terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Espanando a poeira: Mangás

E boooooooooota poeira nisso. Se eu não tivesse colocado meus mangás em um saco plástico há um tempo, eles estariam pior do que já estão...

Você pode ver mais posts da série "Espanando a poeira" na seção Especiais.

Introdução ao fantástico mundo dos quadrinhos japoneses... Ok, não é tão estiloso assim
O primeiro mangá que eu colecionei foi Card Captor Sakura (CLAMP) lançado pela editora JBC em 2001. Nessa época o anime passava ou começou a passar no canal de tv a cabo Cartoon Network.
Eu não sabia nada sobre esse tipo de revista em quadrinhos, tanto que comecei lendo do modo errado, da esquerda para direita como fazemos aqui no Ocidente. Acontece que os mangás são lidos da forma oriental, da direita para a esquerda. Sim, eu não vi a última página explicando isso quando o folheei pela primeira vez.

O traço das senhoras da CLAMP me chamou muito a atenção. Era algo novo para os padrões que eu estava acostumada, tanto que tentei incluir alguns detalhes do desenho nas minhas artes posteriores.
Acho que isso faz com que o aprendizado dos autodidatas se torne mais interessante, englobando vários estilos e criando o seu próprio.

Depois de Sakura, eu procurei por outros títulos no decorrer dos anos, e descobri que a JBC também tinha lançado Yu Yu Hakusho (Yoshihiro Togashi) em solo tupiniquim. Aí foi uma verdadeira novela para conseguir os números anteriores, já que o mangá estava na segunda parte da luta entre o Kurama e o Karasu (no Torneio das Trevas).

Eu nunca consegui ter o primeiro volume de Yu Yu. Na Liberdade estavam vendendo-no por R$ 100,00 e eu preferi gastar com chaveiros e outros mangás.

Foi em um passeio pela livraria Saraiva que encontrei o volume 1 em inglês e resolvi que era mais barato e que me ajudaria com o aprendizado do idioma.
E então em 2012, a editora JBC anunciou que irá republicar Yu Yu. Adeus, dinheiro. Mas se for em papel off-set... Take my money. Eu não me importo.

"Revista em quadrinhos não é leitura!"
Desde 2001 coleciono mangás e acho saudável a leitura deles (dependendo do gênero, é claro). É uma novidade para o cérebro a mudança da leitura e no início pode até confundir os mais desligados, porém com o tempo você troca de um para outro sem problemas.

Muitas histórias são melhores que novelas e prendem a atenção do leitor.
Algumas nos fazem quase chorar, como Natsume Yuujinchou (Yuki Midorikawa). Outros fazem o sangue ferver, como Bleach (Tite Kubo) ou Naruto (Masashi Kishimoto). Outros são dramalhões mexicanos, como Hadashi de Bara wo Fume (Rinko Ueda). Alguns são muito água com açúcar, como Kimi ni Todoke (Karuho Shiina). Alguns são bonitinhos, como 14-sai no Koi (Fuka Mizutani). Outros são sem noção e hilários, como Gintama (Hideaki Sorachi).
Isso porque não citei outros gêneros que também são populares, como o yaoi e shounen-ai, yuri e shoujo-ai, e hentai e ecchi.
Caso você não conheça nenhum dos termos, no fim do post estará um "vocabulário para leigos".

Eu cresci lendo A Turma da Mônica (Maurício de Sousa), então estou acostumada a quadrinhos. Claro que o estilo japonês é bastante diferente do que eu estava habituada e os assuntos tratados em cada obra também são incomparáveis, contudo, são o mesmo tipo de leitura.
Acabei conhecendo palavras novas e aprendendo mais sobre a cultura da qual descendo, então não posso chamar de "perda de tempo". Aliás, sempre fui apoiada pela família para consumir esse tipo de material e hoje tenho uma grande tendência a gostar de mangás com "sobrenatural" como assunto. É uma parte muito rica da cultura japonesa e que desde vários anos têm sido introduzida no Ocidente, como o filme O Chamado (no original, The Ring, de Gore Verbinski, 2002) que nada mais é que a regravação de um filme japonês chamado Ringu, que por sua vez é uma adaptação de um romance de Koji Suzuki.

