quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mulher inútil

Eu só queria desabafar sobre algo que está me incomodando profundamente HÁ TEMPOS. Se você não quer ler reclamações, o site tem seções muito mais interessantes com a abordagem de diversos assuntos. Esteja à vontade para vasculhar o que lhe parecer agradável.

Editado/Conhecido como P.S.: Depois de ler o comentário do Carlírio, eu só queria avisar: tem um aviso no primeiro parágrafo. Absorva a mensagem, mas leia com malemolência ou realmente você achará que levou uma pedrada na cabeça. Sem ironias, sem sarcasmo. Eu estou falando sério, tá bom?

Senta, que ela tá brava...
Por que vocês só conseguem votar em "mulher" quando eu pergunto qual deve ser o gênero do protagonista dos contos?

Foi assim com A Casa e com Segredos e Aparências. Das duas uma: ou vocês realmente amam protagonistas femininas ou acham que eu sou incapaz de escrever histórias em que o protagonista seja homem.

Se for a primeira alternativa: ok, legal e eu sempre busco oferecer personagens femininas longe da típica visão limitada que a maioria das histórias oferece. Porque eu gosto de mulheres fortes e gosto de mostrar como cada mulher pode encontrar dentro de si uma grande força.

Se for a segunda alternativa: você não passa de um coitado preconceituoso.

Atualmente, o único conto no site com protagonista homem é A data mais inútil do ano, segundo Frederico Almeida Campos.
Eu tenho várias histórias no meu computador com protagonistas homens e não acho nenhum pouco difícil escrever sobre eles. Antes de tudo, homens e mulheres são seres humanos, portanto, compartilham de muitos sentimentos e experiências parecidas. Ambos choramos quando perdemos alguém, sentimos raiva quando algo nos aborrece, amamos de coração aberto as pessoas que nos fazem bem. Alguns detalhes comportamentais fazem com que os homens sejam diferentes das mulheres e vice-e-versa.
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A minha mais "notória" coleção de contos é narrada por um homem e começou a ser escrita em 2007, quando eu tinha 17 anos, terminando em 2009. Era a primeira vez que eu deixava um homem ter tanta importância e história pra contar.

O engraçado foi que tudo começou com a minha raiva. Eu costumava escrever para canalizá-la e me acalmar. Disso nasceram algumas aberrações literárias, mas também nasceu essa coleção de contos. Era para ser um lobo solitário, no entanto, quando o reli em outro momento, fiquei com vontade de continuar a história, de pagar pra ver no que daria.
Eu devo muito do que sei hoje a essa coleção. A trama era idiota, os personagens eram peculiares e a experiência que ganhei disso me amadureceu como escritora (numa época em que escrever era visto apenas como um hobby e não como algo incrível que eu sou capaz de fazer).

O fato de eu não ter nascido homem, não me torna impossibilitada de escrever sobre um. Sabe, aprendi uma coisa nesses 23 poucos anos de vida: as pessoas não são iguais. Por mais que as mulheres sempre tenham alguns comportamentos semelhantes, ainda haverá algumas BEM diferentes. A mesma coisa com os homens.

No final, todos somos iguais e diferentes. O problema é o preconceito e a ignorância em perceber e aceitar isso.

Sobre a minha professora, a coleção de contos, eu não pretendo publicá-la. Espero nunca pretender, porque ela é imatura aos meus olhos atuais e iria requerer uma senhora revisão, o que tiraria toda a magia daquele texto cru de uma garota de 17 anos.
Eu gosto do meu passado, ele é bonito, prefiro mantê-lo assim.

Sobre a votação: escolham o que quiser. Eu não fiz este post com a intenção de fazê-los votar em "homem", eu realmente só precisava desabafar e esfregar na cara das pessoas que eu não sou uma mulher inútil e que as duas palavras não são sinônimos.

Eu queria ter postado isso depois que a enquete saísse do ar, só que não deu. Esperar custaria a minha paz.

De qualquer forma, pelo tema escolhido, é melhor ter mulher como protagonista do que homem. Drama pessoal em ambientação bélica: como uma mulher deve se sentir numa situação dessas?
Do contrário, vou ter que escrever uma versão mais divertida de Tropa de Elite (José Padilha).

