sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Doação de vida e doação em morte

E chegamos ao 100º post do site. Coincidentemente em um ano que promete ser bastante próspero.
Que venham os próximos 100!

Saindo desse assunto, eu tenho algumas perguntas para fazer aos leitores.
Já pensaram em doar seus órgãos quando morrerem?
Essa questão não é tão difícil de responder, certo? Que tal a próxima?
Vocês já pensaram em doar seus corpos a uma faculdade de medicina quando morrerem?

Aqui haverá um embate de valores, portanto, se você ficar ofendido com esse tipo de situação, por favor, não continue a leitura deste post. Tenho certeza que o site pode oferecer outros conteúdos de seu interesse.

Doação de vida: órgãos
O título parece não ter sentido, contudo, é só lembrar que quando se doam os órgãos de uma pessoa falecida, ela privilegia uma pessoa viva a continuar vivendo por mais tempo ou ter menos problemas para atingir esse objetivo.  Por isso, "doação de vida".

O número de doadores de órgãos têm crescido nos últimos anos no Brasil e isso me deixa muito contente, já que a fila de espera para transplantes é extensa e demorada.
Eu acho que tudo que pode ser feito para beneficiar o próximo e não nos prejudicar, é bem vindo. Aliás, o que você acha que um cadáver pode fazer com o pâncreas, as córneas, a pele e o coração? Vermes não salvam a vida de ninguém.

Acontece que em muitas religiões e culturas, esse tipo de "invasão" ao corpo (a retirada dos órgãos), é um sacrilégio, e que os mortos devem ser enterrados como nasceram.
Eu acho ignorância e independente de crenças ou argumentos, continuarei com a minha opinião intocada.
Se há possibilidade e compatibilidade, qual o problema de doar algo que pode prolongar a vida de outra pessoa? Alguém que quer tanto viver, mas que por conta de uma doença ou de uma falha genética, está condenado a uma sentença cruel ou a uma morte prematura. E o altruísmo que tantas religiões pregam? Onde foi parar?

Não há utilidade em chorar em cemitérios por pessoas que não estão mais ali. O que restou foi a carcaça já devorada por vermes e outras criaturas. Aquele alguém que você conheceu só existe nas suas lembranças. A morte é o fim do que é vivo, as pessoas deveriam entender isso.
No entanto, neste caso, eu respeito quem queira fazer essa via crucis.
Só quero que pensem na frase que vou mostrar e que me foi dita pelo meu avô (já falecido):


"Temos que aproveitar enquanto as pessoas estão vivas, amando, respeitando e fazendo de tudo por elas. Depois que estiverem mortas, não adianta ir rezar no túmulo ou se culpar pelo que não fez."

As pessoas deveriam entender o significado dessa frase e usá-la. Faria mais efeito do que visitar cadáver pútrido do que já foi um ente querido.

Bem, a minha concepção de ser humano é diferente dos demais. Você não precisa concordar ou aceitar. Quem sabe, entender.

Para ser um doador de órgãos não é necessário deixar um documento por escrito, os parentes são os responsáveis por liberarem a retirada depois da constatação da morte encefálica. Isso porque o coração precisa continuar a bater e irrigar os órgãos para que eles sejam retirados e estejam em boas condições para um possível transplante.
Os que duram menos tempo fora do corpo são o coração e o pulmão (apenas seis horas). Os que duram mais são o fígado e o pâncreas (48 horas).
Além disso, alguns ainda não sabem, porém é possível também doar tecidos, como pele, medula óssea, cartilagem e osso.

Infelizmente há pessoas que não podem doar por causas específicas, como portadores de HIV, hepatite B e C, doença de Chagas, infecção generalizada, insuficiência renal, cardíaca, etc.

Se você tem interesse em doar órgãos, tecidos, sangue, óvulos, sêmen ou até mesmo leite materno (quando há excesso na produção), saiba mais no site: http://www.brasil.gov.br/sobre/saude/doacao

Doação em morte: corpo
Agora estarei pisando em ovos.
Se fui ofensiva o bastante sobre os órgãos, neste tópico o assunto pode se tornar impossível de digerir. O aviso foi dado.

