terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O Poder de Um Nome

É inegável o fato de que tudo fica mais interessante, ao menos monetariamente, quando um nome importante está envolvido. Eventos, publicações, fotos, matérias em sites de notícias...
Um nome atualmente é muito mais importante do que a qualidade trazida por ele.
É certo?
É errado?
É uma vergonha.

Como explicar o sucesso de uma novela que está com uma trama tão perdida quanto cego em tiroteio? E como explicar uma novela com personagens carismáticos, diálogos inteligentes e trama encantadora que não recebe o devido valor?

É uma briga que envolve tradição.

A rede de televisão em que a primeira passa é conhecida pela dramaturgia há mais tempo do que eu tenho de idade. A segunda teve um começo bem ruim e agora desponta com boas séries, apesar de religiosas, e uma novela que instiga a curiosidade do espectador a cada final de capítulo.

Não gosto de "falar mal" de autores, porque escrevo e sou do seguinte pensamento: "não faço com os outros o que não quero que façam comigo". Só que ficaria feio demais defender sem ter de fato grandes e bons argumentos. Talvez a única defesa aqui seja que uma novela é uma obra aberta e que nem sempre há tempo para planejar todos os detalhes, pois você tem prazos a cumprir, além de depender da boa vontade e decisões dos atores.

Agora vou dar nomes aos bois.

Já comentei sobre ele e sua personagem gordinha em outro momento, além de contar que sua novela não sairia tão cedo da minha memória por conta da minha mudança de casa. Mas Walcyr Carrasco terá que me desculpar, pois a trama de Amor à Vida está tão novelo de lã enrolado de qualquer jeito que nem tenho o que salvar. Bem... Tenho sim. O Félix (Mateus Solano) é muito divertido, mesmo com colunistas dizendo que está ficando caricato. Sem esquecer do ar de romance entre ele e o personagem Niko (Thiago Fragoso).
A história está entediante, boa parte dos personagens está insuportável e o fim em breve será muito bem vindo.
Não sei até que ponto também a emissora não dá os seus pitacos (leia: censura), então não consigo ser injusta em jogar 100% da culpa no autor.

Do outro lado temos Carlos Lombardi com Pecado Mortal da Record.

Antes de expor minha opinião sobre, vale lembrar a beleza que é o povo brasileiro quando quer mijar no banheiro inteiro, menos na privada. Reclamam da novela da Globo, falam mal da Record, mas assistem Amor à Vida sem dar uma chance sequer a boa trama de Lombardi. Quando não é essa hipocrisia, simplesmente jogam tudo no lixo sem direito a revisão.

Ó, vocês são todos gênios, viu? Pena que o ibope da TV Cultura não sobe no mesmo ritmo de seus comentários. Sim, este trecho foi desabafo.

Voltando a falar de Carlos Lombardi, ele foi autor de várias novelas da Globo. Das que vi não gostei de nenhuma, em compensação, agora na Record e - no meu chute para a lua - com mais liberdade, trouxe Pecado Mortal que conta os bastidores do jogo do bicho no Rio de Janeiro da década de 70.
A trama é incrível, os personagens são carismáticos e os diálogos parecem muito mais naturais. Apesar de a Record ainda não ser bam-bam-bam em dramaturgia, ter cenários bem simples e pecar aqui ou ali, a novela é bem bacana.

Uma observação interessante é o desempenho dos atores mirins, filhos do casal de protagonistas: Rafaela Almeida interpretada por Pietra Goa e Rodolfo Almeida interpretado pelo Luiz Felipe Mello (o "eterno" filho da Morena de Salve Jorge - Globo). O autor não trata as crianças de forma patética como se vê em diversos livros e séries, elas participam de conversas sérias e fazem um humor leve e gostoso de acompanhar, como quando Patrícia (Simone Spoladore) disse aos filhos que fingiria se separar de Carlão (Fernando Pavão) por causa de seu trabalho como promotora. Rafaela, esperta, então pede o estojo de maquiagem da mãe emprestado para fazer olheiras, mostrando que não está dormindo bem por causa da separação dos pais. Já Rodolfo pergunta se pode bater em um coleguinha de classe, pois "filho de mãe separada é agressivo". Isso quando os dois não estão ajudando o pai a amolecer o coração da mãe. Só quando o assunto é realmente complicado e pesado é que as crianças são colocadas para fora de cena.
Eu gostei bastante dessa escolha do autor, porque acho cansativo pais que gostam de esconder a verdade dos filhos ou que vêm com aquela história para boi dormir de que "ah, isso não é assunto para criança". Claro que certas coisas não devem ser conversadas perto dos pequenos a rodo e a torto, no entanto, ficar escondendo informações relevantes só mostra o quanto os adultos não sabem nada sobre criação.

