quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Diários de Uma Escritora - 12

Puxa, o ano acabou... Este é o último Diários de 2012. O que vou fazer? Sobre o que vou falar? Vou ignorar o final do ano e escrever sobre livros, dicas ou o raio que parta as árvores de café? Só Deos Matoba sabe... Hehehehe.

Diários de Uma Escritora 12 - Autores e seus personagens

Sou uma pessoa que gosta de criar piadas que só eu entendo e dou risada, é um ótimo exercício para manter a sanidade e o bom humor em níveis agradáveis. Uma das piadas que estou usando com frequência é a do "Deos Matoba". Sem entrar em muitos detalhes técnicos e referências culturais, posso dizer que é uma "entidade" que "criei" e que não precisa ser condenada por religiosos ou ateus.

A primeira brincadeira está com a grafia de "deus". Colocando a letra "o" e mudando a pronúncia, já se torna uma piada.
Quanto ao "Matoba", ele é do personagem Seiji Matoba do mangá (revista em quadrinhos japonesa) Natsume Yuujinchou de Yuki Midorikawa. É um personagem bonito e habilidoso, mas malévolo e vil.

Não estou incitando ao paganismo ou coisa do tipo, apenas o tornei uma piada pessoal para não encher o saco de Deus, de seus anjos e santos.
A serventia do Deos Matoba é apenas de mandar em mim, lembrando-me de coisas importantes que preciso fazer e outras brincadeiras estúpidas.
Sabe, não é só de seriedade que se vive no mundo.

A outra piada, também profana como a primeira, é a brincadeira com a grafia e a conotação de "demônio".
"Ui, Kimono, você é muito pagã!!!" - Pagã, mas batizada, por favor, me respeite!
Brincadeiras à parte e voltando a explicação, eu costumo dizer, quando estou muito malvada ou sacana, que estou no modo demânia.
Não, você não leu errado.
O complemento que eu sempre incluo em tweets e outras conversas é: "porque 'demônio', é muito pouco para me descrever".

Algumas pessoas podem se sentir ofendidas ou serem sensíveis demais para o meu humor não muito cristão, então ignorem o que leram ou comecem a tacar suas pedras de ignorância.
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Falou, falou, mas... Onde você quer chegar?
Quero chegar em uma mania que alguns escritores podem ter. Não sei se é o caso da maioria ou minoria, só sei que acontece comigo e é engraçado.

Qual escritor nunca se divertiu às custas de seus personagens?

Eu costumo escrever observações nos textos dos meus projetos com diálogos off entre eles. Alguns reclamam que não aparecem muito, outros me pedem para acontecer essa cena ou aquela, e muitos ficam apenas "divando" e me encantando. Uma pequena interação entre criador e criaturas, uma conversa fora da história normal.

Parece coisa de maluco e vou ter que confessar: não existem escritores normais. Se você conhecer um, é porque ele não é escritor como nós.
Ou talvez eu seja mais retardada do que imagino. *rindo*

Cada um passa por diversas experiências durante a vida e eu busco brincar com tudo que tenho em mãos para desanuviar a cabeça.
Discuto com personagens, faço-os passar vergonha, imagino suas reações de birra... Não é à toa que chamo meus projetos de "filhos". É um pequeno mundo que se cria e que cresce com o passar do tempo.

Lendo até o parágrafo anterior algumas pessoas podem ter uma ideia um pouco deturpada do que estou tentando explicar. Podem achar que escritores com esse tipo de "debilidade mental" sejam antissociais e estranhos, contudo, é preciso separar o escritor da pessoa que escreve.
Não é porque fico nas minhas maluquices com meus personagens, que eu deixo de conversar com os amigos ou me relacionar com os outros. Cada coisa em seu lugar.
É como dizem "hora de brincar é hora de brincar, hora de estudar é hora estudar".

Para personagens bem construídos, é interessante interagir com eles. Apenas ficar repetindo "Ah, Maria gosta de João, porque ele é inteligente", é muito preso, é muito "só no papel".
Afinal, Maria, por que você gosta do João?
Maria: Ah, ele é inteligente, simpático e sempre me ajuda com as revisões.
Não acha que é um motivo fraco para gostar dele?
Maria: E você por acaso sabe o que se passa no meu coração? Eu... Meu coração acelera quando ele fala comigo, eu sinto falta de ar...
A voz dele te seduz?
Maria: M-Mas que droga de pergunta é essa? Isso é da sua conta, sua xereta? E... E se contar pra ele, eu arranco suas tripas!!! - chora de raiva e de pavor ao pensar que João pode descobrir seu segredo.