Os Estados Unidos costumam fazer filmes de terror pastelão, onde o susto é o ápice da cena. Filmes e jogos japoneses de terror costumam manter o ar pesado por conta da história e o terror psicológico por mais tempo, além de criarem assombrações realmente pavorosas.
-->


Voltando ao assunto principal e falando de editoras... Ah, essas marotas!
Atualmente temos quatro editoras de mangás no Brasil com alguma relevância sobre o mercado, elas são: JBC, Panini, New Pop e Nova Sampa.
Incluí a Nova Sampa e não citei a Conrad.
Sou uma pessoa que não se deve confiar por causa disso? Não, sou apenas menos informada que a mídia especializada (pff).

O ex-editor da JBC, Marcelo Del Greco (a.k.a. MDG), é bastante conhecido no meio e atualmente está na Nova Sampa, que no começo dos anos 90 publicava mangás. É uma editora "nova", digamos assim, já que está fora desse tipo de mercado há anos.

Agora vou falar como consumidora, e se quiserem me tacar na fogueira eu irei entender, mas para mim só existem duas SENHORAS editoras de mangás: JBC e Panini. São elas que trazem os títulos mais famosos.
Minhas coleções são inteiramente das duas. Isso não quer dizer que estou desmerecendo outras.
A New Pop tem um catálogo interessante, porém se falarmos de agenda de publicação, eles ficam devendo.
A Conrad era forte, no entanto, passou por problemas e foi comprada por uma editora de livros didáticos, por isso eu não a citei como uma das editoras relevantes. Ela não existe mais.
Em termos de tradução e adaptação, a Panini vence (mesmo com seus errinhos ali e acolá). Quem agora está em sua cola, é a JBC, com o editor Cassius Medauar que, ao meu ver, fez com que a editora corresse atrás do prejuízo e buscasse se equiparar a concorrência. Ainda existem problemas de adaptação dolorosos, contudo, a JBC mostra vontade de mudança e melhora.

Lembrando que isto é opinião de consumidor, não de pessoa especializada na área. Eu sou o alvo que eles querem acertar, portanto, o que digo tem alguma serventia.


Estante de mangás
Essa foto é uma curtição com a cara de vocês, porque só tem metade da minha coleção. Acontece que as outras estão espalhadas por aí, visto que suas obras ainda não foram terminadas no Japão. Fica difícil você guardar algo que ainda está lendo, entende?
Sem falar que vocês podem ver livros, artbooks e boxes de DVD's.

Tenho as seguintes coleções encerradas:
Card Captor Sakura (CLAMP)
Yu Yu Hakusho (Yoshihiro Togashi)
Death Note (Tsugumi Ohba e Takeshi Obata)
PACOTE BLOOD+: Blood+, Blood+ Adagio e Blood+ Yakou Joushi (Asuka Katsura, Kumiko Suekane e Hirotaka Kisaragi)
Hellsing (Kouta Hirano)
Fullmetal Alchemist (Hiromu Arakawa)
xxxHolic (CLAMP)
Tsubasa: Reservoir Chronicles (CLAMP)

Ainda estou colecionando:
Nurarihyon no Mago - Nura: A Ascenção do Clã das Sombras (Hiroshi Shiibashi)
Black Bird (Kanoko Sakurakouji)
Kuroshitsuji - Black Butler (Yana Toboso)

Mangás originais japoneses:
D.Gray-man do 1 ao 4 e 20 (Hoshino Katsura)
GeGeGe no Kitarou do 1 ao 5 (Shigeru Mizuki) - uma das republicações

Artbooks:
Dois de D.Gray-man e dois de Card Captor Sakura

Eu desisti de Bleach, Naruto e outros, porque as histórias já não me interessavam mais e eu tinha atrasado muitos números por causa da falta de dinheiro.
-->


Leitura online X Mangá na mão
Há sempre uma enorme discussão sobre a leitura online e a pirataria.
Sim, eu acho que devemos comprar o material licenciado e pagar os direitos aos seus devidos donos. Eu fico feliz em comprar um mangá legalizado, todavia, sem a "pirataria" de lê-los pela internet, eu jamais conheceria metade dos títulos lançados no Brasil.

