quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

50 Tons de Vermelho

Um livro maravilhoso que deve ser tido como exemplo!
Eu não sei quais palavras usar para descrever as sensações que tive ao lê-lo.
Foi uma experiência muito interessante e que rendeu esta resenha feita com o melhor do meu coração e da minha alma. Espero que vocês gostem, porque eu AMEI!!!

Resenha número: 02
Livro: Cinquenta Tons de Cinza
Título original: Fifty Shades of Grey
Autora: E. L. James
Este livro é: Estrangeiro (Estados Unidos)
Ano de publicação: 2012 - 1ª Edição
Editora: Editora Intrínseca
Páginas: 480
Em quantos dias eu li: Treze dias não diretos (leitura com intervalos de tempo)

CONSELHO IMPORTANTE!!!: Se você não leu este livro, recomendo que não leia a resenha. Ela contém informações relevantes sobre o seu conteúdo.
Lembrando que esta resenha apresenta uma opinião pessoal, que assim como a sua, pode agradar ou não. Fique ciente das consequências.

* ~ * ~ *

Chegou aqui? Foi enganado pelo primeiro parágrafo? Hahahaha! É assim que eu me senti quando soube da existência dessa obra.

Angústia de Graciliano Ramos e O Velho da Horta de Gil Vicente agora têm um novo companheiro de estante: Cinquenta Tons de Cinza. Um dos piores livros que já li em meus 23 anos de existência.
Não há sanity potion. Não há cérebro para entender como isso virou fenômeno mundial. Só há uma coisa a fazer: matar ou morrer!

Sinopse por Kimono Vermelho: Não tenho alma para fazer uma sinopse... Mas buscarei coragem.
Anastásia Steele, ou como prefere ser chamada, Ana, acaba sendo escalada para substituir sua amiga Kate (que ficou doente), para entrevistar um multimilionário e empresário Homem de Ferro chamado Christian Grey. Droga, não é o Tony Stark. A partir daí, Ana e Christian iniciam uma conturbada relação regada a sadomasoquismo e fantasmas do passado.

Não sou boa com sinopses, contei isso na resenha de Crepúsculo.

Gostaria de avisar que não tive coragem de gastar o meu RICO DINHEIRINHO na Bienal do Livro comprando esse título, porque... Bem, ele se tornaria um prejuízo. Fiz a leitura pelo computador, apenas baixando o arquivo.
Tenho muitas considerações a fazer sobre o livro e por causa dele criarei uma categoria no site para falar com as mulheres que acham esse tipo de literatura interessante e consomem revistas femininas com aquelas “dicas infalíveis”.

Enquanto eu lia a trama, me perguntava como deveria escrever a resenha e nunca cheguei à conclusão.
“Eu deveria soltar o RAGE [raiva] e chutar o pau da barraca?”
“Eu deveria segurar o RAGE [raiva] e expor os argumentos de forma fria?”
Eu não sou uma barata, eu tenho sangue quente.

Todos aqueles que pesquisaram um pouco sobre a obra, sabem que ela é uma fanfic de Crepúsculo (Stephenie Meyer) chamada The Masters of the Universe que falava sobre a relação de Bella e Edward.
Eu já expliquei sobre fanfics aqui no site, se tiver alguma dúvida migre a sua curiosidade: Espanando a poeira: Fanfics.

Eu não sei o que dizer. Fanfic é um material amador e a própria autora admitiu que nunca tinha escrito uma, ou seja, não é escritora profissional e sequer trabalha com isso. Seu antigo emprego era como executiva de televisão.
Não sei quem culpar e apontar para a fogueira: se a desajeitada e não muito inteligente autora, o editor com problemas mentais que aprovou esse material ou o mercado literário que está aceitando qualquer história.

Como aspirante a escritora, eu me sinto particularmente ofendida com essa publicação, com o número da vendagem e com a qualidade baixa dos leitores.
“Mas ela está ganhando mais dinheiro que você!” - Traficantes e políticos também ganham mais dinheiro que eu e nem por isso os tenho como exemplos a serem seguidos.
Não estou colocando moralidade em cima do tema tratado no livro, estou expurgando meu ódio sobre a péssima escrita, uma trama mal trabalhada e um vocabulário extremamente pobre e repetitivo. Isso é ofensivo.

A autora é britânica, no entanto, a história se passa nos Estados Unidos. Nada contra, só acho que a visão que ela nos dá dos estadunidenses é limitada e tola. Uma infinidade de repetições de “Oh, meu Deus” e “baby” que cansa.
Descrições cansativas, personagens mais rasos que folhas de papel, merchandising em excesso e cenas de sexo broxantes.
Faltou a 50 Tons amadurecimento, mais estudo e preparo antes de ser “largado” nas livrarias. Poderia ter sido um livro genial, mas tiraram do forno quando a massa ainda estava crua.
Nesse quesito, a “obra original” de Stephenie Meyer vence por ter melhor escrita e personagens mais bem trabalhados. É, acredite.

Eu quis resenhar 50 Tons de Cinza bem depois de Crepúsculo, pois a memória ainda estaria fresca e eu poderia perceber as semelhanças praticamente literais de diversas cenas do livro de vampiros. Faltou à E. L. James se “desgarrar da barra da saia da mamãe” Stephenie e criar sua trama de forma mais liberal.

Clichês e E. L. James = Amigos inseparáveis
Qual a primeira coisa que toda protagonista de livro bobo faz quando encontra o bonitão? Cai, tropeça, derruba alguma coisa... É isso que acontece com Anastásia Steele, que assim como sua versão original, Bella Swan, é desajeitada a enésima potência.
Ela tem a capacidade de tropeçar e cair, tendo que ser ajudada por Grey, e nos obrigando a ler aquela cena de descrição infantil ainda no primeiro capítulo da trama.

O que dizer da melhor amiga que repete inúmeras vezes que “ele está a fim de você”?

É possível usar clichês e torná-los interessantes ou alterar um pouco para que não soem tão literais como foi o caso.

Não bastasse o primeiro tropeço, nossa amável heroína ainda tem a capacidade de bater a cabeça na calçada com direito a descrição do mocinho (na verdade, anti-herói) se preocupando com ela. Imaginem a minha cara de “não, eu não estou lendo isso, por favor”. Eu sei, é inimaginável.
Pensou que acabou? NÃO, QUERIDO LEITOR! FIQUE SENTADO AÍ QUE TEM MAIS BOLO TOMBO!
Grey a puxa com força e ela cai sobre o amado, sentindo pela primeira vez, vontade de beijar alguém.
Esse livro realmente é de sadomasoquismo, porque o nível de tortura é alto. Não sei se quero transformar meu cérebro em papinha ou se volto para o útero da minha mãe.

