quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Diários de Uma Escritora - 2

Diários de Uma Escritora 2 - Argumentos e "meus bons livro"

Fiz uma introdução ao "Diários de Uma Escritora" que foi considerada por uns sentimental demais ou muito pessoal e por outros boa. Ok.
Esta seção não é jornalística, assim como acredito que muitas matérias do site também não sejam. Trata especialmente de trechos do cotidiano de uma escritora, no caso eu. Então será sempre muito pessoal, às vezes até sentimental e sempre carregado com a minha opinião.

Fui questionada sobre privacidade e acho que o que escrevi na parte 1 está totalmente de acordo com o que quero passar. Para mim, expor a privacidade é: tirar fotos íntimas e colocar na internet, ficar espalhando onde vou para o mundo inteiro saber (tirando compromissos profissionais, como noite de autógrafos ou lançamentos), expor a minha vida íntima em casa com familiares e amigos mais próximos, dar o meu endereço, falar da minha vida sexual.
Falar sobre o bullying que sofri, como fui tratada pela escola e como cresci com isso, não é tornar a minha vida um livro aberto, e sim, mostrar que qualquer um que queira é capaz de passar por cima dessa ferida/cicatriz. Minha vida não é um livro aberto, que isto fique bem claro.

"Meus bons livro"... Não tá faltando um "s" ali?
Segundo Luiza Marilac e seus bons drink, não.
Comecei a gostar de ler com a saga Harry Potter de J.K. Rowling e depois disso aproveitei que a escola solicitou Memórias Póstumas de Brás Cubas para conhecer melhor Machado de Assis.
Esse escritor era um gênio. Primeiro, por contar a história a partir da morte do protagonista, ousadia que eu só tinha visto em um mangá (revista em quadrinhos japonesa) chamado Yu Yu Hakusho de Yoshihiro Togashi. Segundo, por ter o talento de unir o Romantismo ao Realismo, escolas literárias que eu fiz questão de esquecer no Ensino Médio junto com toda a Literatura e traumas de entendimento. Suspeito ainda de dislexia da minha parte, mas... Voltemos ao incrível Machado.
Acho engraçado como boa parte das pessoas que trabalham com arte ou entretenimento no geral, fizeram faculdades consideradas sérias e preferidas pelos pais zelosos. Com Machado de Assis não foi diferente, ele se formou em Direito, ou seja, era um advogado. Até hoje acho essa curiosidade bizarra, pois não se espera criatividade de um advogado, a não ser aquela para encontrar brechas nas leis e argumentar.
Li alguns contos soltos (que não recordo os títulos) e ficou por isso mesmo. Tentei começar Dom Casmurro, só que acabei me cansando no começo. Para mim não tinha o mesmo brilho de Brás Cubas.

No 1º ou 2º ano, a professora nos fez ler O Velho da Horta de Gil Vicente, uma verdadeira tortura que consegue ser pior que qualquer livro de Graciliano Ramos.
Em compensação, li por minha conta o hilário O Auto da Barca do Inferno e virei fã. O modo como os personagens são apresentados, a simpatia do Diabo e o péssimo humor do Anjo, me arrebataram. Já deu para perceber que onde tem sobrenatural, lá estou eu.

Mas nem só de seres lendários vive o meu interesse. Lembro da minha primeira Bienal do Livro, simplesmente inesquecível e muito aprazível. Todos deviam visitar as bienais. É um evento mágico onde quem não tem sua listinha de compra, pode garimpar ótimos títulos com bons descontos.
Lá encontrei um título interessante: O Clube do Beijo de Márcia Kupstas, um livro muito bom para adolescentes (que era o meu caso, na época).
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Em 2010, eu me programei e fiz uma lista especial com livros de pesquisa para os meus projetos. Incluí, é claro, alguns unicamente para entretenimento.
O que eu fiquei feliz em ver foi o quanto o brasileiro gosta sim de ler. A Bienal estava APINHADA de gente. Alguns corredores pareciam um formigueiro.
Dica: procure sempre comprar o livro no stand da editora, acaba saindo mais barato.
Pode parecer uma dica batida e besta, contudo se fosse sempre seguida, iria garantir um bom dinheiro extra.
Coincidentemente, fui dia 21 na 21ª Bienal no ano em que completei 21 primaveras.
E lá estava o escritor brasileiro Eduardo Spohr divulgando seu livro A Batalha do Apocalipse, que só fui comprar um ano depois.