Um dos exemplos mais fortes é Nurarihyon no Mago, minha atual paixão. Descobri sua existência com um AMV, busquei pelo anime e pelo mangá. Fiquei apaixonada e enchi o saco das editoras pelo Twitter e, se não me engano, até pelo e-mail.

Sem falar que é bom para sabermos se vale à pena ou não comprar tal obra, como foi o caso de Kimi ni Todoke, que se eu não tivesse lido alguns capítulos online, teria comprado e logo após a leitura, procurado vendê-lo.

Sim, este é o meu pensamento e eu sei que existem milhões de pessoas que preferem o conteúdo "gratuito" da internet, só que a "pirataria" ainda ajuda nas vendas de bonecos, chaveiros e outros materiais. Sem divulgação, não há interesse. Um grande exemplo foi o filme Tropa de Elite (de José Padilha, 2007) que obviamente perdeu muito com a pirataria, mas se tornou um sucesso explosivo e inesquecível.

Eu costumo ler os mangás em inglês, pois já fui obrigada a ver erros grotescos de tradução e ortografia em scans brasileiros, sem falar que acabo aprendendo mais inglês.
Ou você consegue aceitar que womb (útero) vire estômago? Sinceramente, amadorismo de quinta.

E agora para encerrar, os mangás que eu gostaria de ver em português, mas que só um milagre pode trazê-los para cá:
Natsume Yuujinchou (Yuki Midorikawa)
Ludwig Kakumei (Yuki Kaori)
14-sai no Koi (Fuka Mizutani)
Gintama (Hideaki Sorachi)

Devem existir outros (memória de pernilongo), só que achei estes mais importantes.

Vocabulário para leigos, lá vamos nós:
Mangá: revista em quadrinhos japonesa
Anime: desenho animado japonês
Yaoi: definição básica da mais básica- obra com relações sexuais entre homens. Segundo os entusiastas, este termo não é mais usado e foi trocado por "boys love" ou qualquer outra coisa do tipo. Desculpe, mas vou continuar chamando de yaoi e não me encham a droga do saco.
Shounen-ai: Obra com relações amistosas ou amorosas entre homens, não necessariamente com relações sexuais.
Yuri: o mesmo que yaoi, só que entre mulheres.
Shoujo-ai: o mesmo que shounen ai, só que entre mulheres.
Hentai: Obra com relações sexuais entre mulheres e homens. Substituindo os homens também por tentáculos, extraterrestres e qualquer outra coisa que venha da mente insana de um japonês.
Ecchi: Obra com conteúdo erótico, não necessariamente com relações sexuais.
AMV: Anime Music Video. Vídeo com montagens de cenas de animes e com um fundo musical escolhido pelo autor do vídeo.
Artbook: Livro de arte. Contém artes conceituais, capas, ilustrações especiais e etc.

Como sempre, Kimono Vermelho dando o vocabulário mais básico possível.
Nos vemos em uma próxima oportunidade para espanar mais poeira e espirrar juntos!

Por Kimono Vermelho (04/12/2012)

4 comentários:

  1. Saudações


    Resolveste colocar tudo que pensas sobre mangás? Interessante.

    Lembrar de meu primeiro mangá me leva para uma viagem até maio'1998 quando adquiri, via telefone, o volume #18 de Sailor Moon (original em japonês) pela Fonomag. Minha felicidade não pôde ser contida, sendo que atualmente esta obra encontra-se devidamente guardada como faz merecer, conservada e tudo o mais que podes imaginar, nobre Red Kim.

