terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Diários de Uma Escritora - 23

Eu esqueci do Diários de Novembro, porque eu praticamente esqueci que tinha uma vida dentro do computador. Ainda bem que essa zica de mês acabou. Em compensação e imitando as duas últimas edições, cá está mais um mês com post duplo.

Diários de Uma Escritora 23 - Publicar X Não publicar

Nem toda ideia é digna de virar uma história e o que dirá ser publicada. Ter essa maturidade para saber o que pode ir a público e o que deve permanecer apodrecendo naquela pasta do computador é algo que nem todos os escritores têm ou desenvolvem facilmente.
Também há aqueles que não estão nem aí com a cor da chita e encontram quem aceite qualquer material, publicando livros piores do que bater em criancinha com vara de cipó. Quer um exemplo? Cinquenta Tons de Cinza (E.L. James) que possui uma trama fraca, escrita pobre, descrições malfeitas e personagens pessimamente construídos. O bom desse livro (só para quem o escreveu) é que por conta da burrice humana (ou qualquer outro fator desconhecido por quem vos escreve e já resenhou essa desgraça literária) ele ficou famoso e sua autora está ganhando um bom dinheiro.

Mas nem todos têm a mesma sorte de E.L. James e amargam poucas tiragens, marketing fraco e carreira fiasco. Por isso é bom ser exigente tanto na hora de criar e escrever quanto na hora de escolher uma editora para o seu livro.

Receber "não" é bom, pois tira seu chão, te leva para a estaca zero e te fortalece. Nem todos os grandes escritores ou os mais famosos conseguiram de primeira, muitos batalharam e até morreram antes de alcançar o status que hoje possuem. Não, não quero que você fique famoso pós-mortem, até porque não há glória para os mortos, contudo, é importante entender que você é só mais um dentro do mar de pessoas talentosas que temos não só no nosso país, como pelo mundo. É dosar o "pé no chão" com os sonhos grandiosos.

É costume de vários escritores mostrarem suas obras para amigos mais íntimos, absorvendo suas críticas e entendendo como funciona a cabeça do seu público-alvo: o leitor.
Os leitores são uma massa complexa, cheia de gostos e desgostos, querendo carne nova no pedaço. É claro que existirá aqueles que odiarão cada palavra do seu livro e outros que formarão teorias da conspiração tão estrambólicas que nem mesmo você terá imaginado um dia. Ainda entre eles estarão os emocionados, os fervorosos, os que shippam os casais "errados" e tantos outros que poderão um dia se guiar por você e começar uma carreira como escritores. Um livro, uma história, carrega toda essa responsabilidade. É o filho que você pariu e precisará soltar no mundo para que ele cresça ou definhe de uma vez.

Sempre discutem sobre o que é certo ao escrever: se é trazer algo que só você gosta ou o que agrada mais o público em geral.
A resposta normalmente considerada correta é "agradar o público", no entanto, não acredite nessa besteira. Quem diz isso tem medo de ser rechaçado por suas próprias ideias e prefere abdicar do prazer de colocar sua alma em palavras, mantendo o pão e circo que não doa tanto quando for criticado.
A resposta correta, meu caro colega escritor, é: faça o que você deseja e lute pelo que criou.
Do que adianta escrever apenas o que gosta e ficar olhando para o céu esperando uma viva alma cair de lá e te dar um toque? O mundo está cansado da mesmice e os que gostam dela precisam entrar em contato com novos ambientes e expandir seus horizontes. É para isso que livros servem, para aumentar o campo de visão de quem muitas vezes só sabe olhar para frente como burro de carga.

Particularmente sou política, pois acredito que equilíbrio traz melhores resultados. É a trapaça de pegar o melhor de dois mundos.

