quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Desejo e Obsessão

O título parece de algum romance europeu perdido numa banca de esquina, mas o assunto a ser tratado é um pouco mais sério.
AVISO!!!: Esta matéria contém termos fortes e comparações que podem ser muito agressivas. Se for sensível, por favor, opte por ler as outras matérias do site. Este post foi escrito no RAGE.
Este post pode ser visualizado em fundo branco, letra preta aqui.

Você sabe o que é stalker?
É um termo em inglês que designa uma pessoa que persegue outra por mídias sociais, em suma, na internet.
E por que isso acontece? Falta do que fazer? Vida social inexistente? Alto consumo de merda?
Há vários fatores que tornam uma pessoa normal em um stalker (para o bem ou, mais normalmente, para o mal).



Não há mal nenhum em você querer saber um pouco mais da vida do seu artista favorito, na verdade, é a coisa mais normal do mundo, já que ficamos admirados com o trabalho, a personalidade, o físico e outras características dessa pessoa. O problema é quando isso deixa de ser saudável e se torna uma obsessão.
E fica pior quando o perseguido em questão não é famoso. Sim, algumas pessoas são tão doentes que perseguem anônimos mesmo. Seja o colega de escola, a professora ou até uma pobre coitada que faz vídeos para a internet (sim, falo de mim mesma).

Privacidade é algo que toda pessoa sã gosta de manter, porém com a facilidade e interação da internet a maioria acaba se expondo exageradamente, sejam com fotos provocantes ou falando sobre o cotidiano de sua vida.
"Se quer manter sua privacidade, não entre na internet" - Acho que muitos dariam esse conselho aparentemente inteligente e expressivo, contudo, caro espertalhão, não há como manter-se fora dessa atmosfera cósmica chamada internet. Atualmente tudo é feito por ela: e-mails, envio de documentos, conversas, leitura de notícias, visualização de vídeos, de fotos... Quem não está na internet, não existe, digamos assim. Se você não tem e-mail, fica difícil alguém querer te dar emprego ou manter o contato mais facilmente com você. Sem falar que quando o correio decide entrar em greve, na maioria das vezes, é a internet quem nos salva.

Então como manter a privacidade na internet?
Não se exponha de forma exagerada. Para que uma foto de lingerie? Ou dar detalhes da sua vida íntima?
Se você acha legal ser perseguido por um bando de babacas que só estão a fim de ver sacanagem, ok, é sua escolha. Se não quer isso, tenha mais cuidado.
Eu venho de uma época onde a internet já era um lugar perigoso para crianças, adolescentes e gente despreparada mentalmente, então estou acostumada a ser mais ninja com as minhas informações, apesar de, claro, não ser tão perfeita quanto meus antepassados.
Para quem não conhece um dos lados obscuros da minha vida, faço vídeos para internet onde canto aberturas e encerramentos de animes (desenhos animados japoneses <- tradução para leigos) e com isso obtive alguma fama. O problema dessa "fama" é que ela é uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo que exponho um talento meu e recebo comentários sobre ele, também atraio os chamados stalkers.
Com certeza a culpa é minha, pois ativo a coisa mais podre que essas pessoas têm: a imaginação.
Eu não faço questão de mostrar o meu rosto na internet, porque para mim este lugar ainda não me deu segurança nenhuma e piora quando vejo gente obcecada. Se já são assim sem verem o meu rosto, imagina quando verem.

Não queria ser repetitiva, pois detesto, mas vou novamente responder a pergunta mais irritante e comum que recebo: Por que você não mostra o seu rosto?
Já pensou que isso é uma vontade minha e que a sua vontade, o seu desejo, não deve se sobrepor ao meu? Já pensou que essa pode ser minha escolha e que você não tem nada a ver com isso? Já pensou que tenho direito de preservar um pouco a minha privacidade?
Se você não pensou em nenhuma dessas hipóteses, tenho um conselho: fique menos tempo na frente de um computador e viva mais na realidade, porque seu mundo distorcido está te tornando uma pessoa doente.
Sabe, se ninguém reparou eu não sou famosa. Ainda não fui entrevistada pela Marília Gabriela, pelo Jô, pelo Faustão, pelo Ronnie Von, pela Ana Hickman, pelo Rodrigo Faro... Não participei de nenhuma novela da Globo, não virei jurada do Raul Gil, não conheço o Gugu, não estou participando de nenhum programa de televisão... É, eu não sou famosa de verdade. Fama na internet qualquer pessoa consegue, aliás, esse meio de comunicação se tornou a escada mais rápida para se mostrar um talento ou a falta dele.
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Um amigo meu disse que, além do mistério da pessoa por detrás do nome Asamiya Zaoldyeck/Kimono Vermelho, existe também outras características que acabam atraindo as pessoas: a minha voz e a minha personalidade fora do comum.
Olha, nada contra quem goste da minha voz ou da minha personalidade, isso até me deixa contente por mostrar que sou aceita por um talento e pelo meu jeito original de ser.
E para uma sociedade que preza tanto o visual (rosto e corpo) até que tenho um público razoável que só me acompanha pela voz e personalidade.
Vou ressaltar: não estou aqui para mostrar minhas fotos de miss ou meu book de atriz. Quero apenas expor uma opinião e um trabalho.
Certo, de qualquer forma isso atrai a curiosidade das pessoas pela minha vida privada. Até aí, aparentemente nenhum problema. A coisa começa a ficar complicada quando há uma necessidade sem motivo de saber mais do que a pessoa lhe permite.
Não é porque moro em tal lugar, que seremos amigos. Não é porque gosto de tal coisa, que seremos amigos. Não é porque meu signo é tal, que seremos amigos. Não é porque você sabe de alguma coisa que eu gosto, que seremos amigos ou terei algum interesse por você.

