sexta-feira, 1 de março de 2013

Feminismo: o chá de pimenta que ninguém sabe usar

Antes de ler este post, você precisa saber de duas informações importantes.

A primeira é que eu queria falar sobre isso há tempos, porque muitas coisas estavam me incomodando, só que eu pensei "não, deixa quieto, melhor não criar esse tipo de situação"... Daí me deu cinco minutos de impaciência depois que vi um tweet sobre o assunto e o copo d'água transbordou.

A segunda é que nosso país permite que qualquer cidadão manifeste a sua opinião sobre qualquer assunto e que todos têm o direito de concordar ou não. O que peço aqui é o mínimo de educação, então, por favor, sem xingamentos e vulgaridades ou seus comentários serão excluídos.

Obrigada.

Chá de pimenta: o que é?
É engraçado quando disseram no Twitter que eu não entendia de feminismo. Eu realmente não devo entender de feminismo, mas eu entendo de intolerância.
Eu nasci mulher e isso não agradou muitas pessoas. Eu sou gorda e de estatura baixa, o que faz com que muitos na sociedade me olhem como uma porca que está nessa situação por se entupir de comida. Eu era muito passiva e por isso usavam e abusavam da minha dignidade.
Será que as mulheres que disseram que eu não entendo de feminismo, por acaso sabem o que é intolerância? Eu acredito que saibam sim, só não sabem lutar contra isso.
Mas a minha opinião importa? As intolerâncias pelas quais eu passei não são tão graves, não é? O que para uma pessoa é grave para outro pode ser superficial. Isso eu chamo de insensibilidade: quando você é incapaz de se colocar no lugar do outro ou quando é cômodo não tomar essa atitude.
Eu entendo de intolerância mais do que vocês podem estar imaginando agora e, acreditem, eu a odeio.

Vamos então entender o que é o feminismo de forma imparcial, já que o post visa informar antes de tudo.

Em suma, o feminismo é um movimento (social, político e filosófico) que tem como metas igualar os direitos entre os gêneros, fazendo com que as mulheres também tenham seus direitos garantidos.
É uma causa importante e que deveria ser melhor difundida na sociedade, uma vez que precisamos, hoje e sempre, de equilíbrio.

A mulher era tratada como propriedade do pai e posteriormente do marido, suas principais funções eram cuidar da casa e dos filhos, elas não tinham voz ativa, não deveriam ser desobedientes, sempre teriam que ser as mais recatadas. Eram educadas para serem nada mais do que animais de estimação, meros enfeites na estante, prêmios sem valor.

Dá para contextualizar melhor se buscarem na memória a época em que o Supremo Tribunal Federal votava sobre o aborto de bebês anencéfalos.
Um grande grupo, de maioria religiosa, era totalmente contra mesmo que médicos, os maiores especialistas no assunto, afirmassem que a continuidade desse tipo de gravidez poderia afetar a saúde mental e física da mulher. Ou seja, fomos tratadas como vasos. O que achávamos sobre isso não importava e muito menos a nossa saúde.
O sonho de ser mãe e os sentimentos que elas guardam quando estão grávidas são lindos. Elas ficam mais bonitas, parecem até que têm algum brilho especial. Imagina o choque de saber que a pessoa que você já ama muito e que é com certeza a mais importante da sua vida, não vai viver nem para te chamar de "mamãe"? Querer que uma mulher tenha condições mentais para levar essa tortura a diante é igual a concordar com o que aconteceu no Brasil na época da Ditadura Militar. Acha mesmo que eu estou exagerando? Como você pôde ler ali em cima, nem todos são capazes de se colocar no lugar dos outros, seja por comodidade ou falta de sensibilidade.
Eu quero ser mãe um dia e o fato de quererem me tratar como um vaso, um receptáculo de cadáver, me deu nojo e ódio.

Enfim, voltando a explicação...
O feminismo é dividido em três ondas, a primeira buscava o direito das mulheres de votar (século XIX e início do século XX), a segunda lutava pela igualdade legal e social (anos 60 e 70), e a terceira surgiu em reação a segunda onda e começou a criticar alguns conceitos estabelecidos nela (anos 80-90 até a atualidade). É basicamente isso.

Chá de pimenta: se for utilizado de forma correta, faz bem!
Infelizmente, apesar de alguns direitos adquiridos, nós mulheres ainda sofremos com vários tipos de intolerância, entre elas o machismo.
Novamente tornando tudo mais simples e, ainda assim, imparcial: o machismo é a crença de que os homens são superiores às mulheres. Ou seja, ele não é equivalente ao feminismo.

O machismo, para mim, é uma doença que deveria ser erradicada juntamente com qualquer ideologia de um grupo ser superior ao outro.

Atualmente as mulheres fazem as mesmas coisas que os homens, elas dirigem, governam países, são excelentes mecânicas, jogam futebol... E os homens por sua vez também assumiram papéis que antes eram somente das mulheres, como cozinhar, cuidar da casa, dos filhos...
Graças ao feminismo e a luta incessante por direitos iguais, hoje somos livres e temos voz ativa.

O problema, meus caros, está na educação passada de geração em geração e que não teve o seu ciclo vicioso quebrado.
Muitas famílias continuam criando seus filhos de forma machista, e eu não falo apenas dos meninos! As meninas também são envenenadas com essa crença podre.
"Você é menino, não deve chorar!"
"Oh, filha, por que você está chorando? Vem aqui no meu colo."
"E aí, pegou quantas na balada, filhão?"
"Filha, esse negócio de ficar beijando um monte de homem é coisa de prostituta, você deve se preservar."

O pai pode argumentar: "Ah, mas eu não quero que o meu filho seja uma bichinha". Errado. A realidade do que você quer dizer é que seu filho seja forte para enfrentar o que a vida lhe trouxer de bom ou de ruim. E ser homossexual não é doença ou falta de caráter.
A mãe pode argumentar: "Ah, mas eu não quero que a minha filha fique falada só porque fica dando para um monte de homem em uma só noite". Errado. A realidade do que você quer dizer é que sua filha respeite seu próprio corpo, sabendo que ele é seu e deve ser cuidado. O fato de uma mulher ter uma vida sexualmente agitada, não é problema, desde que ela tenha idade para se responsabilizar pelos seus atos e esteja de consciência limpa quanto às consequências.

O trabalho da sociedade como um todo é, se não erradicar, diminuir esses conceitos arcaicos, educando os que estão à sua volta para que descubram que o mundo mudou e que todos temos o livre arbítrio de escolher o que queremos fazer com nossas vidas. Existem muitas pessoas abertas a conhecer o novo e a mudar, os que não quiserem, não se deve forçar. Impôr ideias e comportamentos é ofensivo, abusivo. É quase como um estupro, só que ideológico.

