quarta-feira, 20 de maio de 2020

Nota de esclarecimento sobre Asamiya Zaoldyeck

A moça que fazia a personagem "Asamiya Zaoldyeck" morreu em 2019.
Ela encerrou os trabalhos na internet no final de 2018.

Este blog pertenceu a ela até 2013, depois sendo repassado a mim.
A "Asamiya" (vou usar esse nome, porque ela nunca quis aparecer e vou respeitar seu desejo) era uma amiga minha, de conhecer ao vivo e frequentar a casa.

Os desenhos dos vídeos dela era eu quem fazia. Ela me pagava por eles e eu concordei em "ceder os direitos" para a Asamiya dizer que eram dela. Sempre foi uma pessoa muito correta comigo e se não fosse existiam meios legais para cobrá-la (nunca foi necessário).

Não lembro se era 2010 ou 2011, alguma coisa assim, ela recebeu um e-mail do YouTube oferecendo parceria monetizada. O problema é que isso a obrigava a ter um blog para colocar as propagandas.

Segundo problema: tinha que ser um conteúdo totalmente original.
Ou seja, ela não poderia incluir as fansings, as letras em português que ela mesma se empenhava para traduzir e o resto do conteúdo de seu trabalho, que incluía propriedade alheia (as instrumentais, imagens dos animes e etc).

Eu queria fazer um blog, mas não sabia como. Daí unimos o útil ao agradável: faríamos o blog, ela teria a parceria monetizada e eu poderia escrever umas besteiras de vez em quando. Tinha coisa que escrevíamos juntas, mandando ideias uma para outra, e foi assim até 2013.

A Asamiya queria focar nos podcasts, que era a chance de dar algum lucro, e manter as fansings, só que a vida dela foi virando uma bola de neve de problemas. Eu e o Eduardo, namorado dela, tentamos ajudar como podíamos.

O jeito foi diminuir o ritmo, apesar do trabalho consumir bastante seu tempo.
A Asamiya tentou manter os projetos em andamento, só que o único que poderia gerar alguma renda não estava tendo o alcance necessário. O canal de podcasts não ia para frente, apesar dos ótimos temas e do empenho dela em pesquisá-los para falar direitinho. No final, não deu dinheiro algum, só prejuízo.

Quando a Asamiya resolveu desistir desse projeto em 2018, ela estava sinceramente aliviada.

Primeiro por não conseguir manter regularidade e a gente sabe que para conquistar um público é preciso uma rotina, além de sempre estar atraindo mais gente para o seu trabalho.

Segundo por não aguentar mais o assédio moral e sexual que recebia de diversos homens de várias idades.

Eu lembro na época do Orkut que ela me mostrava cada coisa que dava para perder a fé no sexo masculino.

Era uma sexualização da voz e da imagem que tinham dela na própria cabeça, coisas realmente grotescas e que deixariam qualquer pessoa minimamente decente COM NOJO.

E eu tenho provado um pouquinho desse desgosto com comentários nas minhas redes sociais e até mesmo neste blog.

Homens, o que vocês chamam de "admiração" virou perseguição e assédio.
Quando você fica pedindo insistentemente para uma mulher mostrar o rosto ou qualquer outra parte do corpo, isso é assédio.
Quando você se aproxima de uma mulher de forma insistente, querendo forçar uma amizade que não tem clima para acontecer, isso é assédio.

Eu posso TENTAR compreender o encantamento de vocês pela voz bonita, mas jamais o comportamento desesperado. Eu sei que nem todo mundo tem noção do que é educado e o que não é, porém, com a Asamiya várias vezes vocês extrapolaram.

Sua mensagem "inocente" nem sempre foi de apoio.

Tanto eu, quanto o Eduardo e a própria Asamiya entendíamos que existiam pessoas que tinham ficado muito contentes com os trabalhos dela, que se emocionavam com as músicas, que adoravam os podcasts e que torciam pela pessoa, pelo ser humano Asamiya, e não desejando a mulher.

Porque o fato de ser mulher parece que abre precedentes para não sermos respeitadas.
Mulher é vista como um objeto de desejo, não como um ser humano.

A quantidade de assédio que eu vi essa moça passar na internet foi grotesca.
Desde gente a xingando por não mostrar o rosto e até dizendo que "vou estar aqui quando você voltar". <- essa última foi enviada para mim e eu já explico a situação.

