quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O que você quer ser quando crescer?

Fiquei tentada a escrever sobre o assunto depois de um comentário interessante, que recebi no podcast especial de Natal e Ano Novo de 2011.
Uma garota me perguntou como descobri que seria infeliz no curso que tinha escolhido aos 17 anos.
E eis que surge um comentário decente no YouTube!
Este post pode ser visualizado em fundo branco, letra preta aqui.


Não é sempre que recebo comentários como este e por isso resolvi fazer um post especial.
Primeiro, eu acho um absurdo os pais escolherem qual a faculdade o filho deve seguir, pois não levam em conta as habilidades e gostos dele, que terá que passar mais X anos sentado numa carteira estudando. Isso acontece com maior frequência entre filhos ou descendentes de povos muito tradicionais e patriarcais, como, por exemplo, chineses e japoneses.
Infelizmente ainda há esse pensamento arcaico, onde os pais, frustrados ou não, vêem no filho como um prêmio a ser exibido.



"Meu filho é doutor! Um dos melhores advogados da região!"
"Minha filha é médica, uma grande médica! Fez uma cirurgia bastante complicada e se saiu muito bem!"

Qualquer pai deseja o melhor para o seu filho e por isso acaba o idealizando, muitas vezes, de forma exagerada. Cobra nos estudos, nos esportes, ele sempre tem que ser o melhor da turma. Isso cria pressão e consequentemente um sentimento de culpa e frustração quando a criança ou o adolescente não corresponde às expectativas de seus progenitores.

Aos 17 anos, a maioria de nós é incapaz de definir um caminho certo e que trará bons frutos no futuro. Somos ainda muito jovens e queremos aproveitar a liberdade.
Não estou falando sobre baladas e vadiagem, isso muitos menores de 17 já fazem sem nenhum senso de limite e de forma não saudável. Estou falando de não ter a obrigação de bater ponto todo dia na escola.
Talvez eu seja muito mal interpretada, portanto, vamos às explicações...
Fico inconformada com a visão utópica que a maioria dos livros, filmes e séries mostram sobre a escola. Certamente é um local de formação de cidadãos, porém esquece-se do podre existente no ambiente. Nem tudo é lindo e perfeito da forma como é mostrado, e ainda assim quando mostram parte da realidade, ela ainda é bastante suavizada.

Se seu período escolar foi às mil maravilhas e você adora estudar, pule alguns parágrafos e finja que não leu essa parte.

Cada um teve uma experiência única dentro da instituição, e a minha não foi boa. Estou me citando, em especial, porque o comentário foi enviado para mim.
Ir à escola era como viver no regime semi-aberto de uma prisão: durante um certo período você fica "preso" naquele lugar e depois fica "livre" para aproveitar o que restou do dia ou dormir.
Apesar de ser um local que ensina vários conteúdos importantes, também tem sua inutilidade.
Ainda acho que algumas matérias deveriam ser agregadas à grade de horários, como corte e costura, cozinha e economia doméstica. Uma pessoa que não é capaz de pregar um botão, costurar um rasgo e cozinhar algo mais que ovo frito e miojo, é dependente. Sempre irá depender de alguém e quando não tiver quem o faça, vai ficar em um cantinho emburrado e xingando o mundo ou deixar como está até a situação ficar crítica.
A escola ensina pouquíssimo sobre a vida real.

Vejo pessoas preguiçosas e imediatistas que querem tudo na mão da forma mais fácil possível. A vida não é assim. Não vai ter colinho de mãe para sempre, quando o chefe mandar vai ter que obedecer e engolir vários sapos se quiser continuar pagando a conta da internet (a mais importante para a maioria dos adolescentes), impostos, aluguel, água, luz, comida, gás.
Dinheiro não nasce em árvore, então vai ter que aprender a poupar e separar suas escolhas por prioridades.
Ao mesmo tempo que a escola e a sociedade nos obriga a "virar gente", nos mantém no ciclo vicioso de colocar panos quentes em tudo, não nos ensinar como de fato se portar em público (não estou falando do comportamento com seu grupo de conhecidos, e sim, com estranhos) e cobrar responsabilidades que não conseguimos carregar.
Concordo que a instituição de ensino nos transforma em pessoas melhores, mas nem sempre por seus próprios méritos. A escola só me ensinou uma coisa: a sobreviver ao bullying.