Gerar discussões e debates inteligentes é bom, agrega valores e conhecimento. Se a pessoa se fecha na sua bolha e escolhe continuar ignorante, não perca o seu tempo, visto que ela não vale o seu esforço.
Se começamos educando as crianças e fixamos a ideia de que todos temos os direitos iguais e o preconceito é um ato atrasado, estaremos semeando a terra para que ela dê lindos frutos, que depois espalharão mais sementes dessa educação.

-->


Chá de pimenta: se for utilizado da forma errada, só traz mais intolerância
O problema não está nas feministas. Primeiro, porque qualquer pessoa que generalize um grupo já perdeu qualquer discussão antes de começar. Segundo, há outra doença que deveria ser erradicada do mundo: o extremismo.

Radicalismo, extremismo e fanatismo, no final, ambos têm o mesmo valor e nível baixo de inteligência, já que são desprovidos de senso e incapazes de apresentar argumentos realmente relevantes em um debate.
Como eu disse, o problema não está nas feministas, está na parcela delas que é radical e que se tornaram misândricas.
Misandria é o ódio ou o desprezo aos homens. A isso eu dou o nome de ignorância ou intolerância do mesmo nível do machismo.

Vamos lá, todos os homens são iguais, certo? CORRETÍSSIMO! Eles são iguais sim, caso não tenham nenhum problema biológico de, por exemplo, nascer sem um dos testículos. É apenas dessa forma que eles são iguais.
Generalizar dizendo que TODOS OS HOMENS são imprestáveis, deveria ser uma piada do mesmo nível da "mulher no volante, perigo constante".
Você por acaso conheceu todos os homens do mundo? Não tire conclusões precipitadas por conta de um grupo ou de suas experiências ruins com eles.
Vamos inverter os papéis. Mulheres, vocês gostam quando os homens dizem que TODAS NÓS SOMOS INÚTEIS? Bem, eu acho que não, certo?

Eu jamais generalizo grupos, porque não conheço cada indivíduo dela. Sempre pode aparecer um para dizer "mas eu não sou assim", então é incorreto criar unanimidade onde não existe.
Lembre-se: ninguém é igual a ninguém, até os gêmeos têm suas diferenças.

O que acontece para que feministas se tornem extremistas? O cansaço. Sim, pois cansa gritar e não ser ouvida, apesar de estar entre um mar de gente. Nós mulheres somos costumeiramente zombadas quando damos nossa opinião ou mal vistas. Se somos brincalhonas com os homens, as pessoas nos olham com desconfiança do tipo "já deve ter dado para todos ou está querendo". Se falamos muito palavrão, alguns acham que somos muito desbocadas e não temos educação.

Eu sigo pelo menos três feministas que, ao meu ver, costumam ser oito ou oitenta. O comportamento delas chega a ser ofensivo para mim, que sou mulher, defendo o direito das mulheres e que argumento ferrenhamente contra o preconceito.
Analisando com um pouco mais de calma, eu pude perceber uma atitude nelas que eu também cultivo, contudo, de forma consciente e apenas para manter a minha autoestima em níveis aceitáveis. Não estou dizendo que é correto ou bonito.

Essas feministas radicais parecem usar a misandria como escudo e espada para se manter de pé. Todos os que não concordam com suas opiniões e os homens que elas tanto odeiam, são colocados no chão, debaixo de seus pés, para que elas se sintam poderosas e não sejam subjugadas como um dia já foram. É uma espécie de autodefesa, que posso simploriamente exemplificar como "eu sou fantástica, eu sou a melhor".
A diferença entre a minha autodefesa e a delas, é que eu não grito, não ofendo ninguém e não a uso para pisar nos outros. Eu mantenho como um exercício mental, o que não quer dizer que fulana seja mesmo feia, que siclana não saiba fazer uma trança ou que beltrana tenha um cérebro de passarinho.
Eu não jogo pedras nos outros só porque não gosto deles. Eu apenas jogo pedras em quem me jogar primeiro.

Essa situação é gerada quando algo fica mal resolvido, e como não é possível engolir aquele sentimento ou esquecê-lo, criamos algum tipo de resolução que não nos faça sofrer mais e que normalmente não é politicamente correto. O problema é quando esse exercício ultrapassa a esfera mental e se torna um comportamento ofensivo.

Eu já conheci e convivi com homens "brucutus", daqueles que se filho dissesse que era gay seria morto. O crédito da minha opinião com eles era sempre o de  "ah, coitada, é novinha ainda, não entende das coisas". Com esse tipo de gente, eu não converso mais, não discuto e quando dizem algo entra por um ouvido e sai pelo outro. Aprendi a não remoer palavras de pessoas ignorantes, visto que, como sou aparentemente mais inteligente, tenho que observar aquilo e sentir pena.
Intolerância não se paga com intolerância, se paga com argumentos ou sarcasmo e ironia, dependendo da situação.

Chá de pimenta: quando as xícaras voam para todos os lados
E quando os argumentos são do nível de inteligência de uma criança de 4 anos? Você pode escolher sentar na sua poltrona favorita, tomar um suco e observar a guerra acontecer ou pode quebrar a situação com argumentos inteligentes. A última opção normalmente é mais desgastante, já que a outra parte é irredutível e quer mais que você se cale logo ou concorde com ela.
É uma criança jogando xícara de chá de pimenta na outra. No final, o que resta mesmo? Chá por todo o lado, louça quebrada e olhos ardendo. Qual foi o ganho? Nenhum.

A maioria das feministas não sabe mais argumentar, só parece ter a capacidade de rebater com "você fala isso, porque é homem". Como se "ser homem" é estar imune de sofrer preconceito, abuso e intolerância. É para bater palmas, sabia? Como se a culpa de cada terremoto fosse deles. Onde está mesmo o equilíbrio, a luta por direitos iguais de gênero? "Direitos iguais de gênero" não são "direitos das mulheres superiores aos dos homens", a não ser que você não consiga interpretar o texto que está lendo.
Obviamente os homens que optam por um "ah, isso é falta de dar", estão sendo tão ignorantes quanto.
Eu sei que alguns replicam assim só para ver o circo pegar fogo e é claro que muitas caem nessa armadilha e apenas se desgastam.
Aos homens que falam sério sobre essa "falta de sexo", eu apenas sinto pena e dou risada, já que eles tiveram que se rebaixar a um argumento tão infantil e próprio de mentes limitadas.

