quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Deixa o Drácula saber disso, Steph...

Fui chamada de louca e masoquista por fazer resenha de Crepúsculo. Eu já posso considerar a minha vida zerada?

Resenha número: 01
Livro: Crepúsculo
Título original: Twilight
Autora: Stephenie Meyer
Este livro é: Estrangeiro (Estados Unidos)
Ano de publicação da minha edição: 2009 - 3ª Edição
Editora: Editora Intrínseca
Páginas: 355 (sem contar o prólogo do segundo livro)
Capítulos: 24 (sem contar o epílogo e o prólogo do segundo livro)
Em quantos dias eu li: Nove dias não diretos (leitura com intervalos de tempo)

CONSELHO IMPORTANTE!!!: Se você não leu este livro, recomendo que não leia a resenha. Ela contém informações relevantes sobre o seu conteúdo.
Lembrando que esta resenha apresenta uma opinião pessoal, que assim como a sua, pode agradar ou não. Fique ciente das consequências.


* ~ * ~ * 

Sinopse por Kimono Vermelho: Isabella Swan, ou como prefere ser chamada, Bella, se vê obrigada a mudar para a fria e nublada cidade de Forks. Seu ânimo só melhora quando conhece o misterioso Edward Cullen, que ela descobre não ser apenas um garoto da escola, e sim, um vampiro.

Fãs de Crepúsculo, por favor, atirem as pedras. Essa foi a sinopse MAIS PORCA que já produzi em toda a minha vida como escritora. Desculpe, não sou boa nisso. #sincera

Bem, eu li o livro duas vezes: a primeira porque eu queria ver se era bom, já que estava na moda (isso em 2009), e a segunda foi agora para resenhar. Sim, perdi o elemento surpresa, mas foi melhor para a análise.
Aliás, não contei o número de dias de hiato (sem ler), porque eu queria contabilizar apenas os dias lidos. Fiquei pelo menos um mês sem ler um novo capítulo, para vocês verem como o livro estava me prendendo com facilidade. Nesses nove dias eu incluí a leitura do epílogo, visto que o prólogo do segundo volume não interessa para a resenha.


Essa não é a minha obra preferida e Stephenie Meyer muito menos está em algum TOP de melhores escritores na minha opinião, PORÉM, uma coisa eu tenho que admitir: ela é muito inteligente.
Por quê? Primeiro, é só ver o quanto a sua saga vendeu. Segundo, olha a febre que virou. Terceiro, os títulos se tornaram filmes e outros vários produtos comerciais.
Eu não tiro o mérito do sucesso dela e recriminarei quem o fizer, pois além de tornar seu livro conhecido, ela ainda criou novos leitores. Todo escritor que traz novos leitores ao mundo, merece um pouco de respeito.
Stephenie, além disso, criou uma trama que tem uma base interessante e que traz rapidamente a empatia nos adolescentes e jovens quando fala do primeiro amor, aquele fulminante como o que podemos assistir nas novelas.
Só que nem por isso é um livro inteligente e sagaz.

Na primeira vez que o peguei para ler, eu o superestimei, coloquei num altar e com o tempo a frustração o levou ao chão. Eu esperava mais, MUITO MAIS.
Só vi um romance chato com alguma ação no final e pronto.
A narrativa foi muito pobre para me atrair.
Estou acostumada a histórias épicas, motivações incríveis e a busca da superação de um inimigo. Em Crepúsculo o pano de fundo é o namoro com um vampiro (falando de forma mais básica possível).
Eu não costumo ler romances, porque normalmente o “esqueleto” deles é só a relação do casal. Se eu quisesse isso, estaria namorando, não lendo.
A pseudo-tentativa de tornar a história interessante foi a inclusão da mitologia dos vampiros com várias deturpações, criando assim a versão Stephenie do mito.
Tive a leve impressão, ao ler o capítulo em que Bella pesquisa na internet sobre vampiros, que aquela em si era a pesquisa que a própria autora tinha usado para fazer sua obra. Achei fraco.