-->

Quando somos pequenos, uma das perguntas mais frequentes é: "O que você quer ser quando crescer?" e suas variações.
Toda criança tem sua resposta na ponta da língua, desde astronauta e cientista à bombeiro e policial.
Mas vamos falar de mim, já que o comentário foi para mim. *risada histérica e tentativa falha de alívio cômico*
Em suma, eu queria ser advogada por ser muito argumentadora. Prestei vestibular duas vezes e não passei (também, quem dera? Não estudei com afinco nenhuma vez). O tempo passou, precisei trabalhar e nesse período acabei fazendo um estudo de auto-conhecimento, onde descobri a minha real vocação que é ficar escrevendo besteiras, repetindo a palavra bullying em quase todas as matérias (síndrome de vítima), entediando as pessoas e viciando outras poucas em vídeos de jogos de terror.
É claro que fui cobrada, apontaram de dedo na minha cara, disseram que eu deveria ser como os outros, mas...



Um pássaro vive bem fora da gaiola.

Ninguém nunca será capaz de escolher a sua felicidade no seu lugar. Você é quem deve saber o que te encanta, te faz viver e te dá ânimo ou será uma pessoa frustrada que descontará a raiva nos outros. Isso é deprimente.
Eu acho que aos 17 anos, a maioria dos adolescentes não sabem quem realmente são. Boa parte ainda está influenciada pelo grupo de amigos, pela família, pelo ambiente... Algumas pessoas morrerão sem saber quem são de verdade, sem convenções, sem opiniões alheias, somente sua consciência e seu coração.
Que fique claro: o mundo não é 8 ou 80, ou seja, mesmo que você escolha um curso que ama haverá momentos que vai ter dores de cabeça e aborrecimentos, isso é normal na vida, porém o prazer tem que se sobrepor a dor.

Agora vamos dar a devida atenção ao comentário da 000Forever000: os pais dela não apoiam a escolha.
Nossos pais sempre desejam o melhor e fazem planos de que sejamos isso ou aquilo, que ganhemos muito dinheiro, sejamos bem-sucedidos... E quando o que o filho escolheu quebra todas as expectativas e não traz bom ou rápido rendimento? Eles ficam frustrados, pois depositam em nós esperanças que agora, segundo eles, se tornaram inúteis. Somos filhos, não cópias. Eles precisam aprender que temos uma cabeça própria, uma personalidade própria e isso nem sempre é escutado e respeitado.
É complicado dar conselhos ao vento sem analisar o caso profundamente, contudo o melhor a fazer ainda é dialogar e apresentar seus argumentos.
Chega uma hora em que é preciso confrontar os pais ou viver conforme eles mandam.
Você se sentiria bem sendo obrigado a fazer Medicina quando, por exemplo, prefere Artes Cênicas? Caso tenha um bom resultado, não será um bom profissional. Algumas profissões dependem de vocação. Se você não tem, não será um centésimo daquele que tem.

Testes Vocacionais - Realmente funcionam?
Pois é, quase me esqueço deles.
Devem ser analisados com cuidado e não usados ao pé da letra. É costume um teste vocacional dar "errado", ainda mais aqueles feitos na escola ou por revistas. Sugere-se que seja feito e acompanhado por um psicólogo.

Eu não confio muito em testes vocacionais, mas esta é apenas a MINHA opinião. Nos provavelmente oito testes que fiz, nenhum deu o resultado que atualmente escolhi como profissão.
Algumas das respostas, um tanto absurdas, foram: engenheira, assistente social, psicóloga, professora, relações públicas e policial.
Psicóloga e policial, eu até entendo, mas... Engenheira? Forçou muito a barra.

O interessante é a proposta que está embutida no teste vocacional: a de você se conhecer melhor, saber sobre seus gostos e ter a real noção de como eles influenciam o seu modo de pensar, ser e viver.

Enfrentando o mundo
É só modo de dizer.
Todos, num primeiro momento, vivemos sobre os padrões impostos pela sociedade. O problema é: nem tudo que é bom para você, é bom para mim e vice-e-versa.
Desde já fica avisado: ninguém vive de brisa, ou seja, por mais que você tenha um espírito livre, aventureiro e sonhador, vai precisar trabalhar em algo que te sustente. Ficar na boa, dependendo de pessoas que um dia morrerão e por isso não poderão mais te sustentar, é um péssimo negócio. Primeiro, porque não estará preparado para enfrentar as cobranças da vida, será uma pessoa acomodada. E segundo, sonho sem objetivo e vontade de realização não enche barriga de ninguém.