Minha felicidade ao trabalhar e receber salário é que eu poderia gastá-lo integralmente com... LIVROS!
Eu sei, qualquer mulher normal compraria roupas, maquiagens e supérfluos, só que nunca fui normal.
Sou dessas que se entrar numa livraria, esqueça-me, ficarei lá por horas garimpando.
E foi perdida entre estantes e mais estantes que encontrei o meu xodó: O Vendedor de Sonhos de Augusto Cury.
Poucos livros foram capazes de me deixar tão interessada. Era difícil deixá-lo de lado.

Na onda das modinhas, comprei Crepúsculo de Stephenie Meyer e O Beijo das Sombras de Richelle Mead, ambos com vampiros como personagens.
Li Crepúsculo esperando muito e encontrando muito mesmo, MUITO pouco. Gosto de ação, inteligência, personalidades marcantes, dramas psicológicos e uma boa trama envolvente. Não encontrei o que eu esperava e me cansei com o que li. Um livro totalmente dispensável na minha estante.
O Beijo das Sombras me apresentou bons personagens, ação, uma trama até que interessante, dramas psicológicos e algumas reviravoltas que eu não esperava. É, foi bom enquanto durou. O segundo livro Aura Negra, porém, até hoje não terminei de ler e olha que comecei no início de 2011. Não gosto como abordam os adolescentes nos livros, eles sempre seguem uma cansativa fórmula de típico filme dos Estados Unidos.
Você pode falar: "Claro, são livros dos Estados Unidos, sua burra". E eu te respondo: não me faça citar Thalita Rebouças, querido brasileiro.

Eu tenho medo de livros com personagens adolescentes, pois a maioria é horrível e os trata como indivíduos idiotas e superficiais. É óbvio que existe esse grupo, no entanto era bom explorarem também o grupo realmente inteligente e sensato.
Sim, todos os adolescentes passam por uma, outra ou várias fases iguais, só que nem toda garota fica pensando em maquiagem e nem todo garoto fica pensando em zoar. O Clube do Beijo dá de 10 à 0 em muitos títulos juvenis e deveria ser recomendado. É uma pena que não tenha virado modinha, eu ficaria contente.

Vamos agora retornar à gloriosa época da escola.
Li enquanto chorava lágrimas de sangue, o horroroso Angústia de Graciliano Ramos, que me fez odiar o escritor por toda a eternidade. Lembro que achei a leitura confusa, sem objetivo e muito cansativa. Nunca mais me atrevi a ler a obra e me desfiz do livro ainda no Ensino Médio.
Foram poucos os livros obrigatórios que realmente peguei para ler, o resto foi na base dos resumos de internet.
Acontece algumas vezes de simpatizar com o escritor e não com sua obra, como é o caso de Guimarães Rosa e Eduardo Spohr.
Quando eu comprei A Batalha do Apocalipse esperava mais. Acabei pulando as longas descrições, porque não gosto de descrições exacerbadas, o básico para mim está ótimo. Senti falta de porrada no velho estilo mano-a-mano, mas tudo bem, existe uma licença poética com anjos e demônios. Queria ter visto invocações de armas incríveis ou criaturas terríveis, o que não aconteceu do modo como eu esperava.
É um livro interessante, só que neste caso tenho mais simpatia pelo escritor do que por sua obra.

Numa livraria, encontrei A Rosa Perdida de Sedar Ozkan. A sinopse até que é boa e pode te enganar direitinho, sabe por quê? Porque você não dá nada pela história e ela vai se transformando em algo magnífico. Perto do final eu comecei a desconfiar do que viria... Acabei acertando, contudo, a leitura continuou gostosa.

Claro que nem toda "garimpagem", se é que podemos dizer assim, dá bons frutos.
Dei o azar de pegar um livro em português de Portugal (a sinopse não denunciava), onde os diálogos estão misturados a narração e os personagens não têm nomes, apenas características. A proposta até que é boa, porém o livro nessa forma se torna confuso e cansativo. Poderia ter sido melhor, só que foi mal explorado e, arrisco-me a dizer, que mal escrito também. Se quiser se arriscar: O dom de Jorge Reis-Sá.

Todos os livros que citei são de entretenimento, nenhum deles é técnico.
Há também outros livros que não são narrativos, mas continuam na categoria de entreter o leitor, e tenho alguns destes. Aliás, tenho também vários livros técnicos, como por exemplo, um sobre psicopatas, um sobre adoção e outro sobre a cidade de São Paulo.
Independente do que eu escrevo ou do que pretendo escrever, gosto de saber das coisas, conhecê-las. É uma curiosidade boa, bem melhor do que xeretar a vida alheia.

Espero revê-los no próximo Diários de Uma Escritora!
Obrigada pelo suporte! (Sim, por me suportar)

Por Kimono Vermelho (07/02/2012)

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