terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diários de Uma Escritora - 20

É sempre muito delicado se expor e também é necessário.
Ninguém foge intacto da recepção do público, dos julgamentos e do ódio gratuito.

Manter sua redoma de vidro ou deixar que ela seja friamente quebrada por uma manada?

Diários de Uma Escritora 20 - Críticas

Sim, vamos falar delas e das suas várias faces.

"Críticas devem sempre ser bem vindas", ao menos é o que dizem. Contudo, há uma linha tênue entre aceitar a opinião alheia e se deixar agredir pelo bel prazer dos outros.

Muito bem.
Qualquer pessoa que exponha um trabalho ou a si mesmo é passível de receber todos os tipos de comentários, desde os entusiastas aos deploráveis, e é preciso aprender a ter jogo de cintura nas duas situações.
É claro que é muito melhor receber elogios, só que um ouvido que apenas escuta o lado bom, não dignifica e nem cria calos para que as pessoas comecem a se esforçar e sair da zona de comodidade para avançar níveis.

Amaciar o ego. E todos nós temos um que gosta de carinho.

Ainda assim, o mundo não é feito somente daqueles que adoram o que fazemos e sim de todos os tipos de gente. Existem os que veem os erros e apontam o que poderia ser feito para melhorar. Existem os que simplesmente odeiam por odiar, sem apresentação de argumentos, e que às vezes dá para pensar "será por que ele não conseguiu fazer o que faço ou por que a revolta com o mundo é tão grande que ele só sabe distribuir ódio?". Existem os duros que não exaltam pontos positivos, apenas criticam e ponto final. E existem os que querem ver o circo pegar fogo, criando discórdia só para testar e/ou torturar.

A pergunta que deixa todos bastante confusos é: como reagir a cada uma delas?
É difícil dar um manual, porém, é certo que a sociedade aceita mais os passivos do que os que botam a boca no trombone.

Se você receber um xingamento pelo seu trabalho e não responder ou responder com um "desculpe" ou "irei me esforçar mais da próxima vez", as pessoas tendem a te enxergar como uma pessoa humilde, mesmo que por dentro você queira responder à altura ou mandá-lo pastar no deserto do Saara. Agora se você solta as feras e dá um soco de direita, se torna o mal-educado, o escroto, o errado.
Com certeza vai sair melhor na foto quem engolir o sapo e fingir o seu melhor sorriso de Miss.
Vale mesmo à pena, por uma foto bonita, guardar uma bomba que um dia pode explodir?
Como se fosse um pecado mortal admitir que aquilo que você fez está bom.
Por quê?




Aí entra a personalidade de cada um e o ego.
O melhor sempre é manter o equilíbrio, o que mostra autenticidade e não só uma ovelhinha adestrada que concorda com tudo, apanha e oferece a outra face. Parece que está embutido na nossa criação (mais por conta da religião) que devemos sofrer e nos tornarmos mártires para mostrarmos um mundo mais belo. Não há beleza no sofrimento, a não ser no poético. Se deixar virar saco de pancadas não te torna um mártir, e sim, somente um imbecil que serve para apanhar dos que normalmente não têm a capacidade de fazer melhor ou brilharem com sua própria luz, assim preferindo apagar a dos outros.

E, não sejamos hipócritas, existe um longo e fundo abismo entre críticas e ofensas disfarçadas de críticas. Ninguém cresce virando degrau dos outros.

Todos os egos precisam ser massageados e depende da personalidade de cada um se ele se tornará um monstro corrupto e desgraçado ou um cãozinho que gostará de ganhar um osso quando puder.
Se você não aceita nenhuma crítica além das boas, o seu ego provavelmente é um monstro e você sofre daquele temível egocentrismo de quem tem um rei na barriga.
Se você diferencia o joio do trigo das críticas, seu ego é um cachorrinho que abana o rabo quando é parabenizado e murcha as orelhas pensando sobre o que fez de errado quando é chamado atenção.
O importante é reconhecer os pontos fracos e procurar melhorá-los.
Ter defeitos é ser humano, o perfeccionismo é uma ilusão que criamos para poder buscar a ascensão.

E quando estamos do outro lado? Quando somos nós os juízes?

Eu particularmente gosto de exaltar os pontos fortes e comentar o que não foi tão bom no trabalho apresentado. É uma delicadeza que eu tenho por me colocar antes no lugar da pessoa. É o modo mais agradável de criticar alguém.

Tem quem despeje sua raiva nos outros, quem adore causar uma intriga fazendo comparações (normalmente desnecessárias), usando argumentos falhos, tendo bons argumentos, sendo tão duro que conseguiria quebrar uma parede...
Para entender como uma crítica é importante, basta saber que aquilo pode soar tão forte para a pessoa que ela simplesmente pode largar tudo, mesmo tendo grande talento. Por isso, a dica: não desista na primeira porrada.

O seu maior crítico deve ser você mesmo e, além de tudo, NUNCA desmereça o seu trabalho, visto que, ele não caiu de repente no seu colo, você precisou suar para fazê-lo e passou por várias situações até atingir o resultado.
Dentro disso, é importante buscar sempre o seu melhor e não se contentar com pouco. Ser seu maior crítico significa cobrar o triplo de si mesmo do que os outros cobrariam.

No fim, o que importa é se sentir bem, seja forçando ou fazendo naturalmente um sorriso de Miss na hora da foto ou mantendo a autenticidade e botando a linguinha de fora. Ninguém precisa ser o que não é apenas para agradar os outros.

Mês que vem: Primavera
Eu realmente nunca fui fã de inverno, então não tenho problemas em mandá-lo passear.
É, mais um ano caminhando para o seu fim e mais um ano de Diários de Uma Escritora. Parecia balela quando comecei a escrevê-lo em 2012, contudo, cá estou eu dedicada e atenciosa com esta seção.
E agora um pedido especial para todos os leitores e escritores que por ventura passeiam por aqui: vocês têm alguma sugestão de tema para ser abordado no Diários?
Se tiver algo que você quer que eu fale, sugira nos comentários, ficarei feliz em poder atender sua solicitação.

Nos vemos no próximo mês, o adorável Setembro. Se você faz aniversário em Setembro, todo o meu carinho para você, pequeno setembrino. HUE

Por Kimono Vermelho (20/08/2013)

Um comentário:

  1. Saudações

    Seria interessante que as pessoa aprendessem a "peneirar" as críticas que recebem, não apenas com o intuito de responder às mesmas de forma apropriada e justa, como principalmente para nelas poder estabelecer uma base de aprendizado e, em consequência, a melhora gradual sobre o ponto de atenção (foco).

    Vejo isto como um tipo de sensibilidade, que poucas pessoas possuem (vínculo ação e reação). Não estranho isso, até porque tive de aprender muito para poder levar adiante uma palavra empenhada, e no que tange ao tema [críticas] a recíproca é bem verdadeira.

    Entretanto, quando noto que a crítica tem um outro escopo que não seja o auxílio, prefiro apenas responder uma vez de imediato (ou ignorar) e, à partir de então, deixá-la de lado. Para mim, críticas construtivas formam uma base sólida, que será erguida se o receptor (a pessoa que foi o "alvo" da crítica) resolver recebê-la com vontade e humildade.

    Bom post, nobre Red Kim.


    Até mais!

    ResponderExcluir

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.