Agora se quer gargalhar com esse livro, leia a conversa de bêbado no capítulo quatro. Sim, aquela.
Sabe quando uma pessoa enche a cara e resolve ligar para outra? Adivinhem quem fica bêbada e para quem ela liga? Mas ainda não chegamos na cereja do bolo! Ela ainda vomita no sapato dele e, após esse lindo incidente, é levada para a pista de dança.
Começo a me perguntar se E.L. James não usou nenhum psicotrópico para escrever esse livro.

Temos brigas de quem vai desligar o telefone ou parar de mandar e-mail primeiro, protagonista bonitão com pênis enorme (como se tamanho fosse importante), protagonista puritana que faz loucuras na cama...

Acho que a autora brincou com o clichê de menina virgem que vai aos poucos conhecendo a perversão e que se encanta com isso, logo resolvendo se entregar a essa nova experiência. É tipo uma virgem safadinha, porém ainda inocente e pura. Talvez, como virgem e inexperiente que é, ela não queira desagradar seu parceiro e faz o que for preciso para mantê-lo perto dela.

Anastásia Steele: Inocência burrice em pessoa
Uma jovem de 21 anos, virgem, inteligente, inocente, que sonha com heróis de livros românticos, está terminando a faculdade e só beijou três homens na vida. Você realmente se sentiria disposto a ler um livro onde essa “pessoa” seria a protagonista e narradora? Se houvesse um crescimento da personagem, eu concordaria que seria interessante, no entanto, nada acontece.

O que E.L. James tentou fazer foi pegar aquela salada mista chamada Bella Swan e deixá-la mais “contemporânea”, confusa e mais envolvida com sexo. É praticamente pegar uma princesa de contos de fadas e trazê-la ao século XXI com leves mudanças.

Na tentativa de fazer com que a personagem pareça inteligente, a autora a encheu de citações de livros, só que isso não a tornou culta. Pareceu-me mais um papagaio que repete o que escuta, do que alguém que realmente tem algum conteúdo. É uma personagem vazia que age como uma adolescente, apesar de já ter seus vinte e um anos. Não que todas as mulheres sejam maduras com esta idade, mas pelo menos já não são ingênuas e inocentes.

O que dizer da cena de sexo oral? A virgem que nunca se masturbou, nunca teve sonhos eróticos (nem sabia que podia ter um orgasmo com eles) e tinha acabado de tomar o café da manhã, fez o oral mais perfeito da vida de Sr. Grey. E ainda falando que aquele era o seu momento com o picolé sabor Christian Grey.
O que vocês esperam da minha sanidade agora?

Só que a nossa protagonista preferida se tornou mesmo uma menina muito má depois que conheceu o jovem empresário: ela já usou a escova de dentes dele, vestiu uma cueca dele e foi conhecer os pais dele sem calcinha.
E você achando que colar na prova era super radical!

Apesar de ser essa garota avançadinha, ela ainda tem uma mentalidade retrógrada e que não condiz com suas ações. Primeiro, porque diz que não se deixa levar por Grey ser rico, contudo, as primeiras duas palavras que usa para defini-lo para a mãe são “rico e bonito” (que ela vive repetindo durante todo o livro). Segundo, acaba aceitando as condições impostas pelo rapaz, como usar as roupas, o carro e eletrônicos comprados por ele, mesmo achando que isso é coisa de prostituta. A frase que mais me marcou e pode ser usada como argumento, é quando a moça diz que sente que está sendo paga por sexo, mas que gosta de andar de primeira classe. Ok, não foi chocante o bastante? Ela ainda diz que ficou feliz por perder a virgindade com um homem rico.
Imagino vocês com a mesma cara que eu quando li esse trecho.
Nada contra mulheres que gostam de homens de posses, contudo, as desse tipo não se sentem culpadas como a mocinha do livro.

E como se a salada frutas ainda não estivesse pronta, temos que aturar a baixa autoestima de Anastásia, que acha que qualquer outra mulher no mundo é mais bonita que ela, inclusive a resenhista que vos escreve.

Há tantos absurdos nesta personagem que você não sabe se está imaginando coisas ou se a autora está tirando sarro da sua cara; principalmente quando Ana morde incontáveis vezes o lábio e isso excita o insaciável macho alfa da obra.

No sexo, ela faz tudo o que seu parceiro pede, só que é incapaz de ver a amiga beijando o irmão de Grey sem pensar com vergonha: “ai, procurem um quarto para fazer isso!”. A única coisa que eu vejo em Anastásia é contradição atrás de contradição em uma folha finíssima de papel.

Deusa interior: mais farinha do mesmo saco rasgado
Não sei se é uma piada interna, uma homenagem a Inner Sakura (Sakura Interior) de Naruto (Masashi Kishimoto) ou problema de dupla personalidade, contudo, a existência do subconsciente como uma “deusa” poderia ter elevado o livro a níveis significativos de maturidade, o que, como todas as boas ideias jogadas em 50 Tons, não foi bem elaborado e aproveitado.

Ela representa o que Anastásia queria ser por fora, porém que guarda dentro de si.
Sua deusa interior é mais atirada, assumida, aceita experimentar novidades e também tem mais senso de noção e amor próprio.
Ela samba, faz poses, dança ula ula...
Ainda assim, poderia não existir no livro e sua falta não seria sentida.

Christian Grey: príncipe no cavalo branco. Ou seria em um de seus vários carros?
O homem perfeito: rico, bonito, atraente e bom de cama. Mas como não existem pessoas perfeitas, ele tem um lado sombrio de controlador e praticante de sadomasoquismo.

O parágrafo acima é para ser lido às gargalhadas, pois sinceramente é impossível levar a sério um personagem tão mal feito como ele. Aliás, esse livro por si só é uma piada.
Primeiro que ele é praticante especificamente de BDSM (Bondage-Disciplina-Dominação-Submissão-Sadismo-Masoquismo), que é uma vertente do sadomasoquismo. Isso para mim não é defeito e não o faz o “cara mau” da história.

Na minha concepção, o que um casal faz a quatro paredes é problema exclusivamente dele, desde que ambas as partes estejam de acordo. Ou seja, se eles gostam de sadomasoquismo, que continuem e não parem por pressão social ou familiar. No sexo, vale tudo quando os dois concordam.

Eu não sou apreciadora desse tipo de “fetiche” e não pretendo ser, já que vai contra a minha natureza de indisciplina.
Isso fez com que eu olhasse o livro com preconceito? Não.
O fato de eu não me sujeitar a esse tipo de coisa, não quer dizer que eu não respeite quem escolheu esse caminho. Por favor, não vamos ser ignorantes a esse nível.

