quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diários de Uma Escritora - 4

Vou falar de um dos "personagens" mais importantes de qualquer trama: o narrador.

Diários de Uma Escritora 4 - Narradores e aulas de Português que davam sono


Apesar de gostar de escrever bem e muitas vezes não conseguir, uma verdade é absoluta na minha vida: aulas dão sono. Pelo menos as de Português na escola e no cursinho. Só que é importante conhecer o seu idioma para poder aprender novas línguas, até porque eles também têm os tais advérbios, adjetivos, substantivos, verbos e etc.
Uma coisa eu lembro bem das aulas de Português: os tipos de narradores. Foi uma das poucas vezes que prestei atenção no que estava sendo dito e não esqueci com o passar do tempo.

Existem três tipos principais de narradores: narrador-personagem (1ª pessoa), narrador-observador (3ª pessoa) e narrador-onisciente (3ª pessoa).
Eu escrevi "principais", pois algumas pessoas gostam de encher a explicação de frufrus e falam sobre narrador-protagonista, narrador-coadjuvante, narrador-sei lá o quê, e por aí vai.

Narrador-personagem (1ª pessoa)
É o que conta a história em 1ª pessoa (não dá para ser menos óbvia). Quer um exemplo fácil? Crepúsculo de Stephenie Meyer. O primeiro livro é narrado pela protagonista Bella Swan.
Ok, quer me matar por ter citado uma obra tão... Enfim, que tal o nosso amado e odiado Dom Casmurro do excelente Machado de Assis? A história é contada por Bentinho, carregada de sua opinião unilateral e certeza de que Capitu, sua esposa, o traiu com seu melhor amigo, Ezequiel (ou Escobar como muitos chamam - acontece que Ezequiel é o primeiro nome de Escobar - confundiu? Google it!).
Sinceramente... Eu prefiro mais Memórias Póstumas de Brás Cubas, até porque não fui muito com a cara de Dom Casmurro. Podem me apedrejar, eu não ligo.

Deixando minhas preferências literárias de lado, o narrador-personagem nada mais é que um personagem (não importa qual) que está narrando a história. Ele trás mais emoção e proximidade com o leitor. O único "defeito" é que apenas se expõe uma opinião, a opinião do narrador, por isso achei interessante citar Dom Casmurro. Na trama, só sabemos dos argumentos e sentimentos de Bentinho. E daí surge a dúvida: Capitu traiu ou não traiu o marido?
Inclusive os contos É o meu desejo... e Red Night (Noite Vermelha) que estão aqui no site, são narrados em 1ª pessoa.

Narrador-observador (3ª pessoa)
É o que conta a história em 3ª pessoa, mas que apenas observa. Você entenderá melhor esse "mas que apenas observa" quando eu falar sobre o narrador-onisciente.
Aí começamos com um senhor problema. Eu sempre conseguia confundir o observador com o onisciente e por causa disso precisei pegar um auxílio no Google.

O narrador-observador não participa dos fatos e narra de forma imparcial. É como assistir uma corrida de cavalos, ou um jogo de futebol, ou uma partida de vôlei, ou ver um acidente na rua. Pelo menos foi isso o que o resumo que eu li deu a entender.
Um exemplo literário? Ubirajara de José de Alencar. <- Fonte de pesquisa - Não li, não posso comentar.
Também posso usar como exemplo os gibis da Turma da Mônica do Maurício de Sousa.
Ok, vamos para o próximo tópico antes que eu seja excomungada de vez.

Narrador-onisciente (3ª pessoa)
O meu favorito e que considero mais completo. #apedrejanão
É o que conta a história em 3ª pessoa, mas que sabe de tudo o que está acontecendo. É como o conceito de Deus pelos povos que acreditam em Sua existência. Deus é considerado onipotente e onisciente, Aquele que tudo pode e tudo vê. O narrador-onisciente é como um deus que narra a história, ele sabe de todos os acontecimentos, sentimentos dos personagens e seus pensamentos.
Desculpa citar Deus, só que era o melhor conceito/exemplo que eu podia dar.
Exemplo literário... Tem tantos, mas vamos citar dois: Harry Potter de J.K. Rowling ou O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós.

Dos três tipos, eu sou fã do terceiro, já que o uso com mais frequência.
Apesar de achar o narrador-personagem muito pobre para o meu tipo de história, a maioria dos livros que li nos últimos tempos foram com narradores em 1ª pessoa: Crepúsculo de Stephenie Meyer, O Beijo das Sombras de Richelle Mead, O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury e A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr (que conta com os dois tipos de narrações: em 3ª pessoa e em 1ª pessoa).
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Lembro-me de uma coleção de contos que escrevi que era simplesmente hilária. O protagonista era homem e narrador-personagem. Era uma gracinha.
Tudo começou, porque eu estava irritada e com o tempo foi se modificando, se tornando mais sensual, tendencioso e engraçado. Essa coleção me trás boas lembranças, estas de uma época em que eu estava testando personagens, personalidades, tiradas/sacadas/frases interessantes e narração. Eu fiquei dividida entre o santo e o profano, nada que eu ainda não continue fazendo.
Encerrei a coleção com 10 contos com títulos até que bem criativos.
Obviamente não poderei dar mais detalhes, pois não sei se um dia irei publicá-los. Geraria um pouco de vergonha alheia. *risos*
Esses contos foram importantes para eu desvincular a minha personalidade de menina da personalidade da mulher - foi a transição entre elas -, foi algo que me ajudou a crescer, amadurecer, não só como escritora, mas como pessoa. A partir dessa coleção de contos, comecei a ver o mundo com outros olhos e os meus personagens, com mais seriedade.

Prometo que se for realmente publicado, eu aviso, tá? Com certeza ele será revisto e talvez modificado para a minha fase atual. Não tinha muito background, já que a importância real era o casal da trama. Ou talvez seja melhor deixá-lo cru como está. Não sei, são coisas a se pensar no futuro.

Atualmente estou trabalhando em outros contos, coisas bobas, projetos bem menores do que os meus carros-chefes, e tenho pelo menos dois com narrador-personagem.
É interessante sempre diversificar. A mesmice é cansativa, é rotina. E de rotina eu pulo fora.

Eu prefiro o narrador-onisciente, porque consigo explorar as tramas, os acontecimentos e os personagens ao máximo. Gosto de dar várias informações aos leitores e fazê-los ter alguma empatia por um determinado personagem naquele momento, sentir na pele. E eu tenho trabalhado com cenas bem pesadas, coisas para chocar e mostrar que até mesmo uma criatura, considerada uma das piores do mundo, pode ser tão frágil e delicada em sua intimidade.
Eu tenho facilidade para fazer cenas grotescas, chocar, colocar o leitor em contato com o fundo do poço. Gosto de fazer as pessoas pensarem um pouco, colocarem a mão na consciência e discutirem sobre o que poderia ter sido feito ou ainda pode, para que o personagem saia daquela determinada situação.
Esse é o tipo de trama que eu quero ler.

Espero revê-los no próximo Diários de Uma Escritora!
Obrigada pelo suporte! (Sim, por me suportar)

P.S.: Deixei uma dica escondida sobre o tema do próximo Diários de Uma Escritora. ;D

Por Kimono Vermelho (25/04/2012)

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