quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Espanando a poeira: Anos 90

Resolvi meu problema de pauta. Legal, né? Só falta resolver o desânimo.

Eu não sou nem tão velha e nem tão nova. Tive a capacidade de nascer no último ano dos anos 80, então minha infância foi toda nos anos 90.
Se você tem menos de 18 anos, este post pode soar bem engraçado ou estranho. Aliás, pensar que em 1995 eu brincava de boneca enquanto alguns de vocês nasciam, é sinceramente medonho.

A infância foi a fase mais feliz da minha vida. Só não digo que foi a mais importante, porque eu vivo o agora.
O que me deixa triste é não ter mais tantas lembranças daquela época, já que meu cérebro deleta milhares de informações todos os dias para não ficar cheio. Seria bom poder guardar esses bons momentos em um pendrive. Pena que o cérebro não é um computador.

As fotos já eram coloridas, ok?
Eu tenho duas ou três fotos em preto e branco que foram tiradas com câmeras antigas. Eu deveria ter um ano ou mais (eu nunca sei minha idade nas fotos de quando eu era uma criança de colo). Apesar disso, as fotos de quando eu era bebê são todas coloridas (e as posteriores também).

Naquela época as máquinas fotográficas eram relativamente maiores e um pouco mais pesadas que as atuais, não tinham tela de LCD, usavam filme e você precisava olhar por um buraquinho para enquadrar a imagem que você queria capturar. Sem falar que existia o problema de as fotos "queimarem" em algumas condições, como luz intensa.
Os filmes eram de 12, 24 e 36 poses. Não me lembro se tinha mais, provavelmente sim, só que esses eram os mais comuns. Chamávamos de "poses" cada clique, cada foto tirada. Era uma complicação colocar o filme na máquina e era preciso rebobinar o filme para que você pudesse levar as fotos para revelar.
Além do número limitado de poses, o preço também era complicado, então nós só "gastávamos" uma pose quando a imagem capturada nela fosse importante.

Em 1996 eu tive o primeiro contato com o computador. Era aquele desktop grande, monitor de canhão e programas extremamente básicos do Windows 95. Tive contato com a internet provavelmente em 1998.
Eu não era o tipo de criança que me importava com datas e as memórias acabam se embaralhando na cabeça. Para você ter uma ideia, eu meço os anos 90 com as séries escolares, esse é o meu referencial de tempo.

A internet antigamente era discada e fazia uns barulhos engraçados quando se conectava.
Para me entreter, uma amiga dos meus pais me deixava por uma hora na sala de bate-papo da UOL e me dava os seguintes avisos: nunca dizer meu nome verdadeiro, minha idade, onde eu morava, meu telefone ou quaisquer outras informações pessoais. Eu sempre fui obediente com os mais velhos por conta da minha criação, então me divertia mentindo e contando lorotas para as pessoas na sala de bate-papo. Foi lá que aprendi a digitar e a me tornar mais rápida nisso.

Atualmente as crianças fazem miséria com um computador, o máximo que eu fazia era escrever alguns textos curtos e cheios de erros gramaticais e ortográficos, desenhar e pegar fotos de Sailor Moon (Naoko Takeuchi).

Em 1998~1999 eu vi um celular pela primeira vez, ele era chamado de tijolão, porque realmente parecia um. Servia apenas para fazer ligações, não existia tela e sim uma espécie de letreiro, e parecia um telefone fixo sem fio.
Antigamente também era mais fácil ligar para outras cidades. Hoje nós precisamos discar zero, o número da operadora, o código da área e o número do telefone. Exemplo: 0 xx 19 1234-5678. Antes dessa reforma você só precisava discar o zero, o código da área e o telefone, que tinha apenas três números no prefixo (em pensar que os celulares em São Paulo agora têm CINCO números). Exemplo: 0 19 123-4567.
Tive meu primeiro celular com dez anos (o tamanho era um pouco menor), só que o uso era responsável e ele não tinha nenhuma função além de fazer ligação.

Bem, eu não pretendo fazer o post seguindo a cronologia e também pretendo falar apenas dos anos que correspondem a 1995 até 1999. Antes de 95 eu não tenho mais lembranças.