O grande trunfo dessa criatura noturna são as suas deficiências, essa é a melhor parte! Mas a autora os retirou, pois não seria cômodo e com certeza não atrairia os jovens. Ou vai me dizer que alguma menina aí se apaixonaria por um careca, branco feito papel, estranho, grotesco e com dedos longos? Acabo de descrever o Conde Drácula do filme Nosferatu: O vampiro da noite (Werner Herzog).
E para cativar ainda mais os leitores, ela criou vampiros “vegetarianos”, aqueles que não tomam sangue de pessoas, apenas de animais selvagens. A mitologia foi renovada e nem por isso se tornou interessante. A autora “quebrou as pernas” da imagem que tínhamos dos vampiros.
Talvez esse fosse o caminho mais curto para o seu livro ficar pronto, já que uma pesquisa mais detalhada e um trabalho mais completo poderiam demorar muito tempo.

Crepúsculo me parece uma fanfic (história criada por fãs sobre alguma obra já existente) com vampiros. É algo escrito para o conforto, sem que você precise usar a sua cabeça para pensar muito, apenas distração. Eu já fiz contos assim, aliás, incluindo esses seres mitológicos e respeitando a sua mitologia primordial.
Sinceramente não gosto de livros que não me fazem pensar, refletir sobre os personagens e suas ações, a não ser que eu “compre a ideia” da trama e leia por entretenimento puro. É muito difícil comprar a ideia de um livro que não te dá motivos para isso. Acho muito fraco o uso do “cheiro” como fator determinante para Edward se apaixonar por Bella. O meu interesse teria tomado outro rumo se Bella tivesse um histórico com o sobrenatural, assim como Misao do mangá de Black Bird (Kanoko Sakurakouji). Aos preconceituosos que começarem com “ela lê mangá, não pode falar nada de Crepúsculo”, gostaria que calassem a boca por um instante e entendessem a comparação antes de começarem com seus faniquitos.
Black Bird apresenta a história de Misao Harada que desde pequena pode ver criaturas sobrenaturais e que aos 16 anos descobre ser uma humana especial, sendo que quem desposá-la se torna líder de seu clã (manda-chuva do pedaço). Seu par romântico é Kyo Usui, um ser sobrenatural.
Praticamente Crepúsculo do Japão, hein? Só que com uma GRANDE diferença: a protagonista tem um histórico.
Se Bella visse coisas de outro mundo, fantasmas e etc, seria mais convincente e o “cheiro” seria um bônus para que Edward se apaixonasse por ela. Acho que a autora poderia ter explorado fantasticamente o que tinha em mãos, no entanto, se limitou a um romance água com açúcar, a uma zona de conforto pobre.
Kyo Usui fala a mesma coisa que o vampiro que brilha: de que ele é perigoso e lindo para atrair a sua presa/Misao, mas que é o único que pode protegê-la.
Não são personagens, à primeira vista, tão diferentes. Se tirarmos os detalhes e fru-frus, a história fica parecida.
Stephenie removeu todos os empecilhos para que sua trama fluísse facilmente e ela não tivesse que resolver os problemas depois. Escrita cômoda, preguiçosa e imediatista.

Crepúsculo virou um marco para o mundo dos vampiros: que agora brilham no sol e não se queimam, não têm problema com alho ou cruzes, não morrem com estacas, precisam ser esquartejados e incendiados para morrer, são lindos (opinião da protagonista), nem todos bebem sangue de seres humanos...
Eu queria ver a cara dos personagens de Drácula (Bram Stoker), Nosferatu: O vampiro da noite (Werner Herzog) e Entrevista com o Vampiro (Anne Rice). Desses três, o único que não pode ser considerado atraente é o de Herzog, apesar de manifestar o seu desejo por uma companhia, um amor, de modo tão delicado e emotivo. O Drácula de Bram Stoker também era apaixonado por uma humana. Já os vampiros de Anne Rice, tinham uma vida mais libertina.
Romance de humanos/mortais com criaturas fantásticas sempre rende pano para manga, não só em livros, mas também em mitologias, como a grega. Por isso, não condeno Stephenie, só acho que ela poderia ter explorado melhor a grande ideia.
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Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de doação de sangue dos protagonistas!
Eu não gosto dos protagonistas. Meu personagem favorito no livro é Emmett Cullen, porque ele é engraçado. E Carlisle, porque ele é tranquilo, refinado e tem uma grande força de vontade. Também gosto da Esme, ela é uma gracinha, alguém que passa serenidade e amor. E não posso esquecer a simpática Alice. Como não adorá-la?

