quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Adolescência - Parte 3

Se você não leu as duas primeiras partes, eu recomendo: Parte 1 e Parte 2.

Saindo da infância
Quando chegamos em uma determinada idade, nosso corpo começa a mudar. Nas meninas, vem a menstruação. Nos meninos, a ereção e ejaculação. É claro que eu poderia citar diversos outros fatores como a mudança da voz, o crescimento de pelos (me dá ódio não colocar acento em pelo), só que eu queria falar sobre os "rituais de passagem".
Eu sei, isso soa tão "coisa de velho" ou "bizarro", mas realmente é uma espécie de ritual de passagem. Para alguns vem mais cedo, para outros mais tarde. Cada corpo tem seu próprio tempo. Já vi notícias sobre meninas de 9 anos menstruando e garotas de 14 anos tendo sua menarca.
Quando mais nova, eu estipulei um quadro de uso de termos.
Uau, complicado, né? Nem tanto.


Este post pode ser visualizado em fundo branco, letra preta aqui.


Dos 0 aos 10 anos: chamamos de crianças
Dos 11 aos 13~14 anos: chamamos de pré-adolescentes
Dos 15 aos 17~18 anos: chamamos de adolescentes
Dos 19~28 anos: chamamos de jovens
Daí em diante, de adultos

O que isso tem a ver com a matéria? Bem, na verdade, eu queria saber se era a única com 12 anos que odiava ser chamada de criança.
É nesse ponto que eu quero chegar.

A partir de uma certa idade, a pessoa toma a consciência de que não é mais criança, de que suas atitudes devem mudar, ela deve amadurecer para servir aos propósitos que estipulou: estudar, trabalhar, fazer amizades, amores... A partir disso cada um começa a se enxergar como indivíduo.
Eu não sou apenas filha de fulana e sicrano, não sou apenas neta de não sei quem, eu sou a Kimono Vermelho. Sou um indivíduo que quer ser reconhecido como tal.

Buscando um lugar no mundo
Quando você entra na adolescência quer ser reconhecido como você mesmo e não como alguma coisa de alguém.
Frequentemente escuto algum médico ou psicólogo dizendo que o adolescente busca se encaixar em algum grupo e adere a filosofia/ideal daquele grupo, só que esquecem de dizer que ao mesmo tempo que existe uma massa, existe o desejo de ser reconhecido por si só e não por "fulano do grupo tal". É claro que alguns têm esse pensamento, no entanto, aos poucos o lado individual acaba aflorando.

O adolescente sente necessidade de se encaixar em algum grupo, estilo de vida ou idealismo, pois busca segurança, comodidade e um grupo para ser protegido. Instintivamente é isso que acontece.
É claro que muitos se juntam por achar as pessoas legais, a ideia interessante e sente vontade de participar daquilo, de algo onde você encontra outras pessoas que têm os mesmos gostos que você. Todavia, há os que procuram proteção e nem sempre "compram" a filosofia do grupo.
Complicado para entender? Vamos a duas histórias que podem te ajudar a visualizar dois tipos de pessoa.

História 1:
Ana é apaixonada por música clássica. Tem uma coleção de músicas no computador de seus compositores favoritos: Bach e Mozart.
No colégio onde estuda, existe um grupo de apreciadores de música clássica, entre eles dois colegas de classe: Daniel e Jussara.
Ana começou a andar com a turma, já que sempre trocavam experiências e informações sobre o estilo que gostavam. Acabam se reunindo para irem a concertos, alguns começam aulas com instrumentos, outros tentam regência...

História 2:
Carla é uma garota tímida que não consegue fazer amizade com ninguém. Um dia é ajudada por Maya e acabam se tornando amigas. Maya é amiga de Gabriela que tem um grupo especial, o grupo das garotas mais populares do colégio. Maya acaba levando Carla para o grupo. Não é bem o que Carla gostosa e não está acostumada com o tipo de vida que as novas amigas levam, mas ela parou de ser importunada pelos outros só por estar nesse grupo. Carla faz de tudo para ficar mais com "a cara do grupo", comprar a ideologia. Começa a se vestir do mesmo jeito que as amigas, se maquiar, sair para baladas. Ela não gosta disso, mas faz para não destoar do grupo.

A história 1 conta sobre o grupo dos mesmos gostos e a história 2 sobre a busca de proteção.
Uma coisa é muito importante em tudo isso: encontre pessoas que tenham o mesmo gosto que você. Tentar se encaixar em um grupo que não é "a sua cara", não faz sentido e pode trazer problemas.
No primeiro caso, tivemos Ana, a apaixonada por música clássica. Ela entrou em um grupo que parecia com ela, tinham os mesmos gostos e a garota estava sendo ela mesma. No segundo caso, não. Carla forçou algo que não é próprio dela, forçou uma aparência que não condiz com o que ela realmente é. Muitos adolescentes cometem esse erro e passam boa parte da fase infelizes.
Dentro dos grupos, existem ainda duas divisões: a das pessoas que se moldam para conseguir continuar no grupo e a das pessoas que o deixam por não conseguirem seguir o estilo. Daí nasce um terceiro tipo de pessoa: aquele que não adere a nenhum grupo ou se adere, age de forma autêntica, sendo ele mesmo.

A adolescência é uma fase muito complicada. Se você não entra em um grupo, fica desprotegido. Você se torna um "bom" tipo de alvo para, por exemplo, agressores, bullies. Estes procuram por pessoas que normalmente não podem se proteger sozinhas e/ou que também não são protegidas.

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Quem é você?
Esse terrível período entre a infância e a idade adulta é onde começamos a nos conhecer melhor, saber do que gostamos mais, do que não gostamos, em quem confiamos, o que nos motiva, o que nos irrita.
Quando se é criança ainda é costume seguir os gostos e estilos dos pais, mantendo pouco individualismo. A adolescência nos ensina como se impor quando discorda de algo e escolher por si só o que você quer.
Essa fase não pode ser pulada e muito menos ser vivida de forma imprudente. Parte do caráter de uma pessoa é moldado nessa época. É nessa fase que todos passamos por diversas situações que antes não precisávamos passar.

Todos, em algum momento, buscamos nossa própria identidade e por isso às vezes é bom ficar quieto em algum canto pensando sobre si mesmo, sobre a vida que leva e que quer levar, o que você gosta por si mesmo e não por causa do seu grupo, qual a sua opinião sobre diversos assuntos, etc.
Ninguém vai chegar e dizer o que e quem você é, essa resposta você precisa encontrar sozinho.
Muitas pessoas têm medo dessa palavra, "sozinho", têm medo da solidão. Obviamente não aconselho que você viva alheio a tudo como se fosse um ermitão, porém, é interessante ter momentos de solidão, momentos para você mesmo. Há tantas coisas que podem ser feitas, como refletir sobre seu comportamento, o que andou fazendo de errado ou de certo, quais pessoas machucou, para quem deve pedir perdão, quem deve perdoar e quem não deve...
Atualmente os adolescentes estão muito dependentes, como se tivessem medo de ficar sozinhos. Vocês não devem ter medo da solidão, devem usá-la a seu favor.
Aos poucos é importante crescer mentalmente e saber que você não é invencível como aquele herói e que muito menos seus pais durarão eternamente. É complicado se desligar da comodidade e ir à luta, mas é preciso. Se você não aprende no tempo certo, a vida te obriga a aprender da pior forma possível.

E aí: já descobriu quem você é?

Por Kimono Vermelho (07/05/2011)


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