Como uma boa pessoa perdida que sou tenho a leve impressão de que há mais marketing pelos livros estrangeiros que já fazem sucesso pelo mundo do que pelos novos escritores brasileiros.
Antes que você argumente sobre a importância de tais títulos estrangeiros, pense um pouco. Como veremos nossos estimados e criativos brasileiros também se tornando mundialmente famosos se não os ajudamos a crescer? Não é necessário parar com o furor de Jogos Vorazes (Suzanne Collins) ou A Guerra dos Tronos (George R.R. Martin), não estou dizendo isso, só acho que as editoras, o mercado literário brasileiro, deveria também investir em novidades - preferencialmente que cheguem aos ouvidos da massa.
Por que apenas Paulo Coelho? Por que só Thalita Rebouças? Nenhum deles está sendo desmerecido, pois conseguiram seu status por pura competência, talento e, é claro, bom marketing, porém, temos também outros bons escritores e com parte relevante deles escondida dentro de algum nicho.

Posso ter falando um monte de besteiras no parágrafo acima? Sim. Como eu disse e me redimi de culpa sabiamente, sou "uma boa pessoa perdida".
Deveria ter mais contato com o meio literário? Sim.
Deveria entender mais sobre o assunto? Sim.
Não. Cada um é cada um e não há obrigatoriedade só para sair bem na foto.
Falei como consumidora e não como bam-bam-bam futura autora. Não faço as coisas para aparecer bem na foto, não é a minha vibe e, conselho, não deveria ser a de ninguém.

O mal de alguns novos escritores ou de pessoas que querem se aventurar nesse mundo estranho da literatura é achar que precisam seguir fórmulas para serem bem sucedidos, deixando de ser quem são e se tornando robôzinhos parecidos com fulano de tal.
Amadurecer é também conservar sua originalidade e perceber que há boas ideias que podem ser aproveitadas em algum momentos e outras que não passam de fogo de palha e devem no máximo render textos para autossatisfação.

Conhecimento nunca é demais, só que também não precisa virar uma máquina de xérox.

Final de ano zica
Mal estou dando conta do Kimono Amarelo, então imagina o metro de pó que está sobre este Kimono.
Fico feliz que o Desafio de Novembro 2013 esteja pronto (todos os resultados em mãos) e estou correndo para poder cumprir com os planejamentos tanto da blogueira, quanto da podcaster e da pessoa que fica atrás deste computador. Não, não dá para diminuir nada. A vida não é tão coloridinha assim.

Ainda neste mês o último Diários de Uma Escritora do ano! Não percam!

Por Kimono Vermelho (10/12/2013)

2 comentários:

  1. Saudações


    Interessante.

    Recentemente recebi uma crítica de uma pessoa com a qual gravamos podcasts. Era sobre um dos contos no N!M!, que terminei em seis capítulos, cujo final foi (na visão dela) abrupto e de escapismo puro (vertente comum utilizada por muitas pessoas, mas que não deveria seguir em linha).

    Eu agradeci à ela, após alguns minutos no qual absorvi a crítica. Como eu disse para ela, eu já tinha aquilo escrito há muito tempo (sete meses atrás) e preferi publicar apenas com correções básicas de português...
    Entretanto, já tenho uma versão mais expansiva da mesma história. Pronta. A fiz tem dois meses. Vou esperar um momento mais oportuno de lançar a mesma.

    É a chamada visão do leitor, público e questões similares.

    Por isso dou razão ao seu post, Red Kim.
    Um pouco de atenção da parte do autor, antes de publicar ou não uma história, é deveras fundamental. E isso que estou falando na narrativa de um blog na internet. Mas a responsabilidade é tamanha quanto a de uma publicação impressa, por exemplo. A ideia serve para todas as camadas presentes.

    E concordo...
    Não existe a obrigatoriedade de tudo conhecer.
    Mas como você bem enfatizou: correr atrás do informe é digno, também.

    Bom post, nobre Red Kim.


    Até mais!

    (Carlírio Neto: sumido até 15/12 mas que reaparecerá logo após)

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    Respostas
    1. Olá, Carlírio!
      Sim, e o público nem sempre é compreensivo para entender os "bastidores" de como a história foi escrita. Bem, cada um com sua opinião.
      Obrigada pelo comentário! o/

      Excluir

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