Apesar daquele choro no último podcast, porque ela realmente amava aquilo que fazia, veio o alívio. Eu nunca vi a Asamiya tão bem como depois de ter encerrado o projeto de fansings e podcasts. Sabe o que é ver uma pessoa respirar aliviada e feliz novamente?

É extremamente triste, pois ela teve que abdicar de algo que realmente gostava por apenas dois fatores: trabalho que gerava renda em casa e o assédio de vocês homens que não conseguem respeitar uma mulher.

Se nós rejeitamos, vocês nos xingam de "puta" para baixo. Se dizemos que não queremos, vocês acham que é charme, que a gente na verdade quer sim. Se somos educadas, vocês também interpretam errado e acham que estamos a fim. Se vocês se colocassem no nosso lugar, não aguentariam um dia na nossa pele.

Agora vamos falar de um passado mais recente.
Depois que a Asamiya faleceu por causa de um acidente de moto (não vou dar mais detalhes, pois a família não permitiu), cada um foi procurar seguir sua vida.

O Eduardo, que me deu permissão para citá-lo neste texto, foi para a Alemanha e está lá ainda fazendo quarentena, pois acha arriscado sair de casa ainda não tendo vacina para a COVID-19.

E eu estou quarentenada, tentando fazer o meu trabalho, mas sendo importunada pelos fãs desesperados da Asamiya.

Fiz essa "nota de esclarecimento", pois vocês não sabem o quão sofrido foi para mim perder essa amiga que apoiava muito o meu trabalho, sejam os textos sérios ou as abobrinhas.

E toda vez que vocês vêm procurar por ela, chegam a mim (o Eduardo tem rede social privada, então é mais fácil vocês me acharem).

Verdade seja dita, alguns homens que vieram procurando a Asamiya foram cordiais e compreenderam quando eu expliquei a situação.
Porém, recebi um dia desses uma DM (que fui avisada via e-mail pelo Twitter) de um homem que fez com que retornasse todo aquele inferno de assédio que eu vi a Asamiya sofrer durante os anos em que se manteve ativa.

"Ainn mas não foi minha intenção" - Sabe aquele dizer sobre o inferno estar cheio de boas intenções? Pois bem. A gente sempre deve ter consideração pelas pessoas antes de jogar nossas paixões em cima delas. AINDA MAIS se não as conhecemos.

Eu não sou a Asamiya.
E todas as vezes que vocês me lembram dela, o acidente de 2019 retorna e todos os sentimentos horríveis que os familiares e amigos pessoais compartilharam também.

É mais um gatilho para crise de ansiedade, para síndrome do pânico, e nós estamos no meio de uma pandemia, então tenha consideração pela saúde mental alheia.

Apesar de não ter culpa, o Eduardo super gentil disse que ativaria o Twitter de novo, que explicaria tudo ao pessoal, só que eu já estava sendo o alvo, então disse que eu mesma faria isso.

Entrei em contato com a família da Asamiya para pedir autorização para falar sobre o assunto, já que virava e mexia um homem na internet surgia procurando por ela. Pois é, curiosamente nenhuma mulher nunca me confundiu com a Asamiya.

A mensagem da família é a seguinte:
"A todos que gostavam da nossa filha e do seu lindo trabalho, nós queremos agradecer por todo esse carinho. Ela infelizmente não está mais aqui para responder suas mensagens, mas agradecemos suas orações. Muito obrigado".

E é sinceramente horrível relembrar uma família, em plena situação atual, de alguém que eles já perderam e que faz muita falta.

Dito isto, que fique a saudade e o respeito.

E se você não quiser acreditar em mim, problema seu.
Todo e qualquer novo comentário a respeito da Asamiya vai ser bloqueado nas minhas redes sociais e blogs. Ao contrário dela, minha tolerância é inexistente.

Por consideração ao seu trabalho e a boa amiga que foi, fiz esta nota de esclarecimento com educação.

Cordialmente,
Kimono Vermelho

sábado, 4 de agosto de 2018

Sobre a Bienal do Livro 2018

Olá, leitores!
Quer dizer... ainda existe algum que passe para ver se esse blog está sendo atualizado?

