segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Espanando a poeira: Fanfics

Se você não viu o primeiro "Espanando a Poeira", migre sua visita para Colunista Fuleira.


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Não tem coisa pior para se ganhar de aniversário do que livros, ainda mais quando você é criança. Eu provavelmente já comentei isso em algum post antigo do site e nada do que vocês disserem irá mudar a minha ideia sobre isso.


Criança gosta de brinquedo. E se existir alguma que troque brinquedo por livro, fique de olho, pois ela tem chance de: ficar famosa mais tarde ou ter algum problema mental.
Eu sei que isso soa como uma piada de mau gosto, já que vem de uma pessoa que se diz escritora, mas eu acho que não se deve impor um gosto a alguém.
O legal da leitura é que ela seja procurada pela vontade própria de um indivíduo e não porque a tia acha que é bom a criança começar a ler.
Esse é meu pensamento e vocês não têm que concordar.

De todos os livros que ganhei quando criança, eu li no máximo 1. Os que a escola tentou me obrigar a ler quando criança, eu li no máximo 2.

Um livro, na minha concepção, deve ser desafiador, deve me chamar para a briga, tem que me seduzir... Sem isso, ele pode ser um best seller, que não irá me atrair.

Foi aos 11 ou 12 anos que fui apresentada a um livro que realmente conseguiu chamar a minha atenção (você pode saber mais sobre essa história e outras no Diários de Uma Escritora).
Podem odiar, podem amar, só que eu nunca terei vergonha de dizer que o primeiro livro realmente interessante que li foi Harry Potter (J.K. Rowling).

Como eu tenho a sadia mania de pesquisar sobre as coisas que eu gosto, acabei descobrindo umas tais histórias escritas por fãs sobre a obra. Fui me interessando, lendo algumas coisas boas e... Eis que tive a brilhante ideia de escrever também.
Podem rir. Vamos, não se intimidem!!! Riam bem alto!
Minhas histórias eram tão patéticas que se as transformassem num livro, venderiam feito água com o título 50 Tons da Cicatriz.
Certo, piada idiota feita, vamos falar sobre essa fase intrigante.

Fanfics e seus tempos... Áureos? Tem certeza?
Agora que 50 Tons de Cinza (E.L. James) virou moda e todos ficaram sabendo que era uma fanfic de Crepúsculo (Stephenie Meyer), as fanfics começaram a ser olhadas de modo diferente em vários sentidos.

Ah, não conhece esse termo? Sorte sua.
Fanfic (fan fiction): pela tradução literal é ficção do fã, portanto, nada tem a ver com a explicação escrota de alguns sites e revistas de que seria uma história própria, mas que não foi publicada por alguma editora.
Fanfics são histórias escritas por fãs sobre sua obra preferida (série, anime, mangá, livro, jogo, etc) ou incluindo pessoas famosas em situações que acontecem apenas na cabeça dos autores. Exemplo: O namoro do cantor Daniel com a cantora Joelma. Eu sei. Exemplo tenso.

Muito bem, explicações decentes finalmente dadas, voltemos ao assunto principal.

Eu sempre fui de escrever bobagens quando era pequena, sejam poemas ou histórias sem pé nem cabeça, só que com o interesse crescente em Harry Potter, resolvi escrever sobre ele.
Se pensa que eu era uma ótima escritora, acabou de dar com a cara no chão. O português era MUITO pior do que o atual, as OC's eram Mary Sue's e eu não tinha nenhum comprometimento severo com os personagens do livro.
A trama era pobre, imediatista, sem riqueza de detalhes. Não é à toa que meus textos raramente recebiam comentários e visualizações.

Se perdeu com os novos termos? Sem problema. Façamos uma paradinha para o dicionário e então seguiremos.
OC: Original Character. É um personagem que você mesmo cria para aquela história, ou seja, ele não existe na obra original.
Mary Sue: Garota perfeita, normalmente namorada do protagonista e costuma também ser a heroína. A versão masculina se chama Joe Sue.

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A minha primeira fanfic de Harry Potter contava a troca de cartas entre ele e uma amiga, por acaso, a filha de Voldemort. Sim, eu queria ver desgraça.
Imagina Voldemort saber que a filha arrasta as asinhas para o seu pior inimigo e tem a recíproca do jovem? Pobre coitado.

