muito menos se dá ao respeito.


...com vara...? Não, com palitinho de dente...
Agora vamos falar sobre a matéria do G1.

Acredito que o problema maior reside na família. Ela morre de medo do diabo, mas deixa seus filhos ao léu, porque trabalham muito para dar tudo do bom e do melhor e muitas vezes esquecem que é preciso também formar a opinião daquele pequeno ser humano, explicando sobre o mundo, a vida e como as coisas funcionam fora do umbigo dele.

Ao contrário do que até mesmo eu pensava, as crianças atuais estão EXTREMA E ASSUSTADORAMENTE mais inteligentes que as gerações passadas.
Se aos dez anos eu era um Ás em tecnologias, hoje são os nanicos de 3~4 anos dando um baile louco nos pais e nos avós, mexendo nesses celulares complexos.

Se você, pai e mãe, não têm uma base sólida, uma mente esclarecida e está resolvendo passar a criação cuspida e escarrada de pais que viverem em outro século, obviamente vai educar o seu filho para ver só coisas ruins e condená-las às vezes por serem apenas diferentes.

Uma família que frequenta uma mesa branca espírita, um terreiro de Candomblé ["macumba" para os leigos], uma sinagoga ou um templo, não é menos merecedora de respeito que uma família que vai aos cultos ou missas.

Chega a ser um alto nível de hipocrisia você reclamar de um "tridente de diabo" e dar um mau exemplo ao seu filho fofocando da vida alheia e apontando os defeitos dos outros. Não pense que uma coisa lava a outra. Pecado é pecado em qualquer circunstância em que o coração da pessoa é envolto por inveja, ódio e outros sentimentos menos nobres. Ninguém é santo aqui, somos apenas reles seres humanos.

Sobre a parte de um livro que ensina a ser vidente destripando animais, aí é preciso conversar com o seu filho, explicar que aquilo é fantasia e que não devemos matar os animais (se for para alimento, deixemos com as empresas que sabem o que fazem). É provável que a criança dê um olé no adulto dizendo algo como "isso é faz de conta", "é feio machucar os animais" ou "não achei nada de mais".
Se uma criança sente prazer ao ver o sofrimento de um animal ou de uma pessoa isso não é caso de religião, é caso de psicologia/psiquiatria. É um distúrbio mental.

Sejamos francos. Não só a educação arcaica que recebemos é o problema. Pessoas menos instruídas ou de locais mais humildes normalmente são fervorosamente apegadas a religião. Não acho errado, pois acredito que a fé pode criar milagres (não aqueles exagerados, mas pequenos pedacinhos de esperança). Tudo se torna venenoso quando fechamos os olhos e seguimos um caminho reto e direto sem saber se há outras opções melhores ou para crescermos mais.
O que me irrita é gente estúpida e incapaz de respeitar a crença dos outros, além dos que adoram empurrar sua religião goela a baixo nos outros.

Nosso dever, daqueles que têm filhos pequenos ou daqueles que pretendem ter, é observar como fomos educados, diferenciar as coisas boas das ruins e melhorar essa criação nas gerações futuras.

Às vezes gosto mais dos ateus do que dos religiosos pela visão simplista deles.
"Por que se preocupam com o diabo? É um conto, uma história, igual aos contos de fadas. Uma fantasia como qualquer outra."
Acredito que o ser humano criou um antagonista, alguém para ser culpado pelo mau, tirando deles o mérito infeliz de serem eles mesmos os propagadores do mau. Afinal, é mais fácil botar a culpa no outro ou em que não tem como se "defender".

Vou reproduzir aqui os comentários que achei magníficos sobre a matéria.
São de uma pessoa que se apresentou como Amanda Pinto lá no texto do G1.