A mesma definição de ignorância que dei lá em cima, servirá aqui.
O que ainda bota medo em algumas pessoas é o que os outros poderão fazer com seus corpos.
Eu gostaria muito de lembrá-los que suas consciências, almas ou como queiram chamar o que dá vida a nossos invólucros, não estará mais em funcionamento. E sinto dizer, mas seu corpo (sem vida) é apenas um pedaço de carne.
Outro detalhe a ser lembrado é que aqueles que desejam se tornar médicos, devem ter no mínimo ética e respeito com o cadáver que irão usar no estudo. Isso é cobrado como conduta na faculdade e acredito que mesmo que alguém se atreva, o Universo conspira para que ela sinta o peso de seus atos no futuro.

Se quisermos médicos capacitados é preciso dar-lhes os materiais. Eu não estou dizendo que você deve doar seu corpo só por causa disso, estou somente explicando.
E não sejamos inocentes, a quantidade de túmulos violados e roubos de cadáveres está aí para mostrar a necessidade que os estudantes têm e que não está sendo suprida. Sim, esse tipo de atitude é ilegal e eu condeno, só que moldes artificiais não ensinam tudo. Sem falar nos cadáveres que já foram tão estudados que não têm mais nada a oferecer aos novos aspirantes a médicos.

E saibam, a quantidade de corpos para estudo é muito pouca diante da grande demanda.

Esse tipo de doação é tão importante quanto a dos órgãos e tecidos, no caso, para fins de conhecimento e avanços na área da saúde.
"Ah, mas a Saúde no Brasil está uma droga" - Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Sem capacitação, a Saúde pode ficar pior do que você imagina. Não sejamos levianos a tal ponto.

Se você está considerando a ideia, saiba que é preciso avisar os parentes e fazer algum documento ou carteirinha. Você pode se informar melhor no local onde você doará seu corpo. Lembrando que é preciso ser maior de 18 anos e manifestar essa vontade. Se você for menor de 18, vai precisar da autorização dos pais.
Você também pode se informar mais no site da prefeitura da sua cidade. Como eu vivo em São Paulo, o link é este: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/servicos/servico_funerario/noticias/?p=40529

Caso a sua prefeitura não tenha essa informação ou você não consiga encontrá-la, veja este link da Sociedade Brasileira de Anatomia sobre como doar corpos para fins de ensino e pesquisa.

Eu tenho o documento aqui: o termo de doação, feito na UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).
Você que quer doar o seu corpo, deverá preencher esse termo, ter os nomes e assinaturas de duas testemunhas, reconhecer firma (somente do doador), registrar em cartório (opcional) e fazer duas cópias (uma para a Instituição e outra para o familiar/ou doador).
Você pega esse termo na própria UNIFESP e eles te dão todas as informações e respostas que precisar.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (campus São Paulo - Vila Clementino)
Rua Botucatu, 740 - Edifício Leitão da Cunha
Telefone: (11) 5576-4261 - Fax: (11) 5571-7597

Para informações gerais sobre doação de corpo, veja o site da Sociedade Brasileira de Anatomia.

Considerações pessoais (pule se for sensível)
Eu não gosto de cemitérios e não vejo utilidade neles. Não visito nenhum parente falecido, não rezo por eles, não levo flores e fico em casa aproveitando o feriado de 2 de Novembro.
Adoraria inserir uma piada de como sou insensível e blá blá blá, porém acho que ela seria ofensiva demais.

Cada pessoa tem seu modo de pensar sobre o que é vida e o que é morte. Não vou ficar aqui dissertando sobre a minha concepção para que ela seja desprezada.
Uma coisa é certa: depois de morto, nenhum de nós é capaz de voltar. O que nos mantém "vivos" são as lembranças e o carinho daqueles que deixamos aqui.