Às vezes a graça não é guerrear e sim olhar como o oponente é bobo ao tentar lutar de mãos vazias. Essa é uma humilhação que somente os espertos percebem.

Se você quer ser levada a sério e acredita que o que está defendendo é importante, tenha em mente que a argumentação é a melhor arma sempre. Seja maleável, saiba quando o debate deve ser conduzido de forma diferente. Pode-se desestabilizar o outro lado facilmente e mesmo assim não perder a razão.

Lembre-se de duas coisas: se a pessoa continua com a postura ignorante, não continue o diálogo. Deixe-a falar o que quiser, ela já perdeu por não ser razoável. Nunca se rebaixe ao nível de quem está querendo te desestruturar, você estará perdendo parte da sua dignidade.

Chá de pimenta: degustação para fazer sua língua queimar
Muito bem, chegamos ao final do post. Levante a mão se você sobreviveu e me avise se há mortos ou feridos.

Eu sou uma ótima oradora e uma boa argumentadora, além de ter um caso de amor com a humildade.

Gostaria de ver todas as mulheres (desculpe, até o fechamento deste post nenhum homem se manifestou contra os meus tweets) que disseram que eu estava errada ou que não sabia do que estava falando, virem conversar comigo e me darem motivos para ao menos respeitá-las, porque eu não consigo ter respeito por alguém que sequer é capaz de me apresentar argumentos de verdade.
Sim, eu estou chamando para uma conversa e é bom virem preparadas, pois eu também estou MUITO CANSADA de generalização e intolerância.

Bem, acho que não doeu tanto assim para fazer este post.
Eu não consigo me manter longe das polêmicas e talvez eu não deva mais fugir delas.
Eu procurei ser razoável. Se eu quisesse briga (porrada e afins), estaria discutindo com a minha parede ou estaria fazendo aula de boxe.

Existem homens que não prestam, assim como existem mulheres que não prestam. E não posso ser misândrica, já que sendo uma mulher heterossexual, eu tenho certo interesse por homens. #safada

E aí, aceita um chá?

Por Kimono Vermelho (01/03/2013) - Olha, 1º post de março!

16 comentários:

  1. Em primeiro lugar, preciso parabenizá-la pelo blog. Confesso que nunca fui leitora assídua, mas cheguei a ler suas resenhas de livros e sua seção "Conversa para Mulheres" e realmente adorei (mesmo discordando de alguns pequenos pontos). É bom ver alguém que não apela para generalizações e não empurra nada goela abaixo de ninguém - quem escolhe se vai aceitar o conselho de quem tem experiência para passar é a própria pessoa.

    E não poderia ser diferente com esse post, eu realmente gostei. Estava pensando em escrever algo semelhante (mesmo que meu conhecimento nesse sentido ainda seja mais limitado, queria pelo menos chamar a atenção do pessoal para tentar observar os dois lados de uma questão sem tanta briga) e até incluir algumas retratações (eu confesso que acho que passei da conta algumas vezes quando se trata desse assunto e outros relacionados - e não incluo aqui apenas brigas de Twitter), mas depois deste post acho que não há mais necessidade. Posso ao menos copiar meus comentários em um dos meus blogs pessoais (que estão pegando poeira, boa hora de usar) e divulgar essa discussão (se não tiver algum problema para você, claro ^^).

    Agora, vamos ver por onde eu começo. (deve ficar grande... Peço desculpas antecipadamente. ^^')
    Digamos que eu já era simpatizante do feminismo antes mesmo de pensar de verdade no movimento. Estava olhando alguns tweets antigos essa semana e topei com alguns comentários que fiz sobre os fãs controladores da cantora Aya Hirano, quando surgiu toda aquela polêmica envolvendo as relações sexuais dela com membros de sua banda; sempre fui a favor de que cada mulher deve fazer o que quer com seu corpo e saber lidar com as consequências. Aquela discussão, sem eu saber, foi um ~começo~.

    Depois, foi uma sucessão de experiênias diferentes.
    Voltei a conviver com minha melhor amiga da época fundamental no primeiro ano do colegial e ver o que ela passava com a família me deixava indignada. O lado "por parte de pai" da família sempre foi muito conservador e controlador se tratando da educação das meninas - ela tomou muita pressão na cabeça, principalmente em termos de comportamento. E a diferença de tratamento para ela e para o irmão era claramente diferente (há quem pense que ela pode exagerar quando fala do irmão, mas eu conheço o menino. Em uma frase: imaturo demais para quem supostamente teve educação adequada, se me entende.)

    Isso, juntando com algumas experiências na internet (mesmo algumas mais desagradáveis), me levaram a procurar saber mais sobre feminismo. Hoje entendo melhor o que o movimento defende e, sendo sincera, me considero parte dele, mesmo ainda aprendendo a respeito pouco a pouco. Parece contraditório? Imagino que sim, mas acho que a partir do momento que você se posiciona contra coisas como a cultura de estupro ou a forma como a mídia manipula o comportamento social dos jovens de acordo com estereótipos de gênero, acho que você pode se considerar feminista, sim.

    *continuo no próximo*

    ResponderExcluir
  2. Bom, passada a minha histórinha tediosa, vamos falar das polêmicas.

    No geral, eu me considero uma pessoa moderada - e falo da postura em qualquer tipo de discussão. Claro que tem momentos que eu piso na bola quando vejo algumas bobagens, ainda mais se meu humor não estiver legal (o que não é desculpa para que eu não pense sobre minhas burradas), mas se a pessoa mostrar qualquer sinal de quer mesmo conversar, pode vir. A gente discorda, concorda, repensa e todo mundo sai ganhando.

    E sendo assim, tentando olhar os dois lados de uma situação, não consigo deixar de simpatizar tanto com quem se sente vítima de extremismo (e eu já fui uma dessas vítimas) quanto com quem já perdeu a paciência por estar desgastada de discutir. Não consigo ver um lado 100% certo quando essas brigas envolvendo feminismo se desenrolam (por mais que tenda a apoiar mais um lado do que outro).
    mas enfim, antes que alguém me acuse de qualquer coisa, queria elaborar uns recados para os lados envolvidos nessas polêmicas. (Não que eu tenha muita moral para aconselhar qualquer um, ohoho, por isso se quiserem discutir a respeito de meus pontos podem falar.)

