quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Boas Festas

Pois é, o ano acabou e, ao meu ver, passou rápido.
Cada um tem suas próprias histórias de 2011 e eu o convido, leitor, a fazer sua própria retrospectiva do final do ano, enquanto lê esta crônica que oscila entre o real e o imaginário. A escolha é do leitor: se acredita como verdade ou como invenção.


Este post pode ser visualizado em fundo branco, letra preta aqui.


Nem tudo foram flores como eu havia prometido a mim mesma no final de 2010. Foi um ciclo estressante na minha vida que começou em agosto no ano passado e não parou. Hoje não estou tão otimista quanto a 2012, porém me permito esperanças, ainda creio que será melhor que 2011.
Nunca chorei tanto na minha vida durante um ano inteiro. Passei por coisas que me magoaram muito, vindas de pessoas que eu não esperava. Uma traição dentro do seio familiar deixaria qualquer um atordoado.
Não sei o nível do meu masoquismo, mas acredito que quanto mais porrada eu levo da vida, mais me fortifico. É engraçado pensar assim hoje, quando um dia a vida não valeu mais que a dor.
Desde cedo eu passo por metamorfoses incríveis e venho me tornando uma pessoa um pouco mais complexa do que era antes. Confesso que tenho uma curiosidade pelo oculto, pelo mistério, e já perdi a conta das vezes que procurei quem lesse o meu futuro.
As pessoas que não se preocupam com o presente estão entregues a frustração. Uma pessoa que vive do passado, uma pessoa que vive do futuro... Tantas vezes a gente se vê procurando a felicidade que nunca chega.
O destino ou futuro, como queiram, pode até estar traçado, mas não é como um mapa com rotas, ele apenas tem pontinhos indicando a localização. O caminho até eles continua incerto. Então deixei de consultar alguém que lesse o meu futuro (apesar de certas passagens terem realmente acontecido).
Todos somos ensinados que a felicidade é isso, que a felicidade é aquilo... Mas será que você já parou para pensar que a felicidade não é um período e sim um momento, um instante?
Quase todos os dias você se encontra com a felicidade e não a reconhece. Seja por um beijo apaixonado, por um sorriso de uma pessoa que você ama, por adquirir algo com tanto sacrifício. A maioria das pessoas buscam uma utopia: a felicidade eterna. E se perdem cada vez mais fundo na frustração e na tristeza. Mas voltemos a 2011.

