quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Assassino Convicto

Olá.

Hoje eu vou contar uma história pra você que nem Percival acredita. Eu vou falar sobre como uma informação pode ser distorcida ao bel prazer da mídia, que gosta de fechar os olhos para o problema certo, e atacar o que na verdade nem é problema.

Agora corta pra mim.

Este post pode ser ofensivo e contém a opinião de quem o escreve e que no mínimo espera respeito, independente do leitor concordar ou não.
Dados os devidos avisos, vamos a mais um post polêmico.

Gentileza gera gentileza. Videogame gera violência?
Eu confesso que gosto do Marcelo Rezende (Record). Ele apresenta um programa "pesado" e consegue torná-lo mais leve e divertido. Se tenho ou não mau gosto, já depende da cabeça do juiz.

Nesta semana aconteceu mais um crime chocante em São Paulo, cinco pessoas da mesma família foram assassinadas, sendo que duas delas eram policiais.
O primeiro chute que qualquer um daria, seria a retalhação vinda de criminosos. No entanto, o que pipocou com mais força na mídia, apesar da polícia não ter descartado ainda nenhuma linha de investigação, é que o crime tenha sido cometido por uma das vítimas.
Resumindo de forma mais seca, já que de vermelho-sangue eu prefiro só a cor e o nome do blog, estão dizendo que o filho do casal de policiais possa ser o autor do crime. Por quê? Porque no seu perfil de uma rede social ele usava a foto de um personagem de um jogo violento, o seu preferido.

O que isso quer dizer? Bem, quer dizer que o bode expiatório está pronto e foi novamente servido à sociedade. Basta pegar o seu pedaço e voltar para o sofá, enquanto permanece de olhos vendados.

É bastante comum escutar que os videogames fizeram fulano matar sicrano, que os desenhos japoneses instigaram um casal de adolescentes a fugir ou que músicas de uma banda de metal fez um grupo de jovens cometer atrocidades. A culpa nunca é dos seres humanos que fizeram aquele mal, a culpa é do bode expiatório, simplesmente porque é conveniente agregar a responsabilidade ao outro.

Há um detalhe medonhamente óbvio que a mídia finge não ver ou que ignora para gozar do ibope "falem bem, falem mal, mas falem de mim": a verdadeira pessoa que cometeu o crime.
Todo mundo é bonzinho quando convém, principalmente do lado de fora tendo que aturar os outros por comodismo. Por dentro há mais frutas apodrecidas do que um sorriso mostra.
É preciso estudar o real comportamento, o psicológico, aquele "eu" obscuro que vive lá dentro.
Nada consegue sozinho influenciar uma pessoa. Das duas uma: ou ela se deixa influenciar ou ela não se influencia. E o que menos falta nesse mundo é "gado", ovelhas adestradas, maria-vai-com-as-outras.

Junte uma pessoa com mente podre mais qualquer gatilho que desencadeie as ideias erradas naquele mar negro que ela tem dentro de si e... BUM! Temos a bomba perfeita.
"Ninguém nasce mau" - Isso é uma ilusão.
A criança pode ter sido criada com todo o amor, recebido atenção e os pais terem feito todos os seus desejos, se ela tem uma índole ruim isso não irá fazer nenhuma diferença, ela continuará sendo ruim e sempre terá quem arranje desculpa para "explicar" essa malignidade.
Nós não somos apenas fruto do meio em que vivemos e da educação que recebemos, há mais entre o céu e a terra do que supõe a falta de pauta dos jornalistas por aí.

E além disso, existe a possibilidade de psicopatia ou Transtorno de Personalidade Antissocial, em que a pessoa é alheia aos sentimentos dos outros, manipula, é egoísta e tem superficialidade emocional.



Se o mundo estivesse violento estritamente por causa de jogos, revistas em quadrinhos e outras coisas do tipo, com certeza estaríamos vivendo em uma eterna guerra civil com indivíduos de diversas idades simplesmente se matando. É, acho que culpar o bode expiatório não está saindo como o planejado.

Eu sinto que a televisão tem um pouco de medo de perder sua supremacia, já que a internet e os videogames arrastam boa parte das crianças e jovens para bem longe dela.
É querer ser respeitado pelo medo, provocando nos adultos comportamentos nada apropriados, como simplesmente chegar e proibir o filho de tal coisa.
Sim, alguns jogos não são bons, algumas animações devem ser evitadas, contudo, esse assunto não deve se tornar "castigo" e sim um momento de debate na família. Estamos vivendo em uma era em que todos estão apavorados, com vergonha ou afins, de ter qualquer conversa entre pais e filhos.
Toda relação sem diálogo, sem procurar entender o outro lado, não dá frutos, apenas sustenta um sistema de ignorância e instituição caindo aos pedaços.