Particularmente, acho que todos aqueles que irão se aventurar em uma profissão com remuneração baixa ou imprevisível, deve ter pelo menos UM Plano B.
O Plano B será usado caso o Plano A (seu objetivo de vida) não dê certo. Pelo menos poderá adquirir mais dinheiro para trabalhar no retorno ao Plano A.

Há alguns parágrafos acima, falei sobre pessoas imediatistas e acomodadas. Pois bem, não é raro encontrar alguém que queira viver única e exclusivamente de sonho. O caso mais simples para se usar como exemplo, é de uma pessoa que deseja fazer sucesso na música, cantando. Nada contra, porém se for investigar um pouco mais sobre a vida de famosas cantoras e cantores, descobrirá que boa parte trabalhou em outros empregos antes de viver só de música. Existem também aqueles que desistiram num breve momento, pois não recebiam a remuneração que esperavam e por isso procuravam empregos "de verdade" para garantir seu sustento.
Aquele que quer viver apenas de música, deve ter noção de que o mundo é cruel e o tempo passa muito rápido, sem falar nos fatores: talento/dom, técnica, amizades e contatos com as pessoas certas.
Não é porque a pessoa canta bem e tem uma bela voz, que fará sucesso, isso é sonho demais.
É triste e chega a dar pena quando alguém fala "ah, mas o meu negócio é a música, não preciso procurar emprego, é disso que eu vou viver". É ser demasiadamente ingênuo.

E quando o problema são os pais?
É só reler o conselho que dei à 000Forever000. A base de qualquer relacionamento humano é o diálogo, se ele não existe, não há razão para haver um relacionamento. É complicado aplicar essa definição na relação pais-e-filhos, entretanto o diálogo deve existir, nem que seja de forma obrigatória.

É perigoso formar um profissional sem vocação. E quando eu falo sobre "vocação", estou comentando sobre a vontade de uma determinada pessoa em aprender e se dedicar àquela profissão. Se isso não existe, não há motivo para estudar o curso escolhido.

O primeiro passo é conversar com os pais seriamente sobre sua opção e mostrar seus argumentos. Será um debate, caso eles aceitem dialogar, e por isso você precisará se munir de diversas informações sobre o curso que você escolheu. É quase como um julgamento. De um lado está você, o advogado de defesa, e do outros, seus pais, os promotores (advogados de acusação).
O importante é entrar em acordo e melhor ainda se você vencer a disputa. De qualquer forma, se eles forem irredutíveis, ainda há a opção de aos 18 anos você sair de casa e fazer o que bem entender da vida, no entanto, vai precisar de condições para isso (trabalhe ou tenha uma poupança no banco). Vai precisar alugar um local, mobilhá-lo, comprar comida, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, utensílios domésticos, lavar sua própria roupa, cuidar do local onde vive, entre outras coisas não tão maravilhosas que pessoas que moram sozinhas precisam fazer. Não é uma vida fácil, mas é uma opção caso tudo mais dê errado.
A princípio, um diálogo com argumentos bem embasados com certeza darão mais segurança aos seus pais e facilitará uma aprovação.

É de extrema importância lembrar: trabalhe com o que você gosta, porque trabalhar só por causa de dinheiro irá lhe render vários períodos prolongados de estresse e problemas de saúde diversos.
É também interessante lembrar que faculdade NÃO É TUDO! Ela é importante, é claro, mas não é tudo na vida. Algumas pessoas endeusam um diploma de faculdade, quando em boa parte ele acaba não servindo para nada. Não é preciso ir muito longe para saber que alguém que se formou em tal curso, está empregado numa área que não tem ligação alguma com o curso estudado. Isso acontece e não é raramente.

Lembre-se: você precisa estar seguro consigo mesmo e com sua escolha, já que é uma das decisões mais importantes da vida, por isso seja sábio.
Boa sorte para aqueles que prestarão vestibular este ano e a todos que iniciarão o ano letivo numa faculdade!

E aí: você já sabe o quer ser quando crescer?

Por Kimono Vermelho (16/02/2012)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de comentar conheça as nossas regrinhas:
-Não poste nada ofensivo, respeite os outros;
-Não brigue, aqui não é ringue de boxe;
-Não faça merchandising do seu blog com a desculpa de "ah, mas eu comentei sobre o post também".
Siga as regras e você não conhecerá o lado escroto da Kimono.