Eu sei, hora de falar dos protagonistas.

Isabella Swan, que me irrita a cada momento que corrige as pessoas para chamarem-na de Bella, é uma personagem no mínimo intrigante. Concordo com o Felipe Neto quando ele comenta em seu vlog, que a autora comprimiu diversos tipos de personalidades femininas em uma só, fazendo com que a personagem gerasse empatia da popular do colégio até a mais tímida e excluída.
As pessoas costumam ter diversos lados, comportamentos, só que assim como a atriz que lhe deu vida nos cinemas (Kristen Stewart), ela não convence.

As várias facetas de Bella
Ela é falsa.
E antes que comece uma discussão enorme sobre isso, eu vou piorar: todos nós somos falsos.
Bella não é o tipo de pessoa que tem amigos (Jessica e os outros são colegas) e que gosta de sair para fazer compras ou ter aquelas conversas calcinha, só que pela diplomacia, ela o faz. Quando eu digo que ela não tem amigos, estou falando de gente que ela pode confiar e contar seus segredos, como por exemplo, o fato de estar namorando um vampiro. É apenas com o seu amado, que ela consegue ser si mesma, de cara limpa, verdadeira.

Ela consegue ser a criatura mais estabanada de todo o Universo. Ela tem o dom. Ok, ser ímã de bolas de basquete, frescobol, ping-pong, vôlei, isso até eu consigo, só que ela tem a capacidade de tropeçar nos próprios pés e se meter em todos os perigos que estiverem por perto.
Talvez a autora tenha-na criado assim, para ser frágil, aquela que precisa ser protegida, e dessa forma eu me pergunto: Bella é uma personagem forte? Não a meu ver.
Apesar dos fãs da saga falarem que ela é forte sim, porque faz diversas escolhas para ficar com Edward, eu só vejo uma garota que se rende a uma paixão desenfreada e toca o foda-se para o resto do mundo. Desculpe, mas estou cansada desse comportamento de “vou largar tudo para ficar com fulano”. No mundo real é assim que as pessoas quebram a cara feiamente. Podem me xingar de mal amada, porque a minha paixão é pela razão, não pela emoção.
É preciso ser forte para escolher abandonar tudo para viver um amor? Isso para mim não se chama força, e sim, burrice.
Força não é largar tudo por causa de uma pessoa, e sim, ser trabalhador, sustentar uma casa, acordar de madrugada para ir trabalhar e voltar quase de madrugada para recomeçar esse ciclo.
“Ah, mas é diferente” - Respeito mais um trabalhador do que uma pessoa que larga a vida por causa de outra.

Como eu disse no início, é preciso comprar a ideia de Crepúsculo, coisa que eu não fiz, já que não desceu. É difícil engolir uma história tão pobre de argumentos. Se eu quisesse um romance meia boca, eu lia minhas fanfics de dez anos atrás.

Voltemos a protagonista sem sal. Sim, porque ela é muito sem sal, a típica garota que não tem nada de atraente e que tinha tudo para ser a excluída da turma, no entanto, se torna popular por ser a “novidade da cidade”. Já não bastasse isso, Bella transita entre a inteligência de planos mirabolantes para enganar o rastreador James e a imensa burrice de ações previsíveis, como se meter num beco onde estão marginais ou quando não conta a Jasper e Alice sobre a ligação de James. É preciso ter uma grande paciência com ela ou adorar esse tipo imbecil de pessoa.
Eu teria ficado feliz se James tivesse conseguido matá-la.

É claro que também vejo boas coisas na Bella, por incrível que pareça.
No começo do livro ela diz que tomar decisões é sempre difícil e angustiante, mas quando resolve vai até o fim. Foi isso que acabou acontecendo durante o período em que ela recebeu o telefonema do rastreador até a sua chegada ao estúdio de balé.