Deixando o assunto "novela" de lado e entrando em outro bem mais cabeludo, ano passado eu vi no Twitter um link para um texto muito interessante e que me fez querer escrever este post. Adiei bastante, eu sei, mas agora estamos aqui.

O primeiro é de Julio Silveira com o Escritor bom é o que mais aparece, que rebateu os comentários do editor e escritor Raphael Draccon no texto de Marina Cohen em "Rubem Fonseca, hoje, não seria publicado", diz diretor do selo Fantasy.
Independente de o leitor ser escritor ou não, eu recomendo a leitura e o convido ao debate.

Senta no sofá que a conversa vai ser longa
Enquanto Draccon defende um escritor mais participativo, Silveira critica essa "obrigação" de comportamento e nos faz pensar se isso é sinônimo de qualidade.
Os dois têm bons pontos para serem discutidos e observados, contudo, também é preciso ter uma posição própria.

Eu deixei a ingenuidade para os obscuros anos da adolescência, portanto, acredito que feliz ou infelizmente é preciso adequar a dança com a música que está tocando no momento. Não acho que Draccon esteja tão errado em dizer que os escritores precisam estar em contato com o seu público, se divulgar na internet, participar de eventos e afins. E também concordo com Silveira que panelinhas e amiguinhos influentes não dão selo de qualidade para história nenhuma.

O que é preciso entender aqui é: até que ponto você está disposto a chegar para poder viver da sua literatura?

Eu particularmente não sou da turminha sociável que gosta de ir à barzinhos e conversar sobre besteiras típicas de jovens, só que toparia, sim, participar de alguns eventos para conhecer gente nova e discutir algo mais interessante do que "quem está pegando quem" ou "qual a melhor balada do momento". Sem falar que mantenho este blog e vários outros projetos para posteriormente divulgar meus livros, além de ter perfis no Twitter com o mesmo fim.
Não acho pecado querer fazer uma network e muito menos acredito que isso torne livros normais em histórias épicas, afinal, quem determina o que é bom ou não é o gosto de cada leitor.

Existem pessoas que morrem pela saga Cinquenta Tons de E.L. James como se ela fosse a deusa da nova literatura erótica, enquanto eu abomino aquela escrita desleixada e vergonhosa que é pior do que todos os livros de Gregório de Matos que fui obrigada a ler no Ensino Médio.

E também quem ou o que mede a qualidade? A quantidade de livros vendidos? Bem, acabei de dar um exemplo primoroso de que quantidade não é exatamente sinônimo de boa coisa.

Acredito que os escritores devem ter em mente o que querem e o que são capazes de fazer para atingir o seu objetivo. Se você concorda em se vender e fazer o que manda o figurino, como, por exemplo, não expressar sua real opinião, passando a mão na cabeça de todo mundo para parecer uma pessoa impecável... Bom, a escolha é sua. Se você se sentir bem com isso, quem sou eu para dizer o contrário?

Uma das coisas que me incomodou no que Draccon disse para Marina Cohen foi o monitoramento das redes sociais do candidato a escritor e que a vida dele tinha que ser tão incrível quanto sua história. Soou como se o candidato fosse vendido como um mártir e sei que a partir do momento em que eu me posicionar sobre isso estarei dizendo adeus a qualquer chance de ter meu livro publicado por seu selo. Pois bem, não sei se foi a intenção do editor, porém, soou ridículo. Não quero que as pessoas fiquem com peninha de mim, porque tive uma história de vida filha da puta difícil, quero que os leitores saibam que ninguém tem um caminho perfeito e reluzente, mas que é possível vencer se você não desistir. Ser guerreira é diferente de se vitimizar e virar mártir.