    Para os rapazes (e também algumas garotas e mulheres) que não entendem bem o movimento feminista e ficam receosos quando caem nessas discussões: sim, feministas gostam de questionar várias coisas na sociedade, incluindo algumas que vocês consideram pequenas. Geralmente elas são respondidas com "ah, você está procurando pêlo em ovo", "ah, mas você não sabe se tal menina resolveu emagrecer tanto porque ela quis ou porque pressionaram ela" e similares. Mas tentem pensar assim: será que o próprio comportamento de vocês, de achar que uma série de reclamações são bobagem, não são fruto de uma série de ideias que a sociedade martelou na cabeça de vocês ao ponto que vocês não percebem como pequenas coisas podem ser sinal de comportamentos machistas encrustados na sociedade? Não precisa concordar com 100% o que as feministas dizem, mas levar em consideração porque elas questionam tantas coisas não faz mal.
    E outra: insistir em piada e generalização no meio de discussão séria é mancada, sério. Quando você quiser ser levado a sério, lamento mas vai encontrar dificuldades; claro que não é legal ser acusado de machista e intolerante quando a pessoa não sabe tudo o que você pensa, mas certas posturas incomodam, dificultam para o outro lado entender o que você realmente pensa na discussão.

    Para as feministas que estão cansadas de discutir: É, eu sei que bater na mesma tecla e não ser entendida - ou não conseguir nenhum resultado - cansa. Ainda mais quando se tenta falar com gente próxima e descobre que a pessoa não leva o papo muito a sério. Eu mesma discuti com um sujeito recentemente sobre machismo em algumas Visual Novels para o público feminino (oi, Amnesia) e simplesmente não deu em nada - embora eu tenha conseguido cortar a agressividade do sujeito sem precisar rebater na mesma moeda. Mas o importante é que tem que falar. Tem que explicar a respeito O MÁXIMO QUE PUDER. Acho que caio em território perigoso aqui, mas acho que é mais complicado para vários homens entenderem alguns preconceitos quando eles não sentem na pele - e francamente, acho que isso é natural. Por isso acho importante que as feministas expliquem as coisas, usem de exemplos pessoais etc. Conquistem a empatia. Claro que só palavras não adiantam com todo mundo -tem gente que vai insistir em não entender o ponto de vista de outras pessoas, sempre tem - mas acho que ir discutindo ~pouco a pouco~ pode conquistar muita gente, sim.

    Enfim, acho que era isso que eu tinha a dizer por enquanto. Sei que preciso vigiar meu comportamento melhor também, e pelo que vivenciei acredito que moderação e cabeça aberta para discutir são as melhores atitudes se tratando deste assunto.
    Mais uma vez, ótimo post, Kimono... E mais uma vez, lamento pelo comentário gigante.

    ResponderExcluir
  3. Ótimo post! Realmente, a abordagem que as pessoas tem em relação a esse assunto acaba causando mais confusão do que o assunto em si…

    Eu, como homem, posso falar por uma boa parte de nós que é realmente dificil entender a causa do feminismo e o problema do machismo pq crescemos aprendendo que muitas coisas que incomodam ou fazem mal às mulheres é "normal". E é dificil entender qual é o problema quando uma ativista simplesmente lhe aponta um dedo e solta um "SEU MACHISTA!" :/

    Só começei a realmente entender o feminismo e o que incomodavam as mulheres quando conheci gente que mudou o discurso de "você é machista!!!" pra "Olha, essa sua atitude foi machista, por causa de X e Y". É muito mais fácil entender as coisas quando o problema não está em você, mas nas suas ações :P

    E tem muito cara que deve achar que muita coisa é pelo em ovo, mas é foda negar que o machismo é um problema enquanto existe um site desse tipo => http://fatuglyorslutty.com/ (o site "coleciona" mensagens machistas que a mulherada recebe em jogos online)

    Não me considero um cara feminista pq ainda tenho muita coisa pra melhorar, mas a gente tenta ser uma boa pessoa e não ofender a ninguém, né? :P

    ResponderExcluir
  4. Ótimo post, Kim. Está nos favoritos para quando eu precisar encaminhar para alguém :3
    Mas vamos comentar!
    Antes de mais nada, quero derrubar um dos maiores mitos do feminismo: é possível ser um homem heterossexual feminista (eu, pelo menos, me considero um!) [mas, como a Kim bem disse, há VÁRIOS feminismos]. Mas é (relativamente) difícil.
    Primeiro porque a sociedade põe uma pilha de entraves. Por algum motivo, existe o pressuposto societal de que você DEVE proteger, com unhas e dentes, seus privilégios (se você é branco, não deve ser abertamente a favor de movimentos anti-racismo; se é heterossexual, não deve ser a favor de movimentos anti-homofobia; classe média-alta -> movimentos contra a má distribuição de riqueza; não-usuário de drogas -> movimentos de legalização; e, por fim, se você é homem, não deve ser a favor da igualdade dos sexos).
    Pode parecer mentira, mas isso é verdade. Infelizmente, essa é mais uma das regras "ocultas" da nossa sociedade. Ninguém vai dizê-la abertamente, mas que ela existe, existe (me sinto tentado a usar o conceito de "fato social" durkheimiano, mas imagino que nem todos tem uma leitura dos clássicos da Sociologia =P).
    Segundo, porque mesmo que não houvesse essa pressão, muitas vezes não há MOTIVO para se lutar contra essas opressões. E, admito, minha adesão ao feminismo veio de uma motivação pessoal: eu não me encaixo no padrão ideal de homem na nossa sociedade.
    Não sou forte, alto ou bonito. Não sinto necessidade de afirmar minha masculinidade por meio dos vários "rituais de virilidade" que existem na nossa sociedade (sim, eles existem, e são realmente muitos). Meu interesse afetivo-sexual - ainda que seja por mulheres - é ligeiramente diferente da norma (inclusive fui muito zoado no colégio pelos meus "colegas" devido a isso). Não sou "pegador" (nem me esforço para ser, por sinal). Não tenho vergonha de chorar em público (embora eu efetivamente chore pouco, isso tem mais a ver com eu "não ter coração" do que com a pressão social de que "homens não choram"), entre outras coisas "femininas". Resumindo: eu não sou um "cisgênero" - ou seja, eu não me encaixo naquilo que nossa sociedade enxerga como sendo o "papel social" de um homem heterossexual.
    E o que isso me fez enxergar? O fato de que nossa sociedade "machista" (explicarei as aspas mais à frente) é injusta não só com as mulheres). Nossa sociedade é injusta com todos aqueles que não se adequam ao (extremamente reduzido e desbalanceado) conjunto de papéis sociais considerados "corretos" (por sinal, aviso que o fato de ser um antropólogo também ajudou muito a abrir meus olhos).
    E, na verdade, isso inclusive faz com que algumas (poucas, talvez pouquíssimas) mulheres, paradoxalmente, NÃO sejam "injustiçadas" - já que elas naturalmente se adequam a esse padrão do que é "ser mulher". Da mesma forma, nem todos os "comportamentos machistas" beneficiam os homens (por exemplo, "pagar a conta", "mulheres e crianças primeiro", "em mulher não se bate nem por defesa"; são todos comportamentos que "dizem" que a mulher é, por definição, indefesa/incapaz de cuidar de si mesma e, logo, precisa de um homem que tome conta dela).
    Continua...