Os pais esqueceram que seus filhos têm que ser seus grandes amigos, pessoas com quem eles possam contar e que possam ser francos.
Os filhos por sua vez esquecem que os pais são os únicos em quem poderão confiar cegamente, que sempre receberão apoio quando caírem e que são as pessoas mais importantes da sua vida.
Nenhuma família é perfeita, justa e agradável, só que você pode ir aos poucos mudando e a tornando em algo mais receptivo.
Nada acontece por milagre e esperar por um é perda de tempo. Se você quer a mudança, deve correr atrás e fazê-la.
Nunca é fácil, alguns pais são bem cabeça dura, porém sentar e desistir é o que os acomodados adoram fazer e é o que você não pode repetir.
Vivemos em uma sociedade sem força, sem vontade... Ou vivíamos? Em Junho o povo foi para a rua, conseguiu pequenas mudanças se compararmos com o que realmente precisamos atualmente, só que as pessoas se cansaram de esperar por um milagre e foram correr atrás do que desejavam.
Quer moleza, senta no pudim e peça pra mamãe lavar suas calças, arregão.

O problema não é o arco e a flecha, são as mãos que os seguram.



Eu já matei... meus pais de tédio
Aliás, sou expert nisso. Se precisar de uma tediosa de aluguel, me chamem!

A minha filosofia sobre jogos agressivos é a seguinte: eles precisam existir para que pessoas normais como eu possam matar gente virtual ao invés de gente real.

Assassinar pessoas reais não é um bom caminho e é fácil entender a razão: o CSI (Anthony E. Zuiker e Ann Donahue), digo, a perícia está aí para acabar com as dúvidas e ferrar com a sua vida, existem delegados incríveis no Brasil, cadeia não é um lugar divertido e o crime não compensa. Ah sim, e mesmo que ele "compensasse", advogado bom é caro e pelo menos 1/3 da pena você precisaria cumprir em regime fechado.
Matando avatares 3D com inteligência artificial em um jogo te garante liberdade eterna, nenhuma punição e relaxamento do estresse do dia.

Espero que o parágrafo anterior não tenha soado tão frio e cruel quanto eu pensei que soou.

Ainda tem vontade de assassinar alguém de verdade? Faça aquelas velhas mandingas de pôr o nome da criatura no congelador, costurar um bonequinho e enfiar alfinetes, botar o nome dentro do vidro de pimenta...
Brincadeiras à parte, as pessoas que odiamos e/ou nos fizeram mal uma hora pagam, nem sempre quando estamos olhando.

E agora para encerrar, vou repetir o que tenho dito desde pequena para todos que estejam no recinto:
"Sempre joguei videogame agressivo e nunca matei ninguém."
"Sempre assisti esses desenhos japoneses e nunca fugi de casa."
"Sempre escrevi textos polêmicos e nunca me deram visualizações maneiras."

Sim, agora você pode voltar ao que estava fazendo.
Tenha uma boa semana!

Por Kimono Vermelho (07/08/2013)

Um comentário:

  1. Saudações


    Acho que não tenho muito à acrescentar em vosso ponto de vista, nobre Red Kim, a não ser o fato das pessoas não apenas fazerem o que querem à "bel prazer", como principalmente terem uma desculpa superficial o bastante para fazer tal ação, que não fique sob o propósito da "mea culpa".

    Casos como este tendem a chamar a atenção por um longo período, o que é quase certo que ocorrerá novamente desta vez. Não me surpreenderia, mas acharia pouco incógnito e ainda menos construtivo. É lamentável que as pessoas (em parte considerável) se deixem levar com facilidade por palavras ou, quem sabe, por informações supostamente lançadas como verdadeiras para as mesmas.

    Trinta e cinco anos de idade em minha face e tenho um orgulho: gosto de fazer as coisas que geralmente faço e não "esfrego" isso na face de ninguém para me vangloriar, ou ainda para "massagear o meu ego". Em outras palavras, usar isto como desculpa para atos incorretos ou crimes é um malefício da sociedade atual que, no meu ponto de vista, cabe às famílias iniciarem o propósito da reeducação (posso estar errado, entretanto).

    Espero que seu texto seja amplamente lido e comentado, pois é um assunto pontual e de grande importância para todos.


    Até breve, nobre Red Kim.

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