Enfim...
Era costume o Kimono Vermelho acompanhar a Bienal do Livro, o melhor evento que eu conseguia participar e fazer cobertura ao mesmo tempo. Infelizmente este ano tudo deu errado e precisei, COM MUITA DOR NO CORAÇÃO (inclusive dor física), tomar uma decisão difícil: não ir à Bienal.

A boa nova é que 2020 está aí e, se Deos Matoba permitir, estarei bem viva para fazer uma cobertura linda e maravilhosa com direito a muitas fotos DIRETO DO EVENTO! HUHUHUHUHU! Tenho fé que conseguirei fazer algo bacanudo assim daqui a dois anos.

Para todos que puderem aproveitar, por favor, SE JOGUEM LOUCAMENTE NO CHÃO DO ANHEMBI FAZENDO STREET DANCE que a minha alma irá ser recompensada pelo Além.

Sobre a Bienal de 2016 que prossegue incompleta... Um dia eu termino de contar o que aconteceu há dois anos. A boa notícia é que o caderno com as palestras que assisti REAPARECEU!

Não colocaria a culpa nele, afinal, na capa tem um coelho e esse bicho nunca foi conhecido por ficar paradinho numa gaveta, né?

MAIS BOAS NOTÍCIAS: tenho passado por períodos tão difíceis na minha vida que as ideias para contos estão brotando. Ou seja, alguma hora ISSO AQUI VAI SER UM ANTRO DE PECADO, digo, DE CONTOS DE TUDO QUANTO É TIPO DE ASSUNTO MÁGICO, ASTUTO E RETARDADO!

Bom, por enquanto as coisas ainda precisam entrar nos eixos e serem resolvidas, mas ficarei contente em revê-los qualquer dia desses.

Abraços,
Kimono, a viva, porém, cheia de dores e angústias. 

sábado, 24 de junho de 2017

Sábado Nostálgico

Era o dia perfeito. Nuvens pesadas cobriam o céu da cidade e espremiam aquela chuva preguiçosa de final de semana. Ainda bem que era sábado.

O frio convidativo fazia com que ninguém que pudesse ficar em casa deixasse a coberta ou uma gostosa manta de lado. Entre o balde de pipoca, o chocolate quente e a televisão, existia quem preferisse o descanso da cama ou um amor mais quente.

Margot olhava a chuva cair pela janela, aquecida por uma blusa de lã confortável, mas nada atraente. Palavras de sua mãe.
O asfalto normalmente tinindo em dias ensolarados estava ainda mais escuro, dando a sensação de que sair de casa era uma péssima ideia. Não que ela estivesse planejando algo, afinal, era conhecida por ser caseira até em excesso.

A imagem de sua janela era realmente bela. As gotas de chuva caíam tranquilamente, como a de um banho que lavava o vidro sem muita pressa. Por estar dois andares acima da maioria das casas podia ver o horizonte e a enorme montanha histórica que ficava ao fundo.

Morava numa região que mais parecia uma cidade pequena. O comércio ficava na rua contrária e por isso o que podia ver da janela era a parte residencial com seus telhados bem moldados, quase como obras de arte.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Bienal do Livro 2016 - "A presença do feminino na literatura"

A impressão que fica é que as cadeiras dos palestrantes eram mais confortáveis que as nossas.
Depois de uma semana doente e ainda não muito boa, trago para vocês a segunda palestra que assisti dia 29/08/2016, meu primeiro dia na Bienal.

Que os fãs das escritoras não fiquem muito ofendidos, mas eu fui pelo tema.

Que dia puxado...
Depois de sair encantada da palestra "Ficção e realidade na literatura policial", esperei mais duas horas para assistir "A presença do feminino na literatura".

Nesse meio tempo, eu e a Assistente do Blog Para Eventos resolvemos fazer uma boquinha, já que estávamos por lá desde as duas, três e pouco da tarde.
Mesmo com um food truck de churros e uma... food motoca(?) de docinhos, fomos passear pela área dos salgados.

Como a ABPE não gosta de hambúrguer, caímos no espaço do pastel.
A piada é que somos praticamente vizinhas de uma barraca de pastel, então fomos lá provar da "concorrência".

Ela comeu um de carne e eu fui no de pizza, o refrigerante nós dividimos.