    ResponderExcluir
  5. E em terceiro lugar, o feminismo também não ajuda. Eu me lembro de ter lido num blog que tentava mostrar como o feminismo podia ser conciliado com o BDSM (por sinal, para aqueles que acham que todas feministas são iguais, procurem os diversos pontos de vista sobre feminismo e BDSM e verão que "feminismo" é um rótulo tão preciso quanto "cristão", ou até mesmo "cientista" - você está relevando TODOS os diferentes tipos de feminismo/cristianismo/ciência que existem), em que ela levantava a importante questão de que o feminismo deveria ser mais acessível aos homens, porque a misandria, infelizmente, rola solta. O argumento "você não pode opinar, você é homem", por absurdo que pareça, ainda é muito usado. O próprio termo "misandria", na verdade, é rechaçado em certos círculos feministas (algumas feministas acreditam que é cognitivamente impossível ser misândrica, já que, sei lá, "todo ódio aos homens é justificado" ou coisa parecida - por sorte, isso são só as mais extremistas).
    E isso me leva ao ponto do extremismo. Todo extremismo, sem exceção, é danoso. Isso, para mim, é um axioma (o que pode levar ao paradoxo de que minha opinião pode ser encarada como extremista =P). Mas não tenho nada a acrescentar ao que foi dito no post, exceto a essa belíssima frase (originalmente utilizada a respeito do criacionismo, mas que vale para qualquer extremismo): "Discutir com um extremista é como jogar xadrez com um pombo. Não importa o quão bom em xadrez eu seja, o pombo simplesmente irá derrubar as peças, cagar no tabuleiro e andar empertigado como se tivesse ganho a partida".

    No mais é isso. Aos interessados em doses homeopáticas de feminismo, sociologia e pensamento crítico, recomendo o blog Sociological Images (diferente da homeopatia, que eu não recomendo por ser placebo =P).

    *Quase me esqueci: utilizo aspas para falar da sociedade "machista" porque, mais do que machismo (que necessitaria de um "patriarcado"), nós temos sistemas de opressão (que torna mais adequado o conceito de "Kyriarchy"). Então, mais do que uma sociedade machista, temos uma sociedade opressora.

    ResponderExcluir
  6. Eu dei uma olhada por cima em cada 'tópico'. Sei que deveria ler tudo, mas já aviso que, caso fale algo de errado em relação ao post e o assunto, foi em razão da minha fadiga ressentida. Desculpando-me por isto antecipadamente.

    De modo geral, acredito que o post disse tudo o que penso, por isso acho que merece uma parabenização. Eu posso já ter dito algumas vezes coisas erradas em relação ao feminismo, mas justamente pelo fato de não conhecer bem suas origens, ainda que tenha dado uma 'estudada' no básico. Já concluí algumas vezes o óbvio: o feminismo foi uma ferramenta importante para a sociedade, assim como pode muito bem servir de base para vários problemas que encontramos ainda hoje.

    Mas o meu ponto de vista, antes de começar a falar especificamente do feminismo, é sobre pessoas e suas diferenças. Você falou muito sobre intolerância, o que é algo a ser debatido. O que se deve levar em consideração quando há polêmica? Quando opiniões divergem? É evidente que existem vários tipos de pessoas no mundo. Pessoas mais sensíveis, algumas que conseguem aturar vários tipos de situações, pessoas instáveis, pessoas relativamente compreensivas, etc. quase infinitas. O ponto a que chego é que não existem pessoas essencialmente más. Existem diferenças entre as pessoas que algumas não conseguem entender, seja pelo seu caráter próprio, por influências de criação, por influências da sociedade etc. Assim como pessoas podem fazer coisas malvadas por estes mesmos motivos, e eu ainda afirmaria que estas pessoas não são essencialmente más, mesmo fazendo escolhas muito erradas e tudo o mais.

    Além disso, existe o fato histórico. Mesmo que uma pessoa, lá com seus 50 anos, sendo conservadora por instinto e por criação, faça coisas hoje consideradas erradas em relação a serem machistas, deve-se pensar que é difícil para estas mudar suas mentes. Como uma pessoa boa e sensata, querendo mudar o mundo para que todos tenham direitos iguais, o ‘certo’ deveria ser tolerar esse tipo de pessoa. Tentar argumentar inicialmente, afinal, mesmo uma pessoa desse tipo com 70 anos pode ainda mudar melhorar. Mas algumas coisas são difíceis de ser feitas. Enquanto esse tipo de pessoa não passar dos limites do bom senso, é melhor deixá-las de lado, mesmo que, por exemplo, façam piadas consideradas racistas, machistas... Não que eu concorde que isso deva ser incentivado. Claro que devemos evitar e tentar mostrar como esse tipo de influência machista e tal pode ferrar com as pessoas que sofrem por essas piadinhas. Mas é muito necessário levar em conta que nossa sociedade é assim, “errada”, de um modo geral. Tentar mudar? Ok. Radicalizar? Nunca deu certo.

    Com isso, ainda sou obrigado a afirmar que, talvez, 90% do que as feministas propõem como tese é interessante, discutível, deve ser levado em conta e é bom para todos. Contudo, ainda há o fato oposto, geralmente não trazendo boas argumentações, que trata do fato de o feminismo exagerar. O fato de mulheres e homens realmente serem diferentes. O fato de ser necessário diferenciar os sexos pra algumas situações de vez em quando. O que é óbvio, não?

