quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quando a burrice impera

Dor de cabeça: este é o assunto da semana.

Antes de continuar, gostaria de avisar que o texto contém:
- gás de pimenta habanero;
- pichação de "R$ 10,90 NÃO";
- depredação da casa de D. Pedro I;
- festa na Av. Paulista;
- burrice de todos e por todos os lados.

Era uma vez, numa terra chamada "BEM AQUI"...
Tudo começou com um protesto pela insatisfação do aumento da passagem de  ônibus, trem e metrô que subiu de R$ 3,00 para R$ 3,20. O movimento Passe Livre organizou passeatas, enquanto tentava conversar com o governo. A polícia foi incumbida de manter a ordem durante as passeatas, que acabaram gerando também depredações de patrimônio público e privado, além de agressões para ambos os lados.

Esses são os fatos.
O problema é o que rolou entre eles.


São Paulo está em uma pequena guerra, até este momento, concentrada na Av. Paulista e arredores. E não é absurdo chamar de "guerra", já que até um tanque foi deslocado para lá (sinceramente não sei para quê).
Dos dois lados temos cidadãos comuns, baderneiros, protestantes e policiais.

A causa é nobre? Acho que é o que podemos chamar de "a ponta do iceberg", pois hoje protestam por alta das tarifas e quem sabe mais para frente seja para depor mais algum governo. A questão não é a "causa" e sim como a luta por ela está sendo conduzida.
Achar que está certo badernar com o patrimônio público e privado por uma causa "maior" ou que não importa se uma ou outra pessoa morrer/se machucar, é querer forçar o argumento de que os fins justificam os meios.

A polícia está se mostrando extremamente eficiente, infelizmente contra os inimigos errados, usando força demais sem necessidade e tornando a situação pior do que poderia estar.

O governo (prefeitura e governo do estado) parece estar brincando de amarelinha enquanto o mundo pega fogo no quintal de casa.

Não vejo mais lado certo, porque todos perderam a razão. A polícia pelo exagero em conter os manifestantes, os baderneiros que resolveram fazer zona e o governo omisso que não quer "voltar atrás" e nem ao menos tem vontade de entrar logo em acordo.

Já deu para perceber que o governo não quer mais diálogo e prefere deixar a polícia virar vilã sozinha por tentar manter a ordem.

Lobo na pele de cordeiro
Todos os manifestantes estão sendo tratados como bandidos por conta da passeata de ontem (12/06) que resultou em um belo estrago de propriedades públicas e privadas.
Será que esquecem que temos os mesmos problemas com as torcidas? Ou já não se lembram das mortes de diversos torcedores que não estavam no meio da muvuca?

O problema, principalmente neste caso, não é o grupo, são os indivíduos mal intencionados que estão entre eles. A sensação de estar protegido por uma multidão muitas vezes dá poder para esse tipo de gente, que quer mais é ver o circo pegar fogo. Com isso, o resto é quem paga pelas consequências.

Revide
A polícia é odiada e amada. Ou poderia dizer que é apenas odiada?
Já comentei sobre eles no post Falta de louça pra lavar... no caso da USP, e costumo ser a primeira a defendê-los, porém, não há como fechar os olhos para a verdade, seria falta de caráter.

O "revide" na quarta passeata (13/06) foi muito mais violento que da noite passada. Além de protestantes, jornalistas e pessoas que não tinham nada a ver com essa zona se feriram.
Segundo a Globo News, os manifestantes estavam fazendo a passeata de forma pacífica quando a polícia começou com as agressões.

Na noite anterior policias também ficaram feridos, pois alguns manifestantes tacaram pedras contra eles, e até mesmo contra um que apenas quis dispersar um amontoado sem violência, segundo o SPTV (TV Globo).

