quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diários de Uma Escritora - 7

Mês de férias para vocês, não para mim e falta de organização da escritora aqui [vide Diários de Uma Escritora - 6] renderam dois diários em UM SÓ MÊS!
Agora chegou a hora do Diários certo no mês certo!

Diários de Uma Escritora 7 - BORA CONSTRUIR A CASA, CAMBADA?

No Diários anterior, eu comentei sobre sair da barra da saia da "mamãe" e de estrutura de "casa". Loucura, não?



 A princípio, engenharia não tem nada a ver com escrever um livro, mas é apenas "a princípio". Podemos muito bem comparar um com o outro.
Pense em um terreno amplo, um pedaço de chão que você acabou de adquirir. O que fazer com ele? Bem, temos várias opções, desde construir uma simples casa, um edifício ou fazer uma plantação.
Esse é o nosso momento, quando nos propomos a escrever algo. Nem sempre existe a dúvida do que fazer com o terreno, às vezes simplesmente acontece e quando percebemos a folha em branco já está cheia de palavras.
Para algumas pessoas, as histórias fluem com naturalidade, pois sua criatividade é abundante. Alguns precisam estudar, pensar bastante antes de escrever, o que os torna mais disciplinados e talvez até mais mecânicos. Enfim, ainda somos todos escritores.

É incrível como uma folha em branco não pode continuar desta maneira quando olhamos para ela. É preciso rabiscá-la, seja com desenhos ou palavras.
Somos naturalmente criaturas com uma imaginação fértil. Qualquer terreno, por mais seco que esteja, se transforma em um pomar ou lindo jardim de flores.

Mas um livro é uma responsabilidade muito grande, não é simplesmente um conto ou uma história privada que você não mostrará a ninguém e que serve apenas para o seu próprio entretenimento. Mesmo os mais rasos e finos livros precisam de uma estrutura, seja de pau a pique ou caixas de papelão.
Algumas pessoas têm ideias soltas e começam a reuni-las aos poucos para montar a sua história. Outros imaginam boa parte da trama, quase toda, com personagens fixos, acontecimentos e lugares. Isso varia para cada um, assim como cada construtora tem o seu modo de agir ao iniciar uma construção.

No início deste Diários, sinceramente pensei em fazer um modelo básico para quem não sabe como começar, só que eu estaria lhes dando uma estrutura pré-pronta e cortando parte da sua criatividade. Não sou eu que devo decidir qual o melhor jeito de criar uma história, de montar um livro, o meu modo pode ser difícil ou ruim para você e vice-e-versa.
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Uma coisa óbvia que você precisa saber, é que: sua casa precisa de chão, paredes e teto. Ela precisa de uma trama, personagens e boa escrita. Esse é o básico do básico do básico.
Outro passo importante é uma decisão que pode mudar o rumo dessa "construção": para quem você está escrevendo?
Se for para os outros, você precisa pesquisar entre os best-sellers, saber o que vende, o que as pessoas gostam de ler e criar em cima disso.
É uma limitação. Eu me incomodo com limitações, pois assim como os personagens de Chouyaku Hyakuninisshu: Uta Koi (animação produzida por TYO Animations) procuram liberdade na poesia, eu procuro liberdade ao escrever minhas histórias.
A criatividade é como um pássaro: do que adianta deixá-la na gaiola se ela pode voar e te trazer mais novidades, do que presa olhando todo o dia a mesma paisagem?
Escrever é uma arte.

Já se você escreve para si mesmo, pode acabar perdendo a mão. Eu optei pelo "pode", porque o mundo é cheio de gostos e gostos, o problema é só passar pelas duas piores peneiras: encontrar uma editora (e ter sua história aceita) e tornar seu livro público.

Meu caso? O segundo. Nenhum livro realmente me satisfez com a sua trama, por isso resolvi criar a minha. Alguns eram chatos demais, as personagens que eu achava que ia me identificar mudavam a rota, os romances não eram legais, pouca diversão ou piadas cansativas... Sou uma eterna insatisfeita.
O primeiro sinal de insatisfação é começar a escrever fanfics do livro que você lê ou leu. A partir daí, é melhor começar a escrever suas próprias histórias.

É preciso ter bom senso para criar algo que fique na medida certa: agrade o público e agrade você. De nada adianta um livro que foi feito mais por obrigação de "quero ganhar dinheiro" do que "quero ganhar dinheiro e amar o que escrevo".
Viu só como construir essa "casa" não é tão simples assim? Há tantos sentimentos embutidos quanto palavras neste post.

Uma trama bem amarrada ou misteriosa com personagens carismáticos e uma leitura fluida torna a sua "casa" firme, à prova de Lobo Mau e ventania. Por isso, antes de tudo, preocupe-se com a estrutura, com os tijolos, o concreto e o ferro que irá usar. É legal pensar e acabar se deixando levar pelas decorações, pelos personagens, só que sozinhos, eles não prendem o leitor.
O livro é um conjunto. Quando falta teto, chão ou paredes, ele não atinge o mesmo nível que atingiria se estivesse completo.

Não há fórmulas secretas, dicas infalíveis e passo-a-passo tiro e queda, um escritor deve ter em mente que para o seu amadurecimento, ele deve fazer tudo sozinho. Só quem criou do zero, sabe a satisfação de chegar na centésima página. Durante o processo, ele passou por muitas coisas em sua vida pessoal e na montagem da sua história. É isso que torna um escritor tão fascinante, tão maravilhoso e tão merecedor de ser lido.
Não tiro o mérito daqueles que compraram uma estrutura e a "decoraram", só não os acho tão incríveis quanto aqueles que transformaram um pedaço de chão em uma casa, humilde ou exuberante.

E você: já chorou muito enquanto escrevia?

Por Kimono Vermelho (29/07/2012)

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