quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diários de Uma Escritora - 6

Adivinha quem não escreveu o Diários de Uma Escritora nº 6 no sexto mês? *podem soltar fogos*
É, acabou acontecendo, aliás, iria acontecer a qualquer momento, porque eu nunca faço as coisas de forma caxias, então sempre algo sai errado.
Em compensação, como Julho é mês de férias (não para mim, mas para o resto do mundo LOL), vai ter DOIS posts de Diários de Uma Escritora, este e o nº 7.



Diários de Uma Escritora 6 - Quem escreve, tem que ler!

Obrigatoriamente um escritor tem que ser um leitor.
É por causa dos livros que lemos que despertamos o nosso lado escritor e, obviamente, somos influenciados pelo conteúdo que consumimos.
Vou me colocar como exemplo: o meu primeiro projeto de história original era inspirado em Harry Potter (J.K. Rowling), só que sem a magia e com várias diferenças básicas. Ainda assim ficaria claro para os fãs da trama que eu teria tentado criar a minha Hogwarts muggle. É daí que nascem as "cópias", pessoas que "criam" algo baseado no livro da moda e enchem as livrarias com genéricos de Harry Potter, Crepúsculo (Stephenie Meyer) e por aí vai. Alguns são até interessantes, outros apenas apresentam a mesma temática e uma parte é genérico fajuto...
Parece que as editoras enlouquecem quando um assunto entra na moda: "Ah, o negócio agora é falar de vampiros? Então vamos pegar todos os livros com esse tema e jogar nas livrarias!"

Mas verdade seja dita, um bom escritor tem que ser um bom leitor.
Primeiro motivo: aprendemos a escrever melhor quando lemos bastante, melhoramos nosso português. Segundo motivo: Ajuda com descrições de coisas que normalmente fazemos, mas não sabíamos como descrever (dar de ombros, franzir o cenho). Terceiro motivo: Aprendemos vários detalhes de arquitetura, paisagem, vestimenta, que ajuda nas demais descrições.
E olha que eu citei APENAS TRÊS benefícios!

De fato, ler ajuda muito, só que ainda quem comanda o escritor é sua criatividade.
O importante é ser autêntico, mas isso implica em se desvincular do "cordão umbilical" que foi gerado com a nossa leitura. No meu caso, foi difícil largar a "mamãe" Harry Potter, levei alguns anos.

Não pense que é fácil para todos abrir mão da segurança de uma fanfic, de uma história que já conta com uma estrutura pronta e que apenas precisar ser complementada por você. É como mobiliar uma casa vazia. O teto, as paredes, o chão, as janelas... Já está tudo pronto, você só precisa colocar a sua decoração, os móveis e os utensílios.
Criar uma história original é como construir uma casa do zero. Você primeiro precisa da estrutura para depois decorá-la.
É claro que é complicado, contudo, a diversão e o suor são garantidos. Muitas vezes é necessário quebrar paredes já erguidas e pintadas, abrir janelas, mover portas... Não é fácil completar essa "casa", é uma jornada e tanto, onde diversas pessoas desistem pelo caminho.
Uma casa inacabada é uma ruína, um livro inacabado é só um monte de papel com palavras escritas.

Como largar da barra da saia da "mamãe"?
É sempre um momento complicado, tanto no sentido figurado quanto no literal. É a hora da independência, de andar com as próprias pernas e mostrar que você é capaz de fazer algo sozinho.
Há um tempo certo para isso? Cada um tem o seu. Atingir este patamar é se mostrar maduro, responsável.
Novamente, não é fácil, aliás, nada na vida é fácil, pelo menos nada que dure. Sempre você terá que pagar um preço por ele, que pode ser menos ou mais custoso.

É importante para o amadurecimento do escritor abrir seus horizontes, parar de beber de uma só fonte, procurar ler outros tipos de livros, aprender coisas novas, pesquisar, ser curioso... É preciso sempre estar se renovando, pesquisando, procurando por novidades. Escritor empacado em um só estilo pode se considerar morto.

Quando você se livra da "barra da saia da mãe", se torna capaz de criar uma gama de personagens e tramas, que pode ser assustador. Para a criatividade não há limites, aliás, não os imponha.
Eu até poderia ser mais cautelosa e aconselhá-los a serem sensatos, tomarem cuidado com certos assuntos e abordagens, só que eu estaria os limitando. O importante nessa aparente liberdade extrema é saber até onde você pode ir e até onde você não será tachado de doente.

Sua casa pode ter um tapete daquele estilo, um quadro daquele pintor, uma coberta daquele tecido... Obviamente você pode incluir suas influências, o legado recebido, em seu livro. Só que agora a estrutura é sua e não de outrem. Apenas tome cuidado para não montar a sua casa igual a casa da "mamãe", ou seja, cuidado para não fazer uma segunda versão daquele seu livro favorito. Muitas obras não vão para frente, pois vivem de uma só fonte, um só estilo, uma mentalidade quadrada com poucas opções. Sei que estou sendo repetitiva, no entanto, é importante gravarem essa mensagem fundo.
Um livro com várias influências (não exageradas) pode se tornar interessante desde que apresente a sua própria estrutura.
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Desde pequena leio livros (entenda como: vejo as figuras), aliás, não há presente mais chato para se dar a uma criança do que livros e roupas.
"Como pode uma pessoa que se diz escritora, falar que dar um livro a uma criança é algo chato?" Bem, claro que depende da criança, mas EU odiava.
O meu interesse pela leitura veio aos 11~12 anos com Harry Potter por conta de uma amiga da minha mãe que falou muito bem da obra, contou uma rápida sinopse e se mostrou maravilhada com o que leu. Pode não ser seu livro favorito, você pode odiá-lo, porém, ele me abriu um mundo novo, onde conheci o ilustríssimo Machado de Assis com seu Memórias Póstumas de Brás Cubas. Passei por outros livros no tempo de escola em que os autores se tornaram mais carismáticos do que suas obras, como é o caso de Guimarães Rosa, autor do enigmático Sagarana. Contudo, a história que até hoje me faz dar boas risadas, eu só conheci quando o vestibular pediu para que eu a lesse: O Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente.

Minha primeira experiência com Gil Vicente foi um fracasso e eu não recomendo a ninguém: O Velho da Horta. Só que tempos depois o escritor português se redimiu com o seu Auto da Barca. Há críticas a instituições da época e apesar do português arcaico, com a ajuda de uma versão revisada de cursinho, a leitura se torna mais fluida.
Com certeza O Auto da Barca do Inferno foi uma grande influência para um arco de um dos meus projetos. Eu não poderia deixar de beber dessa fonte e usá-la ao meu favor. O segredo é inspirar-se e não criar uma cópia mascarada. Tanto que quando o meu livro estiver nas livrarias, vocês talvez nem se lembrem dessa informação.

"Você não está dando muitos detalhes dos seus projetos? Você não está sendo muito pessoal?"
O que uma pessoa pode fazer com essa informação? Falar que me inspirei n'O Auto da Barca não revela nem a poeira do chão da minha "casa". E sobre o "pessoal", se não notou o Diários de Uma Escritora fala sobre a escritora aqui, então... Só aviso aos desavisados.

Este Diários teria como tema "personagens", só que achei um pouco cedo para abordá-lo e então decidi falar sobre a leitura de livros e como eles nos influenciam nas nossas escritas.

Ainda este mês o sétimo Diários, não perca!

E você: já largou da barra da saia da "mamãe"?

Por Kimono Vermelho (15/07/2012)

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