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Eu não imaginava passar por tantos problemas, aborrecimentos e tristezas. Ninguém deseja isso, porém é inevitável. Ainda assim é um ano que até hoje não teve nenhum falecimento de ente querido, então ainda está com saldo positivo.
Tive algumas alegrias e percebi muitas coisas que me negava a ver.
Eu tenho talentos, mas mesmo já sendo uma borboleta me trato como uma larva. É um pouco de receio de ser mal interpretada num mundo onde as aparências e a falsidade comandam. Eu costumo talvez passar a imagem de uma pessoa arrogante, pois gosto de bancar a professora. Obviamente sou muito mal interpretada incontáveis vezes e isso me incomoda um pouco.
A impressão que dá é que o mundo quer que você seja um robô e aja como a mocinha da novela. Se você tiver personalidade própria, você automaticamente vira o vilão.
As pessoas adoram idealizar e estereotipar alguém. Se você não leva desaforo para casa é barraqueira ou se você é quieta e faz a boa moça, é santa. Tudo é 8 ou 80. A vida não funciona assim.
Ao mesmo tempo que sou uma pessoa forte, eu também tenho minhas fraquezas. Não é porque pareço um muro de titânio que não choro ou não tenho um lado mais sensível. A esmagadora maioria não consegue perceber que uma só pessoa pode ter várias facetas.
O que em 2011 me irritou bastante foi a idealização surreal que tiveram por mim. O fato da minha voz ser bonita ou gostosa de ouvir, não quer dizer que eu seja a princesa do castelo, meiguinha e doce. O fato de eu ser mulher não quer dizer que eu seja delicada feito cristal. O fato de eu gostar de animes (desenhos animados japoneses) e mangás (histórias em quadrinhos japonesas) não me faz uma pessoa obcecada pelo tema. O fato de eu ser "sangue no zóio" não quer dizer que eu consiga aguentar porrada direto, como se fosse lutadora de MMA ou UFC.
Nós seres humanos somos criaturas complexas. Alguns podem ser rápido e facilmente lidos, pois deixam a desejar em conteúdo, quando outros podem ser cavernas profundas demais para a nossa sanidade.
Outra coisa que percebi foi a acomodação da nova geração. Querem tudo na mão, como se pudéssemos dar todas as respostas para suas perguntas. Não fazem questão de aprender ou procurar saber. É como dar o brinquedo que eles querem. Depois de um tempo cansa e deixam-no jogado.
O que me dá pena é que não sairão dessa mediocridade, se tornando cada vez mais uma massa não-pensante e mais obediente.
Em certo ponto, concordo que fui ignorante com alguns e lembrei que com 13 anos eu não fazia ideia da complexidade do mundo e dos problemas que ele carrega. A questão é que nem sempre eles estão dispostos a ouvir ou ter alguém para ensiná-los, então de uma forma ou de outra, estou indiretamente mostrando este caminho.
Acho que costumo cobrar as pessoas principalmente por eu ter sido uma criança precoce e por ser alguém com sede de conhecimento. Gosto de aprender sobre diversos assuntos, gosto da inteligência e de somá-la ao que já sei. Essa é uma particularidade minha.
Ironicamente acabei aprendendo também sobre comportamento masculino e o quanto uma determinada parcela dos homens pode ser facilmente enganada. Ainda há na minha mente uma imagem que beira a do príncipe encantado: um homem responsável, inteligente e fiel. Quanto à beleza, todos um dia nos tornamos feios, a idade chega e as rugas também.
Em 2011, eu dei boas risadas, me diverti sozinha, com amigos ou com a família. Percebi que estou cercada por gente maravilhosa e que cada dia vivido vale à pena por causa deles.
Eu também briguei bastante e sempre mantive a cabeça erguida. Para quem não sabe, sou uma pessoa tímida e luto constantemente contra esse terrível defeito.
Tomei decisões importantes para a minha vida, onde cheguei enfim no marco-zero de onde começarei a caminhada rumo a realização dos meus objetivos. Hoje, mais madura, sei que ainda vou chorar muito mais do que já chorei e sofrer mil vezes do que já sofri.
O que me motiva? O clichê talvez seria responder "eu tenho um sonho", mas eu não sou uma mulher de clichês. Minha motivação é o meu talento. Eu acredito em mim. Eu sei encantar as pessoas. É meu dom.
Pode soar autoconfiante demais ou arrogante, mas pense: se eu não acreditar em mim, quem acreditará? Não posso depender dos outros para seguir.
É com minhas pernas que chegarei ao topo, é com minhas mãos que vou agarrar as pedras da montanha, é com a minha mente que posso ganhar o mundo. Por que não tentar? Por que não insistir? Por que me acomodar? Por que ficar com medo da opinião dos outros? Do que vão achar de mim?
As experiências que passei entre 2010 e 2011 me fizeram abrir os olhos. Eu tinha duas escolhas: ser feliz e enfrentar as consequências ou permanecer triste e obediente. Algo aqui dentro gritou por liberdade, gritou pela felicidade. Esse é o caminho que escolhi.
Já enfrentei consequências o bastante para saber que não será fácil. Vou ser julgada, apedrejada, vou sangrar.
Agora não me importo mais, porque eu decidi que nenhum ser humano é capaz de parar essa minha força de vontade. Eu não quero mais ser controlada pela opinião alheia, eles não vivem a minha vida, não sabem dos meus sentimentos e muito menos das decepções. Por que mesmo eu tenho que agradá-los? Ah... Eu não tenho que agradá-los, eu tenho que ser feliz.
Uma das maiores decisões da minha vida foi de cortar o coração. Qualquer um que só soubesse do fato e não da história por trás, tentaria mudar a minha cabeça dizendo que estava tudo errado.
Sabe o que é errado? Viver uma vida de mentira e fingir que está tudo bem. Eu fui dura e fria. Decidi pela minha felicidade e agora vou aguentar todas as consequências. Nem todos possuem essa coragem, a acomodação é mais forte. Mal sabem o prazer de viver uma vida feliz e livre de arrependimentos e amarras.
Resumo da ópera: ainda acredito em um ano onde as dores serão menores que as felicidades.

E para você: 2011 foi marcante ou prefere esquecer?

Desejo a todos que tiveram paciência para ler o texto: um Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

Por Kimono Vermelho (24/12/2011)


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