Edward deve ter o cheiro de um perfume muito caro e muito bom, porque vira e mexe a chata da protagonista fala sobre isso.
Desculpe, não pude me controlar.

A pentapolaridade de Edward
Meu ódio eterno por Stephenie ter maculado o nome Eduardo em inglês.

Aqui temos o protagonista, par da mocinha, e que tentou ser um anti-herói. Na verdade, só vi um príncipe encantado e brilhante.
Edward tem uma ótima base, um tipo de personalidade que eu gosto quando usa o sarcasmo e a ironia, contudo, ele se perde nas mudanças irritantes de humor. E olha que até sua amada reparou nessa bi-tri-tetra-pentapolaridade.

Não sei se a autora tentou fazê-lo ficar dinâmico ou misterioso e incompreensível, mas o personagem se tornou muito cansativo, principalmente quando vem com aquele papo de “não podemos ser amigos”, “eu sou perigoso”, “você tem que se afastar de mim”. É repetitivo e exaustivo na leitura, tanto que dá vontade de meter a mão dentro do livro e dar um soco na cara dele. Como pode conseguir ser mais chato que uma mulher dando chilique?

Ah, ele é perfeito... Ele é mais forte, ele é mais rápido, ele é mais bonito, ele faz tudo bem... Deus, ninguém é perfeito, isso é coisa de Joe Sue (versão masculina da Mary Sue - personagem perfeita, criada principalmente por escritores novatos). E reforça a minha opinião de que estamos começando a receber uma leva de contos de fadas modernizados, o que me irrita profundamente, visto que livros devem também ensinar algo de útil e não só alimentar a “mentira” de pessoas perfeitas e coisas que duram “para sempre”.

A impressão é que assim como Bella, Edward reúne várias personalidades dentro de si: o perigoso, o lindo, o perfeito, o cruel, o reservado, o engraçado, o sarcástico... Só espero que os garotos não sintam muita empatia por ele.

O protagonista possui o poder de ler a mente das pessoas. Ok, legal. Isso até acaba ajudando Bella com Jessica, que a enche de perguntas sobre Edward em Port Angeles. Ok, é uma habilidade útil e só.

A relação de Bella com os pais
A mãe é uma cabeça de vento e o pai é retraído. Mais básica, impossível!
Na relação com a mãe, Bella troca de lugar com Renée, que é afobada, preocupada em excesso, um pouco bobinha. A filha é quem costuma lhe dar juízo, conselhos e calma.
Isso não acontece apenas na ficção e foi uma boa ideia Stephenie incluí-la, apesar de Renée ser tão chata quanto a protagonista.
A relação com o pai é um pouco melhor, já que ambos não são muito de falar e respeitam o espaço de cada um. É o modo como eles se entendem e se amam. Fico um pouco carente da relação pais e filhos, especialmente porque é vantajoso que os pais não saibam de nada e não se envolvam (isso causaria problemas para Stephenie na escrita, poderia alongar o livro e estragar parte de sua trama). E a autora nos mostra também como anda essa relação atualmente. Pais sem tempo para dar atenção aos filhos e filhos que não ligam para os pais. É triste.

O trecho que cortou meu coração em pedaços miúdos e quase me levou a um leve choro, foi quando Bella precisou fazer aquela cena de briga para que James e Victoria não pegassem Charlie e lhe fizessem algum mal. Sei que era para o bem dele, só que aquilo me magoou mais do que eu imaginava.

