quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Diários de Uma Escritora - 22

Que tal?
Dois Diários de Uma Escritora em um só mês! Eu que faço aniversário e é você que ganha presente!! Ok, exagero meu.
Vamos ao que interessa!

Diários de Uma Escritora 22 - ESPECIAL DE HALLOWEEN

Aproveitando que hoje é Halloween, o Dia das Bruxas, por que não falar de um tema tão recorrente nessa data comemorativa inútil: o sobrenatural.

Seja a mitologia existente ou a inventada por nós mesmos, essas criaturas que moram apenas na imaginação e crenças populares povoam livros, séries e todas outras formas de interação existentes. Pode-se dizer que são uma espécie de fuga para aqueles que não se dão bem com a realidade ou que gostam de brincar com os sentimentos mais primitivos do ser humano.

Eu particularmente gosto da temática e a uso bastante, mesmo oscilando entre todos os lados possíveis e não me deixando levar apenas por um. É divertido quando você pode pôr o pé em vários tipos de histórias e contá-las com a mesma maestria de um escritor sem barreiras.
Qual dos leitores, e gostaria de saber sobre os que escrevem, gosta de usar personagens ligados ao sobrenatural, a mitologia, ao folclore?

Há quem prefira contos reais, a vida como ela é, e eu não tiro o mérito e o talento de quem o faz, contudo, passear por vários estilos também não deve ser considerado pecado.

Desconhecido
É o que nos motiva a seguir em frente, procurar por respostas e provas que nos guiem até uma explicação. Há um fascínio por ele e pelo que pode surgir dele, sejam as fábulas dos Irmãos Grimm ou os contos de fada da Disney.

A literatura fantástica sempre causa furor em algum momento, não foi à toa que J.K. Rowling se tornou mundialmente conhecida com a saga do bruxo britânico Harry Potter. Todos precisamos às vezes de uma fuga, de um lugar que não seja tão duro quanto a realidade, e então nos debruçamos nessas fantasias que nem sempre são bonitinhas e fofinhas, algumas nos fazem refletir e pensar "se está ruim para esse personagem, imagina para mim".

Bruxas, vampiros... Esses são dois tipos dos mais usados em história do gênero. As primeiras estereotipadas como más, feias, cruéis, criadoras de feitiços e poções, além de passear montadas em vassouras. Os segundos sempre elegantes, sugadores de sangue humano, atraentes, perigosos, sensíveis a luz solar, ao alho, a água benta e a estaca de madeira no coração. Ou ao menos eram assim antes de Crepúsculo (Stephenie Meyer) e outros afins.

É complicado quando você pega um personagem sobrenatural de conhecimento geral e decide trabalhar com ele. Pode sair tudo bem (como com Harry Potter) ou pode acabar em piadinhas bem idiotas (como com Crepúsculo). O medo e o desafio são por conta de cada escritor, o importante é se sentir bem.
Pode ser bacana fazer uma pesquisa sobre ele antes.
Ser fiel ou "firular" em cima também cabe a cada um.

Ninguém parece entender ou lembrar: escrever é para ser divertido, instigante, um bom hobby ou vício. É melhor desenrolar em palavras o que você gosta do que viver digitando o que te deixa irritado e de humor nocivo.

E existem aqueles escritores tinhosos que fazem uma pesquisa, mas criam sua própria mitologia. Bem, nem preciso citar algum autor, vocês já devem ter um na ponta da língua.

O que é melhor? Não sei porque ainda perguntam.

Eu tenho uma sugestão para o dia de hoje ou para qualquer outro quando sentir vontade: escreva um conto, algo maior ou menor se preferir, com algum personagem fantástico e depois leia. É tão diferente do que você normalmente escreve ou não há uma linha que separe o seu estilo de realidade da fantasia?

E para encerrar, gostaria de deixá-los com um conto que criei a partir da minha própria sugestão: "A neve nunca foi tão branda", estrelando uma Yuki Onna [Mulher da Neve - mitologia japonesa] muito sedutora, porém, fatal.

Desejo um Feliz Dia das BruxasNos vemos em Novembro! o/


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A pele dela era muito branca. Os longos cabelos negros esvoaçavam com a ventania. Podia ver um dos ombros desnudos, o quimono estava abaixado.
E num piscar de olhos ela parecia mais longe.

Determinado, andou pela nevasca mantendo-se de pé com o máximo de força que tinha, deslumbrado por uma beleza única, exótica e encantadora. Não poderia perdê-la tão facilmente de vista, mesmo que abrir os olhos significasse uma dor agonizante.
A cada passo o frio era mais cortante, mal conseguia sentir as pernas e os braços. Ele não parecia se importar, era como se o corpo apenas o atrapalhasse de chegar até ela.

A bela moça estava de lado, exibindo os ombros e segurando o quimono na altura dos seios. Usou uma das mãos para ajeitar o cabelo que tampava parte de seu rosto e assim seus olhos encontraram os de seu admirador. Ela lhe deu um sorriso tímido, como quem esperava estar sendo seguida e gostado.

Começava a sentir o frio perfurar seus pulmões a cada vez que puxava o ar para dentro. Seu rosto era praticamente de mármore, nem se mexia, apesar da tentativa de sorrir de volta. Os pés ficaram cravados no chão, afundados na neve, e o corpo resolveu não mais obedecer o dono.
“Não, agora não! Eu preciso chegar até ela!”, pensou o homem aflito.

Nenhuma mulher chegava aos pés da beleza que aquela carregava.
As mãos eram tão delicadas que ele sentia necessidade de beijá-las. Seguravam sem muita firmeza o quimono abaixado, tentando não mostrar mais do que já tinha mostrado. Seus ombros pecaminosos o chamavam com ardor para tocá-los, sentir a força das mãos dele e do quão ardorosos eram seus lábios. O cabelo tão leve e sedoso dançava com o vento, brincava com ele. Os encantadores olhos puxados davam-lhe um ar exótico e precioso. Ela era bonita demais para ser verdade.

Não conseguia mais se mover e respirar doía, seus olhos quase não abriam, mas nos poucos momentos chamavam por aquela mulher.
Ela foi até o pobre homem. Acariciou seu rosto, com o semblante de pena por vê-lo naquele estado, e soltou de vez o quimono, descobrindo seus seios. Puxou-o, deixando sua cabeça entre eles, dando-lhe um abraço forte. Depois, com aqueles lábios carnudos e levemente rosados, deu-lhe um beijo longo.
おやすみ。 [Boa noite.]”, disse ela quando seus lábios desgrudaram. Ele estava morto.

Levantou-se calmamente, arrumando suas vestes e seguindo em frente, levando a nevasca consigo.

Por Kimono Vermelho (31/10/2013)

2 comentários:

  1. Saudações

    [Aventurar-se no desconhecido]
    Eis uma tarefa que preciso fazer cada vez mais, Red Kim.
    Mas devo concordar com o que salientaste no post.

    Quanto ao seu conto...
    Ele tem uma "pegada" deveras interessante para a temática apresentada.
    Notei, pelas palavras usadas e andamento da história, que você esteve bem à vontade para desenvolver as passagens de vosso conto.

    Muito bom, nobre.


    Até mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, mas você já está fazendo uma história com fantasia (A Jornada Pelo Item Maravilhoso), então não está tão "por fora" do desconhecido. :)
      Sobre o conto, sim, estive à vontade, pois conhecia o tema que estava trabalhando. É diferente quando a pessoa não conhece e de repente precisa falar do que não sabe, então foi tranquilo. :D
      Obrigada pelo comentário! o/

      Excluir

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