quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Patriotismo barato"

Adoro gente que mete o nariz no assunto alheio sem saber o que estava acontecendo antes, chega com quatro pedras na mão e quer se fazer o dono da situação.
Educação - Este país precisa com urgência!

#OiOiOi
O Twitter é o lugar onde as coisas ruins costumam acontecer, seja o Bruno Mazzeo não falando bem da banda Ultraje ao Rigor, seja o Ed Motta dizendo que São Paulo tem que se separar do Brasil ou a polêmica da menina que sentou na linguiça do churrasco.
"Ai, mas também acontecem coisas boas no Twitter" - Se você pensou nisso ou se indignou, sinto muito, mas não vai entender o teor do post.

Isso aconteceu comigo sobre patriotismo, só que pode acontecer com você sobre ateísmo, sobre vegetarianos ou Testemunhas de Jeová.
Acho muito perigoso quando as pessoas se intrometem em conversas que estão no meio de algo que, se não for analisado como um todo, pode ser ofensivo ou imbecil.

Estou lá no meu segundo perfil comentando sobre o programa Encontro com Fátima Bernardes (TV Globo) do dia 05/11/2012 que teve como uma de suas pautas, os otakus. O termo aqui no Brasil significa fã de anime, mangá e cultura japonesa, numa explicação simples. No Japão, tem uma conotação mais pejorativa e se refere a qualquer tipo de "viciado".

Um dos meus seguidores começou a comentar também sobre o programa e acabou dizendo que a cultura do Japão é melhor.

Para que você leitor entenda a continuação do post, é preciso explicar como alguns otakus ou pessoas que simplesmente adoram a cultura japonesa, vêem o país asiático.
Normalmente acham que o Japão é um país perfeito, cheio de garotas iguais as dos mangás (revistas em quadrinhos), que as escolas são um primor (como se não existisse bullying), que todos são mais educados, mais gentis, mais kawaii desu ne (fofo).
O Japão, assim como qualquer outro país no mundo, INCLUSIVE O BRASIL, tem problemas e não é perfeito como os fãs "cegos" pensam. E assim como qualquer lugar, tem preconceitos. Sei do que estou falando porque sou de família japonesa, tenho parentes e amigos lá.

Não acho a cultura japonesa melhor que a brasileira, isso é questão de gosto, contudo, a mentalidade leviana de achar que o Brasil é lixo e o resto do mundo é lindo, me preocupa.

Pronto, agora que estão à par desse detalhe, vamos continuar...

No Twitter, fiz um discurso apaixonado, um tanto exagerado e voltado mais para o humor do que para a seriedade, porque se for para falar sério é melhor se preparar.

Acabei sendo retweetada e gerei uma polêmica que, sinceramente, foi desnecessária, a não ser que estivesse a fim de brigar (oba, sangue!).

Um rapaz que não me segue, não leu os tweets anteriores, não me conhece e não sabe reconhecer uma brincadeira a não ser que tenha um #brinks no final, veio... Discutir não seria o termo, talvez debater.

Eu costumo responder à altura e nos primeiros tweets dele, eu não estava o levando a sério. Pensei que só eram respostas tortas de "mimimi prefiro o estrangeiro, porque o nosso país é ruim".
Fui tratada como se tivesse cinco anos de idade e pensasse que o mundo ainda era a Pangéia.

Argumentou do mesmo jeito que um cachorro corre atrás do rabo, porque eu concordei com boa parte do que ele disse, de que não é normal o que acontece no Brasil e de que temos problemas aqui SIM.

Ficou visivelmente irritado com o meu "Se você não gosta do Brasil, SAIA DAQUI!". Sabe, eu costumo zoar os amigos com algo parecido, trocando a primeira frase por "noob" (novato). Ou seja, não viu o teor da conversa, pegou meus outros tweets alheios como ataques diretos e no fim... Ainda me rendeu um novo post para o site e coragem para falar de algo que há muito tempo gostaria de discutir, mas me policiava.

O nome do rapaz? O nome não é importante para este post e sim o comportamento deleHoje foi ele, amanhã pode ser o "Gustavo", o "André" e isso também pode acontecer com você.
Porém se a curiosidade é igual a de quem assiste final de novela, stalkeie meu outro perfil @AsamiyaZaoldyec.

E D. Pedro I gritou "ESSA DOR DE BARRIGA AINDA ME MATA!"
Corte de sua mente os parágrafos anteriores, porque aqui não tem indireta para ninguém.

Eu gosto do meu país, ele tem problemas sim e alguns são muito piores do que de outros lugares, só que nem por isso preciso afundar a cara dele na lama.

Aqui no Brasil, se você disser que gosta do país ou que é patriota, muitos irão rir. Engraçado é que ninguém costuma rir do patriotismo dos estadunidenses (americanos, caso você seja fresco), do fervor com que alguns falam dele e se orgulham de morar. É algo embutido na educação lá.

Patriota, segundo o dicionário, é pessoa que ama a pátria e procura servi-la. Não vi nenhum adendo sobre fechar os olhos para os erros.
Isso também é de educação, já que no Brasil nós costumamos reclamar demais e fazer de menos.

A base dos problemas aqui é a educação, porque a falta dela desencadeia problemas maiores que consomem e corroem o resto.