    ResponderExcluir
  7. Mudar a sociedade aos poucos é algo ótimo. Fazer isso do jeito certo e coerente anularia os argumentos “errados” das pessoas que repudiam o feminismo. Na verdade, haveria muito mais o que discutir. Mas não se trata de feministas, machistas, extremistas, haters ou qualquer outro tipo de “pessoa idealizada” que tenhamos criado. Trata-se de seres humanos. As pessoas podem ter pontos de vista diferentes, podendo oscilar, mudar, aprender, teimar... Mas tudo pode ser resolvido com argumentos, conversas. Aliás, com certeza todos chegaríamos à mesma conclusão se pensássemos racionalmente sempre. Mas existe o fato emocional. A questão que nos impede de ceder. Mesmo sendo importante, a emoção de cada um, e eu totalmente intensamente incluso nisso, faz com que reações diferentes causem problemas. Ou seja, se alguém é cabeça dura e não gosta de dialogar, não há muito o que fazer.
    Você, extremista, já parou para pensar alguma vez sequer que provavelmente nada é perfeito? Que, mesmo sua ideologia contrapondo-se a algo que está errado, exatamente o fato de querer contrariar este lado pode viciar ao ponto de construir seus próprios erros? Enfim, eu acredito que as pessoas deveriam discutir a fim de defender o que é certo, defender a sociedade, defender um mundo ideal, e não defender ideologias e o que apenas ~parece~ ser/poder fazer um mundo ideal.

    Mesmo estas pessoas que são intolerantes talvez tenham bons motivos para fazer isso. Mesmo as pessoas que não gostam de conversar civilizadamente talvez tenham criado em suas mentes que é o certo a fazer: defender um lado e rebaixar o que consideram errado. Por isso, quem tiver maior consciência, como eu chamo, deve respeitar isso. Tentar ver e compartilhar os lados bons e ruins das coisas.

    E, claro, aqui é minha deixa para os argumentos, para o que é desnecessário em relação às brigas que existem. Claro que eu apoio o feminismo. Apenas discordo (basicamente) do excesso de qualquer coisa, assim como a tentativa de implantação desse movimento em tudo por parte de algumas pessoas que identificaram-se com feminismo e, de alguma forma, já repudiam qualquer um que não queira aceitar isso como ideologia máxima.

    Eu até já tinha decidido não entrar no assunto novamente, visto que, levando-se em conta as pessoas comumente conhecidas, é difícil fazer várias mudarem de opinião (tanto que eu sou meio assim). Por isso é necessário paciência, compreensão. Se você quer entrar nessa luta como um feminista, precisa entender que muitas pessoas não têm noções de mundo como você. Algumas pessoas só querem ser felizes, fazer o que lhes convêm, procurar o lado simples e bonito das coisas, mesmo que tudo pareça errado. É um modo de fugir dos problemas e tudo o mais? Pode ser para você. Para esta pessoa não. Quem realmente é machista deve ser ‘punido’ e/ou alertado, sim. Mas, você, que tem o poder do feminismo, não faça pessoas pagarem por algo que algum babaca fez.

    É possível ler tudo isso que falei e ainda querer argumentar muito. E estou disposto a qualquer reação, por isso precisamos deixar de sermos negligentes para sermos mais atenciosos e tentar entender a mente alheia. Ou apenas viver em paz. Vocês escolhem.

    ResponderExcluir
  8. Não ia comentar nada hoje porque meu porquinho da índia morreu e e to me sentindo o cocô do cavalo do bandido, mas se eu não falasse nada hoje aposto que a disposição pra comentar passaria.

    Quando vi as coisas que você falou ontem no twitter confesso que fiquei decepcionada, porque é o mesmo discurso que ouço dos homens não só da TL, mas de qualquer lugar. Sempre vêem extremismo aonde não tem.
    Agora com esse seu post entendi melhor de onde o seu pensamento tava vindo, mas continuo discordando de parte dele. Aposto que eu sou uma das feministas que você toma como exagerada e que não tá aberta pra conversa, e gostaria de expor e defender o meu lado.

    Descobri o feminismo só no ano passado, apesar de alimentar pensamentos e opiniões feministas ao logo da minha vida (junto com muito machismo também, do qual eu fui me livrando aos poucos - e ainda o faço).
    Sempre gostei muito de discutir opiniões e idéias, e concordo com você que é, sim, a melhor maneira de se fazer entender o feminismo - principalmente quando se trata de homens, que muitas vezes tem dificuldade de ver as coisas do nosso ponto de vista (e isso é completamente normal e aceitável, visto que foram criados de forma muito diferente da gente).

    Bom, lá vai o meu lado da coisa: eu to sempre aberta a discussões, muitas pessoas já viram coisas que falei ou dei RT e me perguntaram ou comentaram algo, e eu sempre respondi numa boa. Com uma exigência: a pessoa deve me respeitar. Se isso não acontecer me desculpa mas tenho todo o direito de não querer argumentar nada e eventualmente excluir essa pessoa do meu twitter pra não lidar com ela.
    E foi isso que aconteceu depois que conheci a "turma da zoeira". Era eu falar algo que tivesse cunho feminista (e isso não quer dizer só coisas que dizem respeito à mulheres, visto que feminismo engloba coisas como racismo, homofobia, classismo, estudos sobre gênero e sexualidade, etc) que algum palhaço fazia piadas, reduzia a minha opinião à lixo, me tratava como se fosse uma otária vendo coisa aonde não tem. Isso eu não suporto, não argumento com alguém que toma esse tipo de atitude. Eu não sou professora de primário, não vou sentar e conversar com pessoas que agirem de forma tão infantil e desrespeitosa. Eu tenho esse direito.

    Não possuo opiniões extremistas, e sinto muito se você ou outras pessoas acham isso. Eu estudo muito sobre feminismo, não só o movimento em si mas todos os assuntos que ele engloba, e isso não é pouca coisa. Todo dia aprendo algo novo, deixo um preconceito de lado. Já levei puxões de orelha várias vezes por tomar atitudes preconceituosas das quais eu nem tinha consciência. E qual foi a minha resposta? Pedir desculpas e não deixar aquilo se repetir.
    Se você fizer o mesmo com esses meninos da TL acho que todas sabemos como eles responderiam: zoações, piadas, ofensas.

    Ontem mesmo fui chamada de muitas coisas, e depois quando não quis discutir com o cara (cheguei a tentar, mas nem deveria ter feito isso) fui chamada de extremista. É daí que vem esse comentário - eles te ofendem, fazem piada contigo, e depois quando você não "aceita" as merdas que eles falam você tá sendo extremista. Como falei antes, não tenho obrigação de tentar argumentar e "trazer pro meu lado" quem age dessa forma. Com esse tipo de comportamento eles deixam claro que não querem saber do assunto, só querem é te rebaixar mesmo.

