quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Mini não, micro!

Uma série tem muitos capítulos. Uma minissérie tem um número razoável de capítulos. Uma microssérie dura de terça a sexta, porque segunda feira é dia de filme. Bem, essa parece ser a lógica da Rede Globo.

De qualquer forma, a rainha das emissoras trouxe duas microsséries maravilhosas em Janeiro de 2013: O Canto da Sereia e Gonzaga - De pai pra filho.

Sim, eu gosto de Luiz Gonzaga. E de conchas de madrepérola.

Duas semanas de muito amor
Uma semana para O Canto da Sereia e a outra para Gonzaga - De pai pra filho.
Vamos começar pela primeira estreia...
A microssérie foi baseada no livro homônimo de Nelson Motta.
O que achei curioso e engraçado foi encontrar parte do elenco da falecida novela Avenida Brasil (João Emanuel Carneiro). Leleco virou governador, Olenka mãe de santo, Suelen cantora de axé e Noêmia empresária. Respectivamente os atores Marcos Caruso, Fabíula Nascimento, Ísis Valverde e Camila Morgado.
Eu poderia gastar diversas linhas elogiando a atuação de cada ator e personagem da microssérie, só que o Blogger tem um limite de tamanho aí e não quero ter que editar o post por isso. Uma coisa é certa: morri de amores pelas roupas com pérolas e madrepérolas.

A história é sobre Sereia, uma famosa cantora de axé, que é assassinada no Carnaval. Augustão, seu segurança e detetive particular, começa a investigar o crime e jura que vai pegar quem a matou.
Como sabem, meu forte não é fazer resumos, mas de qualquer forma esse é o esqueleto do livro e da microssérie. Os finais diferem um do outro sobre o culpado, porém a motivação do crime é a mesma.

Eu gostei bastante. A trama é boa, o mistério foi na medida certa, todo mundo tinha culpa no cartório, mas quando saiu o diagnóstico da doença da Sereia, eu chutei o fio da meada e acabei acertando. Sem spoilers, porque não sou estraga prazeres.
Bem, se você não assistiu, sugiro que dê uma olhada no site da Globo na parte de entretenimento e assista! É melhor do que ficar discutindo quem sai no paredão. #apenascomentando
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Eu ia fazer uma pequena polêmica sobre o Candomblé (religião de boa parte dos personagens da obra e acredito que de boa parte de Salvador) e o cricri dos religiosos mente-fechada, no entanto, melhor não, é chover no molhado.
De qualquer forma, são 3 mil terreiros para 300 igrejas em Salvador. Dados passados por Daniela Mercury no programa Encontro com Fátima Bernardes.
Acho, sinceramente, que é preciso desmistificar as religiões africanas. Elas têm mais semelhanças com a mitologia grega do que com o "satanismo", como boa parte dos religiosos católicos e evangélicos adoram pregar. Ignorância é coisa do demônio, tá? Saia dessa.

E por falar em Candomblé... Tá bom, citação falha porque nem todo mundo conhece os deuses/entidades dessa religião.
Luiz Gonzaga nasceu em Exu-PE que, segundo os nordestinos, é uma terra lavada de sangue. Aliás, dizem que no Pernambuco e no Maranhão é onde mais tem matador de aluguel. O Brasil é hilário. E essa sou eu dando informação inútil para você, querido leitor. Seja bem vindo.

Somos apresentados à vida do Rei do Baião e seu relacionamento com o filho.

O contato que tenho com Luiz Gonzaga é pela minha mãe (sua grande fã). Infelizmente no ano em que nasci, ele se foi.

A microssérie originalmente era um longa de Breno Silveira e contou com vários atores consagrados, além de um tocador de acordeon que, mesmo sem ser ator, deu um show na tela: Chambinho do Acordeon (que interpretou Luiz Gonzaga dos 27 aos 50 anos).

Procurando informações sobre a série, descobri que o senador Eduardo Suplicy (que por acaso conheci pessoalmente na minha primeira Bienal do Livro) levou o cantor até o Senado para fazer uma homenagem, porém o presidente da sessão Mozarildo Cavalcanti, não permitiu que isso acontecesse.
Correto da parte dele? Talvez sim. Não digo com certeza o "sim", porque sinceramente o nosso querido Senado... Esqueçam. Apesar do Brasil se afirmar como país democrático, nunca se sabe quando a CENSURA dos tempos obscuros voltarão.
Só acho que demonstração de cultura por ALGUNS minutos, não iria afetar nenhum tipo de reunião, sessão ou como queira chamar. Ao menos é mais digno do que uma escola de samba com passistas seminuas.

É engraçado como o Brasil e os brasileiros costumam não dar importância a própria cultura e história. É triste.
Nós temos a melhor cultura do mundo: aquela que engloba todas as outras, que soma, NUNCA DIVIDE, apenas multiplica.

Às vezes não é muito difícil sentir vergonha do próprio país. Obrigada por isso, senador Mozarildo Cavalcanti.

Falando da concorrente
Hoje, dia 30/01, estreia José do Egito (Vivian Oliveira) na Rede Record. Apesar de não ser uma aficionada por religião, eu não consigo não me apaixonar pelas séries que já passaram pela casa, como: A História de Ester, Sansão e Dalila, e Rei Davi. Certamente não são produções de Hollywood, no entanto, as histórias e os atores fazem um papel tão brilhante que até alguém como eu, que passo longe de igreja, pare tudo para assisti-los.
Eu amo as fábulas, os contos e todos esses mitos que são passados de geração em geração.
A fé das pessoas me comove. E fé não é religião, é apenas o ato de acreditar seja lá no que ou em quem.

Não sou do tipo que comenta sobre seriados e afins, mas senti necessidade desta vez.
Ah, brasileiros... tão criativos. Poderíamos ter o mundo em nossos pés, só que...

Por Kimono Vermelho (30/01/2013)

2 comentários:

  1. Saudações

    Devo concordar quanto à criatividade do povo brasileiro, o que é fato.

    Mas foi um post bem diferente este (ao menos, entre todos que aqui já li), pois como tu própria enfatizou, falar de séries é algo bem raro para sua pessoa.

    Estas temáticas são interessantes, cada uma a sua própria forma. Mas a questão da religião sempre tende a funcionar como uma tipo de entrave para muitas mentes. A sua mente não, Red Kim, mas de grande parte da população sim. Conheço pessoas que, se eu ousar soltar uma palavra sobre candomblé, vão me taxar de tudo quanto é nome, pode acreditar (mas não ligo a mínima para tais pessoas).

    O episódio do senado, ao qual comentaste, só tem o meu lamento para o responsável pela ação. Não vou sentir vergonha do meu País em razão de pessoas como ele, mas a vontade crescente que tenho é de dar um pulo rápido em Brasília e deixar "algumas lembranças" para algumas cabeças pensantes do Congresso Nacional (respirando bem fundo).

    E sim, o Brasil tem uma cultura mais do que digna. tanto quanto o seu anseio, é de minha parte também o desejo de que a população pense um pouco mais neste Brasil que aparenta ser tão "desconhecido" deles próprios. À ponderar.

    Ótimo post, Red Kim.


    Até mais!

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    Respostas
    1. Eu fiz isso para cutucar. Tenho o mau costume de agir como espinho só para lembrar as pessoas de que vou continuar ali exigindo respeito (caso da religião e do senador).
      Obrigada pelo comentário! o/

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