Esse tipo de coisa pode não ser escrito, apenas imaginado pelo escritor para dar mais profundidade ao personagem.
Não foi bem mais explicativo do que apenas um "Maria gosta de João, porque ele é inteligente"? Sim, daria para jogar essa informação na narração, porém que graça tem deixar tudo óbvio na cara do leitor? Quer mesmo fazer essa escrita pobre de "Maria gosta de João, porque ele é inteligente" e ponto?

É importante conhecer suas "criaturas" para dar aos poucos aos leitores, as informações que eles necessitam para começar a conhecê-las também.
Um bom livro não joga a biografia dos personagens na sua cara na primeira apresentação.

Sem falar que, imaginar a cena da discussão com Maria, já é um divertimento à parte, uma carga de dopamina no seu cérebro.

Eu gosto muito, muito mesmo dos personagens que criei. Alguns são parecidos comigo, outros são o tipo de amigo que eu queria ter, outros tantos são os canalhas que eu amaria ficar e muitos são o exemplo de pessoas que eu gostaria de estar rodeada.

Um escritor é um deus. Ele cria seu mundo e brinca com suas criaturas, rindo, chorando, lutando e vivendo uma vida tão boa ou tão ruim quanto a dele.
Quando não podemos nos apoiar nas pessoas de carne e osso, nos apoiamos nesses de papel, que nada mais são que pedaços nossos, uma força interior que foi exteriorizada.

Apoio a escrita como uma terapia. Existiriam menos depressivos e suicidas.
Escrever é uma arte, amá-la faz parte.
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Considerações sobre todos os Diários de Uma Escritora de 2012
Uau. Eu juro que não pensei que conseguiria, porque costumo ter problemas com agenda (leia: lembrar das datas de lançamento). Tive um pequeno deslize em Junho e me penalizo até hoje por isso. Sou perfeccionista, não gosto de errar, é um problema meu.

Não lembro direito qual a razão exata de começar esse tipo de postagem, se era pela vontade de falar sobre esse vício, se era para saber se tem mais gente como eu, se era gritar ao mundo que eu não sou mais aquela menininha medrosa... A única coisa que eu sei é que me sinto bem escrevendo os Diários.

É ainda mais acolhedor quando você pode receber comentários e conhecer outros escritores, pensamentos e ideias.
Para quem não sabe, antes eu usava o Google Sites, no entanto, ele não habilita comentários e eu vivia "no escuro", sem saber se o que eu estava fazendo era bom ou não satisfatório.
Em Agosto deste ano resolvi criar coragem e migrei pacientemente postagem por postagem para o Blogger, onde as pessoas finalmente podem expor suas opiniões sobre o que apresento.

Eu tenho total noção de que não sou uma grande escritora ou vendedora de best sellers, mas tento dar o meu melhor falando sobre um mundo onde caí e não conheço mapas, pessoas e regras.

Eu procurava por algo mais íntimo, só que falasse sobre o que os escritores passavam e não unicamente sobre a obra que ele estava escrevendo. Como nunca vi nada parecido ou focado estritamente nisso, resolvi criar esta seção.

Eu gostaria de agradecer a todos que se dão ao trabalho e paciência de parar para ler o Diários de Uma Escritora, aos que comentam (seja pelo blog ou pelo Twitter), a todos que se identificam nos textos, aos que encontraram algum bom conselho ou ajuda quando precisavam, aos que divulgam os links ou dão RT nos posts... Obrigada.
Nós escritores só queremos que nossa história seja lida, compartilhada, que sirva para entretenimento e que possamos fazê-los viajar para lugares incríveis, esquecendo um pouco a vida que às vezes é tão cruel.
Obrigada a todos vocês que não desistiram dos escritores brasileiros e que continuam os apoiando.

Nos vemos em Janeiro, prosseguindo com o Diários, quem sabe, até quando eu chegar e contar feliz que meu livro foi lançado e que farei um dia de autógrafos. É preciso pensar grande e trabalhar para isso.

E aí: vocês ficarão aqui para o bolo de chocolate no Diários 837?