Sobre o monitoramento das redes sociais (para ver quem é encrenqueiro e se alguém andou falando o que não devia sobre outros autores), por um lado é compreensível, pois uma marca não vai querer associar o seu nome a alguém que pode causar uma saia justa, só que também limita a liberdade de expressão da pessoa.

É preciso entender que máscaras caem com o tempo, então fingir ser o que não é pode resultar em um final trágico.

Não me incomodo com quem queira ficar em casa, isolado, escrevendo. A vida é feita de escolhas e não devemos nos forçar a fazer o que não desejamos, porém, é interessante entender que os leitores vão querer te conhecer, falar sobre sua trama, reclamar daquele shipping e esse tipo de coisa. Não dá para esquecer deles que são uma das partes principais de tudo isso.
E o escritor "antissocial" tem que entender que marketing é ainda a alma do negócio. Se você não vender o seu peixe, vai ficar com quilos de peixes em começo de decomposição, então seja razoável.

Ser bom não é estar andando com a turminha da moda, ser bom é emocionar e instigar a leitura nas pessoas.

Eu não quero a fama póstuma, eu quero ser reconhecida agora em vida, eu quero fazer o meu nome por mim mesma e aceito ajuda se for de boa vontade, pois se não for de coração limpo eu não preciso.
Eu não sou da turminha dos amigos famosos e não sou da turminha dos isolados, eu sou da turminha dos guerreiros.

Kimono, sua burra!
Essa sou eu acabando com as minhas chances de fazer uma network e andar com as pessoas bacanudas.
Já reclamei do Jovem Nerd por causa de seu preconceito com animações japonesas, devo ter falado alguma besteira sobre Paulo Coelho, acabei de me zicar com Raphael Draccon e tenho medo do Guilherme Briggs quando ele escreve tweets em 3ª pessoa. É, acho que só escapou o Eduardo Spohr, porque A Batalha do Apocalipse é maneiro (tirando os momentos Cavaleiros do Zodíaco - Masami Kurumada - já comentados com o autor via Twitter).

Eu esqueci de incluir dois autores de novela, mas... Deixa para lá, nunca me imaginei trabalhando na Globo.

Ao menos vou dormir sem consciência pesada... Eu acho. XD

Por Kimono Vermelho (21/01/2014)

2 comentários:

  1. Olá!!

    Ótimo texto esse que você fez. Não acho que isso vai acabar com as suas chances de andar pessoas bacanudas. Talvez aconteça o contrário. Simplesmente porque você é assim e não o que as pessoas querem que você seja.

    Lendo o último parágrafo, notei que você já reclamou do Jovem Nerd ter preconceito com animação japonesa. Será que não é um ponto de vista seu? Afinal, eu adoro mangá/anime e odeio hq/desenho americano de super-herói. Apenas pontos de vista diferente. Gostaria de ler seu post caso ele exista (fiquei curiosa).

    Você citou Raphael Dracoon aqui e eu não curto a postura dele e da namoradinha dele Carolina Munhoz. Sei lá, parece que lançar livros é a coisa mais fácil e vendê-los é consequência disso. Só que eu sei que não é tão fácil assim... Sei lá, não curto a postura deles.

    Desculpe se por algum motivo eu fugi do assunto (estou fazendo n coisas ao mesmo tempo, ou tentando).

    Até mais

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    Respostas
    1. Olá, Natália!
      Será? Olha que quando a gente mexe com o ego das pessoas as coisas podem ficar feias.
      Sobre o Jovem Nerd e os animes, ele tirou sarro de Fullmetal Alchemist no Twitter falando que não era exemplo de alquimia e reclamou sobre a filha de alguém estar assistindo anime (como sendo coisa para criança). Só por isso minha implicância com ele.
      Pelo que eu li na entrevista e interpretei, parece que ele quer criar modelinhos de escritores que sigam as regras da editora dele. Se não for o caso, ele se expressou MUITO mal.
      Sem problema, Natália! Ainda bem que o Blogger te deixou comentar! XD
      Obrigada pelo comentário!

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