De 1989 até o começo de 1994, o Brasil passava por situações bem difíceis na economia. Estamos acostumados com uma moeda estável, mas eu nasci em uma época em que ela não existia. Foi apenas a partir de 27 de fevereiro de 1994 que o país foi apresentado ao Plano Real idealizado pelo ex-presidente, então ministro, Fernando Henrique Cardoso. Eu nunca cheguei a ver ou pegar em moedas anteriores ao real.
Não quero dizer que os problemas econômicos começaram somente em 1989, no entanto, não acho que interessa ao post falar sobre uma época antes do meu nascimento, pois o foque é o meu "espanando a poeira" e não História do Brasil.
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Brincadeiras de criança
Sou da época em que brincar na rua era também perigoso, no entanto, ainda mais tranquilo do que nos dias de hoje.
As brincadeiras em grupo mais frequentes eram pega-pega, esconde-esconde, pique-esconde, elefantinho colorido, pular corda, amarelinha...
Sozinha, eu costumava brincar de boneca e cheguei a colecionar mais de 300 Barbie's.

Era comum que as crianças usassem bastante a imaginação nas brincadeiras, então vira e mexe inventávamos novidades, mesclávamos com as antigas e tudo se tornava bem mais divertido.
Não estou criticando os videogames, só acho que eles não dão a oportunidade para a nova geração de criar suas brincadeiras e se "libertar" mais.

A infância é uma fase mágica. Se algo de ruim acontecer nesse período, toda a formação da pessoa pode ser comprometida. Parece brincadeira, contudo, vários problemas podem vir à tona na adolescência e na maturidade. Uma infância bem vivida e feliz garante um adulto "mais forte".
É claro que se analisarmos a fundo, o que eu disse pode soar como balela, já que tantas crianças bem abastadas hoje podem ser jovens irresponsáveis e ignorantes. Acontece que eu não levei em conta a criação (ou a falta dela) dada pelos pais, a própria índole da criança, o que ela passa na escola e com a família, e outras séries de fatores.

Uma infância feliz não significa ter todos os brinquedos que se pode comprar, e sim, passar por esta fase sem grandes traumas e com uma formação decente de caráter.

É claro que tive contato com videogames nessa época, algo entre 1995 a 1998. Meu amigo tinha um Super Nintendo e nós ficávamos HORAS jogando Super Mario World (Nintendo), Street Fighter II (Capcom) e algum jogo de corrida que nunca marquei o nome.
Eu saía da casa dele vendo o Mário correr pelas fases, era terrível, curioso e engraçado.
Um tempo depois o filho de uma amiga dos meus pais foi no Paraguai comprar o Nintendo 64.
Em pensar que eu só consegui ter um console próprio quando o meu primo me deu o Playstation 2 velho dele (e eu já tinha 17 anos).

Eu fui a muitas festas de aniversário e fiz algumas quando eu era pequena. Normalmente reuníamos os amigos em casa mesmo, porém quando vinham amigos de outras cidades era preciso alugar um clube e contratar um buffet. Esse tipo de festão só fiz aos 5 e aos 7 anos.

Como na minha infância morávamos perto dos meus avós japoneses, quase sempre íamos passar os feriados lá e eu tinha a oportunidade de aprender algumas coisas com eles, além de brincar com os primos e colher mangas e goiabas que tinham no terreno.
Dizem que é bom deixar as crianças brincarem na terra para aumentar a imunidade, mas eu sempre tive um sistema imunológico péssimo, então... Não funcionou muito comigo.

Nesse período as únicas novelas que eu assistia eram as infantis ou as mexicanas. As músicas também eram para criança, como Sandy & Junior, Eliana, Balão Mágico...

Eu tinha um Walkman (Sony) que era um tocador de fitas cassetes portátil. CD player era um luxo que eu tive alguns bons anos depois.

As filmadoras eram grandes e pesadas, e gravavam em fitas que eram reproduzidas em vídeo cassetes.
As fitas de áudio eram diferentes das fitas de vídeo em tamanho e grossura. As de música eram menores e mais finas, as de vídeo eram maiores e mais grossas. Naquela época, quando a fita chegava ao fim da gravação era preciso rebobiná-la. Na de áudio, as gravações eram feitas nos dois lados que chamávamos de lado A e lado B, ou seja, ela se rebobinava enquanto você escutava o outro lado.