Por Kimono Vermelho (12/12/2012)


10 comentários:

  1. Eu costumo desenhar alguns personagens me lembrando de coisas que tenho que fazer. Uma vez, enchi um caderno da faculdade de "avisos", e meus colegas me pegaram...
    Nada como a interação criador-criatura! Diz-se, no Genesis, que Deus visitava Adão e Eva todas as manhãs para bater papo. Claro, falo de Yahweh, não do Deos Matoba XD
    Excelente texto! Abraços.

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    1. Eu fazia isso nas apostilas do meu colégio. XD
      Eu sei que Deus é Deus e não DeOs Matoba, oras! XD
      Obrigada pelo comentário!

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  2. Gostaria de comentar a fundo como comentei o seu review de 50 tons de cinza, Kim! Mas deixo desde já que achei muito bom esse diário. Parece que você fez um pequeno passeio pela minha cabeça e trouxe pra escrever aqui coisas que eu nunca conseguiria falar tão eloquentemente. Parabéns! E aguarde um comentário mais a fundo.

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    1. XD Revelei algum segredo tão secreto assim?
      Ok, irei aguardar seus comentários. Por hora, obrigada por este!

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  3. Saudações

    Meu contato com a sua pessoa se deu há poucos meses, Red Kim. Tudo pelo Twitter, graças a alguns RTs e outras conversas lidas meio que aleatoriamente aqui e ali. E posso assegurar que não há sinais de arrependimento, e não haverá tão cedo (meu plano é para que não haja de forma nenhuma).

    Confesso que, às vezes, tenho algum receio quando leio algo que twittas. Geralmente, um "esbrega". Isto por eu não conseguir agir assim. Mas acredito fielmente na máxima do respeito, que cada um é cada um, e você tem se mostrado muito digna de respeito, até aonde posso constar.

    [Agora "descobri" de onde provém o Deos Matoba!]^^

    Narrativa é um ponto interessante de qualquer história/conto e afins. Um diálogo bem construído, as ideias bem formatadas e a união dos segmentos de enredo bem colocados auxiliam muito para uma experiência de leitura mais apreciativa e rica em detalhes. É bem verdade que há histórias que não precisam de muito detalhamento, mas dependendo do enredo e da serenidade do mesmo, quanto mais detalhes aparecerem melhor será.

    Quanto aos personagens...

    Confesso que, à exceção dos mascotes de meus blogs, me vejo como uma "pessoa fria". A cada conto que escrevo é quase certo que o final não será feliz.

    Costumo jogar o elenco em uma área que clama por definições. E quando estas aparecem, os personagens acabam sujeitos a um ponto de chegada que, no mínimo, os coloca no centro da balança de pesagens.

    Talvez seja o meu estilo. Talvez eu tenha que me aprofundar mais. Talvez eu deva procurar por mais fatores de inspiração. A única coisa de realmente concreto está atrelada ao fato de que, severamente, não sou um [bom pai para as minhas criações literárias].^^

    Jovem Red Kim, continue na sua empreitada. Quem gosta de escrever sabe muito bem dos desafios que estão no aguardo, e tu já deste provas o suficiente de conhecê-los muito bem. Portanto, siga sempre em frente!^^

    Até mais!

    [PS: o bolo poderá ser antecipado um pouco?]^^

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    1. Também espero não fazer ninguém se arrepender de ter me conhecido ou aturado minha presença. XD
      É, esse meu jeito às vezes pode parecer estranho para quem não está acostumado. Relaxe. ^^
      Não acho que o fato de você não ter essa interação com os personagens (de fazer conversas off e etc), te torne uma "pessoa fria". Você só tem uma outra linha de escrita que é tão incrível e importante quanto qualquer outro modo. Cada escritor é um tipo de escritor.
      Cada um deve seguir o caminho que mais gosta e que o deixa em paz consigo mesmo, portanto, não pense "será que isso é ruim? Será que estou fazendo errado? Será que eu deveria escrever de outro jeito?".
      Com certeza seguirei em frente até onde eu puder seguir.
      Sobre o P.S.... Espero poder antecipar o bolo sim!!! XD
      Obrigada pelo comentário! ^^/

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  4. Olá!!

    Infelizmente para mim só conheci os Diários hoje, com esse post!! Fiquei desapontada comigo mesma. Poxa, poderia ter acompanhado os outros e ter me divertido muito!! o/

    Gostei muito do que você escreveu. Infelizmente (de novo?) não sou desse tipo de escritora. Sou mais focada em escrever (no meu blog) sobre críticas (seja filmes, animes, mangás, livros ou revistas)... rsrsrsr

    Espero que você consiga lançar seu livro. Vou querer um exemplar autografado ok?