Acontece que não vi nada de mais. Chicote? Palmada? Ser amarrada? Por que isso deveria ser novidade? Será por que as pessoas não têm liberdade sexual?
Opa. Isso é assunto para outro tópico. Vamos voltar a tentar falar sobre Christian Grey, já que até o Edward Cullen me parece mais legal, inteligente e bem construído.

O par da mocinha passa a imagem de ser metódico, em um primeiro momento, por causa da escolha das cores de seu prédio, os acabamentos, os quadros. Eu achava que ele tinha algum tipo de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Ele consegue o que quer de Anastásia, desde informações básicas na entrevista até atos sexuais. Isso me remete aos poderes de Edward Cullen e sem essa ressalva fica bem difícil acreditar que um homem comum seria capaz de ter esse tipo de influência. Desculpa, mas o fato de alguém ser rico e bonito só afeta menininhas adolescentes que são manipuláveis ou pessoas que se impressionam facilmente.

E lá vem o tal do “cheiro” de novo para me atormentar... A mocinha e sua tara pelo cheiro do corpo do mocinho/vilão. É o cheiro de Christian Grey, é o “picolé” sabor Christian Grey...
E assim como Ana é Bella, Grey é Edward, e fica repetindo aquela ladainha de que eles devem se afastar, que ele é perigoso e todo aquele blá blá blá de Crepúsculo.

Grey é louco por controle e suponho que isso tenha sido por conta de seu passado sombrio, quando ele não tinha como controlar os rumos de sua vida. É até comentado entre o casal se o sadomasoquismo não seria uma espécie de terapia para ele.
O rapaz nasceu pobre, filho de uma mulher viciada em crack e provavelmente passou fome quando mais jovem, visto que tem uma neura incomum com desperdício de comida. Foi adotado por uma família rica, conheceu uma mulher que por meio do BDSM (virando seu submisso aos 15 anos) o afastou de um caminho tão terrível quanto o de sua mãe.

Edward Cullen me irritava com suas mudanças bruscas de humor, já Grey... Bem, ele é cafona.
“Goze para mim, baby” – É uma das coisas mais broxantes que um homem pode dizer a uma mulher durante o ato sexual e eu tive que ler essa frase inúmeras vezes.
A cereja do bolo é quando ele pergunta se a transa foi boa. Mais risível que isso só um show de stand up comedy.

Eu gostava no início da trama quando o protagonista tinha suas nuances de arrogância, prepotência e tirava sarro com a cara de Anastásia durante a entrevista. Ele tinha potencial para ser um personagem incrível e, que assim como tudo neste livro, se perdeu em algum lugar e ficou temeroso.

O rapaz é obcecado por controle, é perseguidor, maníaco, paranoico e ciumento em excesso.
Não acho saudável que as mulheres atuais o usem como exemplo do que desejam de um homem. Ainda mais de um tão instável e que faz sexo sem camisinha quando a parceira está menstruada e toma pílula. Qualquer pessoa que já tenha visto alguma palestra ou aula sobre sexo, sabe que o método “tabelinha” ou “ah, mas ela toma pílula” não é seguro. Sim, mesmo a camisinha pode falhar, só que entre todas, é ainda o método mais seguro de contracepção.

E ele não faz amor, fode com força. Palavras do próprio.

Eu poderia citar vários outros personagens de ficção mais interessantes para se desejar do que o Sr. Grey, contudo, ficaríamos horas aqui.

Enchimento de linguiça: coadjuvantes inúteis
Temos José... Jacob... Prefiro o Jacob de Crepúsculo.
Fotógrafo, bonito, amante latino, a fim da sonsa da protagonista e... OPA! Quase estuprador, pois estava agarrando Ana à força enquanto ela estava bêbada. Ele com certeza pensou na máxima “(aquilo) de bêbado não tem dono”. Apesar da situação horrível, Anastásia o perdoou.
Sinceramente, um personagem dispensável que não faz falta ao livro.

Kate às vezes me lembra Jessica e a mãe de Bella. Segundo resenhas que li era para ela representar Rosalie... Desculpa, mas ela parece mais a amiga chata e a mãe curiosa.
É sempre lembrada por Anastásia como a mais bonita, a mais perfeita, a mais isso, a mais aquilo.
Não tenho certeza se posso chamá-la de carismática, já que Alice Cullen a deixaria no chinelo tão rápido quanto um piscar de olhos.
Ela tenta passar uma postura de inteligência, concentração e imponência para depois desmanchar tudo em mais uma adolescente que dá chilique.
E quando a melhor amiga dá aquela direta certeira revelando aos quatro ventos que você tá a fim do cara? Sinto pena de Anastásia Steele por ser amiga da problemática Kate. E não é só uma vez que a “amiga” bota a outra em situação complicada. O que dizer quando ela resolve apresentar Grey como namorado de Ana para o padrasto da jovem?
Essa personagem é com certeza um soco atrás do outro em todas as partes do seu corpo.

Temos a família de Grey e de Ana, as mulheres loiras que têm algum vínculo empregatício com ele, os Clayton da loja de construções, provavelmente mais alguns coadjuvantes inúteis e... Sra. Robinson, que na verdade se chama Elena e foi dominadora de Grey. É melhor amiga da mãe adotiva dele e que só terminou seu caso com o garoto, pois o marido descobriu.
Ainda é amiga do jovem, no entanto, sua existência continua sendo um mistério neste primeiro volume.

Esse livro mata neurônios, por isso se quiser ficar burro...
Protagonistas mulheres, autoras mulheres e livros em 1ª pessoa.
A primeira impressão é que as autoras jogam suas frustrações pessoais no livro e criam um mundo interior perfeito, com tudo o que gostariam de viver. É isso que sinto com a leitura de Cinquenta Tons de Cinza.

E.L. James disse que queria escrever conteúdo erótico, mas sem ser vulgar e, portanto, acabou omitindo os nomes reais das áreas genitais dos protagonistas. Vagina virou vértice ou . Ânus também era ou sul. Pênis virou membro.
Eu compreenderia melhor o uso dos termos se o livro fosse de época, o que não é o caso.
Outra coisa, sexo não é vulgar. A própria autora é preconceituosa, fica com vergonha e pede para que os filhos não leiam seus livros...
Olha, eu só vejo uma senhora, com libido reprimida e que teve a oportunidade de fazer com que seus desejos contidos ficassem expostos em um livro, usando a máscara dos protagonistas.

Uma mulher que se identifica com Anastásia Steele é reprimida sexualmente, incapaz de atingir sua própria satisfação com o parceiro, sem novas ideias para a relação, vergonha de sugerir algo ou parecer “prostituta”.
Uma mulher com liberdade sexual se sente ofendida com o livro, com o nível temeroso das descrições de sexo e em como são broxantes.

