terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Rolêzinho da hipocrisia

Quando você perceber que um blog está empoeirado e que a dona dele está muito quietinha, desconfie. Sempre vem bomba dos mais quietinhos...

Brincadeiras à parte, para quem não sabe eu estou me dedicando excessivamente ao Kimono Amarelo que fala de animes, mangás e essas coisas endiabradas que eu não posso comentar aqui... A não ser que vocês imaginem as imagens, é claro.

Para provar que a cor deste Kimono é a da polêmica, vou pedir para os leitores puxarem dois assuntos que foram notícia este mês: Rachel Sheherazade e os rolêzinhos. Não exatamente nessa ordem.

Vamos dar um rolê?
Como de praxe quero deixar avisado que esta é uma opinião própria, que você pode discordar desde que não me apedreje por prazer e que pessoas superiores discutem com argumentos. Argumentos não são xingamentos. Obrigada.

Eu sou uma burguesinha de merda (com o perdão da palavra) que reclama do funk alto nos finais de semana e que é mais pobre do que a galera que mora em favela, afinal, pobre mesmo é quem tem televisão de tubo (eu tenho duas, por favor, não riam), favela tem televisão de plasma/LED/LCD.

Eu era a classe média, hoje sou a decadência do que ela já foi um dia. Sou fresca mesmo, não consigo me enturmar com o pessoal porque a minha timidez e seriedade são coisas de outro século, mas eu não sou contra os rolêzinhos.

Os burguesinhos têm o seguinte pensamento:
-Preto e pobre, tudo ladrão;
-Favelado ladrão;
-Gente que escuta funk: preto, pobre e ladrão.

Alguém vai discordar ou vou ter que começar a tocar o disco da hipocrisia?

É fato que quando esses encontros acontecem em lugares fechados, como shoppings, causa um pouco estranhamento e medo por conta da QUANTIDADE de pessoas. Se você nunca foi em uma 25 de Março da vida ou um Saara não sabe o que é formigueiro humano.

E igualmente aos protestos, sempre tem marginalzinho no meio da turma que só quer curtir o passeio. O medo fica por conta disso, de quebra-quebra, furtos e outros atos praticados por gente que é incapaz de conviver em sociedade.
Só que vale lembrar, não generalize um grupo por uma minoria. Vândalo é vândalo, rolêzeiro é rolêzeiro. Pode ser difícil para alguns entenderem essa equação simples, porém, é necessário lembrar que não temos tantos parques e praças bem conservados na periferia ou até galerias e grandes centros de lazer. É onde mora o pobre que o governo mais ignora.

Esses jovens estão cansados de ficar para escanteio.
Querem ostentar as roupas de marca (algumas vezes parceladas a perder de vista), os celulares, óculos e outros acessórios, querem encontrar alguém para trocar umas ideias ou até mesmo saliva (hehe).
Por que não podem ir ao shopping? Por que não podem conhecer lugares lindos que antes eram territórios demarcados de "rico"?

O valor na nossa conta bancária é o que nos limita?

Nenhum deles está querendo ir para a Europa ou comprar uma roupa em uma loja cara de Nova Iorque, eles só querem curtir e reunir os amigos.




Obviamente é compreensível também o medo dos lojistas e dos outros transeuntes, já que o nosso país infelizmente é conhecido também pelos arrastões (os mais famosos são em praias e ruas de comércio com muito movimento). Não tiro a razão deles de querer segurança para trabalhar, afinal, imagina se entram trinta jovens em uma loja e enquanto a preocupação fica na muvuca os que são sacanas vão lá e furtam várias peças. Pode não parecer, mas aluguel de espaço em shopping (até no mais barrela) é MUITO caro.
O dono da loja é prejudicado, as funcionárias são prejudicadas, todo mundo sai perdendo, porque não pense que eles não pagam contas de luz, água, compras do mês, cartão de crédito. O pessoal não é rico não! Rico é quem pode ficar viajando lá para fora a torto e a rodo, rico é quem escolhe o dia da semana que vai trabalhar, rico é quem pega jatinho/helicóptero/iate para passear.

Resumindo, seria de bom tom dos rolêzeiros controlarem a quantidade de pessoal que vai E NEM COMEÇA COM "ainn mas é difícil", te vira, dá teus pulos! Divide o dia dos encontros ou algo do tipo, pois é o único jeito de não virar bagunça e deixar visível quem são os marginais infiltrados no grupo.

Proibir as pessoas de entrar em determinados locais por serem "pobres"/rolêzeiros ou estarem vestidas como "pobres"/rolêzeiros também chega a ser uma palhaçada. Se shopping virou clubinho, melhor murar em volta e exigir carteirinha, né?

Falando em burguesinha...
Todo mundo sabe que falar de polícia e bandido neste país é pedir para acontecer o seguinte:
-Fala bem da polícia e fala mal de bandido: burguesinha, defensora da opressão, tá errada...
-Fala mal da polícia e fala "bem" de bandido: pessoa de bem (risos), pessoa culta, tá certa...
Tocar nesse assunto é delicado.

CONTUDO, como tenho sobrevivido a todas as polêmicas deste blog, inclusive uma em que contestei a parte cega e extremista do feminismo, vou tentar abordar o tema da melhor forma possível deixando a parte grossa da minha opinião de lado.
Por quê? Porque ao contrário das pessoas de bem, eu sou do mal.

A âncora do SBT Brasil (SBT) fez uma declaração polêmica no começo do mês ao comentar sobre um menor de idade suspeito de roubos que foi amarrado a um poste nu e que foi agredido por "vingadores". Rachel Sheherazade lançou a campanha "Adote um bandido" ao pessoal dos Direitos Humanos.