Eu não tenho muito convívio com crianças hoje em dia, então não sei exatamente como está sendo a infância agora.
Pelo que vejo nos noticiários e em programas da tv paga, boa parte está perdendo muito da magia do que é ser criança e pouco desenvolvendo a imaginação. Elas estão querendo se tornar adultas cada vez mais rápido sem perceber que pular essa fase tão importante pode causar prejuízos e distúrbios lá na frente.

O arrependimento é um preço caro a se pagar e tentar retomar aquele tempo é retardar o amadurecimento.

E aí: a sua infância merece ter a poeira espanada ou melhor deixar quieto?

Por Kimono Vermelho (28/02/2013)

2 comentários:

  1. Saudações

    Eu simplesmente adoro posts como este. Trocar ideias de épocas mais remotas para nós e, assim, deixar a mente correr livre em busca de algo mais saudoso, amigável e de visões simplesmente adoráveis de tal época...

    Falar de economia...
    Sempre gostei deste tipo de assunto. Me recordo de meu espanto alegre quando, em janeiro de 1989, a moeda brasileira mudou de Cruzado para Cruzado Novo, cortando-se três zeros. Eu entrei em uma [quitanda] para comprar chocolate (um Surpresa da Nestlé] e fiquei quase "emocionado" ao ver o preço dele em apenas NCz$0,85. Que emoção...

    Vivenciei, desde o final dos anos 70 até julho de 1994 (quando foi lançado o Plano Real, baseado na URV que "amparava" o Cruzeiro Real), uma época na qual notas eram lançadas atrás de notas para "conter a inflação" (piada pronta aqui). Em 1993, quando entrou em circulação o Cruzeiro Real, foi lançada a cédula de maior valor, em circulação, na história de nosso País (e sempre quis pegar uma destas).

    Brinquedos...
    Minha infância foi muito quieta, sempre em um canto, chorando as pacovas de minha tristeza em um urso de pelúcia gigante e me desgraçando, literalmente, em um Atari 2600 (Riverd Raid? Enduro? Keystone Kapers? UAU!!!). Guardo com muito carinho e zelo o meu Ferrorama XP500 da Estrela, uma verdadeira pérola daquela época. Meu carrinho de fricção da série Super Máquina, que ganhei em 1983 e que funciona até hoje, com todas as honras. O que dizer do NES-8 bits original (na época produzido aqui no Brasil pela Playtronic, representante local da Nintendo) que tenho desde 1995 e que funciona com perfeição?

    Não tive muitos amigos na infância, o que automaticamente fez com que os livros e o videogame fizessem parte de minha história pessoal naquela época. Me lembro que cheguei a quase decorar os nomes e as capitais de todos os Países do mundo, justamente por adorar mapas. Como esquecer da 3ª série (1988), quando ganhei um 10 por ter feito o mapa do Brasil à mão livre? Óbvio que não ficou perfeito, mas a professora preferiu valorizar o meu "apego" à matéria e a minha desenvoltura na questão.

    Gibis faziam muito sucesso, coleções de figurinhas também...
    O álbum Dinheiro do Mundo Inteiro é algo que muito lamentei quando perdi, em uma oportunidade na qual meu quarto alagou em 1997. Não foi só este item que perdi em tal ocasião, mas foi um dia muito triste para mim, pois muita coisa de grande valor pessoal e sentimental me foram levadas pela água.

    Red Kim, concordo em número, gênero e grau com vossa colocação sobre o amadurecimento ser lento, na medida em que nosso apego ao passado passa a querer prevalecer. Entretanto, não posso deixar de aqui expressar um carinho todo especial que tenho por tal época.

    Se um dia ocorrer de eu me tornar pai, certamente irei gostar muito de passar horas com minha criança no colo, contando como era a infância nos anos 70, 80 e parte dos anos 90.

    É uma vida que passa por nossos olhos, nobre amiga.

    Ótimo post, Red Kim.


    Até mais!

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    Respostas
    1. (não tem pessoa que mais atrasa pra responder comentário do que eu)
      Não queria me meter, mas já me metendo... Você já fez um post sobre a época da sua infância, Carlírio? Sei lá, eu acho tão legal conhecer outras histórias e saber como eram as brincadeiras em outras décadas.
      Bem, fica a sugestão. ^^

      Obrigada pelo comentário!

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