    Ah, e tem outra coisa muito legal, fruto da discussão de ontem, que eu descobri: num chat do skype algumas pessoas da TL ficaram falando mal de mim, e até chegaram a falar mal do meu relacionamento com o meu namorado, que é bem mais novo que eu. Pra você ver o nível de imaturidade e descaso com o próximo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Primeiro, meus pêsames pela sua perda. E segundo, obrigada por vir expôr o seu lado, porque este post não tem validade sem os dois lados da moeda.
      Sobre o respeito, concordo inteiramente com você. Se a pessoa é incapaz de chegar com respeito, ela deve ser sumariamente ignorada, já que você não estará ganhando nada falando com alguém que tem um baixo nível de educação.
      O problema, Rebeca, é quando você se deixa afetar por esse grupo. Se você viu que eles não passam de um bando de babacas, não se dê o trabalho de argumentar, dê block e pronto. Sei que algo dentro diz para ir lá e meter um "soco" (argumento) na casa deles, só que isso apenas desgasta e não agrega nada.
      Acontece que quem está dentro do olho do furacão não consegue ver os estragos que o furacão causa do lado de fora. Para você pode parecer sempre a luta pelos seus direitos, só que em algumas vezes essa luta se torna tão agressiva quanto o comportamento machista das ouras pessoas. Agressividade nunca ganhou causa, por que é necessário usar essa "arma"? Para se igualar ao machismo? Isso não faz tudo perder o sentido?
      Rebeca, não pense que é a única chamada de várias coisas (e pelas costas). Ao menos você tem quem te informe, mas e as coisas que nós não ficamos sabendo? Você se importa com opinião de gente com nível de imaturidade e descaso com o próximo? Isso agora que eu vou falar é conselho de ser humano para ser humano: dane-se a diferença de idade que você tem com o seu namorado ou o que os outros acham, dane-se se as pessoas estão te xingando. Você escolheu seu modo de vida e se ele te faz bem, continue. A impressão que me dá é que você está dando importância demais pras pessoas que gostam de te colocar pra baixo. Se você quer ser mais feliz, se desapegue disso e eu sei que você é muito capaz, pois foi se educando com o tempo (expulsando o machismo do seu comportamento) e procurou saber mais sobre do que se tratava o feminismo.

      Excluir
  9. Antes de você (não sei se é o caso, e se não for peço desculpas) e esses caras acharem que sou extremista, tentem ver o meu lado. Você sabe que mulheres passivas já são bem oprimidas, e quando você se torna mais ativa, conquista conhecimento e forma suas opiniões, as pessoas ao seu redor fazem de tudo pra te jogar pra baixo. Você mesma disse isso no seu post. E é claro que eles não vêem que isso é machista, que eles zoam muito mais as mulheres de opinião forte. Se fosse um deles com esse tipo de discurso sobre ativismo e afins eu aposto que eles tentariam entender o cara primeiro, e caso isso não acontecesse, a zoeira viria depois.

    Mais uma coisa: eu não odeio homens, não acho que eles são imprestáveis, nunca fiz NENHUMA generalização desse tipo. Eu uso misandria como piada porque ela obviamente não existe. Só que muitos homens adoram se fazer de excluídos, de reprimidos pelo feminismo (como se o RESTO DO MUNDO não tivesse espaço pra homens), chamam a gente de extremistas. E eu ""aceito"" esse tipo de sentimento, sei que é fácil se sentir afrontado por um grupo de mulheres com opiniões fortes apontando coisas que você, homem, faz errado (apesar de achar que falta MUITA empatia e que eles poderiam sim fazer mais esforço pra entender, não é algo impossível). Só não tolero comportamentos ofensivos e infantis, como já disse.

    É isso. Não to aqui pra convencer ninguém de nada, só expor o meu lado. E parabéns pelo post, a parte informativa sobre feminismo foi muito bem escrita.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não, Rebeca. Se um homem defender o casamento entre homossexuais, algum machista vai tirar uma com a cara dele, xingá-lo e dizer coisas que ele provavelmente não é e nunca será. O machismo também afeta os homens que aprenderam que a mulher tem que ser tratada com dignidade. Pode não parecer, mas vários meninos que viram as mães sofrerem violência doméstica, qualquer outro tipo de agressão ou que foram criados por mulheres desde pequenos, têm mais consciência sobre o quão doente é o machismo do que qualquer outro. Não estou defendendo os homens ou os tirando como coitados, só que não posso ignorar os homens que conheço na minha vida pessoal e que são defensores do feminismo e das mulheres.
      Se para você a misandria não existe, é uma pena. Também existem pessoas que acham que o tráfico humano é invenção.
      É sempre perigoso achar que algo não existe, apenas porque não enxergamos.
      Concordo que existe uma parcela incontável de homens que adoram se fazer de vítimas e, acredite, eu conheço muito bem esse tipo. No entanto, ignorar a existência de homens honrados, me ofende. Eles existem apesar de poucos e eu também conheci alguns.
      O que eu percebo nas feministas mais radicais, é que elas não sabem ou não aprenderam a ser flexíveis. Só sabem lutar de um mesmo modo e costumam mais bater a cabeça na parede do que de fato vencer alguma luta. Os tempos mudaram, as feministas que não se adequaram, deveriam correr. Precisamos que estejam preparadas para educar as próximas gerações, de preferência, sem truculência.
      Obrigada pelos seus comentários, pois para mim eles foram muito importantes.

      Excluir
  10. Saudações


    Dizem que a experiência pode fazer com que as pessoas reflitam e escolham um caminho à seguir em suas vidas.

    Senso assim, lançarei mais abaixo duas situações que formam fragmentos do que já vivi em meus trinta e quatro anos de idade...

    Situação #1: quando vivo, meu pai sempre me chamava para ir pescar ou ir ao estádio para ver futebol. Dado o meu comportamento natural, eu gostava mais de ficar em casa rabiscando algo, jogando vídeo game ou brincando com meus carrinhos e, em tudo isto, fazendo companhia para a minha mãe (que gostava mais de ficar em casa, muito embora passeasse com ele quando ela queria, justo). Minha irmã aceitava os convites e ia passear com o meu pai. Uma vez ouvi algo similar de a um "cadê o futuro homem da casa", da boca dele.
    Poderia ser "brincadeira" da parte dele, mas a mesma era de muito mal gosto, não!?

    Situação #2: ano retrasado, no trabalho, uma pessoa queria discutir comigo por eu ter deixado bem clara a minha opinião sobre o modo com o qual este colega via as mulheres. Para ele, quanto mais melhor, sob o pretexto de não ter "nada sério" e ficar com uma a cada três ou quatro dias, para manter a sua masculinidade em alta constante. Fui taxado de [bicha e afins] por apenas ter dito que o comportamento dele era similar a de um brutamontes criado na selva, onde os homens andavam com clavas pré-históricas para bater nas mulheres de seu interesse, arrastando-as pelos cabelos por todo o chão.
    Não vi brincadeira alguma aí, mas quando ele começou a falar de tal forma eu pedi licença e saí do recinto, deixando-o sozinho com as paredes.