Uma coisa que eu acho interessante é quando Grey comenta que ambos são adultos e não precisam ficar se culpando pelo que os outros vão pensar. Acho isso válido, já que dentro de um quarto e acordado entre o casal, vale tudo.
Gosto do modo como Grey coloca a Anastásia contra a parede com “você é adulta e pode fazer escolhas” e ainda lembra que ela não usou as palavras seguras (que mostram até que limite ela pode aguentar). Ana age como uma menina de 12 anos ou menos. Não parece uma adulta que sabe tomar as decisões sobre o que é melhor para si mesma. A garota só sabe ser conduzida.

O problema de Anastásia, e de todas as mulheres tolas, é apenas agradar o parceiro e esquecer que elas também precisam ser agradadas.Vivem só para fazer o parceiro feliz e isso não está certo.
Daí a própria protagonista revela um problema antigo de todas as mulheres: elas querem o homem e não o seu passado, ou seja, querem mudá-lo, deformá-lo ao seu bel prazer. Acho isso certo? Jamais. Ninguém deve mudar ninguém.

Ana não conhecia brinquedos sexuais básicos do sexo baunilha (sexo tradicional, normalmente representado pela posição “papai e mamãe”) e muito menos os básicos do sadomasoquismo. Nunca se masturbou, nunca sentiu vontade de ir para cama com alguém, nunca teve sonhos eróticos. Sério?
Seria compreensível se alguma mulher com 21 anos não tivesse passado por UMA destas experiências, mas todas? Vai contra a lei da própria natureza e dos hormônios.

É preciso comprar a história, ter algum problema mental e nunca ter tido nenhum tipo de relação sexual ou saber sobre sexo na prática. Porque para quem tem algum conhecimento, as coisas ficam cansativas.
Assim como Meyer, James elimina qualquer obstáculo para que o casal fique junto, visto que resolvê-lo obrigaria a autora a pensar, aumentar a trama e talvez tomar outros rumos nela. Novamente uma escrita cômoda e preguiçosa de quem não quer desenvolver a história, apenas escrever sobre sexo.
Um dos exemplos é Kate, amiga de Ana que iria entrevistar Grey, ficar doente da noite para o dia, pedir para a sonsa ir no lugar dela e a garota sequer pesquisar sobre o homem na internet. Desculpa, mas ela teria tempo hábil sim para fazer isso. Partes forçadas sempre serão forçadas.

É risível quando a autora fala de cor de manifesto comunista, voz de caramelo derretido em chocolate, cinquenta sombras... Parece que ela quer tornar poético o que não tem talento para ser poético. Bons livros eróticos não ficam brincando de esconde-esconde e depois metem o dedo na sua cara. Eles são sinceros e trazem propostas limpas.
Se o livro fosse de época, todo o floreio usado teria um argumento forte para ser usado. Estamos em pleno século XXI e a autora realmente quer tapar a vagina com a peneira?

Se James queria dar um toque de romance de época, deveria ter freado um pouco esse “de repente estamos loucos um pelo outro”. Ela pecou pela imaturidade e por querer juntar duas coisas bastante diferentes em UMA SÓ TRAMA: o pudor dos romances antigos com a sacanagem escrachada da atualidade.

São poucas partes do livro que eu poderia ressaltar como... O termo “interessante” soaria inadequado, talvez “acima da mediocridade”. Uma delas é quando Grey vai até a loja onde Ana trabalha e compra materiais que, na cara, me disseram para o que serviriam. E quando vi as cordas pensei imediatamente em bondage (fetiche com amarração).
Outro trecho, desta vez genial, foi no momento em que a inexperiente entrevistadora perguntou se o jovem empresário era gay. Aquilo foi incrível. A pergunta e a reação de “Ops! Vou ser fatiada e aferventada em óleo quente pela heresia” valeu o primeiro capítulo.
A cobertura do bolo foi no final do livro quando... Bem, darei spoiler do final do livro, então por favor, pule o parágrafo com “[spoiler]” no início e seja feliz.
[spoiler]Ana pede para que Grey bata nela com força, do modo que o deixa excitado, o que realmente faz a jovem sentir dor. Depois de levar as palmadas mais ardidas de sua vida, ela se enfeza e resolve que não quer saber mais dele, indo embora e até mesmo o xingando, para depois chegar em casa e se abraçar ao balão de helicóptero que Grey a presenteou. Por Deus, esse livro me fez querer matar meu cérebro DE VERDADE.[/spoiler]

Fiquei com trauma de escrever sobre elevadores, visto que algumas cenas “quentes” rolaram dentro deles. É impressionante como ninguém se importa com câmeras de vigilância.
A autora provavelmente incluiu cenas nesse pequeno espaço por ser um dos mais conhecidos fetiches mundiais. Ponto para ela.

Os acontecimentos ocorrem com muita rapidez, sem aviso prévio, sem preparação. De repente estão todos reunidos, depois os dois estão ali no canto, depois temos mais três pessoas ali. Falta descrições em certos trechos e excesso em tantos outros.

Anastásia tem aquele negócio de “o único homem que me atraiu, o único que eu quero” e blá blá blá. As meninas quando se apaixonam acham que o primeiro será o único que irão querer, que será o mais perfeito e muitas vezes enfeitam algo que não está nem perto de ser bonito. É preciso aprender que cada um é cada um e que nenhum será perfeito, porque não existe ninguém perfeito.

O Contrato entre Dominador e Submissa
Ai, ai... Piadas. Vejo piadas por todos os lados quando se trata deste livro.
Um contrato cheio de regras que no final não tem valor legal.
Eu tomei a liberdade de copiar um trecho das minhas anotações de leitura com uma teoria interessante que se desmanchou quando eu descobri que a porcaria do contrato era inútil legalmente:

“Pelo pouco que conheço de sadomasoquismo, acho pouco crível esse negócio de contrato e blá blá blá, porque os praticantes normalmente têm parceiros que gostam da situação. Sei que o contrato tem sua razão, já que Grey é um empresário e caso esse tipo de informação vaze na mídia, ele poderia perder vários clientes, mas ainda assim, me soa forçado.
A autora se acha revolucionária em falar de sexo como ela acha que fala no livro, só que a existência de um contrato torna o seu argumento falho. No sexo não há regras, só acordos entre o casal no que deve ou não fazer. A existência de um papel determinando o que deve ser feito ou não, acho que amarra o sexo, na minha visão, o torna algo programado, rotineiro, sem graça, mesmo sendo com o tal do sadomasoquismo. Qualquer relacionamento taxado e colocado em um molde, fica cansativo e se torna falho.
Novamente, nada contra o que os casais em comum acordo resolvam fazer a quatro paredes, só acho que esse contrato não faz muito sentido. Me lembra um pouco o caso das mulheres que são espancadas pelos maridos, que depois pedem perdão e continuam a massacrá-las cada vez mais. Não sei quanto aos praticantes de sadomasoquismo e seus fetiches, mas acho que a visão mostrada aqui é depreciativa.
Pela prévia pesquisa de Anastásia, o contrato não tem valor legal, ou seja, CAIU POR TERRA A PORRA TODA QUE EU ‘DEFENDI’ NO CAPÍTULO ANTERIOR.”