É bom lembrar que eles são tão cidadãos quanto nós, ganham muito mal pelo papel de risco que desempenham, têm família e também têm que conviver com mandos e desmandos abusivos.
Sim, eles não têm o mínimo de preparo para conter esse tipo de situação e agiram de forma agressiva, mas não são os vilões que devem ser odiados.

Cada um tem que pagar pelas consequências de seus atos: a polícia pelos abusos, os manifestantes que agiram como marginais e o governo que cada ano que passa sabe menos como administrar a cidade e o estado.

E o povo?
Está no fogo cruzado e é o menos lembrado.
Sejam os trabalhadores que estão voltando cansados e agora com medo para casa, assim como os donos das propriedades danificadas e que terão que sozinhos arcarem com mais essa despesa desnecessária.
No meio dessa guerrinha de "vamos ver quem pode mais", o mais ferrado é o que não tem nada a ver com nenhum dos lados.

Hoje uma bomba de efeito moral caiu e quebrou o vidro do carro de um senhor de mais de 70 anos que passava pelo local. Ontem um manifestante chutou o para-lamas de um carro para que ele parasse, pois "estamos fazendo um protesto".

Os fins justificam os meios.
Mas eu não estou com vontade de ser o fim que justifica o seu meio.

"Ah, nós temos que lutar, protestar, ou nunca vamos conseguir nada!"
Certo, no entanto, qual o preço que estão querendo pagar para conseguir o que querem? Visto que, por enquanto, é sobre o aumento do ônibus, amanhã é a independência da cidade ou qualquer outro motivo que vai acabar tirando os filhos de muitos pais e mães. Se para você o sacrifício de inocentes não importa, qualquer que seja a sua causa, ela não vale à pena e você não merece respeito.

O que é importante pensar sobre tudo isso?
Que é preciso treinar a polícia para saber como agir em situações de protesto (quando o mesmo for pacífico ou quando for agressivo).
Que os protestantes têm o direito de fazer as suas manifestações, só que precisam aprender como devem proceder, isso inclui o respeito pelas leis (não depredando o patrimônio alheio, por exemplo) e pelos outros cidadãos.

E que o governo definitivamente precisa mudar ou uma hora poderá se ver em mãos lençóis quando melhor convir ao povo que decidiu lutar por um situação melhor.

Acredito que falta uma matéria nas escolas que explique a nova geração o que é política, governo e qual o nosso dever. Eu sei que ela não será implementada a médio ou longo prazo, pois isso poderia dar conhecimento ao povo e tornar a manipulação do governo em uma linha fraca que pode rapidamente ser rompida. Contudo, mais pessoas deveriam entender como funciona o nosso país.

Apoio manifestações e protestos desde que sejam pacíficos, são saudáveis para manter o povo vivo e governo esperto.
Além disso, é preciso aprender a se colocar no lugar do outro e ter respeito por ele.

Fim.
E no final o que foi visto foi uma baderna generalizada com gente ferida.

Espero sinceramente que segunda feira (17/06), a quinta passeata do movimento Passe Livre não tenha vândalos entre eles e que a polícia apenas os acompanhe de longe.
Chega de perder a razão e contabilizar feridos, pois isso ainda irá longe demais.
Violência só gera mais violência.
E esfriem um pouco a cabeça, todos vocês estão precisando disso, pelo bem da população.

Taquei a merda no ventilador e agora vou contabilizar a intensidade da dor de cabeça. Tenha uma boa noite.

Por Kimono Vermelho (13/06/2013)

Um comentário:

  1. Saudações


    Seu post passou a ter uma sonoridade ainda mais real, especificamente com os últimos acontecimentos em São Paulo (e também em boa parte do Brasil), Red Kim.

    Acredito que falta foco, discernimento e, principalmente, liderança nos protestos. Por parte dos governantes falta sensibilidade e astúcia para tudo apurar e ver que, de alguma forma, a população está descontente.

    De momento, aguardar é preciso. E acompanhar os atos é fundamental.

    Até mais, Red Kim.

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