O resto das jujubas...
Vou falar sobre os outros personagens aqui, aliás, apenas os que têm real destaque, porque o resto só serve para encher linguiça.
O fato é que Jacob em Crepúsculo é uma criança fofa. Eu adoraria apertar suas bochechas.
Esme é uma mulher incrível com uma história um tanto pesada para uma personalidade tão radiante.
Carlisle é um dos meus favoritos. É sempre calmo, determinado e um vampiro-médico. Ironia divertida.
Alice é uma graça. Encantadora, espontânea, de bem com a vida e graciosa. Eu a adoro.
Emmett é muito engraçado, apesar de ser difícil lembrar que seu nome tem dois “m” e dois “t”. Ele se diverte com as reações humanas de Bella e eu caio na risada com isso.
Rosalie é arisca e tem os seus motivos. Já é um problema para eles serem o que são e terem que se esconder, imagina agora que uma humana sabe seu segredo? É complicado, não tiro a razão dela.
Jasper é legal, mesmo sendo o mais novo da família. Sim, a consideração mais curta sobre um personagem. Desculpa.
Acabamos sabendo um pouco mais sobre a história de cada membro Cullen.
Billy é o famoso “empata foda”, porque vive falando para Bella se afastar de Edward, seja direta ou indiretamente.
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Sutileza e tédio, aqui andam juntos
O esqueleto da trama se fixa no primeiro grande amor da adolescência/juventude, que é muito bem descrito pela autora.
Por que o livro faz tanto sucesso entre os jovens e até entre algumas mulheres adultas? Porque ele retrata esses anos dourados em que nos apaixonamos e parecemos um bando de idiotas.
Sim.
Idiotas.
Já que ficamos tristes sem a presença da pessoa amada, sofremos se ela fica indiferente, nosso coração bate acelerado quando ela sorri ou nos toca, e entramos em êxtase quando ela nos aceita e começamos a namorar. A protagonista narra esses momentos que guardamos intimamente e que de vez em quando aparece para nos lembrar de que não somos feitos de ferro. Só que a Bella fica um tanto obsessiva e isso me assusta um pouco, pois busco na minha memória se eu agia assim. É medonha a constatação de que você podia ser tão demente quanto ela era por Edward.
E quando eles chegam juntos para o laboratório? Aquele sentimento de querer tocar, mas não poder. E quando acontece, os significados são muito mais amplos.

Quem nunca contou aquela mentirinha básica para se encontrar com o namorado ou namorada às escondidas? Aliás, o livro retrata de forma sutil muitos momentos e até fantasias entre um casal apaixonado.
Qual adolescente nunca fantasiou dormir com seu(sua) namorado(a) sem os pais saberem? Poderem às escondidas se render ao prazer de estarem juntos e/ou de tomarem cuidado para não serem pegos?
Isso acontece quando Bella acaba de chegar em casa com Edward e é surpreendida pela também chegada do pai, que felizmente não os viu juntos.
A garota tenta agir normalmente, todavia, pais são pais e farejam no ar qualquer mudança, notando que a filha estava mais animada do que o habitual. Depois que joga a desculpa de que está cansada e irá dormir, vai para o quarto e se encontra com Edward. Aliás, ele confessa que a visita quase todas as noites, atiçando outro fetiche da juventude: o de ser observada (talvez voyeurismo se encaixe aqui).
A conversa que eles têm no quarto também é interessante e alguns trechos podem ser lidos tanto com inocência, como com malícia. O que dizer quando o vampiro pergunta se Bella já tinha transado? Acho que deveria ser uma parte sensível, mas eu dei muita risada.
No outro dia, ela vai ao banheiro e diz que não se reconhece. Quem já se apaixonou sabe qual é a sensação, ainda mais quando você é correspondido.

Sinceramente eu não gosto quando um casal diz “eu te amo”, porém julgo que aqui seja necessário. Eu gosto mais de perceber as sutilezas, mas como são jovens, vou dar um desconto.

Olha essa Bella suicida. Quando o Edward falou de café da manhã, ela brincou colocando as mãos no pescoço, como se ele fosse tomar o sangue dela. Concordo com o Edward, Bella, brincadeira sem graça.

As sutilezas dos toques, de passar o nariz pelo pescoço até a ponta do queixo, entre outros, revelam as primeiras experiências sensoriais dos enamorados. São detalhes delicados que nos remetem aos nossos primeiros relacionamentos.
E o primeiro beijo dos dois? Simplesmente hilário! Edward beija como uma criança de cinco anos.
“Não zombe, ele nunca passou por isso antes!” - Ele convive há bastante tempo entre humanos; como assim nunca viu um beijo de verdade? Tem que comprar a ideia para curtir essa trama, porque tem muita coisa absurda.