Sadomasoquismo e sexo
Muitas pessoas têm comprado o livro, porque ele se vende como algo inovador ou até mesmo chocante para quem é conservador.
Isso é uma piada e uma piada com, infelizmente, bom marketing.

Lembrem-se: qualquer conteúdo com “sexo” instantaneamente se torna atraente, visto que ainda tratamos o tema como tabu, então há um gostinho de “proibido”.
Por trazer também um assunto com muito mais tabu, o livro se tornou um sucesso.

O sadomasoquismo ainda é (ou pelo menos era) marginalizado e, por favor, não me entendam mal por usar esse termo. Acontece que os mais conservadores o tratam com repugnância e como algo que “não é de Deus”, uma espécie de fetiche sujo, preferindo o nosso velho conhecido sexo baunilha (papai e mamãe).
É o mesmo olhar torto que os homossexuais recebem, já que o costume é julgar e repudiar o que é diferente, ignorando o fato de que o que um casal faz sexualmente entre quatro paredes não é da nossa conta.

Eu imaginei que o livro abordaria bem todos os lados do BDSM, porém só o que eu vi foram chicotes, algemas e “tortura de orgasmo”. Isso não é chocante, é normal.
Eu esperava por vômito, urina, fisting, alguém pendurado... A trama me mostrou o “papai e mamãe” do sadomasoquismo quando eu esperava algo mais do nível intermediário para o avançado.

Sobre as cenas de sexo... Bem, passei por duas situações ao lê-las: ou achava broxante ou achava vergonha alheia.
Broxante (e vergonha alheia também) por causa do que Grey falava durante a transa: “Oh, baby” e “Goze para mim”. Desculpa, eu ri nessas partes e achei um tanto cafona. Se você se excita com isso, boa sorte.
Se quiser se masturbar lendo o livro, acho perda de tempo e dinheiro. Há outros tipos de materiais bem mais eficientes.

Cinquenta Tons de Cinza é tachado como “pornô para mamães” e isso me faz pensar sobre algo preocupante: liberdade sexual.
Eu sei que existem muitas mulheres que ainda não atingiram o orgasmo e não sabem se dar prazer. Algumas são casadas, outras estão solteiras e cheias de gatos, outras tantas não conseguem manifestar suas vontades com o parceiro. Isso mostra o problema enorme que temos em mãos.
Muitas mulheres, após a leitura desse livro, se sentiram mais confiantes, testaram novidades com os companheiros ou começaram a se conhecer melhor. E isso me deixa realmente preocupada.

O que está faltando? Qual o problema das mulheres? Por que não atingem o orgasmo? Por que estão fazendo apenas as vontades dos parceiros? Por que esse livro abriu a mente delas? Sexta, no Globo Repórter!
Por causa dessas perguntas, eu resolvi que farei uma seção no site para falar com essas mulheres. Quero mostrá-las que não é necessário um livro tão fraco para que elas comecem a se movimentar e procurar sua felicidade (seja ela sexual ou não).
Ele se chamará Conversa Para Mulheres (e já tem textos lá).

Recomendo o livro?: Não. Há literatura erótica e/ou romântica mais interessante.
Lerei os outros livros da saga?: Não, já sofri demais lendo e resenhando essa coisa.

E agora fiquem com um surto meu que está nas anotações que escrevi enquanto lia o livro.

“AEEEEEEEEEEEEEEEEEE! CHRISTIAN GREY NA LOJA EM QUE A GAROTA TRABALHA! VEM, GENTE, VAMOS TODOS BATER A CABEÇA NA PAREDE ATÉ QUE NOSSOS CRÂNIOS SE ESFACELEM, NOSSO CÉREBRO SE TORNE UMA MISTURA DE MIOLOS E NOSSO SANGUE JORRE POR TODOS OS LADOS! MANO, COMO EU SOU FODA DESCREVENDO ISSO. ACHO QUE ME APAIXONEI PELA MINHA DESCRIÇÃO MACABRA! POSSO CASAR COM A PAREDE?”

Minha sanidade nunca mais será a mesma. Espero ter salvo a de vocês.

Fiquem de olho! A próxima resenha será de um livro muito mais interessante que os dois primeiros que resenhei! Vem aí A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr em algum mês de algum ano que vem, porque eu preciso recuperar meu cérebro.

Por Kimono Vermelho (05/12/2012)

21 comentários:

  1. Sinceramente, Kim? Seu texto está maravilhoso.

    Porque eu não li 50 Tons. Li trechos. E acreditem, já li fanfictions muito melhores, me pergunto qual o problema do editor dessa porra. Por tanto vou me concentrar naquilo que tenho embasamento para argumentar.

    Crepúsculo. Ok, é uma babaquice, mas só porque JacobxBellaxEdward é algo tosco e pra mim inaceitável, justificativas para adolescentes imaturas que tem a ousadia de dizer que sabem o que é amor. Porque as histórias paralelas no 3º e 4º livro são realmente interessantes! Os personagens secundários são muito carismáticos e bem ou mal, não é o que eu poderia chamar de mal escrito. É só... Infeliz.

    O que realmente me assusta é a questão do merchandising da série, como e porque eles vendem... E o posterior, as mulheres lendo, gostando e desejando para si um Grey. Assim, o Edward tem todas aquelas características do amor romântico (IRRITANTE!), por mais q ele dê suas escorregadas (que as garotas tomam por falhas que elas podem concertar -?????-) tipo abandonar a Bella e etc, ele ainda se encaixa em um perfil amplamente valorizado pela nossa cultura. Mas... Alguém que abusa? Alguém que bate em alguém que NÃO É MASOQUISTA (como podemos ver claramente no trecho de spoiler que você postou)? Algo está errado.

    Duvido que 1/3 das mulheres que estão lendo isso agora sejam realmente adeptas do SM. Tudo isso é repressão??? Em pleno Brasil do século 21? Está muito errado.