Nós precisamos, ANTES DE TUDO, nos reeducar e educar os que estão próximos.
Homossexuais não são aberrações só porque têm uma opção diferente da sua e podem vestir roupas que não são "comuns" na sua concepção. Negros não são todos ladrões, sujos e ignorantes. Nem todo gordo é assim porque se entope de comida.
Preconceito pode ser corrigido com educação.
Ajudar o próximo, como um idoso que quer subir no ônibus e tem problema de locomoção, como um portador de deficiência física que às vezes precisa de auxílio.
São pequenas coisas que parecem não ter relação nenhuma com os problemas que enfrentamos, no entanto, têm.

Um menino de periferia que pode entrar no tráfico de drogas, nem sempre nasceu com "alma de bandido", alguns apenas desejavam ter uma mochila da moda, um tênis de marca, um boné legal.

Eu citei um pedacinho do iceberg, pois poderia ficar aqui até o próximo milênio comentando tudo o que precisa ser feito. 

Antes de querermos qualquer mudança, é preciso ter educação e como disse a Lilian Mazaki, pensar "fora da caixa". Se tivermos educação, podemos cobrar, podemos criar novos políticos e elege-los. É só o povo movimentar a bundinha gorda e começar.

"Mimimi muita utopia" - Como eu disse, reclamar é fácil. Resolver problemas... Isso infelizmente ainda é para poucos.

Se estou esperando uma mobilização instantânea? Não, mas eu estou fazendo a minha parte e sigo feliz sendo assim. É aquilo de "se cada um fizer sua parte..."
Brasileiro, pare de preguiça, de "não vai dar certo", apenas tente. Perde seu tempo com final de novela e Copa do Mundo. "Perca" seu tempo melhorando o local em que vive ou, se for sua vontade, vá para países melhores e descubra A RAZÃO de serem melhores. Estude a população, a cultura e a educação.

Temos a faca e o queijo na mão. Eu já estou fatiando o meu.

#TchauTchauTchau
Eu sempre evitei falar sobre isso ou sobre política, porque não é algo que eu queria me envolver e parecer aqueles militantes chatos.
Culpem o rapaz do Twitter por esse post e desabafo.
Se bem que este site um dia teria que falar sério.

Por Kimono Vermelho (07/11/2012)

2 comentários:

  1. Saudações

    Posso me sentir um tanto culpado pelo ocorrido? Não devo ter sido o único, mas retwittei as suas falas e favoritei outras sobre o patriotismo que tens, do qual concordo plenamente em suas vertentes, sem nunca imaginar que acarretaria em uma discussão como a do dia em questão no Twitter. Peço desculpas, humildemente...

    Quanto ao post em si, os problemas que citaste não se aplicam unicamente ao povo brasileiro, mas este é o foco da questão. Se fosse de minha vontade, eu poderia aqui citar vários pontos positivos e outros tantos negativos de nosso País. Contudo, posso assegurar-te que procuro separar ao máximo as situações pertinentes, sobre o Brasil e o mundo, e por tal razão o seu patriotismo é por minha parte compartilhado, Kimono Vermelho.

    Não vou alargar aqui uma questão da qual gostarei de tratar em uma futura (e certa) oportunidade em um de meus blogs. Só venho aqui exclamar que, muito embora o brasileiro possua em boa parte um "falso patriotismo" (reluzente como o Sol apenas em épocas esportivas ou determinados eventos), fico feliz em ressaltar que procuro de pouco em pouco fazer a minha parte e, quem sabe um dia, eu consiga "contaminar" um pouco as pessoas a minha volta no convite a troca de ideias sobre o assunto.

    No outro escopo, ao qual bem me recordo, a frase citada pela Lilian Mazaki vem muito bem à calhar na proposta dos mais diferentes nichos/culturas/hobbies. Ficar fixado à uma área apenas restringe demais o campo visual de uma pessoa, no que tange à cultura que a mesma poderia adquirir entre outras características de importância...

    No meu caso, gostar da cultura japonesa é um de meus hobbies que tanto admiro. Falar da busologia (a fina arte de estudar e gostar de ônibus), da numismática (o ganho cultural que se pode obter ao colecionar cédulas e moedas é imenso), da escrita e da leitura é algo que muito me alegra e me impulsiona para seguir em frente. As pessoas deveriam sim procurar outras vertentes de leitura, descanso e prazer pessoal.

    Otaku para mim é uma palavra pejorativa. Não me considero um e nem assim gostaria de ser rotulado. Gosto de animes, mangás e da cultura japonesa em geral, mas daí a ser chamado de [otaku] é um caminho pelo qual não quero percorrer nem sequer transpassar...^^

    Sim, a frase da Mazaki caiu muito bem...

    Kimono Vermelho, foi um post muito interessante este. Espero que mais pessoas possam lê-lo e trocar opiniões sucintas à respeito da temática aqui proposta.

    Até mais!

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    Respostas
    1. Olha, não dá para dizer que você foi o culpado, porque mais gente deu RT naquelas mensagens.
      Gostei muito do seu comentário e não se acanhe, eu gosto mesmo é de comentários grandes. ^^
      Obrigada! o/

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