Eu amo a vida e o que puder fazer para que os outros possam viver bem, eu farei. Não vou precisar de nenhum órgão quando estiver morta, muito menos do meu corpo. Não quero obrigar nenhum parente a pisar em um lugar tão pesado (e fúnebre) quanto um cemitério ou tendo que manter um jazigo sempre em bom estado para as minhas ossadas e vermes.
Eu repudio esse comportamento vindo de pessoas que eu amo. Respeito o pensamento dos outros, dos alheios a minha vida.
Além do mais, em termos financeiros, velório, funeral, caixão, jazigo, cremação... Atualmente até mesmo morrer está caro. Então é só um argumento a mais para que eu possa fugir disso.

Não, eu não tenho nenhum conhecido precisando de transplante de órgãos e isso sinceramente não importa. Não vou fazer apologia a algo, só porque alguém que conheço precisa. Não sou desse tipo mesquinho.

Reforçando: este tópico é pessoal, ou seja, é isso mesmo e acabou.

Considerações finais
Eu apenas quis mostrar a importância de "dar vida" após a vida. Se você vai fazê-lo ou não, é problema exclusivamente seu.

Acho que é importante mostrar novos caminhos, dar mais informações e abrir a mente de pessoas que anseiam por essa abertura.
Se a minha opinião por conta de uma possível "agressividade" ou "insensibilidade" não esteja valendo um vintém, fale com o seu médico ou algum conhecido que seja estudante da área. Conversem sobre a doação, sobre a quantidade de corpos para estudo, sobre as listas de espera de transplantes... Você não precisa confiar em mim, confie neles.

"Ame ao próximo, como ama a si mesmo"
É o que eles dizem, não é?

Por Kimono Vermelho (04/01/2013)

2 comentários:

  1. Saudações


    Nobre Red Kim, acredito que a ideia de seu post pode também ser enfatizada para o caso da doação de sangue. São muitas as pessoas que, por "n" razões, ainda possuem receio quanto à isto. Sou doador à pouco tempo (outubro'2011) mas desde então, uma vez a cada seis meses, vou a um Hospital daqui de Curitiba para praticar tal ato. O sentimento de auxílio aos próximos persiste muito bem...

    No que traçaste as suas ideias neste texto, Red Kim, é possível dizer que a doação de órgãos é sumariamente importante. É bem verdade que o número de doadores tem aumentado, e isto é digno de comemoração. Mas a conscientização de todos tem que aumentar ainda mais um tanto para a causa...

    Bom, eu serei um doador, tão logo venha à falecer um dia. O famoso carimbo vermelho em meu RG já identifica a ação com antecedência. Tal decisão tomei há longos oito anos, sem o mínimo resquício de arrependimento pela mesma. Não me perguntes como, mas estarei me sentindo muito feliz se alguém conseguir manter a própria vida com um órgão que, outrora, tenha pertencido à minha pessoa.^^

    Falando por mim, apenas: não vi nada neste post que possa ter soado como arrogante ou com algum efeito similar. Há pontos, inclusive, que concordo com a sua forma de pensar, Red Kim. A única coisa com a qual anseio e: se alguma pessoa que ler este post não concordar com o seu pont de vista, que não acabe criando um rage desnecessário por aqui ou que, no mínimo, respeite a sua opinião (muito embora já se faz saber que tu sabe lidar com situações assim).^^

    Um grande post, Red Kim. Informativo, social, opinativo e com aquela cutucada bem na medida, certeira.

    Ótimo trabalho!^~


    Até mais!


    OBS: sinceros parabéns pelo seu centésimo post! Este é só o início da pegada que, certamente, lhe trará um farto e ótimo ano neste sentido, também. Felicitações.^^

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    Respostas
    1. Sangue, sêmen, leite, o post não é focado neles, mas eu comentei sobre.
      Sim, é preciso aumentar a conscientização, mas novamente empacamos na briga ciência x religião, que nunca resulta em inteligência, apenas em bobagem.
      Concordo com você. Saber que você pode melhorar a vida de alguém, é fantástico.
      Bem, eu estou acostumada a lidar com pessoas facilmente ofendidas, então já aviso o que vem por aí para que eles tenham a opção de ignorar e não ler.
      Obrigada pelo comentário! ^^/

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