terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Diários de Uma Escritora - 14

O mês do Carnaval, o fim do Horário de Verão, o começo da Quaresma, a contagem regressiva para os Ovos de Páscoa, o ano finalmente começa no Brasil.

E o tema deste post pode deixar muitas pessoas chateadas. Ou não.
Que tal acabar logo com isso?

Diários de Uma Escritora 14 - Fim

Sim, este é o último post do Diários de Uma Escritora, pessoal. Sinto muito em dizer isso, mas o que é bom dura pouco.
Foi 1 ano de posts tentando passar a minha visão sobre o mundo da escrita, dos livros e de quem os escreve, contudo, acabou.
Não gostaria de entrar em detalhes agora sobre os motivos, já que me magoaram bastante... Só quero que saibam que eu me diverti muito. Foram ótimos dias.
Queria agradecer pelo carinho que recebi, pelos comentários e pelas pessoas maravilhosas que conheci durante esse período.
Vocês me tornaram mais madura, me fizeram aprender tantas coisas incríveis... E ainda assim trago esta péssima notícia...

Estou rindo de tudo o que escrevi, sentada na minha poltrona favorita, segurando uma taça com suco de laranja e fazendo pose a lá Sousuke Aizen (Bleach de Tite Kubo): "Tudo conforme meus planos idio- maléficos."

Sim, o tema de Fevereiro é fim, mas é outro tipo de "fim".

Final da história
Sim, o parágrafo de despedida era brincadeira, por favor, não abram a champanhe e comemorem assim na minha frente.

Eu não deveria falar sobre fim, já que este não é o último post da série, porém... Só Deos Matoba sabe o quanto eu posso ser aleatória.

Todo mundo já viu o fim de alguma coisa, seja de uma guerra, uma crise econômica, uma novela ou um livro. Cada pessoa reage de uma forma e muitas têm reações parecidas. Eu poderia ficar horas falando sobre cada reação e cada tipo de final, mas acho perda de tempo. O que para alguns é um final ruim, para outros é a oportunidade de mudança ou de aprendizado.

O importante para um escritor é saber como terminar sua história e se isso o deixará satisfeito. De resto, leitores são leitores, alguns serão eternos insatisfeitos até que resolvam escrever suas próprias histórias.

Você pode me perguntar: "Qual o melhor fim?"
Eu tenho certeza de que é aquele em que o escritor não sente necessidade de alongar e que fica contente com o resultado.
"Ah, mas acho que as pessoas não vão gostar do final, porque ele é triste." - Para quem você está escrevendo? Para agradar os leitores ou para criar algo seu?
É importante não perder a identidade durante a escrita. Nada contra você querer agradar os leitores, só que até que ponto dá para permitir essa intromissão?

Acabou o post, certo? ERRADO.

O que fazer quando você não consegue botar um ponto final no seu projeto? Aí sim o caldo entorna.
Normalmente para que isso aconteça deve existir um bloqueio criativo ou aquela dúvida cruel de "mato o protagonista ou mato o irmão dele no final?".
A dúvida pode ser resolvida com uma escolha, então não banque o libriano e se decida de uma vez. #tapanacara #queissokimonoqueisso #soulibrianamasnãosouindecisa
Já o bloqueio criativo...
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TAMO LARGADO NO MATO. F*DEO GALERE!
Para leigos: é chamado de bloqueio criativo o momento (com duração indefinida) em que o escritor, ou qualquer outro que use a criatividade, não tem nenhuma nova ideia para o seu projeto, ou seja, fica empacado feito burro no brejo.

Não há quem não tenha passado pela péssima experiência do bloqueio criativo e eu sou uma delas. Aliás, é razoavelmente costumeiro e, que fique bem claro, não é nada bom.
Meu conhecimento sobre o louco mundo dos escritores e as leis que os regem é bem pequeno, porém, sei de alguns meios que podem ajudar a tornar esse período de "blecaute" menor.

1- Foco
Sem foco não existe nada. Se você tem 3 ou mais projetos, escreva no máximo 3 ao mesmo tempo (se tiver capacidade mental para isso), senão um projeto por vez.

2- Revisão e estudo
É sempre bom reler o que você escreveu, não só a história propriamente dita, mas também os rascunhos, fichas de personagens, ideias soltas escritas no caderno... Com o tempo deixamos muitos detalhes passarem despercebidos e quando revisamos e estudamos a fundo, conseguimos atar as pontas soltas.