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    1. Eu também quero entender o que o editor que publicou essa história tinha na cabeça.
      Estamos falando dos personagens secundários de Crepúsculo, certo? Eles são fantásticos! Já os personagens secundários de 50 Tons...
      Quanto ao "bater", a culpa também é de Ana que pediu, ela ousou pedir para apanhar do jeito que o Grey realmente gosta. Ela poderia não ter feito isso.
      Grey virou modelo de desejo por ser RICO, bonito, insaciável na cama e "safadinho" que gosta de algo além do sexo tido como normal pela sociedade. Essa é a visão que as mulheres têm dele.
      Sim, acredite, as mulheres de todo o mundo estão lendo e achando o livro afrodisíaco. Sim, ainda não houve a libertação sexual completa.
      Obrigada pelo comentário!

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  2. Saudações


    Nunca li tal livro. Outrora, li a review/análise da Lú no blog [Calibre Cultural] e, agora, sacio a minha vontade de semanas atrás com esta sua análise do livro, Red Kim.

    Me surpreender? Em nenhum momento me senti assim, até porque tu deixaste muito clara as suas impressões sobre esta obra no Twitter. Ou seja, a tendência de aparecer algum "desavisado" aqui é pequena...^^

    Agora, acho que foste muito [gentil] e [branda] em cada palavra e linha de seu texto. Julgando unicamente o seu ódio sobre o livro, posso lhe assegurar que eu esperava um texto mais forrado de "haterismo" (aspas compreensíveis) e lotado de termos mais baixos. Mas aí você me surpreendeu...

    Colocaste aqui o que pensaras sobre [50 Tons de Cinza] mas de uma forma mais profissional, digna de uma pessoa que anseia em ser escritora. Não que eu fosse te julgar mal em outra circunstância (pois não o faria), mas aqui você se sobressaiu, Red Kim.^^

    Julgando as duas análises que li, parece que este livro realmente não consegue ser atrativo, nem ao menos chamar a atenção positivamente ele tenta. Por tais palavras, [50 Tons de Cinza] parece buscar "ser algo que não tem como ser", um tipo de status no meio literário...

    Só uma coisa para acrescentar aqui, jovem amiga: não acho que devas se sentir assim por causa de um livro. Nestas horas, as palavras da jovem Mazaki (durante o encontro de blogueiros em Porto Alegre) contam muito: "um bom escritor lê aquilo que vai além de sua zona de conforto". Em outras palavras, busca se fazer presente mesmo em ambientes com os quais não combina ou não se faz acostumar com facilidade.^^ Tu arriscaste, e tem de se sentir feliz por isto, isto sim...

    Talvez eu leia, algum dia, este livro. Antes, deverei terminar um chamado 2012, que está sendo muito de meu apreço.

    Ótimo texto, Red Kim.^^


    Até mais!

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    1. Aliás, quero pedir desculpas por ter demorado tanto para terminá-la.
      Acredite que foi necessária muito força de vontade para não escrever apenas palavrões sobre esse livro. Nunca me irritei tanto.
      O livro só se tornou atrativo para as vendas, porque tinha sexo como temática e se vendia como algo fabuloso, que infelizmente conseguiu angariar mulheres reprimidas sexualmente ou com uma falta de criatividade para renovar o relacionamento.
      Mazaki gênia. Ela merecia um prêmio por sempre ter frases fantásticas na ponta da língua.
      Obrigada pelo comentário! ^^/

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    2. Saudações

      Deveras, a Mazaki é uma amiga que tem meu respeito de longa data... Sempre confiei em tal frase, mas ouvi-la de outra pessoa, que não apenas acredita como a pratica, é sempre muito bem-vindo.
      E quanto à sua resenha do livro, bom, o sentimento negativo fica na mente. Você não ficou em paz com a leitura, mas é isso que engrandece "o todo".

      Já li várias obras que não gostei. Mas seguir em frente é sempre preciso e muito válido. Red Kim, acredito humildemente que poderás ir muito mais além em suas propostas de escritas.

      Para finalizar, não precisas se desculpar. Está tudo ok, tenha plena convicção disto.^^


      Até mais!

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    3. Obrigada pelo comentário, conselho e apoio! o/

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  3. Essa Kimono Vermelho tá muito Kimono Rosa-Bebê, nem teve metade da rage que eu vi no twitter enquanto ela cumpria o martírio de ler esse livro, rs

    Mas você foi extremamente... profissional. Falou mal mas falou bonito, não sei se eu me seguraria assim!

    Por mais raiva que eu tenha desse livro, não posso falar muito sobre ele porque não o li - e espero não lê-lo nunca. Os trechos que tive o desprazer de ler já foram suficientes para me fazer ter vontade de queimar cada exemplar que vejo na minha frente; quem sabe as mulheres ficam mais inteligentes se não lerem... esse troço.

    Faço coro com você quando você cita as revistas femininas e suas receitas infalíveis, como "prender um homem" e "enlouquecê-lo na cama". Esse livro nada mais é que essas dicas em formato brochura. E o que me entristece é ver que as mulheres acham isso o máximo - tanto nas revistas quanto nos livros - quando na verdade elas estão sendo doutrinadas a fazerem tudo pelos homens e nada por elas. E pior, nada disso te garante um cara legal no final das contas.
    Mas elas continuam achando que com as dicas de maquiagem, vestimentas (tudo de marcas caríssimas) sedução, sexo e afins, elas irão conseguir o homem dos sonhos. Isso quando não se sentem as rainhas do sadomasô e do sexo livre só porque leram 50 tons de... deixa pra lá.
    (sintoma comum à quem lê fanfic hentai e se acha a rainha da luxúria só porque... leu!)

    Enfim, isso me deixa claro uma coisa: as mulheres estão carentes DEMAIS! Acho que boa parte da culpa é da mídia que vende essa imagem de mulheres "bem sucedidas, lindas, magras, cheias de dinheiro e com vida sexual maravilhosa"; e aí nem "100 tons de amarelo flúor com animal print" pra dar jeito nelas.

    AUTO-ESTIMA MULHERADA, PLMDDS!

    (nem sei se tudo isso fez sentido, mas 50 tons desperta meus instintos mais primitivos, lol)

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    1. Ai, Hakeru, não sabe como tive que me segurar para não escrever só palavrão nessa resenha... Por isso ela demorou para sair. XD
      Awn seu rage... Nós somos as maiores haters desse livro no Brasil, tenha certeza!
      Gostei bastante do seu comentário, porque você acabou citando mais coisas do que eu tinha proposto para comentar em uma nova seção do site.
      Obrigada pelo comentário! \o/

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  4. Cara Kim. Só posso agradecer por ler algo tão bem escrito. Mesmo no rage você conseguiu manter argumentos coerentes, não fazer-nos hatear apenas pelo hate, mas nos mostrar onde está errado e o que poderia melhorar, e até como se tornaria interessante, mas o mais surpreendente: tinha certo potencial.