    De machistas intolerantes à feministas radicais, já "fui vítima" de muitas palavras como as que citei nas duas situações exemplificadas mais acima. Devo confessar que no início eu me estressava muito, ficava vermelho (corado) de raiva. Em algumas situações, chegava às lágrimas (isoladamente, longe de todos). Contudo, de uns treze anos para cá, a maturidade prevaleceu acertadamente e se a pessoa prefere me atacar no lugar de explanar ideias, viro as costas. Se tal pessoa me fala sem xingamentos/ofensas, escuto até o fim por respeito solto uma frase curta no final,e peço licença para me retirar.
    Pode parecer loucura minha, não sei. Talvez eu seja pacifista demais, bobo demais, calmo demais, mas desisti de dar [murros em ponta de facas] tem muito tempo.

    Li todos os comentários após o post Red Kim, e posso dizer que este tipo de tema não deveria [acabar aqui]. Ele deve ser constante para a sociedade e tem de ser levado adiante, para que as pessoas interessadas na mudança e em uma educação humana realmente igualitária e justa (de geração, para os filhos, por um mundo mais consciente) realmente possam fazer a coisa acontecer de uma forma que atinge à gama social mais conservadora, que reprime e que, aparentemente, não anseia em "dar a mínima foda" (desculpe pelo termo) para o que vê no mundo ao seu redor.

    Anseio em ver os comentários que ainda haverão de surgir neste seu post, Red Kim.

    Ótimo texto.


    Até mais!

    ResponderExcluir
  11. Apesar de eu não ser feminista, eu vejo que esse post foi simplesmente perfeito e reflete o que eu penso a respeito dessa situação.

    Parabéns!

    ResponderExcluir
  12. Taram!
    Eu vim por sua própria recomendação sua no podcast de coisas polemicas.
    Eu já tinha lido um texto seu antes falando sobre estupro e machismo também, uma experiencia própria sua que me doeu um tanto.
    Bem, eu concordei com tudo que você disse.
    Eu já discuti muito com as pessoas, sempre tentando ter a máxima calma possível e explicar.
    Me lembro apenas de um que foi saudavel, que as pessoas leram e responderam com calma. E aquilo foi a experiencia mais maravilhosa que tive.
    Mas ultimamente eu não tenho tido forças pra argumentar, principalmente quando um amigo velho de infancia seu começa a postar discurso de ódio e ele insiste nisso.
    Então eu estou no meu estado de desgaste com a paciencia com as pessoas, vejo, infelizmente absorvo todas as mensagens de ódio e passo meu dia lutando mentalmente com as informações e pensando "Eu queria poder mudar isso e lidar com a ignorancia"
    Enfim, me restringi meu foco a amigos proximos que as vezes falam besteira, mas sei que não é pra ferir e conseguimos conversar.

    Não vi a briga que você teve no twitter.
    Mas eu entendo que, por mais empatia do mundo que os homens possam ter, eles jamais vão sentir o que nós mulheres sentimos e passamos no nosso dia a dia.
    E vice versa.
    É a mesma coisa que um branco sentir na pele o que um negro sente.

    Okay, não temos muito o que discutir nesse texto ashuahs
    Então só quero falar sobre um termo que eu aprendi a um tempo e pra mim, faz total sentido e vou tentar demonstrar/explicar ele.
    Chama "Falsa simetria"
    Basicamente, tem coisas que é impossivel, por mais que você queira, comparar duas coisas e falar que elas são iguais.
    Mesmo que elas aparentam ser.
    O melhor exemplo disso é "O ato de um opressor" x "O ato de um oprimido"
    Por exemplo, uma mulher elogiar um homem na rua e um homem elogiar uma mulher na rua.
    É visivel essa diferença quando um homem da esse exemplo e fala "nossa, mas eu gosto" e a mulher se sente incomodada.
    Isso porque o homem não tem medo de uma mulher.
    Mas a mulher tem medo do homem, de ser assediada e estuprada.
    E isso vale pra x coisas, como branco x Negros.

    Porque tem muuitas coisas que as pessoas usam em testes e experimentos falando
    "Ué, esse grupo não se sente incomodado, porque vocês se sentem então?"
    Do tipo "Não somos iguais?"
    Mas é basicamente, somos diferentes, grupos diferentes e sentimos na pele coisas diferentes.
    LGBT, brancos, negros, mulheres, homens, etc.
    Então tem coisas que não temos como comparar.
    Ah, isso vale pra coisas de humor
    Sim, é diferente você fazer humor com o opressor do que com o oprimido.

    Acho que é isso.
    Concordo com você que extremismo é sempre errado de todos os lados. E que sempre temos que ter paciencia pra combater a ignorancia.
    Gostei bastante do texto e da maneira que você escreve.

    Até mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Ayumi!
      (Desculpe o quase um ano de atraso)

      A gente sempre quer mudar o mundo para melhor, mas nem sempre é o que ele deseja, e as pessoas são assim. Algumas são tão firmes em sequer olhar o outro lado e ver se realmente é plausível ou não, que acabam se isolando naquela opinião que não condiz mais com o mundo em que vivemos.

      Sobre a parte de empatia que você comentou, eu já não concordo tanto.
      Claro que passar o mesmo que um grupo que você não pertence passa, isso é um tanto quanto óbvio, porém, empatia é diferente para mim.
      Empatia é saber que aquilo que eles estão passando é errado, não deveria existir e é necessário lutar contra. Não é porque sou branca que não posso defender os direitos dos negros, não é porque sou hétero que não posso defender os direitos da comunidade LGBT e assim por diante.

      As pessoas às vezes fazem questão de segregar quando poderíamos estar lutando pelos direitos de todos os seres humanos, pois é isso que somos. Negros, LGBT, mulheres, homens, todos temos músculos, vasos sanguíneos, ossos... Então para que segregar? Acho que falta um entendimento comum de que não passamos de seres humanos, independente de quaisquer outras características.

      Pessoas adoram fazer comparações e as usam para tentar fazer uma medição. No exemplo que você citou só faltou uma coisa simples para as pessoas que dizem "sou homem e curtiria ser ~elogiado~ na rua": História. O homem, principalmente o branco, nunca passou por todas as opressões que uma mulher passou. Eles podiam sair à noite, beber, ficar com quantas mulheres quisessem, enquanto a mulher tida como "de família" precisava se resguardar no lar, aprender os afazeres domésticos e como ser uma boa esposa.

      Obrigada pelo comentário!

      Excluir

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.