E claro... Em breve trarei contos protagonizados por homens e veremos qual é o nível da minha (in)utilidade.

Por Kimono Vermelho (06/02/2013)

4 comentários:

  1. Saudações


    Jovem Red Kim, tens uma personalidade forte e de respeito. Acredito muito nisto e sinto que você, sendo assim, é muito digna de minha estima como pessoa.

    Entretanto, e se assim me permitir, acredito que seu post foi um pouco exagerado na temática proposta.

    Compreendo perfeitamente a questão da escolha do gênero para a história que farás. Você dá a oportunidade plena e sincera para todos escolherem o que desejam de melhor para a obra que escreverás, Red Kim. Muito embora tenhas citado os dois caminhos sobre a razão pela escolha do sexo feminino para tal protagonista, acho que alargaste demais o conceito do "preconceito" sobre a sua capacidade pessoal em ter [homens] como protagonistas.

    Lhe soa tão estranho assim a opção [mulher] estar à frente quase sempre em suas enquetes? À mim não surpreende em nada, Red Kim. E a razão para isto está em sua própria personalidade, não sendo nem a questão da escolha [por gostar mais de protagonista mulher], nem tão pouco por algum bobo da cabeça ter alguma [dúvida quanto à sua capacidade de escrever histórias com homens como protagonistas].

    Red Kim, você não costuma ter "meias palavras" em suas opiniões. Seja aonde posso ter notado isto. Você escreve, navega na ideia, deixa a sua opinião concisa para todos (independente de agradar ou não para "x", "y" e "z" pessoas) e mostra-se ser muito forte com os seus pensamentos e ideais.

    Em meu ponto de vista, quem escolhe o gênero feminino quer ver a Red Kim colocando um pouco dela na protagonista de um conto/história. Sua personalidade parece atrair a tal concepção para muitas mentes de quem visita vosso blog.

    Me recordo vagamente de algum post seu, no ano passado, em que tenhas citado algo sobre "se colocar no lugar da personagem". Acreditas que isto pode influenciar? Sinceramente, eu acredito.

    Mulher inútil? Hum... Título forte demais, jovem Red Kim. E irreal ao extremo no meu simplório ver. Li contos mais antigos seus aqui tempos atrás, e a capacidade que tens de fazer histórias vai muito além do gênero de seu elenco ou, em primeira linha, de tais protagonistas para as mesmas.

    Compreendo vosso desabafo, tem legitimidade social em várias frentes, infelizmente. Mas agora, para tal momento... Não sei.

    Tanto que, mesmo não sendo de sua intenção (como bem colocaste), confesso não saber no que votar agora (ainda não opinei na enquete da escolha de sexo e tempo de narrativa para a sua história).

    Posso ter exagerado em alguns pontos aqui. Peço desculpas antecipadas, caso isto tenha ocorrido. Mas friso que tal "cutucada" foi forte demais desta vez...

    Desde este momento, anseio em ler vosso trabalho daqui dois meses, quando se dará a publicação do mesmo.


    Até mais, nobre Red Kim.

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    1. Ok, vamos por partes...
      Bem, pode ter soado exagerado, por isso eu deixei um aviso no primeiro parágrafo: é um desabafo, exposição de sentimento, não uma explicação reta sobre algum fato. Eu avisei.
      Sobre as pessoas escolherem o gênero feminino para me verem como A personagem feminina, acho um pouco bobo. Me soa como as histórias de E.L. James e Stephenie Meyer, em que elas parecem se colocar no lugar de suas personagens, falei isso em um post. Não sei se é de todos os escritores, mas eu gosto de criar e não de me cortar aos pedaços e colocá-los nos personagens. Eu sou eu e mesmo que quisesse me colocar numa história, não sairia igual. O bom de escrever é poder criar e conhecer essas "coisas novas" que não se parecem com você. É o que expliquei em outro post que não foi entendido no seu sentido literal.
      Sobre o título, já deveria saber que eu gosto de chocar. Ele é chamativo. Títulos chamativos atiçam a curiosidade e esse é um dos grandes passos para que o material seja lido/visto.
      Bem, se você se deixou influenciar pelo post e agora não sabe em qual votar, eu fico... "Chocada" é uma palavra forte, digamos impressionada. Pode ser simples, mas serve para a vida inteira: se deixar influenciar por algo pequeno é perigoso e pode te levar pro caminho errado. Eu desabafei, as pessoas precisam conviver com isso e continuar. É como você escutar funk e eu te falar "que música horrível". Vai parar de escutar só porque eu disse que era horrível? Se sim, preocupante.
      Certo. Você não estava preparado para cutucada. Ao menos já sabe onde eu posso chegar e o quanto isso pode, em algum momento, não te agradar.
      Obrigada pelo comentário! o/