    Você conseguiu escrever de forma a mostrar que não é uma bosta completa e manteve o leitor informado de que "sim, é uma merda, mas teve (poucas) coisas interessantes."

    Eu me peguei pensando, em certas partes "quando lia sobre crepúsculo falava q é uma merda lixoza" e julgava qualquer um que lia. Mas no seu texto não me senti assim. Senti que você expôs de forma correta, coeza e ainda assim mostrando a sua revolta (pq pqp né, como não se revoltar) e indignação (idem do parágrafo anterior). Ri em alguns momentos, captei argumentos em outros.

    Enfim, achei excelentemente escrita, e gostaria de dizer novamente que adoro seus textos e sua maneira de escrever
    - Nachozcaoticus

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    1. Já quanto ao livro, por ser ainda jovem (e virjem, prontofalei) eu não saberia comentar sobre as mulheres de hoje em dia. Mas me pareceu um livro que eu teria um ódio massivamente gigantesco. Personagens desinteressantes e contraditórias pra mim são o pior pecado de um escritor.

      Já vi várias obras tratarem BSDM e Sadomaso em geral de forma interessantíssima, sem exagerar ou tentar apelar, ganhar status ou quaisquer que fossem as intenções de E.L. James.

      Não posso comentar muito, já que não li o livro. Mas por sua análise podemos ter uma ideia boa de como é.

      Você, porém, tem que ter orgulho desse post. Eu ao ver suas reclamações no twitter não esperava algo assim. Foi uma análise de escritora para uma obra, e eu, como aspirante a autor fiquei maravilhado. Como eu já disse antes, você mandou muito bem nesse texto. Portanto tenha orgulho desse post, ainda que o livro seja uma merda!
      -Nachozcaoticus

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    2. Obrigada pelos comentários!
      Pois é, e saiba que custou muito para eu não descer ao mais baixo nível de educação.
      É como entrar em uma briga. Não importa quem começou a dar a porrada, se você não expõe argumentos e só fica no tapa, você tem mais chances de ser tido também como culpado e não ser mais levado a sério. Foi assim que levei a resenha para frente, afinal, se este post for encontrado por um fã de 50 Tons, eu tenho moral para bater de frente com ele. XD

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  5. Bem, Kim, como já disse no twitter, achei a resenha maravilhosa, bem escrita, coerente... e feita pela cabeça de uma pessoa que sabe o que é sexo e eroticismo bom, coisa que a autora de 50 tons não deve ter jamais explorado.

    Agora que já elogiei, vamos aos comentários em profundidade... Colarei trechos da resenha aqui e meus comentários sobre!

    "Enquanto eu lia a trama, me perguntava como deveria escrever a resenha e nunca cheguei à conclusão.
    “Eu deveria soltar o RAGE e chutar o pau da barraca?”
    “Eu deveria segurar o RAGE e expor os argumentos de forma fria?”
    Eu não sou uma barata, eu tenho sangue quente."

    Acho que frieza requeriria que o livro em si fosse frio. Tratando-se de um... *coff* romance *coff* ... Essa putaria mal-escrita quer tentar causar emoções. E consegue, considerando a grande revulsa que se torna aparente na sua resenha. Acho que uma resenha fria seria melhor como um ataque pessoal à escritora, não como realmente *impressões* que o livro causa.

    "Temos brigas de quem vai desligar o telefone ou parar de mandar e-mail primeiro, protagonista bonitão com pênis enorme (como se tamanho fosse importante), protagonista puritana que faz loucuras na cama..."

    Eu até poderia deixar passar esse parágrafo, mas acho que ele exemplifica toda a incapacidade de se lidar com clichê que autores novatos (tipo eu) possuem. Clichês existem por um motivo, e bem-trabalhados, seja disfarçando, brincando com, ou aplicando de forma inusitada, criam uma zona de conforto e um ponto de partida pra muita coisa. Jogados descaradamente sem qualquer pensamento em uma folha de papel, fica aquela coisa do 'já vi milhares de vezes, o que a foda torna esse clichê tão mais especial?'

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    1. Legal. Gostei de você pegar os parágrafos e comentá-los separadamente.
      Bem, E.L. James é o que chamamos de fanfiqueira. Ela jamais deveria ter saído dos sites de fanfics, já que não é uma escritora de verdade, é uma amadora que fazia aquilo por hobby.
      Eu acho que os clichês devem ser usados sim, mas com cuidado e sem exagero. A autora sequer quis torná-los mais atrativos, apenas jogou na nossa cara o que estamos cansados de ver por aí.
      Obrigada pelo comentário!

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  6. "O que dizer da cena de sexo oral? A virgem que nunca se masturbou, nunca teve sonhos eróticos (nem sabia que podia ter um orgasmo com eles) e tinha acabado de tomar o café da manhã, fez o oral mais perfeito da vida de Sr. Grey. E ainda falando que aquele era o seu momento com o picolé sabor Christian Grey.
    O que vocês esperam da minha sanidade agora?"

    Sinceramente, você destruiu a minha com esse parágrafo, e eu ainda continuei lendo. Lógica? Coerência? Céus, nem mesmo diálogo que poderia pelo menos fingir que essa autora já chupou algúem na vida dava pra fazer uma vez que fosse? É irreal que um homem que fosse pra ser tão experiente quanto Grey não tivesse tido mil mulheres melhores antes dela. Muito menos que ela realmente conseguisse fazer bem de primeira. Ningúem nasce sabendo trepar! Uma cena realista acabaria até sendo mais exictante, talvez por pura ironia de estar contida em 50 tons de cinza.

    "Há tantos absurdos nesta personagem que você não sabe se está imaginando coisas ou se a autora está tirando sarro da sua cara; principalmente quando Ana morde incontáveis vezes o lábio e isso excita o insaciável macho alfa da obra."

    Eu poderia escrever três parágrafos sobre o quanto isso provavelmente foi irônico e o caralho a 4, mas sejamos sinceros... pelo resto da resenha, a única coisa que eu posso realmente dizer é que a sra E.L. deve ter chifres quilométricos, porque se ela acha que morder os lábios excita...

    "Na minha concepção, o que um casal faz a quatro paredes é problema exclusivamente dele, desde que ambas as partes estejam de acordo. Ou seja, se eles gostam de sadomasoquismo, que continuem e não parem por pressão social ou familiar. No sexo, vale tudo quando os dois concordam."

    Nada a ver com o livro em si, comentar esse parágrafo, mas é por falta de pessoas que pensam assim que o "moralismo" ainda influencia tanta decisão política. É entristecente que, quando o assunto é prazer, só dá tabu, mas guerra, sangue e morte são exaltados. Isso sim é coisa que devia ser escondida entre quatro paredes.