Nada lembra mais a adolescência que as conversas de Jessica e Bella. Seja sobre o Edward, sobre garotos em geral, sobre o Mike, sobre o baile... Você acaba voltando a aquela época.
E falando em Mike, acho hilário quando ele diz que o vampiro olha para Bella como se quisesse comê-la, porque há duas grandes interpretações aí: literal e sexual. Essa dubiedade é divertida.


O casal da história é o mais clichê possível: garoto perfeito, lindo e maravilhoso que se apaixona por garota sem sal, introvertida e bobinha. Esse é o momento em que eu questiono o gosto dos fãs da saga e outras coisas que não vou escrever por serem insultos aos neurônios.

Quando a protagonista dá para ser donzela, ela o faz com maestria.
Quatro meliantes num beco, um deles solta “e aí?” e você responde “oi”? Por favor, quantos anos você tem? Cinco?
É claro que será perseguida e encurralada como um ratinho de laboratório.
Mas o melhor sempre está por vir. Seja com Edward dizendo que a hora de Bella havia chegado quando o conheceu ou na inacreditável repetição de que ela não deve ficar com ele.
Alguns trechos do livro são altamente ofensivos à inteligência humana.

Você sabe que entrou no mundo das drogas pesadas quando tem que aguentar a protagonista enchendo o Edward de perguntas, como se ela fosse uma criancinha curiosa. O pior, claro, é o rapaz jogar na nossa cara que é vampiro, que é isso mesmo e o negócio é comer cúrcuma e bruschetta. E o melhor é a adolescente achar tudo normal. Claro, é muito normal encontrar um vampiro perdido pelos Estados Unidos, assim como podemos encontrar Kappas no Japão boiando nos rios. Poupe-me da ideia que está tentando vender, pois é muito forçado.
A naturalidade que Bella encara a notícia me faz querer bater a cabeça na parede, feito que só 50 Tons de Cinza (E. L. James) era capaz de provocar. Eu sei que os fãs da série querem ver meu sangue jorrar, só que ainda não.

Que delícia as discussões entre o casal. Elas conseguem ser mais chatas que a novela das nove. É um que gosta mais do outro, é o que quebra as regras, é um “quero ficar com você para sempre”, é um “não posso tomar a sua vida assim”... Meu cérebro pede complacência.

O capítulo 13 é um divisor de águas.
Se até agora estávamos brincando de ver quem ficaria mais bravo com a história, se era Lestat e Louis ou Drácula e Nosferatu, agora teríamos que conviver com o mais terrível segredo de Edward Cullen: o fato de ele brilhar como purpurina no sol.
Palhaçadas à parte, é nesse capítulo que o vampiro purpurina brilhante revela o seu lado mais sombrio e conta a verdade sobre seu comportamento quando se conheceram. O cheiro dela era tão delicioso que ele pensou em matá-la. Atrair a tola para um lugar e tomar seu sangue. Aí sim um lado da máscara de perfeição e bondade cai.
Ele parecia um estuprador que planeja como vai cercar e agredir sua vítima, na descrição. E o mais incrível é Bella não ter ficado chocada como EU fiquei ao escutar isso. Dá para começar a entender o sucesso de 50 Tons de Cinza. Ou não.
É um capítulo decisivo que te mostra até onde o casal irá pelo amor, obsessão ou seja lá o demônio que eles têm entre si.

O pior é a declaração de Bella de que preferia estar morta a não ficar com ele. Não quero que as pessoas levem ao pé da letra, pois entendi apenas como um comentário, que se encarado literalmente, denota uma obsessão doentia que o amor pode trazer e isso para mim não tem nada de romântico e muito menos de interessante.
“Morrer por fulano, morrer por siclano.” - Acho um tipo de comportamento estúpido que as pessoas deveriam deixar de ter.
Vejam os vários casos de mortes de mulheres que terminam o relacionamento com os ex-namorados (e vice-versa), que não aceitam o fim e vão atrás delas com a base naquele velho ditado “se não vai ficar comigo, não ficará com mais ninguém”. Ou daqueles que ameaçam se matar, se a pessoa amada não voltar para eles. Por isso tenho medo da má influência que o livro possa trazer para os leitores. Não que todos sejam imbecis ao ponto de chegar a esse limite de obsessão “amorosa”, visto que não é amor e sim doença, mas não podemos esquecer que existem pessoas com cabeças frágeis e que podem ser facilmente induzidas por uma ideia solta e boba, como é o relacionamento obsessivo entre Edward e Bella.