As pessoas precisam aprender que nem tudo pode ser como elas querem. O mundo não é a sua mãe. Não quer dizer que fazendo birra e se jogando no chão, as coisas vão mudar. Não adianta forçar a barra, pois isso é quase como um estupro. Sim, um estupro. Pois fere a privacidade e integridade de uma pessoa. Então sim, eu vou comparar um stalker a um estuprador.

Desejo e Obsessão... Primeiro o desejo, depois a obsessão...
Começa assim: você gosta de uma pessoa, idealiza como ela deve ser e agir, começa a procurar informações sobre ela, interage com ela e espera um dia se tornar uma pessoa mais íntima.
A maioria sabe que isso é muito difícil de acontecer, principalmente quando falamos de celebridades, porém isso nem sempre se aplica aos "anônimos-famosos".
Deve ser legal conhecer uma pessoa que gosta do seu trabalho, sempre te acompanha e dá a maior força para que você continue com aquilo.
O caldo entorna quando o desejo de conhecer, falar ou conviver com o seu ídolo, se torna uma obsessão.
O stalker fuça a internet inteira atrás de tudo que fale sobre o seu ídolo, faz praticamente um dossiê que começa com a data de nascimento e termina com o tweet mais recente que ele postou (e esse documento sempre é atualizado). Faz uma pasta apenas com fotos dele, copia todas as notícias, compra todas as revistas... Ou seja, vive e respira seu ídolo. Sim, isso é fanatismo e mais um pouco pode se tornar síndrome de stalker. Porque para perseguir uma pessoa você tem que ter um fanatismo surpreendente e um desejo incontrolável.

Infelizmente passei por essa situação desagradável e o que mais me chocou e chateou foi saber que o stalker só tinha 13 anos. Tem idade para ser meu primo, meu irmão mais novo ou até meu filho. Quando isso acontece é horrível. Se eu já tinha mania de perseguição, agora só piorou.
Não entendo a necessidade, o desejo doente, que as pessoas têm em saber meu nome, meu rosto, onde moro, o que faço da vida. Eu não sou brinquedo de ninguém para ser manejada como quiserem. Eu sou um ser humano e luto pelo direito de me resguardar de certas situações constrangedoras e nojentas.
Atrás desse computador tem uma vida, uma pessoa que chora, sofre, sorri, ama, odeia, ajuda, ignora, aconselha e vive uma vida cheia de problemas. Ninguém é deus, muito menos do seu santuário particular. Não dê super poderes a quem apenas quer viver sua vida em paz. Se não consegue me respeitar, ao menos se dê ao respeito, pois seu comportamento é digno de estuprador. Chega sem ser convidado, arromba a intimidade das pessoas, as expõe, oprimem, estupram sua privacidade. Essa pessoa é doente e precisa de sérios e rápidos tratamentos psiquiátricos. São perigos para a sociedade.

Você pode achar exagero, não discordo da sua opinião, pois apenas quem passa pela situação sabe o que significa aquele constrangimento. Como sabemos, toda vítima de estupro é culpada pelo ocorrido, seja ela uma trabalhadora honesta que sai de madrugada para ir ao emprego ou uma criança que não compreende ainda a maldade na cabeça das pessoas. O estuprador, aquele que comete o crime, é na verdade a vítima, já que foi seduzido e imposto a cometer aquela brutalidade.
A hipocrisia é uma boa maneira de ver as coisas. Só tome cuidado para não se tornar alvo de sua própria ignorância e pré-julgamento, porque quando se sentar no banco das vítimas, acredite, não seremos tão solidários.

Não é preciso ficar muito tempo pesquisando na internet para encontrar notícias sobre pessoas que chegaram a, de fato, perseguir algumas celebridades, mandar bilhetes ameaçadores e coisas do tipo. Nesse estágio, o obsessivo está vivendo numa outra realidade, onde ele e seu ídolo se conhecem e podem ter o relacionamento que o doente imaginar, sendo amigos, parentes ou namorados. Existem leis que garantem a proteção do perseguido, como a ordem de restrição que proíbe uma pessoa de ficar a menos de x distância de outra.
Exemplo: Maria recebeu uma ordem de restrição de Diego. Ela não pode ficar a menos de 200 metros onde o rapaz esteja e não pode manter contato com ele por nenhum meio de comunicação.
Funciona mais ou menos assim.

O meu conselho é: goste de uma pessoa de forma saudável, respeite as escolhas dela mesmo que você não concorde. Cada indivíduo tem o direito de manter sua privacidade sigilosa e toda a informação que considerar íntima.

Eu também sou fã, também quero saber mais sobre o meu ídolo, só que não dá para chegar já metendo o dedo na cara e obrigando a pessoa a falar.
Vamos ser mais saudáveis e menos fanáticos, viu? ;) Conselho de uma pessoa que ainda acredita em seres humanos melhores.

E você? É obsessivo quando gosta de alguém ou sabe respeitar os limites?

Por Kimono Vermelho (30/11/2011)

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