Foi engraçado igual à aquelas piadas de mau gosto que você dá risada e sabe que vai para o inferno. Só que a graça para por aí.
Se não há ordem vira anarquia e não há sentimento mais devastador do que o medo de que todos possam fazer o que bem entenderem e ninguém ser respeitado.

Que bom para quem não fica irritado ao ser roubado ou ao perder a vida independente de ter reagido ou não. Sabe, você é um santo que deveria ser canonizado. Monte uma igreja e ensine o resto dos seres humanos a serem puros e livres de ódio como você.
O brasileiro está cansado de perder bens que sofreu para possuir, de perder familiares por conta da ignorância e ganância alheia, estamos todos prestes a explodir. E a polícia, a grande vilã como sempre, não é a única culpada.
Não estou eximindo de culpa os corruptos e os que abusam do poder, estou falando sobre os pais de família e os bons cidadãos que fazem seu trabalho e que vêem a Justiça soltando os infratores com fianças ou brechas na lei.

A primeira culpa é da nossa legislação ruim, mais furada que queijo suíço. A segunda é da educação precária. A terceira é da diferença gritante entre classes sociais (sim, ela ainda existe). A quarta é esse ciclo vicioso de corrupção, ostentação e bullying psicológico.

"Ah você não tem o tênis da marca XY?"
Das três uma: você trabalha para pagar à longo prazo ou rouba ou entra para algum negócio ilícito que te dê dinheiro fácil.
A primeira opção é cara demais para quem vive assistindo na televisão um mundo que ele não pode ter ali agora. Nem todo mundo tem a boa cabeça de pensar "vou trabalhar e comprar com o meu dinheiro".




É realmente linda a utopia de pensar que um ladrão, mesmo pego em flagrante, vá esquentar banco em cela de prisão e aprender com os seus erros (ou até mesmo sentindo vergonha por agora ter uma ficha criminal). Sabemos que com a maioria não funciona assim.

Quanto aos Direitos Humanos, o que me irrita nesse pessoal é que basta aparecer um criminoso que eles o enchem de escudos, querem ajudar com isso e aquilo, além do "não rela nele que a gente abre processo", só que incrivelmente somem quando um policial é baleado, morre ou fica em estado grave no hospital. Não existe Direitos Humanos para os policiais...porque são policiais? Eles também não têm família? Direitos Humanos não deveria ser para TODOS? Ou eles se limitam aos "fracos e oprimidos"?

E quem são esses "fracos e oprimidos" segurando armas?
Ao que me consta ninguém bota uma arma na mão de uma pessoa e fala para ela começar a cometer crimes. Do mesmo jeito que ninguém aponta uma arma e obriga uma pessoa a se drogar.

A vida é feita de escolhas. Você tem o caminho das pedras que é o honesto e tem o caminho mais fácil que acaba na cadeia ou em morte. Sim, tudo depende do desespero e do que está em jogo. Não quero fazer apologia ao crime, longe disso, mas se eu precisasse salvar a minha família de uma condição de vida ou morte, eu afundaria o pé na lama e faria o que fosse preciso, PORÉM, só em uma condição EXTREMA como essa. A vida está difícil SIM, as coisas estão um turbilhão de complicações, mas é preciso aprender a lutar até sangrar. Tem gente que desiste na primeira pedra quando ainda existem muitos caminhos para percorrer, se entrega facilmente.
Viver é sofrer também e lutar é a única chance de conseguir algo sem perder o caráter e parte da alma. Ninguém disse que a batalha seria moleza, agora só resta saber até onde vai a sua dignidade, honestidade, caráter e força.

E prevejo quem ainda diga "ah, você tem tudo". Hahahaha. Melhores piadas, amigo.
Não. Eu não tenho. Infelizmente não tive a mesma sorte que você, só que eu não desisto. Cabe a cada um descobrir o gigante que mora aí dentro e que ainda está adormecido.

Agora vaaaaaaaaaamos falar de Rachel Sheherazade...
Cada um tem o direito de expressar sua opinião mesmo que ela não seja a mais inteligente, NO ENTANTO, como pessoa pública e com o agravante de dizer o que disse em rede nacional, a jornalista tacou a sacola de esterco no ventilador e ainda aplaudiu de pé a "arte".

Conhece aquele "certas coisas devemos guardar para nós mesmos"? Então, ficaria perfeita nessa situação. Ao mesmo tempo que devemos lembrar que somos livres para nos expressar. É claro que nem todo mundo vai gostar de ouvir, mas é importante existir esse embate de ideias contrárias para debatermos e pensarmos "estão todos errados ou cada um tem um fundo de verdade?".

Agora podem pegar as pedras, porque está na cara que vai ter gente me apedrejando...
Não discordo tanto assim da Rachel Sheherazade na parte "adotem um bandido" e adiciono: preferencialmente deem recursos e educação para que ele saia dessa vida, afinal, é meio caminho andado para a pessoa sair disso (com as exceções dos que podem gostar de cometer crimes). Se tem tanta "pena", se luta pelos direitos deles, o que te impede de montar uma organização não-governamental e ajudar esse pessoal? Aí ó resolvi as paradas.

E ai de quem jogar pedra em mim que eu processo por agressão opinária! #quê?

Direita, Esquerda, Pra Baixo, Bolinha, Quadrado
Entre mortos e feridos, quantos sobreviveram ao post?
Fazia tempo que eu não escrevia tanto...sobre algo que não é episódio de animação japonesa. Estou enferrujada.

Nos vemos nos Diários de Uma Escritora ainda esta semana, porque... Eu quase esqueci que não tinha escrito o deste mês. Ó A MINHA MEMÓRIA LINDA! É tanto B.O. para resolver que eu esqueço do resto da vida.

Até a próxima polêmica!

Por Kimono Vermelho (25/02/2014)

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