quinta-feira, 9 de agosto de 2012

"Eu quero morrer..."

Calma, EU não quero morrer, é apenas o título da matéria.
Muito bem... Eu decidi falar sobre um assunto delicado depois de "pescar" uma conversa pelo Twitter.
Suicídio. Quais os motivos que levam uma pessoa aparentemente saudável a querer tirar a própria vida?
Cada um provavelmente tem a sua opinião sobre o tema, contudo aqui eu quero mostrar a visão do suicida, o que ele sente ou não sente mais.
A maioria das pessoas têm frases feitas e conceitos superficiais sobre o suicídio e a depressão. Espero desmistificar um pouco os mitos e glamour que rondam os dois. E principalmente tentar fazer os suicidas que estão em cima do muro, descerem e esquecerem a péssima ideia de morrer.


Este post pode ser visualizado em fundo branco, letra preta aqui.


"A vida é linda, por que você quer morrer?"
Com certeza esse é o tipo de coisa que você não deve dizer a um suicida. Se fosse comigo, eu ficaria extremamente irritada.
O conceito de "vida linda" muda de pessoa para pessoa. Por exemplo: para mim ver um céu estrelado é algo que me deixa feliz. É besta e tão simplório que você pode achar ridículo, mas sempre fui fascinada pela noite e pelas estrelas. Ver essa maravilha de céu noturno me deixa mais feliz.
Para outros pode ser escutar aquela música, ler aquele livro, encontrar tal pessoa... E também existe um detalhe que muitas vezes passa imperceptível aos nossos olhos destreinados: o que é felicidade?
A felicidade não é um estado eterno ou que dura por muitos anos. Ele é rápido como um suspiro ou até pode durar um pouco mais, só que nunca o tempo que achamos necessário para nos satisfazer. Temos o conceito errado de felicidade, porque ninguém nunca procurou nos ensinar o certo.
A felicidade é feita de momentos sem duração exata, porém curta se pensarmos que ela deveria ser eterna.
As pessoas traçam metas sem sentido para atingir a alegria: ficar rico, ter o carro do ano, ficar com aquele cara ou aquela garota... Muitas vezes quando se atinge a meta, aquela alegria logo passa. E você se pergunta para onde foi a felicidade.
O suicida cansou de esperar e correr atrás deste sentimento, pôs suas esperanças em algo que não existe, numa ilusão. Nada é eterno, todos deviam saber disso.
Quem vê graça no céu? Ele sempre está acima de nossas cabeças, não tem nada de novo. Salvo raras exceções de acontecimento celestes.


Se você não vê a maravilha na pequeneza, não a percebe na grandeza.

O latido animado do seu cachorro quando te vê, o sol gostoso de um dia de verão, aquela piada hilária que seu amigo contou, o carinho da sua mãe e do seu pai, o beijo apaixonado da pessoa que você ama, a água gelada no calor, a delícia de comer algo gostoso, a tranquilidade de uma brisa suave... São tão banais e bobos, mas são pedaços de alegria que você não repara. Quando a gente começa a perceber esse mundo fantástico, mesmo os piores dias podem ter um breve alívio com um desses momentos ou outros de mesma intensidade.
O suicida é aquele que não percebeu isso e chegou no fundo do poço. Só vê escuridão e sua própria tristeza. Ele não tem motivação para viver e tudo piora quando pessoas próximas jogam na cara o seu fracasso.

"Você deveria amar seus pais, pensar neles!"
"Depressão é coisa de gente que não tem o que fazer!"
"Ah, você precisa ver as alegrias da vida!"
"Tanta gente querendo viver, lutando pela vida, e você aí querendo morrer. Não tem vergonha?"

É muito fácil apontar de dedo na cara do suicida e fazê-lo afundar ainda mais na escuridão, agora tentar ajudar... É, amigos, saber como estender a mão não é para qualquer um.
Não é falando de como a vida é linda que você mudará a decisão de um suicida, algumas vezes é apenas necessário conversar com ele e posteriormente fazer um acompanhamento/tratamento (este preferencialmente com profissionais).
Desculpe informar, psicólogos, mas as lindas teorias empoeiradas podem não apresentar resultados satisfatórios (talvez apenas na parte do tratamento). Porque dizer algo decorado de um livro é tão simples que até uma criança é capaz de fazer, mas entender aquela pessoa como UM indivíduo a ser amplamente analisado, é OUTRA coisa.
Eu ainda caio na risada com um trecho do livro O Vendedor de Sonhos - A Revolução dos Anônimos do brilhante autor Augusto Cury, onde um professor universitário está prestes a se matar e é parado por um homem, um mendigo, de forma incrível, justamente quando nem a polícia e muito menos psicólogos tinham conseguido tal feito. É interessante ler aquela parte e se deliciar com o modo totalmente fora do comum do mendigo.
E isso me faz lembrar que há tipos de suicidas. Pois é, já era complicado, agora vai piorar!