    O traço da CLAMP me encantou pela seriedade (justamente em Rayearth), ao mesmo tempo que pude ver o humor estampado em cada linha de Love Hina (Ken Akamatsu em sua assinatura mais do que conhecida).

    Nota mental: sério que a JBC vai relançar YuYu? Desconheço tal informe, nobre Red Kim, e me chama a atenção positivamente.^^ Até porque, em conversa com o Cassius Medauar em Curitiba o mesmo tinha me dito que não havia nenhum plano confirmado sobre tal republicação (seria uma estratégia de marketing por parte dele?).

    Quanto às editoras, devo dizer que 2012 estabeleceu-se (ao meu ver simplório) como o ano da mudança na área de mangás no Brasil. Não apenas a Panini trouxe novos títulos, como a JBC mostrou possuir muita bala para estourar por aí, dado o aumento na qualidade de suas publicações. A NewPop me agradou com o encerramento de K-ON! e com "A Pessoa Amada" do CLAMP ( que caiu certeiramente em meu gosto pessoal, alegrando-me^^). Senti falta de veres ter citado a L&PM Pocket que nos trouxe, no final de 2001, "Solanin" e "Aventuras de Menino" (obras que, humildemente, recomendo que leias assim que puder).^^

    Nota mental: estou sedento pelo encerramento de Kimi ni Todoke. Além disto tenho minhas coleções completas de mangás também, mas não tenho uma estante dedicada para as publicações como você tem (tinha na verdade, mas como mudei-me de casa perdi a dita estante). Preciso tomar tento quanto à isto, Red Kim...^^

    Por fim, concordo muito contigo na questão da "pirataria" auxiliar, de alguma forma, na chegada de obras originais ao Brasil. Também faço coro com as suas palavras no que tange, diretamente, à aquisição das obras originais tão logo possível seja. Muito embora eu veja muitos animes, apenas uma vez li um mangá oficial via internet (e foi por necessidade do momento).

    Acredito, honestamente, que para as pessoas que não possuem acesso à internet (muito embora não tenhas citado isto, mas quero muito complementar com tal expressão opinativa) comprar um ou outro volume é essencial para a aquisição de um mangá. A surpresa de tais consumidores consegue ser muito maior do que a sensação objetivada de quem possui acesso a grande rede e que, prontamente, já tem alguma prévia informação sobre a publicação que tanto deseja.

    Pode ser uma impressão falha da minha parte, devo confessar...

    Encerrando: gostaria muito de ver publicado, oficialmente no Brasil, os mangás de Sayonara Zetsubou Sensei, Sailor Moon e Yokohama Kaidashi Kikou. Isto de momento...^^

    Peço-lhe desculpas pelo longo comentário de minha parte. Procurarei me conter em uma futura oportunidade, Red KIm.


    Até mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Na época que anunciaram a republicação de Samurai X (Rurouni Kenshin), a JBC disse que Yu Yu Hakusho também estaria no pacote. Eu lembro, porque saiu em sites da imprensa especializada (pff).
      Bem, como eu disse, eu não sou conhecedora do assunto e nem sabia que a L&PM Pocket tinha lançado mangás.
      Sim, concordo com você. Para quem não tem internet ou para mim que nunca tinha lido Sakura em 2001, foi uma surpresa interessante pegar o mangá e descobri sua história aos poucos.
      Mas você é o único que faz comentários longos!!! Não pare! Eu gosto de comentários longos, poxa. =(
      Obrigada pelo comentário!

      Excluir
    2. Saudações

      Hum... Terá o nobre Cassius mentido para mim? Amanhã, no Globo Repórter e...XD (parei aqui...^^)

      Desconhecias sobre estes mangás? Então reforço para ti a minha recomendação sobre estas duas obras. Talvez lhe saciem positivamente, Red Kim.^^

      Até mais!

      Excluir
    3. Que isso! Coitado do Cassius! Bem, poderia ser apenas um boato, já que a notícia foi dada no meio do ano.
      Sou enjoada para ler mangás e livros, mas darei uma olhada.
      Obrigada pelo comentário!

      Excluir

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.