3- Ideias
É muito importante manter a mente fresca para ideias. Elas podem surgir em momentos inapropriados, no entanto, podem salvar a sua vida daquela empacada.
As ideias normalmente me atacam: no banho e na hora de dormir.

4- Saber quando dar um tempo
Muitos costumam se forçar a escrever quando não estão muito animados para isso (o famoso "escreva todo dia um pouco"). Pode acontecer tanto de aparecer algo interessante no meio desse exercício, como fazer com que a qualidade decaia.
O escritor precisa se conhecer e ter noção de suas habilidades. Lembre-se, o que funciona com fulano, pode não funcionar com você, então não se cobre sem necessidade apenas para parecer com a maioria ou seguir uma fórmula criada por alguém como se fosse a única saída.
É importante dar um tempo, entrar em contato com novos conteúdos e voltar quando você estiver mais estimulado mentalmente.

5- Novos ares
Se você é do tipo facilmente influenciável que não pode ler um livro ou conhecer novos trabalhos que começa a desandar, ok. Lembre-se de respeitar o seu jeito de conduzir seus projetos.
Agora se você não tem problema com isso ou sabe separar as coisas, é bom entrar em contato com obras que te inspirem, sejam músicas, séries televisivas ou qualquer outro tipo. Às vezes elas nos dão um gás para que possamos continuar motivados e tendo sempre novas ideias.

Essas são algumas dicas que eu costumo usar quando tenho bloqueios criativos. Podem funcionar com vocês, como podem ser apenas balela. Não esqueça: você precisa conhecer suas habilidades. Não negligencie sua intuição. É bom seguir regras de vez em quando, mas não se limite a elas.

Por Kimono Vermelho (19/02/2013)

2 comentários:

  1. Saudações


    A ideia no entorno de seu post já foi devidamente apresentada no início do mesmo, Red Kim.

    Explorar a capacidade no ato de estar construindo um enredo, um alicerce para a sua história ("sua" para as pessoas num todo neste contexto) é digno. E realmente o "simplório" ato de encerrar a história demonstra até aonde o detentor da obra quer agradar à si, aos leitores ou até a ambos com tal finalização.

    Transpassa há tempos tal conceitualização. Mas a explanação apresentada no post atingiu o ponto de impacto necessário.

    Você citou o banho e a hora de dormir como momentos nos quais as suas ideias costumam aparecer, no intuito de lhe auxiliar no "momento de indecisão". Em meu caso isto está intimamente ligado às atividades no trabalho, ao simples caminhar e, como não poderia deixar de ser, quando estou em um ônibus (momento loucura). Servem tanto para o chamado "imprevisto" como também para a iniciação de um projeto novo.

    A questão da influência tem um grau de responsabilidade maior do que normalmente se poderia atribuir. É como tu citaste sobre a inspiração em uma obra "x". Não digo que a criatividade entre em xeque, mas ela ficará em clara evidência no que tange a finalização de uma obra.

    Inspirar-se é importante, mas escrever como se estivesse com uma bola de ferro amarrada junto ao calcanhar direito de nada ajuda (ponto no qual sempre acreditei e que seu post ainda deixou em evidência). É de grande sabedoria da pessoa ter o momento certo para escrever, fazer com que as ideias fluam com naturalidade e da forma mais harmônica possível. Imagino um escritor fazendo algo com uma pressão absurda em suas costas, chegando a limiares de abandonar alguns conceitos próprios somente para atender a certas formalidades e decisões "extra-campo" (existem vários exemplos disto).

    Por fim, o que funciona para um não significa que funcionará para o outro. Se conhecer é preciso, ao ponto de poder escolher aquilo que melhor se encaixará para a própria proposta.

    Ótimo post de instrução, Red Kim.


    Até mais!

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    Respostas
    1. Eu falei sobre a "obrigatoriedade de escrever todo dia", porque escutei um podcast em que um escritor dizia isso. Eu acho que é a pior forma de querer "apressar" sua história. Existem livros que demoraram 16 anos para serem escritos e são obras-primas, então sempre acho que a pressa é inimiga da criatividade.
      Exatamente. É importante ver o que serve para você e não que aquilo deve ser seguido como uma cartilha fixa.
      Obrigada pelo comentário! o/

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