Depois de buchinhos devidamente forrados, fizemos o caminho de volta para o Salão de Ideias, me baseando no mapa que imprimi um dia antes.

A coisa mais engraçada disso é que o Anhembi virou TÃO A MINHA CASA, que nos dias posteriores deixei o mapa fechado dentro da bolsa.

Cada edição que passa eu fico mais abusada.

Fora de casa até a novela das nove?
Quando deu sete e meia fomos buscar nossos ingressos e ficamos sentadas no estande do Submarino que tinha uns pufes azuis. Abraços, Submarino e seus funcionários bacanas que não fizeram cara feia para duas mulheres cansadas.

Dez minutos antes da palestra estávamos lá batendo um papo com as organizadoras do Salão de Ideias.

Um dos detalhes mais legais desses meus dias de heresia por lá foi que escolhi assuntos tão tranquilos, que a sala não encheu ou fiquei sem ingresso.

A palestra "A presença do feminino na literatura" contou com os seguintes nomes:
-Adriana Carranca;
-Ivana Arruda Leite;
-Nadia Gotlib.

No site da Bienal do Livro tinha o nome de Margareth Rago, no entanto, ela não participou. Também não sei o motivo.

Lembrando que esse mesmo site foi o ajudante maroto do destino que acabou me metendo em palestras surpreendentes e divertidas.

Bem...
Não sei se dá para incluir essa.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Bienal do Livro 2016 - “Ficção e realidade na literatura policial brasileira”

Na esquerda da imagem o jornalista e mediador Rogério Pereira. Do lado direito Santiago Nazarian, um dos escritores convidados para falar sobre o tema.
Enfim vocês conhecerão a Saga da Herege no Salão de Ideias!
Uma coleção de contos posts sobre as palestras bacanas e interessante que acompanhei nesses meus três dias de Bienal do Livro.

Espero que nenhum fã dos escritores que aparecerão nos próximos textos fique muito possesso comigo. Eu fui lá pelo tema.

O início dos plot twists
Como a primeira palestra começaria apenas no final da tarde, saí depois do almoço, curtindo um bom sono na parte da manhã.

A minha sorte foi que botei na cabeça que deveria ser mais pontual do que britânico, então saí umas boas horas antes garantindo um sossego para minha ansiedade e bons lugares nas palestras.

A Avenida do Estado estava truncada como sempre. Ela e a Rodovia Anchieta (dentro da cidade de São Paulo) poderiam dar as mãos, já que não sabem o que é "trânsito livre". O incrível foi chegar num Anhembi sem tantos carros e um sol gostoso, perdido no inverno do Hemisfério Sul.

Gostaria de reforçar a minha alegria por não precisar circundar o local e entrar pelo Hotel Holiday Inn. Sério, que desgraça deu na cabeça dos organizadores em 2014? Enfim, esse seria o primeiro dia da Bienal.

2016 - Um ano ruim para o país, mas ótimo para a Bienal
Meia hora antes da palestra, a distribuição de senhas começou.Precisaríamos ficar de olho apenas no horário de entrada, dez minutos antes, para pegar bons lugares.
Além de tirar foto, eu precisava escutar e anotar o que seria dito.

Sofri um pouco nesse primeiro dia e não falo pelos meus garranchos psicografados, os pulsos são quem ditaram a dor: um que segurava o caderno e outro que escrevia. Foi realmente louco.

Nesta edição o Salão de Ideias estava com um visual mais limpo.

As cadeiras eram desconfortáveis para gordos, em compensação tinha ar-condicionado, carpete forrando o chão e a arte temática da Bienal como fundo da mesa palestrante. (E invisível. Mesa ali só para colocar os microfones e copos de água com lacres difíceis de abrir)

A palestra "Ficção e realidade na literatura policial brasileira" contou com os seguintes nomes:
-Raphael Montes;
-Santiago Nazarian;
-E Rogério Pereira (mediador).

O site da Bienal do Livro foi um dos ajudantes marotos do destino que me sacaneou gostoso. Ao contrário da edição passada, não contávamos com nada além do tema e dos palestrantes. Sinopse? Talvez muito trabalho...

Então levada apenas pelo que tinha, confesso que caí em algumas armadilhas divertidas com ótimas lições para escritores novatos.