    Até mais

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    1. Não se preocupe, em 2013 tem mais!!! XD E os antigos estão aí apenas esperando para serem lidos.
      Como eu disse para o Carlirio, cada um tem o seu jeito de escrever e o tipo de "escritora" que me refiro no Diários é a que escreve histórias e contos, e não posts, resenhas, críticas. ^^
      Eu também espero... D: Pode deixar! ^^/
      Obrigada pelo comentário!

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  5. Bem, como prometi, aqui vai um comentário (ou talvez série de?) mais a fundo sobre teu post, cheio de coisa interessante.

    Ignorando a primeira parte do seu post (não que não seja interessante, mas não tenho nada a fundo que realmente dizer, são mais coisas interessantes sobre o que dizes)

    "Qual escritor nunca se divertiu às custas de seus personagens?"

    Aqui é a primeira frase que realmente diz respeito a algo que posso comentar. Verdade, não tem nada melhor que interagir com personagens dessa forma. Não tenho a mesma mentalidade que pareces ter ao escrever, mas acho que a universal é que um personagem precisa sofrer pra ser interessante, então porque não fazê-lo sofrer de forma que dê gosto?

    "Parece coisa de maluco e vou ter que confessar: não existem escritores normais. Se você conhecer um, é porque ele não é escritor como nós.
    Ou talvez eu seja mais retardada do que imagino. *rindo*"

    Não, realmente não existem. Criatividade e insanidade são velhas companheiras de braços dados. Como vamos chamar de normal algúem com um mundo interior rico, que consegue se perder em idéias fora da realidade dura em que vive pra viajar na própria cabeça? somos todos insanos, mas de forma saudável... ou, ér... quase sempre saudável.

    "Um escritor é um deus. Ele cria seu mundo e brinca com suas criaturas, rindo, chorando, lutando e vivendo uma vida tão boa ou tão ruim quanto a dele.
    Quando não podemos nos apoiar nas pessoas de carne e osso, nos apoiamos nesses de papel, que nada mais são que pedaços nossos, uma força interior que foi exteriorizada."

    Por isso que falei que passeou na minha cabeça. Escrever é criar um, ou vários universos, onde temos, ao meu ver, controle total, mas também uma missão de colocar uma personagem que depende só de nós pra existir. De forma bem crua, estamos dando vida aos nossos gostos, nossa idéia, nossa imaginação... separando uma parte de nós pra criar asa e que só nós podemos gentilmente tirar do ninho, ou então a trancos e barrancos, pra voar sozinha e pousar na mente de outras pessoas. Um texto, por mais curto que seja, que seja lido por 10 pessoas, dá 10 vidas diferentes ao que está contido nele. E é uma oportunidade mágica, que nem todos conseguem fazer.

    Apesar disso, tô eu aqui quase que só com textos incompletos, vai entender? >.>

    "Nós escritores só queremos que nossa história seja lida, compartilhada, que sirva para entretenimento e que possamos fazê-los viajar para lugares incríveis, esquecendo um pouco a vida que às vezes é tão cruel."

    Sim. Acho que uma coisa que quem nos cerca e quem usamos como ajuda pra manter o ânimo e a qualidade dos textos talvez nunca perceba por não ser escritor mas opinar é que um texto é um pedacinho da alma. Nós queremos opiniões sinceras, nós queremos ajuda pra fazer algo que nos dê orgulho. A pior coisa é escrever, mostrar pra algúem e... nada.

    E a maior recompensa de um escritor, é um "li seu livro e tive emoções." Por pior que tenham achado nossa história, quando a crítica é bem-fundada, quando o gostar é sincero, nós nos sentimos motivados e recompensados.

    Dat dopamina, melhor que dat ass.

    "E aí: vocês ficarão aqui para o bolo de chocolate no Diários 837?"

    Claro que sim! Quem não quer bolo, me dê seu pedaço!

    Pela enésima vez, ótimo post, kim!

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    1. Quando eu disse "se divertir às custas do personagem", eu não me referia a fazê-lo sofrer. Seria mais algo como brincar com ele, tirar um pouco de sarro, como fazemos com os amigos.
      Gostei bastante quando você disse sobre criar essa existência e ela tomar formas diferentes na cabeça de quem lê, é muito interessante.
      Obrigada pelo comentário! ^^/

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