"Na boa, eu acho que as pessoas preferem que seus filhos leiam "Lavrador é uma profissão muito legal, ele sai de casa todo dia cedinho, trabalha muito feliz, ganha seu dinheiro e volta para casa bem contente. Quem quer ser um lavrador?" R: EEEEEUUUUUU!! O livro "ABC doido", é super legal e em relação ao "T", nas séries iniciais pode acontecer da criança não cortar o T em cima, mas no meio, que fica assim: +. É uma maneira divertida, e que o aluno SE INTERESSA, de mostrar a grafia correta da palavra. E com certeza, essa "APOLOGIA AO DIABO", vai ajudá-los na hora em que forem escrever o T."

"2-Agora, existem outros fatores que importam na formação de caráter do aluno, como por exemplo: o ambiente familiar, os jogos que os pais compram pra eles jogarem, as novelas sujas a que eles assistem. ESCOLA é um ambiente onde se constrói conhecimento, com profissionais capacitados que sabem o que estão fazendo, ou deveriam saber. Assim como se fala de bruxas, pode-se falar do diabo, é mitologia, faz parte da HISTÓRIA. O texto do sacrifício é um texto instrucional, a criançada acha interessante, é uma coisa que acontecia em outra época"

"3- E que acontece em algumas religiões. O mundo hoje em dia anda bem esclarecido, a escola não pode mais formar seres passiveis e ignorantes. Tem que trabalhar nas diferenças, no respeito ao próximo. Não tem religião que trabalha com sacrifícios? A igreja católica não matou centenas de mulheres enforcadas? Não se deve omitir, a formação que omite já acabou. Deve-se mostrar, os alunos devem conhecer, refletir, formar uma opinião a respeito do assunto, um assunto que interessa, e saber questionar, debater e PENSAR. Queremos sujeitos ATIVOS!"

"4- Parem de ter medo, é mais uma história como tantas outras. Confie no professor do seu filho e no SEU FILHO, ele não vai sair matando coelho por aí. Assim como não vai sair caçando bruxas. Não gostei do titulo da matéria, com essa imparcialidade meia boca. As crianças já conhecem o mundo através da internet, o mundo não é outro dentro das quatro paredes da escola, as crianças PRECISAM aprender a lidar com a quantidade de informação que recebem. Se não for na escola, vai ser a onde? Com essas famílias cheias de preconceito e com pouca informação."



É melhor instruir, sempre.
Aliás, estamos ou não no século XXI?

Entre mortos, feridos e pedradas...
Alguém sobreviveu?
Recomendo a leitura do texto do G1. Só do texto, porque a seção de comentários é um mergulho à parte. Isso aí é você que resolve.

Este caso me lembrou daquele dos livros didáticos sobre sexo e homossexuais que sofreu uma senhora reprimenda chegando a ser censurado ou tirado das escolas (minha memória é vergonhosamente horrível, eu sei).
Sim, essa sou eu caçando pautas por todos os lados, já que sarna para me coçar só mesmo no Kimono Amarelo.

Nos vemos nas próximas Polêmicas!

Por Kimono Vermelho (20/03/2014)

2 comentários:

  1. Saudações


    Tenho por mim que a boa educação vem de laço familiar. Se os responsáveis, no caso, não conseguem ver a importância disto como deveriam só podemos lamentar...
    Na escola, em teoria, é o local do saber. Desvinculando um pouco do sistema antiquado que impera no ensino básico brasileiro atual, e cutucando a questão da educação (no sentido de formação) da criança, o despreparo da primeira irá agregar em contínuos despreparos conseguintes, salvo caso desta pessoa em questão buscar um melhor aprendizado por vontade própria...

    As palavras contidas em seu post são de minha concordância, nobre, na totalidade.

    Na verdade, fico até pasmo em ver que, infelizmente, as pessoas continuam a pensar como em épocas passadas, especialmente no âmbito religioso...
    Acho isso deveras lamentável.

    Muito bom o post, nobre Red Kim.


    Até mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Carlírio!
      Também me espanta em pleno século XXI passarmos por situações condizentes a tempos remotos. De qualquer forma, alguns "erros" são tão enraizados que ou as pessoas abrem sua própria mente ou o ciclo perdura.
      Obrigada pelo comentário!

      Excluir

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.