Com o tempo e com as beta readers (pessoas que entendem mais de português e trama do que você) me ajudando, eu melhorei um pouco o nível.
O principal motivo para não evoluir era a corda bamba. Eu vivia na corda bamba.
Os três primeiros capítulos saíam praticamente um atrás do outro e o quarto apenas um mês depois. Não sou uma pessoa disciplinada e já sofri demais tentando me enfiar em um modelo que funciona só com os outros. A partir do meu amadurecimento como pessoa percebi que eu preciso encontrar meu próprio caminho se quiser que as coisas funcionem.

Saibam que já é um milagre eu manter os Diários de Uma Escritora mensais e atualizações semanais neste site.

Eu já cheguei a fazer fanfic de Sakura Card Captors (CLAMP) antes mesmo de saber que eram fanfics.

Depois de me sentir incompleta escrevendo sobre as histórias dos outros, criei as minhas e sofro ao tentar escrever fanfics de animes que eu gosto. Posso até começar, no entanto, não consigo terminá-las.

Aprendi com essa experiência a criar meu próprio mundo e me sentir completa por determinar o que é certo ou errado ali.
Nem todo "fanfiqueiro" pode se tornar um bom escritor. É preciso saber diferenciar o que é hobby do que é carreira. Infelizmente o editor que possibilitou a venda de 50 Tons de Cinza não tinha isso na cabeça.

É difícil se desgarrar de suas origens, como comentei no Diários de Uma Escritora 6, contudo, se realmente almeja se tornar um escritor e mostrar a SUA obra, é preciso esforço e dedicação.
Foi por causa de um projeto no Ensino Médio que eu comecei a "largar a barra da saia da mamãe".
Tínhamos três meses para continuar alguns contos de Luís Fernando Veríssimo e depois de lutar para descobrir a minha criatividade latente, acabei recebendo uma das maiores notas das salas do Ens. Médio. Bem, em alguma coisa eu tinha que ser boa, né?

Foi a primeira vez que não pude incluir diretamente Harry Potter. Eu tive que me virar entre velhinhos, travesseiros falantes e bandas...
E é por causa dessa nostalgia que eu criei o Writing: Impossible (além de ser um meio para explorar melhor a minha imaginação). Escritores e suas excentricidades.

Atualmente eu não tenho escrito fanfics. O maior motivo com certeza é o fato de que estou sentindo mais necessidade de escrever as minhas próprias tramas e contos. Foi um bom aprendizado.

E aí: o que você fazia na sua adolescência que merece ter a poeira espanada?

Por Kimono Vermelho (08/10/2012)

2 comentários:

  1. Saudações

    Na minha adolescência eu escrevia umas [histórias bobas] aqui e ali, mas nada que chegasse a me dar algum orgulho ou que me desse alguma mínima recordação sadia.

    O problema é que encontrei estas escritas e, francamente,a vontade de voltar ao passado e bater em mim mesmo aumentou um tanto...

    Não apenas pelas escritas em si (boa parte bem inúteis), mas sim por eu ter parado de fazer algo que tanto gostava justamente naquela época...

    Fanfics... Fiz uma de Rayearth e outra de Shurato naquela época... A primeira posso até arriscar a dar uma pincelada e mostrá-la para o mundo, mas a segunda não. Sem chance. Está em um nível muito pior que os 6 episódios em OVA que existem de Shurato.

    Voltando a prática, tenho desenvolvido tanto fanfics quanto histórias/contos próprios (dois de meus blogs ficarão muito carregados disto com o tempo). Confesso que até eu tenho me assustado um pouco com este [resgate pessoal]. Mas estou adorando muito!

    Notei neste texto a tentativa de um resgate à memória... Buscar aquilo que se gosta de fazer e, com isso, desenvolvê-lo mais e mais...

    E você, Kimono Vermelho? No que mais gostas de se aventurar em sua mente ao ponto de transferir para o papel/PC?


    Até mais!

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    Respostas
    1. Obrigada pelo comentário e por dividir suas memórias comigo! ^^/
      Bem, eu não tenho muito motivo para chegar e começar a escrever. Às vezes dá vontade ou surge uma ideia que no primeiro momento parece fantástica. Eu deixo as coisas acontecerem.

      Excluir

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