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    2. Saudações

      Momento da contra resposta...

      Não me deixarei influenciar, nunca. Tudo que aqui descrevi diz respeito, tão e unicamente, ao sobreposto do texto. Não posso simplesmente ler ou ouvir algo e me deixar influenciar integralmente por tal fator para a minha vida toda, Red Kim...

      Sim, fiquei indeciso para escolha na enquete à ser feita, justamente pelo teor chocante que aplicaste no título e no corpo de seu post. Justo. Mas após ler sua resposta, a dúvida foi sanada legitimamente.

      Digamos apenas que, talvez eu não estivesse preparado para este tipo de "cutucada" em específico, Red Kim. Mas o texto foi tocante ao modo como o entendi...

      Bom, independente de me agradar ou não, justiça seja aqui feita. Sei que eu não conseguiria ser tão direto assim, mas não me sinto assustado nem tão pouco incomodado. O porque é simples: você pode chegar a extremos que, em outras épocas mais distantes, minha pessoa simplesmente faria o impossível para contra argumentar. Mas não agora, pois foi um desabafo de sua parte.

      Sinto-me mais encorajado sobre o que acabarei lendo neste blog daqui por diante, com muita dignidade.

      Tens mais ainda de meu respeito depois de hoje, Red Kim.

      *****

      Acha "bobo" se colocar, mesmo que em poucos fragmentos, dentro de um personagem na história? Interessante. Em fato, muitos escritores aderem a este fator como uma forma de mostrar-se ao leitor ( não seria um auto-retrato em forma escrita, mas sim uma forma de expressão mais simples), ao mesmo passo que outros criam e regem os próprios universos como bem manda e ordena os seus pensamentos (dos escritores) naquele momento.

      Infelizmente não me recordo do título de um livro muito simplório que li na adolescência (época da 5ª série em 1990). Mas no mesmo falava-se brevemente sobre personagens, suas "construções" e "adaptações" conforme a vontade de seu [criador], formalizando desta forma.Não gosto quando a minha mente falha desta maneira...

      *****

      Até mais, nobre Red Kim.

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    3. Esta vai ser a minha última resposta, porque... Bem, não existe nada de interessante para se discutir quando estamos falando de sentimentos. É como religião, cada um tem a sua e devemos nos respeitar independente de qual é a nossa.

      Fico feliz em saber disso, porque você não pareceu ser do tipo que se deixa influenciar, até o comentário sobre a votação na enquete.

      Acho bobo uma pessoa se colocar inteira numa história como as autoras de livro que citei e que não trouxeram nenhum grande ensinamento com suas personagens-alter-egos. Um personagem ter características suas não é SER sua autobiografia na história (ou seu conto de fadas próprio - aquele que só pode existir na sua imaginação, já que sua realidade é bem diferente). É sobre isso que eu falava e que você pareceu dizer (no primeiro comentário). E no mais, como escrevi no post, gosto de mulheres fortes e crio as minhas personagens assim (independente de eu ser ou aparentar ser alguém desse tipo, existem muitas por aí para servir de exemplo, como nossa presidente).
      Limite, limite, limite. As pessoas costumam pensar limitado sobre os escritores, então cabe a nós abrir a porta e mostrar "ei, olha como isso é bem maior" ou "é isso, você descobriu".
      Você ficou particularmente incomodado com a minha abordagem não muito comum e ficou preso nela (quando o post tinha mais informações do que apenas chilique). Prometo tentar não fazer mais esse tipo de post, porque se você que é você ficou assim, imagina os outros, não?

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