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    1. Exatamente! Não existe lógica no livro! Ele só segue as vontades reprimidas de sua autora. Não é real e é impossível de crer se você tem alguma maturidade sexual.
      As pessoas ainda são reprimidas sexualmente por uma série de fatores que pode ser desde a criação familiar até os dogmas da sua religião. É esquecido que o sexo faz bem para a saúde e não é "sujo", é uma forma de diversão e de desanuviar a mente depois de um dia cansativo de trabalho ou coisa do tipo.
      Obrigada pelo comentário!

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  7. "Edward Cullen me irritava com suas mudanças bruscas de humor, já Grey... Bem, ele é cafona.
    “Goze para mim, baby” – É uma das coisas mais broxantes que um homem pode dizer a uma mulher durante o ato sexual e eu tive que ler essa frase inúmeras vezes.
    A cereja do bolo é quando ele pergunta se a transa foi boa. Mais risível que isso, só um show de stand up comedy."

    O livro foi bom, baby?

    "Eu gostava no início da trama quando o protagonista tinha suas nuances de arrogância, prepotência e tirava sarro com a cara de Anastásia durante a entrevista. Ele tinha potencial para ser um personagem incrível e, que assim como tudo neste livro, se perdeu em algum lugar e ficou temeroso."

    Sim, são exatamente esse tipo de falhas que criam um personagem relacionável e interessante. É preciso, em algum momento, demonstrar algo que humaniza a pessoa, o deixa imperfeito, tal como nós. Se ele mantivesse essas atitudes, tratasse Ana com certo desprezo e superioridade, talvez fosse mais interessante. Algúem que se precisasse tolerar, algúem que tivesse defeitos a serem enfrentados, desenvolvidos... algúem que o leitor poderia ser, ou conhecer. Ao invés disso, toda sua imagem de top alfa macho tem o mesmo destino que as páginas do livro deveriam ter... a privada, manchados de bosta.

    "E ele não faz amor, fode com força. Palavras do próprio."

    Quem fode com força sou eu, comentarista virgem. Porque a foda é impossível fazer sexo carnal e com vontade e fazer amor ao mesmo tempo? É impossível nutrir sentimentos carinhosos e misturar prazer e romance com vigorosidade e prazer mútuo? Com risco de soar como um romântico incurável, seu coração tem plena capacidade de sentir amor romântico e bombear sangue pro seu pênis... o corpo aguenta, não vai faltar do sumo da vida.

    "E.L. James disse que queria escrever conteúdo erótico, mas sem ser vulgar e, portanto, acabou omitindo os nomes reais das áreas genitais dos protagonistas. Vagina virou vértice ou lá. Ânus também era lá ou sul. Pênis virou membro.
    Eu compreenderia melhor o uso dos termos, se o livro fosse de época, o que não é o caso.
    Outra coisa, sexo não é vulgar. A própria autora é preconceituosa. Fica com vergonha e pede para que os filhos não leiam seus livros...
    Olha, eu só vejo uma senhora, com libido reprimida e que teve a oportunidade de fazer com que seus desejos contidos ficassem expostos em um livro, usando a máscara dos protagonistas."

    É basicamente a impressão que tive do livro desde que ouvi falar dele, então obrigado por escrever isso de forma muito melhor do que eu jamais conseguiria.

    "Um dos exemplos é Kate, amiga de Ana que iria entrevistar Grey, ficar doente da noite para o dia, pedir para a sonsa ir no lugar dela e a garota sequer pesquisar sobre o homem na internet. Desculpa, mas ela teria tempo hábil sim para fazer isso. Partes forçadas sempre serão forçadas."

    Aqui eu discordo... simplesmente porque eu faria o mesmo. É um dispositivo literário forçado? Sim, concordo plenamente. Mas é um que eu sou plenamente capaz de acreditar.

    "Estamos em pleno século XXI e a autora realmente quer tapar a vagina com a peneira?"

    Repetindo o que twittei sobre isso com mais palavras: Se fazê-lo penetrá-la através de uma peneira fosse apresentado como fetiche, eu ganharia respeito pela autora. Agora tapar a vagina com a peneira por... não sei, vamos chamar de pudor, porque eu preciso manter algum nível, é desprezível quando a proposta apresentada é erotismo. Quem quer erotismo sabe o que é sexo, nomes de coisas, tem alguma idéia do que consiste material excitante... E quem se excita com 50 tons precisa urgentemente aprender o que é um orgasmo.

    No final, o que posso dizer é que sua resenha ressalta o que é realemnte preocupante: Cara, cadê o pornô bom?

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    1. O livro não foi bom, baby.
      Bem, a tentativa da autora em tornar Grey menos "perfeito" é tornar seu passado sombrio. Bem, não sei se sou insensível, mas não senti pena pelo passado dele.
      E.L. James tentou tornar o personagem atrevido, então ele não faz amor ou sexo, ele fode com força. Um tanto estúpido.
      Traduzindo: escrevi de forma educada, quando na verdade todos queríamos xingá-la até o talo.
      Bem, isso é pessoal. Eu teria corrido atrás das informações sobre o entrevistado, mas novamente esta seria EU.
      Sim, ela tentou manter pudor em algo que não necessita de pudor e nem deve ter! Por isso que eu disse que ela é preconceituosa.
      Existem livros pornôs e com conteúdos eróticos muito mais satisfatórios que esta fanfic vestida de "livro".
      Obrigada pelos comentários! o/

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  8. Wow! Muito bom! ^-^v Amei sua "resenha", perfeita.

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  9. Vamos por partes...

    Li toda a trilogia, sem ter noção da história, só achei o título interessante. A história é ruim mesmo,mas, acredite: dá uma melhorada nos dois livros seguintes, apesar dos clichês tipicamente norte-americanos e as cenas de sexo dão uma bela diminuída, focando mais na relação da Ana com o Christian. Me afeiçoei com a Ana, pode acreditar e só continuei porque queria saber até onde iria a relação deles. Tenho uma certa afeição a personagens estabanadas e de pensamentos sonhadores.
    Claro que a Saga Crepúsculo é bem melhor, tenho os livros e li a todos, só não gostei do final: simples demais pro meu gosto, depois de tudo que houve na trama... Não dá pra esperar muito em Literatura Norte-Americana, parte das obras é bem sem sal, só os clássicos e algumas obras recentes salvam a pátria.

    Pra constar: quem escreve é a que comenta as postagens do "Magic Kaito 1412" e que gosta de ler. Até mais!!!

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    1. Olá... Conan Fangirl? Kaito fangirl? Aoyama Fangirl?

      Nada contra gostos particulares por personagens, eu também tenho os tipos que mais curto e os que preferia ver mortos, até aí acho que nada de mais, né?

      Obrigada pelo comentário!

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