O final do capítulo 17 serviu para dar algum movimento à história arrastada do romance e trouxe cenas que lembraram muito o nosso cotidiano: o trote do sequestro.
Você sabe que um crime se tornou um “viral” quando até vampiros começam a usá-lo. Mas também queria o quê? Bella deu tudo na mão de James quando deixou aquele recado em casa e não refez seu plano quando soube que a mãe talvez voltaria mais cedo de viagem, incluindo algum Cullen para ficar de olho na casa. Por isso é importante saber como agir quando se recebe esse tipo de ligação.
Teria sido mais inteligente se Bella tivesse esperado Edward chegar (já que seu voo estava adiantado) e bolassem um novo plano, deixando a garota ir primeiro ao encontro de James e aparecerem alguns minutos depois.

O final foi feliz e um tanto rápido. Como citei diversas vezes nesta resenha: escrita cômoda/confortável. Para que complicar se podemos simplificar, certo? Eu preferia um pouco mais de dificuldade, pois tornaria a leitura mais intensa, mais pensante e mais gostosa.

E o Oscar vai para...
Stephanie não é criativa. No mínimo, engenhosa.
A mitologia sobrenatural é muito rica e ela a usou apenas para fazer um romance. Você tem em suas mãos a chance de criar algo realmente épico e o usa para um SIMPLES romance. Sinceramente não tive paciência.
Não pretendo ler novamente e venderei o livro a um sebo, pois comigo, só faz volume na minha maravilhosa estante.

Particularmente não gosto de livros escritos em 1ª pessoa, pois acho que se perde muitos detalhes e narrações incríveis, ainda mais quando você tem que aguentar uma das personagens mais chatas da obra te contando tudo.

Curiosidades: A palavra “crepúsculo” aparece quatro vezes no livro (tirando o título, é óbvio), nas páginas 109, 172, 352 e 354.

Considerações técnicas: A capa é bonita e a letra usada no título também. Eu detesto capas de livros com fotos de pessoas, então acho que a escolha da foto das mãos segurando a maçã, foi ótima. As letras do corpo do livro têm um bom tamanho e as páginas são de cor creme, que eu acho uma boa escolha, principalmente para quem fica muito tempo lendo. Páginas de cor branca tendem a machucar meus olhos com o tempo, já que refletem a luz com mais intensidade.
O livro é da pré Reforma Ortográfica, o que deixa qualquer um sorrindo de ponta a ponta. Odeio a Reforma, porque só complicou e não tirou coisas inúteis tipo a crase. O ex-presidente Lula terá que conviver com o meu ódio eterno.
A capa é brilhante e lisa, tendo um leve relevo no título da obra.
O livro tem orelhas, uma com a sinopse e outra com informações sobre a autora.
Os nomes dos capítulos são simples palavras-chave. Ok, bom, só que eu prefiro títulos maiores, misteriosos e mais interessantes.

Recomendo o livro?: É complicado. Eu só recomendo para quem gosta de romance água com açúcar, não vá se chocar com a obsessão de Bella por Edward mesmo sabendo que um dia ele quis matá-la e goste de narração em 1ª pessoa.

Lerei os outros livros da saga?: Não.

Espero que tenham gostado ou odiado esta primeira resenha. Queria saber seus comentários para ver se me aposento ou taco o pé na jaca de uma vez.

A próxima resenha será do polêmico ou nem tanto assim, 50 Tons de Cinza (E. L. James).

Por Kimono Vermelho (05/09/2012)

2 comentários:

  1. Só comentando, o "envolvimento com o sobrenatural" de Bella é bem esclarecido mais pra frente, nos livros minimamente interessante, vulgo o 3º e o 4º.

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    1. Bem, eu não sabia, porque eu não li, então criei teses e teses sobre o que li no primeiro.
      Obrigada pelo comentário!

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