quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diários de Uma Escritora - 5

Eu deixei uma dica na matéria anterior. Se você leu e não pescou, taí a dica: "Esse é o tipo de trama que eu quero ler."

Diários de Uma Escritora 5 - Qual a motivação para se escrever um livro?

Como falei no primeiro Diários de Uma Escritora, eu escrevia fanfics de Harry Potter (J.K. Rowling). Fanfics são histórias criadas por fãs de filmes, livros, histórias em quadrinhos, jogos, etc.
De fato eu era uma péssima escritora, com péssimos hábitos, ideias idiotas, personagens sem-graça, escrita terrível e muitas coisas piores que eu ficaria aqui citando por horas, tanto que minhas fanfics sempre tinham poucos comentários.
Com o tempo as pessoas tendem a melhorar se começam a se esforçar. Acredito que seja o meu caso e já deixo um aviso para o futuro: se acha meu livro um lixo, saiba que já fui pior.

O meu maior pecado, e que tenho que me policiar até hoje, é a criação de Mary Sue. Esse termo identifica toda personagem feminina perfeita demais, que sempre fica com o protagonista, sempre está certa, nunca falha, sempre é a mais bonita, ou seja, ela é praticamente uma deusa na terra. Todo escritor, principalmente os iniciantes, já a criou uma vez na vida, é normal. O problema é quando você se prende a ela e não consegue fazer personagens mais reais.
A Mary Sue seria como a princesa dos contos de fada e hoje em dia isso não cola mais, a maioria dos leitores não "compra" mais essa ideia, querem algo que chegue próximo ao real para se identificarem com os personagens.

Em si, minhas histórias eram fracas, mal escritas e muito mal construídas. Também, o que esperar de uma menina de 12~14 anos que tinha começado a se interessar por livros aos 11?
A minha vontade de escrever fanfics veio da minha insatisfação com a obra original, no caso, Harry Potter. Eu queria ver outros tipos de histórias, relacionamentos, personagens e então resolvi escrever a "minha versão" do livro.
Eram diversas histórias com quase as mesmas original characters (OC - personagens originais - criadas pelo autor da fanfic). Eu ainda caio na risada com algumas, quando em um momento qualquer resolvo pegá-las para ler.
Fiquei alguns anos, não sei precisar quantos, escrevendo para um site especificamente de fanfics de Harry Potter. Era um bom local, mas depois caiu no ostracismo, e também a dona do site era muito ocupada.

Quando eu estava no 1º ano do Ensino Médio, comecei a passar o meu recreio na biblioteca da escola, um local visitado por poucos alunos, mas que me traz as melhores lembranças daquele lugar.
Eu vivia passeando pelas estantes, procurando dicionários de outros idiomas, livros técnicos e outros assuntos interessantes. Foi no final do ano que comecei a escrever a minha primeira história sem nenhum envolvimento com Harry Potter, a minha história original.
O engraçado é que usei alguns elementos da obra de J.K. Rowling: internato no meio de uma floresta, quatro fundadores, quatro "Casas"... Só meus personagens que eram bem diferentes, até tinham uma banda! Sem falar que o protagonista era mais "adiantadinho" que Harry.
Hoje eu olho o caderninho laranja (onde está essa história) e vejo como a trama era fraca e os personagens cansativos, no entanto, era meu, eu não estava modificando algo de outra pessoa.

Não há nada mais gostoso do que ter algo totalmente seu, que veio da sua cabeça, que foi gerado por você. É como ter um filho. Aliás, usei esse exemplo na primeira edição do Diários.
Pode soar engraçado ou até mesmo ridículo para a maioria, já que esse sentimento é muitas vezes entendido apenas pelo próprio autor da obra, contudo, para mim é um exemplo perfeito sobre o que sinto pelos meus projetos.
Obviamente não pretendo dar mais informações sobre essa história do caderno laranja, porque reaproveitei alguns nomes e tenho amor aos meus direitos autorais, coisa que toda pessoa inteligente e criativa deveria ter.
Amor aos direitos autorais não quer dizer esconder sua obra do mundo, e sim, lucrar com ela e dizer ao mundo penalmente "é meu, fui eu que fiz".
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No 2º ano do Ensino Médio, surgiu o projeto de ficção com realidade, bem distante do que era a história do caderno laranja, ainda assim pobre, porém muito melhor que a anterior. Ele ficou esquecido por alguns anos e depois de revê-lo em 2008, resolvi retomar as rédeas e continuá-lo. Em 2010 surgiu o projeto da ficção fantasia e cá estou eu em 2012 apavorada.

Quando você resolve escrever algo chamado livro e diz a todos que vai trabalhar nisso, você começa a ser cobrado a todo momento. Sejam aqueles que querem saber o conteúdo, como aqueles que querem saber quando ele estará à venda. É complicado, muito complicado escrever um livro quando você depende não apenas de sua criatividade, mas de pesquisa. E eu estou empacada na pesquisa. Nunca pensei que aqueles projetos ingênuos se tornariam tão complicados e audaciosos. Quem eu acho que sou? Essa é uma pergunta que martela de vez em quando na cabeça. No instante em que penso nas proporções das minhas histórias, fico um pouco assustada. Não é um simples conto ou crônica que qualquer um é capaz de escrever. É algo profundo, que carrega meus sentimentos, minha opinião, minhas críticas, meu amor pela escrita, meu amor pelo conhecimento, minha vontade de dizer ao mundo quem eu sou. Bem que dizem que uma pessoa para ter feito tudo na vida precisa ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Árvore eu já plantei, filho é algo que deixo para o futuro e livro... Estou no caminho. E sinceramente, escolhi um caminho perigoso.

Ser escritor não é certeza de nada. Esse é o medo que qualquer pai e mãe tem. Era como ser artista antigamente, não "enchia bucho" de ninguém.
Como sou uma pessoa precavida e até pessimista (prefiro o termo realista), trabalho e pretendo cursar uma faculdade. É sempre bom ter o plano B, caso o plano A falhe ou demore para acontecer. É o meu principal conselho para pessoas que pretendem seguir profissões não muito ortodoxas e instáveis como a minha.
É até engraçado eu tratar "escritor" como profissão, já que na minha cabeça profissão é tudo aquilo que você precisa fazer um curso ou faculdade antes de exercer. Existe faculdade de escritor? Eu não sei, mas talvez nem me matriculasse nela.

Mas afinal: qual o motivo para se escrever um livro?
Cada um tem o seu.
O meu motivo era que eu queria algo meu, queria expor minha opinião, exorcizar os meus demônios, me divertir, escrever uma história que eu gostaria de ler.
Principalmente "escrever uma história que eu gostaria de ler". Atualmente vivo botando defeito nos livros que leio, reclamando de personagens, descrições... Foi essa insatisfação que me levou a escrever.
Eu dou muita risada com as minhas histórias, xingo alguns personagens, sou seduzida por outros, reclamo de algumas partes, rescrevo, me emociono, choro... É isso que eu queria sentir quando lia outros livros. Agora escrevo os meus para despertar os sentimentos dos leitores. E que talvez um dia algum deles tenha a mesma ideia que eu: escrever algo próprio. Meu desejo não é apenas inspirar leitores, mas também formar escritores.
É um sonho pretensioso, não é? Sem pretensão o mundo não se move.

E você: já pensou em escrever um livro?

Por Kimono Vermelho (27/05/2012)

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