Isto não é um manual
Como diz o título do tópico, eu talvez esteja escrevendo abobrinhas sem nenhum fundo científico. Acho que vocês sabem disso, certo?
Não vou fazer um manual com categorias, porque não entendo de tipos de suicidas e com o meu atual estado de espírito, é capaz do texto sair mais engraçado do que sério.
O importante é saber que a pessoa que quer se matar está passando por uma fase turbulenta dentro de si mesma e muitas vezes no ambiente que vive.
Um dos grandes motivos para se suicidar, é a depressão. Ela é causada pela frustração depois da espera de algo maravilhoso.
A maioria das grávidas costuma ter depressão pós-parto, onde rejeitam o filho e acham que serão as piores mães do mundo.
Depressão é uma doença e deve ser tratada.
Normalmente acredita-se que doença é apenas aquela que atinge o corpo, contudo as que atingem a mente, a consciência de uma pessoa, são tão devastadoras quanto.
São raras as pessoas que chegam na frente do abismo da solidão e do sofrimento, olham para baixo e veem a negritude que espera os suicidas, e decidem, por força própria, sair dali e tentar lutar por uma vida melhor.
Apenas os que tiverem uma força de vontade descomunal, saem desse abismo ilesos.
Muitos ao se depararem com aquela escuridão (a depressão), cortam os pulsos ou flagelam seu corpo para ver se com o escorrer do sangue, a dor vai embora.
O problema é que nada leva essa dor embora, muito menos a morte.
Os suicidas se apegam a crença de que depois da morte encontrarão um lugar maravilhoso onde poderão enfim ser felizes. Desculpa avisar, mas não há nada do lado de lá para os suicidas e talvez nem para o resto dos humanos.

A vida não é fácil para ninguém.
Se você vê alguém sorrindo, saiba que ela pode ter chorado muito ontem para conseguir esse sorriso.
Os suicidas e a maioria das pessoas têm a péssima mania de achar que alguém que chegou em tal patamar, é feliz.
Eu sou feliz, mas continuo me aborrecendo com gente estúpida, chorando por causa dos meus problemas familiares, me entristecendo em não poder ajudar alguns amigos. A vida bate igual em todas as pessoas, só que para algumas o fardo parece pior.
Gente rica também chora, gente famosa também sofre, ninguém é imune as dores do mundo.
Quando você percebe que todos somos igualmente humanos, quebram-se as barreiras e a "magia".

O bullying sempre faz feridas profundas na alma das vítimas. Eu posso falar disso, pois passei pela péssima experiência. Aos trancos e barrancos, fechei minhas feridas, deixei cicatrizar e não tenho vergonha de mostrá-las ao mundo. Foi por causa delas que hoje eu sei o que é "ser feliz" e sei como agir com pessoas que me odeiam por eu existir.
Seria divertido contar a história da minha vida para vocês, mas eu ainda gosto da privacidade e do aconchego das minhas lembranças, porém prometo inserir nos personagens dos meus livros, pedaços da minha vida, da minha realidade, dos meus dramas e das minhas dores. Será um livro auto-biográfico nas entrelinhas.

Retornando ao assunto principal, a depressão, a tristeza e a vontade de morrer, vem com a falta de acompanhamento dos pais (principalmente), dos amigos ou de outra pessoa mais próxima.
Quem não passou pela situação, não sabe o que é aquele abismo e qual é a sedução que ele exerce numa pessoa que não vê mais nada na vida.
O suicida mesmo quando decide que quer morrer, por vezes ainda tem algumas ligações, laços com este mundo, que o seguram aqui. No momento em que ele pondera que nada mais o segura, ele pula de cabeça nesse abismo.
O que sobra aos conhecidos e parentes é a dor e o não entendimento da razão daquela morte. Dor só provoca dor.

Cada caso deve ser observado com cautela, ser estudado e acompanhado por profissionais da área. E o importante é você saber que, se depressivo ou suicida, é uma pessoa doente (não estou falando de forma pejorativa), precisa procurar ajuda.

Eu poderia encher esse texto de conselhos de auto-ajuda e aquelas frases feitas que me irritam profundamente de gente que não entende nada e fica falando abobrinha (seu caso, dona Kimono Vermelho? XD). Mas do que adianta fazer mais do mesmo?
Se você quiser se matar, mesmo depois de ter lido o meu texto, não serei capaz de fazer nada.


NINGUÉM NUNCA SERÁ CAPAZ DE AJUDAR UM SUICIDA, SE ELE NÃO QUISER.

O que significa isso? Que a força de vontade de mudar, de tentar mais uma vez, tem que vir de dentro da pessoa. Palavras não surtem nenhum efeito. São inúteis perto da força dos sentimentos de um ser humano.
É difícil se erguer por conta própria quando o sofrimento está pesando em seus ombros. É claro que é difícil virar as costas ao abismo! É claro que é difícil encarar os problemas e enfrentar o mundo! Tudo é difícil, poxa! A VIDA NÃO É FÁCIL PARA NINGUÉM, NÃO SE ILUDA!
É claro que você vai sofrer enfrentando o mundo, querendo se levantar e encarar as pessoas com a cabeça erguida!
Ninguém vai te estender a mão quando você precisar, não espere clemência da vida. Não espere pelos outros.
Essa é para os religiosos: Jesus morreu na cruz sozinho. Deus não moveu um dedo para tirá-lo de lá.
Não espere por uma força cósmica. Tire essa força de dentro de si.
É uma guerra. Ou você se entrega de corpo e alma para a morte ou luta, sobrevive e faz a sua vitória.
Ninguém disse que era fácil. Escolha seu caminho e enfrente as consequências sem remorso. A vida é horrível, aprenda a torná-la "vivível".

E você: já passou por isso ou chegou a pensar sobre?

Por Kimono Vermelho (05/01/2012)

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